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De volta ao trabalho: greve geral dos sindicalistas


O Brasil tem acumulado um déficit de aprofundamento democrático ao longo de mais de três décadas... que somado ao a incipiente institucionalidade republicana tem colaborado para o descrédito de várias instituições políticas e para a corrosão gradativa da crença na democracia. A comunidade política nitidamente em crise e mergulhada em uma pressão autoritária produzida pela Direita e pela Esquerda. 

O processo de redemocratização e todos os impulsos democratizantes foram paralisados por dois acontecimentos próximos: a Constituição de 1988 e a Estabilidade econômica produzida pelo Plano Real. Esses acontecimentos criou não só uma acomodação geral. O mito da constituição cidadã fez mutos setores passasse a se sentir no céu do Estado de Direito e Social e tudo ia ser resolvido no campo regulado, o que resultou em uma massiva judicialização de tudo. O bem estar econômico também produziu um paraíso, cujo referência de melhoria social era o consumo, que resumida no jargão "pobre agora anda de avião" ou na ficção surreal de uma tal classe C cheia de poder de consumo.

O Brasil atingiu o 7º lugar entre as maiores economias do mundo, mas sobre o mesmo pilar da época da colônia: Commodities. País mais rico e com a mesma falta de qualidade de vida e infraestrutura. Os pobres, imaginados como classes médias, continuaram sem hospitais, transporte público, saneamento básico, segurança etc. Ganharam o circo dispendioso e imoral de uma copa e uma olimpíada a preço de ouro (gastos exorbitantes e sem retorno social). 

Ao lado disso, os gastos primário continuavam a crescer, mas encobertos pela arrecadação crescente e os ganhos com commodities. Com a queda da arrecadação e retração dos ganhos com commodities o buraco apareceu, mas apareceu bem maior do que deveria ser pelo simples fato de nos últimos 12 anos os ocupantes do governo terem de forma sistemática gastado mal. Descaminho completado por um brutal esquema de corrupção e promiscuidade entre interesses privados e corporativos com os negócios públicos. Verdadeira farra anti-republicana.

Enquanto isso, a igreja católica calada estava e cala ficou, como se não existisse nenhuma demanda social digna de apoio, foi uma verdadeira paralisia política da , ao passo que o líder da Universal, Edir Macedo e congêneres preenchiam os salões do palácios e seus séquitos ocupando cadeiras no Legislativo e nos ministérios. 

O sindicalismo em êxtase, não reivindicava, não apresentava pauta, não tinha nada mais a fazer a não ser manter-se como aliado e engordar de tanto comer em cerimoniais. Os sindicalistas e a militância do PT passaram a se sentir uma corte ungida à permanência eterna no poder. No entanto, a doce vida de habitante do paraíso sofreu o primeiro grande choque de realidade em em junho de 2013, quando toda a vida paradisíaca dos companheiros no poder se depararem com grandes manifestações cívicas. Daí então... a imagina eternidade no paraíso imaginado começou a acabar.

A greve geral convocada para 28 de abril foi um sucesso enquanto greve geral dos sindicalistas profissionais (oligarcas sindicais). Que deixaram de efetivar a inércia político de 12 anos e retornaram ao mundo real das reivindicações, onde precisam existir para além do lobby e conchavos: nas ruas. 

O alinhamento cego ou mesmo cumplicidade com governos consórcio do PT (reacionários religiosos, alto empresariado, autoritários de direita, sindicatos e movimentos sociais, agronegócio) deixou os sindicatos e as centrais sindicais sem credibilidade, sem legitimidade para mobilizar suas bases. A omissão ou cumplicidade dos últimos doze anos, no lugar de uma crítica producente e responsável, fez o espaço político brasileiro perder a contribuição das oposições. E essa falta de oposição tem oportunizado o aumento do ruído forças anti-democráticas (minoritárias, mas agora visíveis). O que piora o quadro com a ampliação de uma ideia equivocada de liberalismo (autoritário) que difundem ódio a toda e qualquer demanda e política social. É preocupante porque esses autoritários não são liberais e deturpam a tradução do Liberalismo Político (que defende, entre outras coisas,  pluralismo e Estado Democrático de Direito). O que ocorreu mesmo no dia 28/abril foi uma manifestação de sindicalistas viciados e saudosos das benesses do Poder. 

Agora as legislações, dentro de contextos históricos, sempre são passíveis de revisão, ajustes etc. Essa proposta do Governo, em alguns pontos, beira sadismo, mas a CLT precisa ser revista, em diversos pontos, p. ex., a organização sindical. Eu pago um imposto sindical que nem sei o destinatário final do recurso. Isso é  de Estado de Direito? Onde está a efetividade do Parágrafo Único, alínea "a" do Art. 514? O gato comeu... 



  

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