quarta-feira, julho 22, 2015

Reinações de Zé Reinaldo II

Ontem escrevi sobre esse caso... Hoje fiquei pensando naquelas coisas mais próximas do que é o espírito dos nossos políticos. Isto é, o que quer Zé para além dessa preocupação com o Maranhão? Acho cabível esse argumento de que ele não está tendo o espaço que gostaria de ter no governo de Flávio, é algo a ser considerado. Porém, temos que considerar também que Zé viu que pode ganhar mais espaço político conquistando boa parte do espólio do sarneísmo. Sabem por quê? Porque toda aquela explicação dele não considera uma variável nada fácil: Ricardo Murad. Quem combinaria com Ricardo esse pacto? Onde ficaria mesmo Ricardo? 

Zé deve estar querendo trazer para si parte do espólio sarneísta que não é e não quer ser grupo político com Ricardo. Talvez Zé esteja focando exatamente os sobreviventes do sarneísmo que não querem ficar juntos com Ricardo e que estão pensando nas suas carreiras políticas, no pós Sarney. 

No que sobrou do grupo Sarney é certo que nem todos querem manter aliança ou seguir Ricardo. É fato comprovado. E muitos ainda não passaram para o lado de Flávio por respeito e deferência à José Sarney, só isso. Passam para o lado de Flávio mesmo sem Zé Reinaldo pelo meio.

Esse pacto no fundo daria a Zé parte do que sobrou do sarneísmo e com isso ele ganharia mais espaço no governo de Flávio. Por outro lado, Flávio passaria a ter mais apoiadores no Congresso, digo a bancada federal do Maranhão. Essa referência a Sarney etc. feita por Zé é parte do jogo e deve ser uma condição dos que querem sair de lá, mas sem serem vistos como traidores. 

O certo é que esses senhores nunca jogam com uma pedra só. 

As Reinações de Zé Reinaldo (a transição de conciliação)

Faço aqui algumas considerações sobre o texto atribuído ao ex-Governador José Reinaldo, conforme foi publicado no blogue do jornalista Diego Emir.

Antes de tudo, quero dizer que não vejo nada demais na proposta do ex-governador José Reinaldo. Mas algumas coisas considero passíveis de indagações. 

Resumindo o texto de Zé: o ex-Governador deseja que Flávio Dino etc. faça um pacto com Sarney em prol Maranhão (lembram da Aliança pelo Maranhão feita por Cafeteira e Sarney?), mas diz que esse pacto não seria pacto político. Que Sarney tem que tomar parte, mas não deve ser troca de cargos etc. 

Estranhei o ex-Governador José Reinaldo afirmar que o pacto em prol do povo do Maranhão não ser Político. Se é para garantir projetos para o Maranhão e em benefício do povo desse estado, não tem como não ser Político. Pois uma agenda comum que seja pró interesse público e do bem comum tem que ser Política. A ideia e o conceito de Política desde suas origens estão associados à coisa pública, a negócios públicos. Pois a Política é anterior e maior que a disputa eleitoral partidária, às coligações partidárias e às coalizões. Política nunca esteve restrita ao momento eleitoral... muito pelo contrário, ela é bem mais que isso, é bem mais que o exercício frio e seco do poder. A Política, em essência, sempre reivindicou algo maior, algo que envolva negociações, cooperações, consensos e decisões com objetivos claros. 

Que agenda comum é essa sem ser Política? Agenda comum que trate de interesse público e bem comum é Política. Que agenda é essa, Zé? Caso contrário é concerto sobre interesses estritamente privados...individuais e particularíssimos. Essa visão de política no estrito campo partidário e da disputa eleitoral é complicada, para não dizer lamentável. Ou Zé trocou as letras ou não quis dizer o que é a verdade sobre tal necessidade. 

