segunda-feira, novembro 08, 2010

PODER,COESÃO E CATÁSTROFE.

TEXTO ENVIADO (LEITORA)
"Desde que os supostos pacotes bomba começaram a explodir nos noticiários, uma frase também tem explodido diariamente dentro de mim: "Se a coesão da nossa sociedade era mantida outrora pelo imaginário de progresso, ela o é hoje pelo imaginário da catástrofe". Essa frase do Baudrillard me parece descrever exatamente o que o mundo tem vivido.

Não apenas os noticiários e os jornais têm me inquietado com suas imagens e versões diversas, mas, mudanças mínimas que numa simples fotografia ou conversa numa esquina vê-se o quanto tudo mudou e tem mudado rapidamente para quem vive aqui no Oriente Médio.

Parece que é senso comum que esse mundo, ainda governado pelos yankees, têm levado à cabo essa premissa, ainda mais após os tais atentados de 11 de setembro... uma premissa perigosa que a história tem mostrado e ensinado que nada constrói, além de medo e terror. Até meados da década de 80 vivíamos uma “guerra fria”, que na verdade não foi tão fria assim, pelo menos não nessa parte do globo onde estou vivendo... em especial, marcada pelos conflitos regionais alimentados pelas tais superpotências que se aliavam convenientemente mas nunca se enfrentavam diretamente.

São décadas de invasões, seqüestros, assassinatos, torturas, novos aliados, novos inimigos que vão se sucedendo e se completando no jogo de disputas pelo poder.

Parece pueril, no entanto, esta é máxima: o que está em jogo é o petróleo, é o poder...

Mas desde que a humanidade se organizou com este fito (pelo menos desde que é possível refletir as civilizações ao longo da História) – e aqui cabe inclusive incluir nossos vizinhos mediterrâneos, quando por anos, controlaram o mar mediterrâneo e conseqüentemente a rota das especiarias —petróleo da Antiguidade, os europeus buscaram novos caminhos e novas rotas para “suprir” suas necessidades econômicas, expandir seus territórios e possivelmente dar vez ao ego subjacente nestas disputas que necessariamente não se tratam de abastecer os bolsos ou os pratos dos menos favorecidos.

Pois bem, esta não é minha questão, a ressalva é feita para justamente me fazer entender como os caminhos da história podem ser cíclicos de vez em quando. Talvez não nas suas formas mais concretas e simbólicas, porém na essência, temos a sensação de um de já vu.

Ao reduzir os conflitos – que não são apenas os ligados à 3 semanas atrás com o seqüestro de soldados israelenses no sul do Líbano, nem aos pacotes suspeitos de conter bomba enviados para os Estados Unidos— mas sim tudo que vem se desenvolvendo desde a Guerra Fria, e para ser ainda mais “contemporânea” (não conseguir imaginar nenhum outro adjetivo que defina o que agora tento pensar) os atentados do 11 de setembro, Afeganistão, Osama Bin Laden, invasão do Iraque, ataque no sul do Líbano, homens bomba, ataque aos navios com missão de socorro à faixa de Gaza, enriquecimento de Urânio pelo Irã, aproximação do Brasil com os países do Oriente Médio e também com o Irã, expansão econômica do Governo Lula em acordos bilaterais fora do eixo Estados Unidos Europa, crise energética, alarmada auto suficiência da Petrobrás, venda de armas histórica para a Arábia Saudita realizada pelos Estados Unidos, aumento em mais de 30 anos do preço do ouro e da prata... Enfim, poderia listar uma série de outros fatos que no meu entender não são meramente coincidências.

A máxima do Baudrillard, com a qual comecei a refletir este pequeno texto, me faz rever uma série de posturas, inclusive nas eleições à presidente no Brasil.

“Eu tenho medo do Lula”(há 8 anos atrás dizia uma renomada atriz de televisão no Brasil) ... “eu tenho medo do Serra”... “Dilma no poder, ela já fez o que?” Oras, parece que essa guerra fria é algo que tem se reinventado cotidianamente sob o porrete do medo yankee , construindo preconceitos, solidificando xenofobias, crimes contra o "outro", uma sociedade à espera da catástrofe... sob as inúmeras formas de violência física e simbólica que se pode imaginar. Inclusive à ponto de constantemente vermos pessoas torcendo para que o governo dê errado , só para provar o quanto estamos certos, esquecendo-se de que tal egocentrismo é mais um sintoma desta ferida que vem crescendo em nossas sociedades.

