domingo, março 27, 2011

ANACRÔNICOS AUTORITÁRIOS


Hugo Chávez  disse que o capitalismo destruiu a civilização em Marte. Nem Marx deu tamanho salto para fora da história. O capitalismo é cósmico e, negando Marx, não corresponde a um período específico da história.

Esse coronel já receitou, ao mundo, o livro de política do lingüista judeu-americano Noam Chomsky; pregou, em igreja americana, sua revolução – que só ele ver e compreende; agora defende o ditador assassino da Líbia: Gaddafi. Em 2009 chegou a condecorar Gaddafi com a maior honra da nação: Ordem do Libertador.

Jesus, Gaddafi, Fidel, Chomsky, Constituição e Decretos. Eis o ideário de Hugo Chávez, presidente da Venezuela. Nessa mescla sobram incoerências e confusões de ideias.

Em nome do Socialismo ele pretende morrer. Ele chama a Constituição Venezuelana de “uma maravilha”, mas quer governar por decreto... No fundo, quer amplos poderes. Já tentou isso recentemente tentando mudar 69 artigos da Constituição, a proposta era inconstitucional e feria o Art 342 da Constituição Venezuelana.

Lamentável como esse indivíduo exótico é a estrela de alguns socialistas e de parte da esquerda latino-americana. É herói supremo de uma parcela da esquerda  brasileira. Hugo Chávez é um coronel de formação ruim. Não serve nem como exemplo de militar.

Chávez tenta, sem sucesso, ocupar o papel de principal protagonista político da América Latina, a todo custo quer barganhar o espólio de Fidel Castro e continuar alimentando as militâncias fanfarronas espalhadas pelo mundo. Tipo de militância que acha maravilhosa  e aplaude situações políticas que não vivenciam, apoiam a partir do conforto das salas, sentados deitados nos sofás, com o notebook sobre a barriga e vendo televisão.

Chávez tentou dois Golpes. O segundo, assim como no primeiro, também fracassou! O que difere um do outro é que em 1992 a tentativa foi pelas armas, um golpe militar. Recentemente tentou usar a ágora, mas a ágora é um edifício de liberdade, onde a livre escolha e a vontade da maioria são princípios fundamentais.

Na segunda tentativa atacou a Constituição Venezuela, que ele mesmo tinha dito ser perfeita e a mais democrática. Porém, o povo disse NÃO. Os cidadãos fizeram valer sua soberania. Não aceitaram ser súditos desse autoritário.

Com a vitória do NÃO contra as mudanças constitucionais, em plebiscito, Chávez e seus pares foram derrotados na tentativa de personificação do poder político, sentiram que a opinião do povo pode mudar e mudar simplesmente pelo prazer da liberdade de poder mudar.

A suposta onipotência de Chávez começou a declinar não só por ter fechado um importante canal de televisão; não devemos acreditar que a TV é a única coisa importante que o povo tem para preservar. Não é só isso. Os cidadãos começaram defender a liberdade e temer a falta de limites ao mandonismo de Chávez.

Chávez, após a derrota, aumentou seu ressentimento e começou a produzir ataques à Igreja, ameaçando os bispos católicos. Isso lhe tem sido caro, pois a Igreja atua exatamente onde Chávez parece ser mais forte: nas camadas sociais mais pobres.

Povo venezuelano, na sua grande maioria disse, laicamente, “Não, Senhor!” aos arroubos autoritários de Chávez. Mas foi um “não” amplamente apoiado pela Igreja. No final, passado o plebiscito, vendo em detalhes, o Não foi útil ao Chávez, pois ficou mais difícil dizer que na Venezuela a democracia morreu completamente!

Em qualquer revolução ou movimento de libertação contemporâneo os valores de humanismo,  liberdade, igualdade e a dignidade humana dão sinais de força em qualquer parte do mundo. Portanto, essas são as referências mais fortes para os simbolismos em constituição. Chávez não apresenta nada de novo na sua salada de achismo e atitudes esdrúxulas. Ele e Gaddafi não apresentam nenhuma congruência com as demandas atuais por liberdade, igualdade e vida digna. 

Toda a prática histórica sob o carimbo do socialismo descambou para a violência e para o anti-humanismo, de forma semelhante ao capitalismo.Não é mais possível defender o socialismo apenas com os argumentos que “houve desvio” e/ou “interpretação errada”. 

O horror de esquerda ou de direita, socialista ou capitalista vai ser sempre horror.

PARTICIPAÇÃO PEQUENA



Não tem atitude mais despolitizante do que a propaganda da justiça eleitoral. Ela direciona sua ação “conscientizadora” exclusivamente para o eleitor. A eleição aparece como se não fosse um processo  em que diversas partes estão envolvidas. A                                           eleitoral parece estar em um lugar sagrado e cheio de justeza, modelo pronto e acabado de eficácia.

Quem mais precisa ser conscientizado da importância e do valor do voto são os candidatos que, quando eleitos, em geral, não lembram mais dos compromissos assumidos, não justificam suas mudanças e tão pouco sentem qualquer dever ou compromisso com a representação confiada pelo voto.

Reduzir a participação ao ato de votar é estreitar a  participação. Em democracia o voto é só uma parcela da participação do cidadão, não é sua totalidade e única forma de expressão. Essa postura torna-se mais dramática quando tentam dizer que a única participação consistente é pelo voto válido. Esquece que o voto nulo pode ter, em certas circunstâncias, um teor muito mais politizado, principalmente quando o sistema já estiver todo corrompido. Onde tribunais existem para anular o anseio popular e garantir uma legalidade desvinculada da legitimidade.  

Hoje é Páscoa.

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