Os argumentos de Zé Reinaldo em defesa de sua proposta são bem simples e objetivos. Zé Reinaldo começa seu texto reconhecendo, em tom de conciliação, que o ex-Presidente José  Sarney ainda tem algum prestígio e exerce certo grau de influência na esfera do poder federal, que o país passa por um momento difícil e o governo de Flávio vai precisar somar  mais forças para poder realizar ações em prol do povo. Daí a importância de uma aproximação com Sarney em prol do Maranhão. 

Alguns dirão, em tom de ironia, trata-se da velha parábola do filho pródigo. Cá entre nós, a briga de José Sarney e José Reinaldo só eles mesmos entendem. Briga que já rendeu textos de rancor totalmente desnecessários e não adequados a um ex-Governador e a um ex-Presidente da República. Enfim... coisa intestinal do sarneísmo que agora parece ter começado a ter um final feliz. 

O certo é,   a vitória de Flávio, como já comentei aqui nesse blogue, significa um ajuste intra-oligárquico, não uma ruptura com a teia oligárquica que domina cada um dos municípios maranhenses. Além disso, destaquei que havia a possibilidade de uma transição de conciliação (onde um lado ainda retem força a ponto de impedir que a parte sucessora encaminhe tudo ao seu modo). Retirando as intrigas pessoais e demagogias, Sarney não está tão distante do campo político de alianças de Flávio, vide a relação com o PT, Lula e Dilma. Dentre os aliados locais de Flávio há uma série de ex-sarneístas e outros não-sarneístas que não significam nada de diferente (alguém não conhece?).  

Qual a questão central disso? O contexto. Que a gestão de Flávio para realizar as promessas de campanhas e políticas necessárias para combater graves problemas iria depender da situação econômica do país e das condições políticas do Governo Federal é algo que parece bem óbvio. Flávio Dino para fazer um governo útil aos mais pobres e ser um governo regular no geral vai depender que a econômica do país melhore, que melhor controle e equilíbrio nas contas públicas do país. Porém, há um outro componente que nunca é mencionado: o Maranhão se acostumou a ser dependente em tudo e não consegue realizar nada sem o apoio financeiro do Governo Federal. Para complicar a situação, as obras realizadas no Maranhão são com custos astronômicos. Alguém sabe por quê? 

Diante do quadro crítico que vive o país com a crise econômica e o desgaste político da chefe do poder Executivo Federal, as chances de obter recursos e desenvolver projetos agora no Maranhão são reduzidíssimas. 

Onde entra Sarney? Exatamente na crise. Exato na perda de apoio que Dilma sofre no Congresso e junto ao povo e os conflitos internos do PMDB. Sarney e demais caciques do PMDB estão tentando recompor um núcleo e retomar o controle do partido que andava convulsionado pelo Eduardo Cunha. Isto é, as ligações que Flávio tem com Dilma, PT e LULA pouco pesam no momento, tendo em vista que a sustentação e  continuidade do governo de Dilma está nas mãos dos caciques do PMDB. 

Com recursos escassos e previsão de melhoras a longo prazo, o cenário não é favorável ao governo de Flávio. Flávio não tem influência no Congresso à altura de suas necessidades  de governador. Sarney ainda tem alguns recursos e dividendos de influência no congresso, mesmo não sendo do mesmo nível de tempos atrás. A lógica de Reinaldo pode ser de ceder a alguns caprichos dos sarneístas em troca de apoio no plano nacional. O que os ex-Presidente José Sarney quer nesse momento da sua vida além daquilo que alimente sua vaidade, que cheire ao reconhecimento de sua importância? Nada. Tudo que o ex-Presidente quer é reconhecimento. O Ex-Presidente Sarney certamente considera  injustas a avaliação de sua trajetória política e a forma com é tratado. Acontecendo um gesto na forma de honraria, de reconhecimento logo "todas as lágrimas secarão, todas as dores acalma-se-ão."  

Fundação da Memória Republicana e o acervo pessoal dele (Sarney) estão aí mesmo esperando  um termo (acordo). Isso foi só para exemplificar...

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