O mote deste “poder” não é apenas o petróleo, mas há toda uma trajetória de egos em disputa, um espírito de conquista medieval pautado na incapacidade de tolerância, na incapacidade de coexistência linear, horizontal...

Esse meu blá-blá-blá todo, na verdade tem uma razão ainda mais direta. Acho que passa da hora do mundo prestar mais atenção no que lê e no que assiste... esse cara no vídeo em anexo –acho que você deve ter assistido ao vídeo antes de estar aqui lendo esse meu desabafo — George Galloway, puxa vida, joga no ventilador um pouco da poeira colocada debaixo do tapete...

À nível de informação, ele é um parlamentar britânico, vice presidente da Stop the War Coliation, criada em setembro de 2001 com o objetivo de ser uma voz de oposição à tal Guerra contra o Terror, base da atual/velha política externa americana(dá uma olhada no Google se você quiser saber um pouco mais).

George Galloway tem uma posição dura ao se colocar em defesa dos grupos palestinos e principalmente por questionar de forma muito lúcida esse “terror”.

Estou morando no Líbano há quase 1 ano e muita coisa é preciso que seja dita e esclarecida...estudada...analisada...

Eu mesma tenho me repensado todos os dias. Vejo e descubro em mim uma casca ocidental que olha com repúdio, com pré-conceito, com superioridade de quem acha que sabe mais... Essas minhas palavras são exercício deste estranhamento que passa a ser cada dia mais forte, diante de uma crise política que o país se vê mergulhado novamente.

Que o mundo se pergunte o que é afinal esse terrorismo, que o mundo veja quem e o porquê desta guerra que jamais terá fim! Até mesmo porque não há interesse para que haja um fim... Salvo todos os judeus, que também estão nessa situação de viver sob a égide do medo e do terror, Israel hoje tem uma postura terrorista...tanto quanto o Hezbollah se nos pautarmos nesse modelo disseminado pelo tio Sam.

Aliás, vivendo aqui posso dizer ouvindo cristãos e sunitas, que o Hezbollah não é um grupo TERRORISTA, assim como comunista não come criancinha!!! No mundo árabe inteiro, o Hezbollah passa a gozar de uma imensa credibilidade, provendo com assistência médica (possui 43 hospitais no Sul do Líbano) escolas, projetos de agricultura de subsistência dentre outras coisas, e se consolida a cada dia como parte de uma resistência contra as sucessivas invasões em seu território que vêm sofrendo há anos. O Hezbollah é uma milícia, porém suas contradições não podem ser resumidas à sua postura criminosa, como querem os pró-israelenses, nem muito menos amenizada pela concepção de que os fins justificam os meios.

A milícia é uma estratégia que também foi usada pelos americanos durante sua histórica guerra civil. E pelo pouco que sei, uma estratégia de milícia se torna mais útil quando não se pode enfrentar o inimigo mais forte usando as mesmas armas que ele possui, quando o mais fraco não pode utilizar das mesmas moedas que o mais forte lhe impõe.

Ao contrário do que as pessoas pensam a guerra de 2006 aqui, no Líbano, não teve um vencedor, a prova disso é que o Hezbollah está aqui firme e forte...além disso, se houvesse “vencedores” como explicar a crise atual e o tal “julgamento” que sequer teve seu inquérito concluído, apontar meses antes que o culpado pela morte do Rafic Hariri foram membros do Hezbollah??? ( me refiro à corte internacional que investiga o atentado que culminou com o assassinato do presidente sunita Rafic Hariri e que havia apontado sírios como os responsáveis, e depois de tantos anos agora passa a apontar o Hezbollah sem sustentação real alguma).

