quarta-feira, agosto 01, 2012

Batman foi curado em Abu Ghraib



Fui ver Batman ontem... sabe... Literalmente mataram Batman. Curaram Batman e Gotham City virou Metropolis: clara e feliz, onde o mal sempre é uma coisa exógena. Batman sempre trouxe um movimento contrário ao modelo americano, ao heroísmo americano. Apresentava o lado escuro da lua. Ou o lado da face da lua que nunca ninguém ver. Tinha uma crítica na na sua negatividade: o mal residia lá dentro. Batman é um ser perturbado (com os tormentos de todos os mortais, na verdade), Gotham é doente. Isso ficou muito retratado no filme anterior, quando o Coringa se coloca como espelho para Batman. Nele a lógica apresentada nas histórias em quadrinho foi radicalizada e ampliada. O edifício de moralidade americana foi demolido. 

Nessa versão arrumaram uma "clínica" para Batman se curar e, aproveitando o processo de conversão, jogaram o mal para o exterior, para o Oriente, visando demonizar ainda mais os árabes. Aquela prisão "clínica" deve ser Abu Ghraib, onde os americanos torturaram tudo e a todos sem resp
eitar nenhum dos direitos humanos em nome da democracia. A legitimação do terror pelo terror. 

Gotham apareceu mais clara retratando um período de felicidade da cidade, de paz. Pacificada e unida por uma mentira. Nisso vi muita sinceridade, mesmo que involuntária. Tanto na mentira das armas de destruição em massa de Saddam como no perigo do Talibã para o Mundo.

Esse filme do Batman "curado" contém um nítido ataque aos documentários de Michael Moore, particularmente a "Capitalismo - uma história de amor." Através da fala do vilão de aparelho, montam um discurso nitidamente anti-movimento popular, feroz defesa da propriedade privada e do progresso individualista. 

O filme tem um grande volume de visão política americana conservadora. Em um trecho, sobram referências anti-movimento Occupy Wall Stree: pobres atacando ambientes de luxo, violência contra pessoas bem vestidas. Uma pessoa vestida de casaco de pele é arremessada na calçada. Bem caricatural! Tudo para mostrar o perigo do povo, de mobilização popular e da crítica ao capitalismo. Resumindo: só uma elite esclarecida e heroica pode comandar e reter todas as decisões. 

Isso serve para os brasileiros perceberem como os americanos dão importância para política. Eles estão em campanha pela sucessão presidencial. Lembram do filme Avatar? Pois é, não levou o Oscar.. porque aquele filme do desarmador de bomba no Iraque, "Guerra ao Terror", que era melhor para a auto-imagem dos americanos. Como justificar aquela guerra?

Completando, e aquele diálogo do Inspetor com o Robin, nitidamente justificando os meios pelos fins? Melhor dizendo, vale a pena a lama, pois através dela é possível manter causas maiores, isso é fiel a Gotham, mas é um texto que merece placa de ouro na porta de entrada da CIA. Enfim, o gostoso mesmo é a arte e as possibilidades que ela abre de leitura. Imaginem quantas outras coisas contrárias e diferentes foram vistas por outros olhos!

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