Entre
os anos de 1983 e 1985 foram edificadas, em São Luís, diversas pirâmides. Algumas
serviram para sinalizar a obra da gestão que estava em vigor, porém, nem todas
parecem ter a mesma utilidade. Nesse período, ainda vigorava o regime de
exceção, iniciado com o Golpe Militar de 1964, portanto, os prefeitos de
capitais eram indicados pelos generais, em concerto com os aliados locais da
Ditadura. Os prefeitos, desse período, receberam
a alcunha de biônicos, termo dado pela oposição ao regime.
Por
que alguém adotaria como marco de suas realizações administrativas pirâmides? Por que
pirâmides em final de regime ditatorial? Qualquer sujeito, minimamente
informado, sabe que as pirâmides têm como principal referência o Egito antigo,
especificamente as pirâmides de Gizé. Como e por quais vínculos elas começaram
a ser implantadas em uma cidade marcada pela arquitetura colonial portuguesa?
As
grandes pirâmides do Egito despertam curiosidade e admiração ao longo de
milênios de anos, tanto pela imponência arquitetônica como pelos mistérios, misticismos e esoterismos que delas emergiram. Para esses últimos elas
representam o seu lar. No mundo inteiro existem os iniciados ou estudiosos das
pirâmides egípcias. No século XVIII surgiram as lojas “egípcias”, criadas por
Cagliostro, que acabou influenciando a franco-maçonaria. Diversas outras sociedades
secretas iniciáticas, ligadas ao ocultismo e/ou a alquimia, adotam a pirâmide
com símbolo, amuleto, objeto de culto ou manipulação. Então, o que motivaria,
na ausência de democracia, a implantação de tais pirâmides em São Luís?
Tentando
decifrar o código. Em São Luís já existiam dois monumentos de características
piramidais: a Pedra da Memória e o monumento a Manuel Beckman. A Pedra da
Memória é bem provável ter tido influência maçônica na sua concepção, o que
vale igualmente para o Monumento a Beckman. No entanto, o que se ver na década
de 1980 parece ter surgido por outras motivações e por iniciativas diferentes
dessas anteriores. Primeiro, essas pirâmides não foram edificadas por nenhum
motivo similar e nem para homenagear qualquer feito histórico da cidade ou do
estado. Segundo, o gestor dessa época parece que tinha consciência sobre a
posição e os ângulos que as mesmas formavam. Vide a distribuição das três
principais pirâmides, onde uma delas fica um pouco “desalinhada”, assim como as
do Egito. O certo é que o coração da cidade de São Luís passou a ficar sob uma
grande pirâmide. O desenho é perfeito. Muito pouco provável que tinha sido
arquitetura do acaso.
Depois
disso, as coisas foram mudando. O poder “político” no Maranhão, que estava em pleno declínio, dando sinais de naufragar
junto com ditadura militar, revigorou-se, como mágica, exatamente com a volta
da democracia.
Pode-se dizer houve um místico paradoxo. Pois esse poder decadente (aliado dos militares) foi ressuscitado pelos próprios opositores do regime militar. Depois o velho poder do Maranhão foi só ampliando sua força e tamanho na Nova República. A partir daí a República brasileira começa a ser enquadrada e o avanço democrático barrado pelas forças conservadoras, que encontraram nessa força maranhense o concerto eficaz. Dessa maneira a sinergia entre as forças autoritárias ganhou forma efetiva de controle sobre os Aparelhos do Estado no período pós 1984.
Para o construtor/executor dessas pirâmides ou dessa arquitetura místico/esotérica/ocultista, o prefeito de plantão, na época, os ventos da prosperidade sopraram forte e generosamente, tornando-o proprietário de um grande empreendimento, cuja sede tem, no telhado, algumas pirâmides, na logomarca também tem uma pirâmide, uma capelinha com cobertura piramidal e, no interior do prédio, diversas peças (réplicas) do Egito antigo ornamentam os diversos ambientes. Por isso, não é cabível acreditar que essas pirâmides foram postas em São Luís sem nenhuma intenção.
Pode-se dizer houve um místico paradoxo. Pois esse poder decadente (aliado dos militares) foi ressuscitado pelos próprios opositores do regime militar. Depois o velho poder do Maranhão foi só ampliando sua força e tamanho na Nova República. A partir daí a República brasileira começa a ser enquadrada e o avanço democrático barrado pelas forças conservadoras, que encontraram nessa força maranhense o concerto eficaz. Dessa maneira a sinergia entre as forças autoritárias ganhou forma efetiva de controle sobre os Aparelhos do Estado no período pós 1984.
Para o construtor/executor dessas pirâmides ou dessa arquitetura místico/esotérica/ocultista, o prefeito de plantão, na época, os ventos da prosperidade sopraram forte e generosamente, tornando-o proprietário de um grande empreendimento, cuja sede tem, no telhado, algumas pirâmides, na logomarca também tem uma pirâmide, uma capelinha com cobertura piramidal e, no interior do prédio, diversas peças (réplicas) do Egito antigo ornamentam os diversos ambientes. Por isso, não é cabível acreditar que essas pirâmides foram postas em São Luís sem nenhuma intenção.
Não é à toa que diversas obras e riquezas deste lugar assumiram dimensões faraônicas.
Ps.:
Essa “inquietação” com as pirâmides surgiu no período mesmo em que as mesmas
surgiram. Morava no Centro e achei aquilo destoante e feio. Recentemente a “inquietação”
voltou quando passava pela REFFSA. Saí procurando as demais pirâmides, logo
desconfiei do posicionamento planejado das mesmas. Graças ao Google acabei
confirmando o que imaginava sobre a disposição das pirâmides. .



ótimo post! Eu também já me perguntei o que significavam essas pirâmides!
ResponderExcluirCaro Igor,
ResponderExcluirTem muito mais mistérios nessa cidade... Aqui 73 milhões somem dos cofres públicos.. ninguém sabe, nenhuma autoridade quer saber... Não se sabe existe ou não, se foi repassado ou não... tudo mágica...