Há uma clara insistência em jogar no colo destes indivíduos, e aqui nem assumo uma postura de defendê-los como vítimas circunstanciais, mas parece que se quer fazer engolir tal qual se legitimou ao mundo uma guerra contra o Afeganistão, ou o tal arsenal atômico do Iraque, agora o Rafic Hariri virou uma instância suprema que poderá servir como mote para uma iniciativa que não será aceita pacificamente e nem deve!

O Hezbollah tem conquistado simpatia até entre os cristãos, pois eles são parte da resistência libanesa há décadas, resistência necessária nesse pequeno país de 10mil hectares apenas... quintal de disputas alimentadas , fabricadas...

A política do terror entre ocidente e oriente tem toda uma construção que é alimentada pelo próprio conflito entre ambos, não é a toa que, quem fornece armas e apoio incondicional à Israel é o mesmo que faz a maior venda de armas da história para a Arábia Saudita. Repito, os fatos falam por si: ha menos de 2 meses o preço do ouro e da prata dispararam em mais de 30 anos, logo a seguir uma venda de armas bilionária também entra para a história e agora pacotes suspeitos e atentados "assumidos" pela Al Qaeda acontecem... UAU... qual será a próxima?

Enquanto isso no sul do Líbano milhares continuam sendo seqüestrados, assassinados ... enquanto isso a água potável do país é controlada a ferro e fogo por Israel...Enquanto isso pessoas são obrigadas a deixar suas casas porque souberam que a casa que herdaram de seus avós não lhes pertence mais... Acho que nós precisamos parar para refletir aquilo que lemos e mediar mais criticamente o ponto de vista de quem fala... A questão palestina não é menos legítima que a dos judeus.

Os homens bomba são parte de uma resistência que sucumbe em suas próprias contradições.

O fato do Irã ter enriquecido urânio e o fato de Israel ter recebido mísseis nucleares de "presente" dos EUA tem sim relação...e porque o sangue de um é mais legítimo que o sangue de outro?? Onde estão as armas nucleares de Saddam Hussein??? Que democracia é essa que impõe? Que condena? Que pré julga que os outros são piores e que "nós" ocidentais temos a verdade a nosso lado???

Muitos não sabem, mas o Marmooud Armadinejah foi eleito. O fato do Brasil se aproximar do Irã não implica que nossa soberania será rebaixada. Ao contrário, as relações diplomáticas devem substanciar-se na afirmação da soberania de ambos os lados.

Acho que é fundamental também levar em conta a imensa crise de energia e de água que os países árabes enfrentam, ao mesmo tempo em que a energia nuclear é uma alternativa...

Por que o mundo deve confiar que os EUA devem ser os detentores da bomba atômica?? Acaso, quem tem começado guerras com pretextos de medos e terrores???

Os caminhos da resistência --hoje chamados de terrorismo-- são formas novas paridas pelo próprio monstro dominador...
lembremos Vietnã...lembremos Afeganistão e o discípulo americano Osama Bin Laden...que não vive em caverna alguma, isso é um grande mito!!

Muitos têm me dito que estou tomando as dores, porque estou morando aqui... talvez... num olhar mais apressado...
porém, ouvir o outro lado tem me feito refletir e isso não me impede de ver o tamanho da corrupção dos estados (Líbano e Jordânia países que transitei) árabes...
é triste a disparidade social... mas também é belo o nível cultural e educacional dos "pobres"...
não há dúvidas de que o mundo perde com tantos conflitos e com tanta mentira...
e minha idéia de democracia não é aquela que condena, pré julga e assassina.

abraço de paz "

Enne Moreira Lima



OBS.: Blog aceita colaborações como essa. Grato!

sábado, novembro 06, 2010

HUMILHAÇÃO É DIVERSÃO?, É RECEPÇÃO ACADÊMICA?


A violência, no interior dos campi, vai se avolumando como modismo, iniciando-se sob o manto encobridor da calourada, da recepção de calouros e do trote. Até quando vamos tolerar atitudes bizarras como brincadeiras?

