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O que será de nós

O palco já ficou cheio de horrores: as cenas macabras só se repetem de um lado a outro do palco. O peso só aumenta sobre esse fraco assoalho democrático, ainda mais com toda a estrutura do Estado perdendo legitimidade de sua natureza pública. O Estado brasileiro precisa voltar a ter um mínimo de qualidade Pública. Não é mais possível aguardar algo de onde não pode sair nada mais: o Congresso. Falta qualidade de homens públicos, de estadistas e densidade moral para continuarem sendo componentes da Assembleia representativa do povo e dos interesses nacionais. 

Quem realmente governa esse país e com qual legitimidade?  Se ainda existe algum comando  institucional (não pessoal e não corporativo), para onde está nos levando? 

A falta de legitimidade já é total. A Lava Jato deixou bem visível os ossos podres do esqueleto do judiciário. A pergunta é: o que estavam fazendo os demais juízes e desembargadores que nunca viram nada e nem acharam fundamento legal para enfrentar tamanha corrupção? O que mais pode estar acontecendo contra o erário sem sofrer qualquer investigação? É possível ainda pensar em manter justiça estadual diante sua brutal ineficiência no combate à corrupção? Não deve ser poucos os crimes que ocorrem nos Estados-membros impunemente.  

Os escândalos envolvendo profissionais da política não só revela um corpo político corrompido, mas também um judiciário muito cúmplice e omisso, caso contrário, Moro não seria nada mais que mais um e a Lava Jato um seriado de horror tão longo. 

No mínimo, devemos pedir um alteração imediata no sistema eleitoral e partidário. Diante de tal crise é melhor privilegiar um sistema eleitoral que valorize minimamente a vontade de maiorias, que iniba campanhas com gastos milionários e voto distrital. Além do fim das coligações para cargos parlamentares e fim da reeleição. Tornar crime hediondo desvio de recurso público e todos os crimes contra o patrimônio público e não passíveis de prescrição.


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