quinta-feira, fevereiro 03, 2011

ROGAI POR NÓS...

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Nos últimos dias. Detive-me na leitura de diversos blogs para acompanhar as opiniões e análises sobre a eleição na Assembléia Legislativa. Confesso que fiquei preocupado com o aprofundamento da condição de oposição-fã. Isto é, oposição que festeja o aprofundamento da sua própria fraqueza.
Tinha gente de oposição comemorando a derrota de Ricardo e tinha gente de oposição lamentando a derrota do Ricardo. Oposição indo a reboque como uma torcida clandestina.

A derrota ou vitória de Ricardo Murad representa uma única coisa: a fraqueza da oposição no Maranhão. Pois tanto Ricardo quanto os vencedores (os “revoltosos” – pode-se até batizar de Revolta dos Plays) são da Situação, são governistas e sarneístas. 

A oposição ao sarneísmo e ao atual governo nem estava mesmo  disputando, sentiu apenas o gosto da sua fraqueza. Comemorar o quê? Essa de gozar com o pirulito alheio tem forma de  humilhação.

O que aconteceu foi um pega, um rachão  governista  para saber quem era MAIS FIEL e MAIS ÚTIL à continuidade do mandonismo sarneysista.

A oposição não tem o que comemorar.  Esse é o lamentável quadro político do Maranhão. De um lado  - estão os donos do poder, que por cinco décadas tem mantido o estado numa situação de decadência e vergonha, e – do outro, uma oposição fragmentada, sem conseguir moldar um projeto viável, partidos repartidos e a ausência de nomes, figuras com densidade eleitoral e de liderança. Os nomes mais em destaque são promessas, sobre as quais ainda pairam muitas incógnitas, alguns com sério risco de serem acometidos da síndrome de Sabóia (aquela eterna promessa que eternamente não acontece). O restante é esse sem número de reclamantes sem voto, sem recursos etc. (posso ser incluído aí).

A disputa que se montou na Assembléia, independente de resultado, é motivo de sobra para chorar. Pois é garantia que a política no Maranhão continuará no mesmo patamar de miséria!
Para completar a nossa fraqueza,  fica cada vez mais forte, no interior da oposição, o mito da morte: “Se o velho morrer acaba tudo...” Isso não é uma declaração de fraqueza e desconhecimento  do adversário? A oposição quer vencer sem adversário? Por WO ?
Enfim, derrotados mesmos são os que precisam trabalhar para conseguir sobreviver. Não é fácil viver aqui sob o melhor governo da vida deles. Será a nossa penitência?



* Foto feita dia 30/01/2011. Av. São Luís Rei de França. 

LABIRINTO MORAL



“A sociedade é uma criação humana. Como tal é falível e frágil. Não existe instinto de moralidade social ou observância da lei.” (Hobel & Frost).

Durkheim deixou uma boa dica para responder um dos enigmas da grande esfinge: a vida social. Ao pensar a existência da vida coletiva constatou a importância do consenso nesse processo. Isto é, uma ordem, um determinado nível de regularidade. Daí destacou a moral como elemento significativo dessa trama. Cada sociedade revelava um tipo específico de solidariedade, e pela qual viabiliza a teia de interações sociais que a põe em funcionamento.

O mundo social não pode existir sem valores, sem norma. Uma crise moral impele a uma situação de incerteza. O conceito de anomia foi utilizado por ele para indicar situações em que a norma, ou melhor, os mecanismos de orientação da vida social já não atuam mais.

Mas durante todo o restante do século XX inúmeros interpretações surgiram para desqualificar e desvirtuar o sentido da interpretação. Esse trabalho desqualificador, em boa medida, foi desenvolvido por setores dos marxistas, uns por pura estupidez e ignorância e outros por sectarismo e pura maldade. Em geral, os aspectos da ordem social foram “criticados” como sendo doutrina conservadora e reacionária. 

A estupidez desses marxistas os impediu de entender que a ordem, no sentido  sociológico de  Durkheim, significa regularidade e, conseqüentemente, previsibilidade. Os desqualificadores de Durkheim viam na noção de equilíbrio um empecilho à revolução; à noção de consenso atribuíam uma tentativa de  alienação e mascaramento do conflito de classe. 


Essa postura desconsiderou a fecundidade de observações importantes sobre a realidade social, particularmente quando utiliza a divisão social do trabalho como elemento caracterizador do modo de vida social. Especialização, liberdade e formas de direitos são articulados a um só tempo para trazer uma explicação da forma de existência da realidade social a partir do social. A explicação do social ocorre pelo social. Argumentou e fundamentou sobre o nível de integração social como causa de certos desdobramentos do comportamento adotado por alguns indivíduos. Destacadamente fez isso quando abordou o suicídio. 

Não perceberam que Durkheim apontava para uns dos graves problemas da sociedade moderna: a violência. 

O enfraquecimento moral permite ações fora dos parâmetros de tolerância e de previsibilidade e coloca em risco todos os indivíduos. A violência transcende classe e qualquer modo de produção. O controle social pode ter ou não eficiência em qualquer modo de produção ou modelo de economia e mercado. 

A obra interpretativa (não mera descrições) de Durkheim tem mostrado consistência, vitalidade e grandeza diante dessas estúpidas interpretações de conveniência, o que mostra sua fecundidade sociológica. Além disso tem o primor da escrita e da erudição.

A sociedade da insegurança revela a importância dessas dicas interpretativas de Durkheim. Principalmente, quando assistimos uma forte inversão de valores, onde o imoral deixa de ser a exceção e o execrável, mas vira rotina e ganha cada vez mais tolerância. Isso tem ou não relação com elementos morais?; estão ou não envolvidos com a dimensão de valorativa?; há ou não uma perda da eficiência da norma?
O declínio de valores aprofunda ou não as anomias no cotidiano?
Negar o conteúdo valorativo na ordenação da vida parece perigoso. Quem dera fosse só o econômico...  (originalmente publicado em ethospolitico.zip.net)

* Arte de Yoan Bernabeu



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