A barbárie parece querer se vingar do conhecimento civilizatório, da ordem humanista. Cada vez mais o pensamento crítico, analítico, sistemático e reflexivo tem que ser rebaixado e se submeter aos imperativos da noção comum, da pré-noção e do achismo. No lugar de uma racionalidade para a paz e desenvolvimento civilizatório, cultiva-se a instrumentalidade da razão para o mal, para alimentar o horror no micro-cosmo social. “O intolerável não pode ser tolerado!”

"Fala-se de uma ameaça de regressão à barbárie. Mas não se trata de uma ameaça, pois Auschwitz foi a regressão; a barbárie continuará existindo enquanto persistirem no que têm de fundamental as condições que geram esta regressão. É isto que apavora." (Adorno)

São nos micro-espaços do cotidiano social que o mal vai se perpetuando silenciosamente. É por aí que vão se firmando a banalização do mal (Arendt) e o cultivo no neo-conservadorismo que, segundo Laclau, coloca a ampliação da revolução democrática como sendo “excesso de democracia” e provocando, ao mesmo tempo, uma onde de igualitarismo que faz com que a sociedade fique ingovernável.

“Eduquemos no sentido da auto-reflexão crítica e nos dediquemos à tarefa de esclarecer, para que se produza um ‘clima intelectual, cultural e social’ que não permita a repetição de Auschwitz. O primeiro passo é repensarmos nossas práticas como educadores e nos indignarmos com tudo que nos lembre Auschwitz...” (Fábio Freitas)

Essa bestialização do espaço acadêmico precisa ser contida antes que seja tarde demais. Puxar pessoas por corda não é uma recepção acadêmica.

sexta-feira, novembro 05, 2010

GOZANDO COM O PIRULITO ALHEIO


Há os que gozam da glória por esforço e talentos próprios, mas há os iludidos que, sob o brilho alheio, ignoram a escuridão em que estão imersos. Esses últimos são os que gozam com o pirulito alheio. Sem nenhum talento e esforço aproveitam as sobras da glória alheia para se vangloriarem.
Seus olhos já estão ofuscados de tanto  olharem para os iluminados. Babando...

Por outro lado, essa situação de aliados do mandonismo não corresponde a uma ascensão, pelo contrário, é uma nítida condição de rebaixamento, pois passaram a ser meros paus-mandados ou capitães-do-mato.
Cegos pela vaidade e esperteza... acham que é uma vitória a posição que ocupam no interior do mandonismo. Não é vitória, é pura humilhação! Por quê? Porque os que outrora destilavam ódio e fúria contra a família Sarney... agora estão lhe servindo docilmente... (em troca de cargos e algumas comissões minguadas). Foram comer mansamente na mão do clã Sarney. Serão sempre tratados como membros de terceira categoria (baixo clero) dentro do clã. Lá tem hierarquia, a antiguidade por serviços prestados é posto e vale alta patente. 


Humilhação com todo requinte É o saldo, até agora, dessa adesão. Eis o legado dessas pessoas para a história.

Por outro lado, os ameaçados de expulsão, caso isso seja concretizado, vão deixar um legado bem claro para a história: não serviram ao mandonismo, não aceitaram a servidão.


Além disso, frustraram o senhor mandão de ver, antes de morrer, todos os seus opositores ajoelhados no eito do seu latifúndio! Ser expulso por não aceitar tal “parceria” política é uma honra. Ser punido e perseguido por não capitular às humilhações não é demérito, mas glória.

Não é ódio e nem rancor, senhor mandão, é convicção e crença em valores diferentes dos seus! Não queremos sua companhia política, só isso!

Seria mais coerente e digno não falsear, não criar álibis ridículos como: “corpo mole”, “falta de empenho” etc. O desejo e a deliberação de punir os não aliados já existiam. O plano era tolerar, usar nossos esforços em prol de Dilma e depois das eleições punir. Pronto! Não precisa essa dissimulação.

Os incomuns do Maranhão já são conhecidos por sua sede de vingança; estranho seria se eles não tentassem algo dessa natureza. Vingar e humilhar é um tipo de "sacramento" para  o clã mandonista.

O PT, desde o último congresso, firmou um novo modelo de ser: partido de cúpula, verticalizado, tendente a eliminar o basismo como campo de disputa e de formulação coletiva. O PT tende a ser um partido de cúpula, de poder verticalizado. Chegou o tempo de estiagem para as tendências não subservientes ao poder central.

