domingo, dezembro 04, 2016

O Poema sujo de um poeta límpido: José Ribamar (Ferreira Gullar)

Gullar é o que José Ribamar criou como artífice, senhor da artesania poética. O poema Sujo de uma extrema poesia. Um extremo de poeta da vertigem, simGullar poeta:

"Ah, ser somente presente:
esta manhã, esta sala".

"Infringe o Código de Águas
Relincha
Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.
E só depois
Reconsidera: beija
Nos Olhos os que ganham mal
E embala no colo
Os que têm sede de felicidade 
E de justiça."

"deixa que a dor se exerça agora 
sem mentiras
nem desculpas

que a vida só consome
o que a alimenta"

"mar azul
marco azul barco azul"

"azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu"

"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo."

"SOU uma coisa entre coisas"

"Rés do chão."

"a mão do sopro
contra o muro

escuro"

"O poema, senhores,
não fede
nem cheira"

"A poesia é o presente."




Será tchau ?




Tchau, Moro? Será? 

O outro lado do enterro. Cabe ressaltar que os comunistas seguiram a recomendação da Igreja Católica que, recentemente, reafirmou que preferível o enterro, mas aceita que cristão seja cremados. Porém, recomenda que as cinzas sejam enterradas e não espalhadas, jogadas ao vento, lançadas nas águas do mar etc. Foi um "conversão" no final da vida? Quem sabe? O mais certo é que enterrando há um local para vender a visitação aos turistas.  

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