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HUMILHAÇÃO É DIVERSÃO?, É RECEPÇÃO ACADÊMICA?


A violência, no interior dos campi, vai se avolumando como modismo, iniciando-se sob o manto encobridor da calourada, da recepção de calouros e do trote. Até quando vamos tolerar atitudes bizarras como brincadeiras?

A barbárie parece querer se vingar do conhecimento civilizatório, da ordem humanista. Cada vez mais o pensamento crítico, analítico, sistemático e reflexivo tem que ser rebaixado e se submeter aos imperativos da noção comum, da pré-noção e do achismo. No lugar de uma racionalidade para a paz e desenvolvimento civilizatório, cultiva-se a instrumentalidade da razão para o mal, para alimentar o horror no micro-cosmo social. “O intolerável não pode ser tolerado!”

"Fala-se de uma ameaça de regressão à barbárie. Mas não se trata de uma ameaça, pois Auschwitz foi a regressão; a barbárie continuará existindo enquanto persistirem no que têm de fundamental as condições que geram esta regressão. É isto que apavora." (Adorno)

São nos micro-espaços do cotidiano social que o mal vai se perpetuando silenciosamente. É por aí que vão se firmando a banalização do mal (Arendt) e o cultivo no neo-conservadorismo que, segundo Laclau, coloca a ampliação da revolução democrática como sendo “excesso de democracia” e provocando, ao mesmo tempo, uma onde de igualitarismo que faz com que a sociedade fique ingovernável.

“Eduquemos no sentido da auto-reflexão crítica e nos dediquemos à tarefa de esclarecer, para que se produza um ‘clima intelectual, cultural e social’ que não permita a repetição de Auschwitz. O primeiro passo é repensarmos nossas práticas como educadores e nos indignarmos com tudo que nos lembre Auschwitz...” (Fábio Freitas)

Essa bestialização do espaço acadêmico precisa ser contida antes que seja tarde demais. Puxar pessoas por corda não é uma recepção acadêmica.

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