Alguns colegas, agora acusados de terem traído Dilma, fizeram defesas calorosas em prol de Dilma. Esforço inútil, pois nem Dilma e nem ninguém da cúpula do PT estão valorizando a militância desses companheiros. Eles acreditaram na possibilidade de ser PT e Dilma sem ser sarneyzista. Nunca acreditei nisso. A ameaça de expulsão deixa claro isso!

Como já disse, o PT que existe hoje no Maranhão é o PT da aliança Dilma/Sarney/Lula. Apoiar Dilma é apoiar Roseana, sem isso vai para o paredão. É isso. O PT do Maranhão para Dilma é o PT dos que estão com Roseana no governo. Os filiados não-aliados dos Sarney podem ser descartados tranquilamente. 
Quem sabe o amanhã...?

terça-feira, novembro 02, 2010

LULA E O SALDO ELEITORAL DO PT- A FORÇA VERMELHA

É certo que o Partido dos Trabalhadores (PT) ainda não consegue barganhar o mesmo número de prefeituras como o PMDB, particularmente nos milhares de municípios pequenos e médios. Dos 5.561 municípios existentes, até o momento, a fatia do PT ainda não é robusta, mas está à frente de uma parcela de municípios importantes, expressivamente populosos e ricos.

Por outro lado, o PT conseguiu conquistar o governo de quatro estados e mais o distrito federal. Destacamos que dois estados e o distrito federal estão entre os maiores PIB e também com significativo número populacional. Isso é mais que suficiente para perceber a importância e dimensão do campo de influência do partido. Não só isso, o partido carrega uma responsabilidade administrativa grande independentemente de estar à frente da Presidência da República.

O PT ainda está diante do desafio de programar um modelo de gestão local reconhecido e eficiente sem o atrelamento ao sucesso do governo federal. Isso diz respeito aos continuados acréscimos de competência sobre os municípios. Tanto os governos estaduais como o federal estão colocando sob a responsabilidade do poder local a prestação e execução de diversos serviços, mesmo sem ainda estarem instrumentalizados e organizados para efetivar tal gerenciamento.

O ponto da questão é: voltar ao mote das administrações locais diferenciadas, difundido pelo PT antes da chegada de Lula à Presidência, e que ficou ofuscado pela popularidade e performance do mesmo.

Lula tinha ao seu favor sua origem, sua história que o escudava, pois ativava o sentimento de culpa de parte da sociedade brasileira, tendente a não aceitar os ataques mais frontais contra “pessoas simples”, pois carregar oculta a vergonha da desigualdade social explícita.

É hora de entrar em cena o pano de toureiro para desviar a atenção do touro. Creio que vem por aí o efeito lacuna produzido pela saída de Lula.

É hora de Partido! Voltar a marcha partidária diminuída pelo alargamento do carisma da figura do Lula. Número e recursos o PT tem!

 

domingo, outubro 31, 2010

ABSTENÇÃO: precisamos investigar


Esse segundo turno vai ser marcado pela abstenção, sem dúvida. Passei em quatro municípios: Itapecuru, Miranda, Bacabeira e Santa Rita e a freqüência estava baixa. Poucos eleitores presentes nos locais de votação.

Já há indicativos de que isso está acontecendo em outros estados da federação. O que houve?

É certo que houve descontentamento por parte dos eleitores diante do nível das discussões travadas pelos candidatos. Faltou sedução e encantamento pelas campanhas.

Os candidatos não são carismáticos, possuem discursos ruins etc. Mas, será que essa desmotivação é culpa só dos dois candidatos? Não. Improvável que exista um só fator contribuindo para isso.

Outros fatores podem ser elencados. Parte dos eleitores do PSOL, Marina, PSTU etc., inclinados ao voto nulo, podem ter optado em simplificar esforço, ficando em casa. Marina teve uma votação expressiva, mas os candidatos das demais legendas não foram tão felizes nas urnas em termos percentuais.

