sexta-feira, maio 05, 2017

O inusitado tempo nublado

O tempo atual parece tranquilo para uns pelo simples fato de não enxergarem nada à frente.
O tempo nublado e sua relativa opacidade está criando ilusões e tranquilidades irresponsáveis.
Atualmente no Brasil não existe um movimento democrático programático como alternativa eleitoral. Os atuais movimentos não têm força de mobilização nacional e nem são reconhecidos a partir de um programa ou agenda política que contemple as principais demandas ou que tenha propostas mínimas para enfrentamento da crise institucional existente. O modelo de Estado produzido pela ideia de Estado firmada na Constituição de 1988 é o desastre. Alguns dos nossos graves problemas são frutos genuínas da Constituição de 1988, que produziu inúmeras falhas institucionais e criou uma dinâmica política eleitoral, partidária e governativa extremamente inconsistente, falha e permissiva a atos e esquemas que ferem gravemente a credibilidade democrática e republicana. Esse estado de coisas vem gerando paulatinamente um processo de loteamento do Estado e findando qualquer perspectiva de políticas amplas e gerais de interesse nacional.

Corremos em direção de um perigo. A situação de insegura e incerteza, o sentimento de não correspondência e congruência dos atos das autoridades com a lei amplia o ânimo ao desrespeito generalizado às normas e um incentivo à produção de ordens particulares. O Estado de Direito no Brasil não faz o menor sentido para a população que assiste cotidianamente a discricionariedade de juízes e ministros do Supremo atropelarem todas as expectativas de justiça e seriedade.

Não é possível ver claramente o que há atrás das nuvens, mas é possível ouvir alguns ruídos vindo de lá. No cenário eleitoral nada menos e nada mais temos Lula com seu histórico 30% das intenções e do outro o candidato anti alguma coisa ou a tudo: Bolsonaro. Em termos de programa e agenda política um sabemos que não é mais que a continuidade do que aí está e o outro é simplesmente um vazio, não tem projeto algum e tudo que responde é de forma emocional e provocativa. Essa falta de opção que se coloca, por dois extremos de discursos e práticas políticas incoerentes, com viés autoritário e personalista e com uma grande pobreza de projeto político democrático de nação. Bolsonaro não é mais que um produto dos erros do PT. Ambos só oferecem continuidade. Sendo que Bolsonaro é o melhor adversário para um triunfo de Lula, que vem sendo ajudado pelo Temer, pois traz a necessidade de um messias para salvar o povo pobre das perseguições em curso (reforma da previdência, alterações na CLT etc.)

Onde estão os que não comungam com essas duas faces do autoritarismo e do personalismo? Onde estão os defendem a coisa pública e bem comum em uma perspectiva democrática? Onde estão os que defendem o Brasil?

Será que assistiremos um confronto final entre hipócritas corruptos e sanguinários boçais? 

O tempo nublado continua e sensação de tranquilidade é preocupante... 

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