Certamente existem outros elementos ainda não tão bem delineados. Mas destaco dois: a ausência de disputa parlamentar no segundo turno, isto é, deputados arregimentando os eleitores para o voto e a brutal transferência de domicílio eleitoral nas últimas eleições municipais, isto é, aqueles eleitores que passaram a votar fora do local onde reside. No Maranhão isso é um problema sério. Muitos municípios o número de eleitores ultrapassa o número total de habitantes. É como se 200% do município votasse. Lembrando que abaixo de 16 anos não existe eleitor.

No primeiro turno, candidatos, os mais abonados, "ajudaram" nesse deslocamento de eleitores, verdadeira migração eleitoral, mas agora não há mais motivos para investirem nisso. A maioria dos candidatos, depois de cada pleito, sai derrotada. Esses candidatos derrotados estão trocando em miúdos seu calvário eleitoral e poucos continuam interessados em campanha.Os candidatos eleitos, um pequeno número, não vão mais gastar, porques já alcançaram seus objetivos.
Sem o partelalismo, muitos eleitores preferem a justificativa ou a multa de R$ 3,00.  Pois é mais barato do que pagar uma passagem de R$ 30,00, R$ 40,00 ou mais. Por outro lado, muitos eleitores vão ter trabalho na segunda, o que dificulta ainda mais viajar. Teria sido mais conveniente antecipar o feriado do dia 02.

A pouca eficácia da Lei da Ficha limpa, a sessão sem solução do STF não são coisas desconsideráveis. Que motivação vai ter o eleitor de votar se o próprio STF não consegue dizer se a lei vale ou não?

O apoio de Roseana Sarney à candidata do PT foi efetivo nesse segundo turno? Qual o tamanho desse apoio eleitoralmente?

No entanto, considero que essa abstenção guarda outros conteúdos de uma massa silenciosa crescente no interior do eleitorado brasileiro...Isto é, a derrota da Política!









sábado, outubro 30, 2010

FALA QUE EU TE ESCUTO, EDIR MACEDO!


A campanha de Dilma não podia chegar ao fim sem receber um importante apoio espiritual. Eis que a verdade da fé veio ao encontro da candidata: Edir Macedo (líder supremo e proprietário da Igreja Universal do Reino de Deus). O líder religioso defendeu Dilma no seu blog e, lógico, deixou claro de que lado está. Não é para menos, o PRB é partido da base do Governo, e também tem vínculo com Edir. Coerência.

Pergunto: O Presidente da República não vai reclamar que o Estado é laico?

Democracia é assim... com liberdade e direito de cidadania. Religiosos também são cidadãos. Considero importante essa manifestação aberta de Edir Macedo, principalmente depois do Papa Bento XVI ter pedido posicionamento político aos católicos brasileiros. É isso, leve seus valores para as urnas, ninguém existe sem valores.

O apoio de Edir Macedo é congruente com o voto pautado em resultados econômicos, pois esse senhor é adepto da teologia da prosperidade, que reivindica graça e salvação, isto é, perdão, milagre e prosperidade econômica. É uma teologia totalmente conectada com os motes de campanha da Dilma: “classe C que está viajando”, “o Brasil que está dando certo” etc. Eis a coerência ideológica e programática! Viva a laicidade lulista!

A esquerda Dilma-lulista está, com a fogueira santa, mais pertinho do paraíso da prosperidade!

O que diz Edir Macedo: “O Senhor Jesus não precisa de advogados, nem de assessores de comunicação que saiam em “defesa” de Seu Nome.” (disponível no site pessoal do Edir)

O que diz a Bíblia: “Eis o que deves ensinar, pregar e defender com toda a autoridade. E que ninguém te menospreze!” (Tito 2:15)

sexta-feira, outubro 29, 2010

BISPOS NÃO PODEM SER OMISSOS


Pronunciamento do Papa afirma a necessidade de católicos se posicionarem politicamente. Veja:

“Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, consequência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático --que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana-- é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambiguidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sóciopolítico de um modo unitário e coerente, é necessária --como vos disse em Aparecida-- uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o "Compêndio da Doutrina Social da Igreja" (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambiguidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010)."
(Trechos do Pronunciamento do Papa Bento XVI)



 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...