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FALANDO DOS FANTASMAS E O “MEIO IRRACIONAL” (O QUE É ISSO)


O que é a Economia? Existem inúmeras  definições para tal conceito. Isso é verdade tanto para a Economia enquanto fenômeno social e histórico amplo como para a Economia enquanto disciplina acadêmica. Para ambas as coisas há uma variação enorme de sentidos. 
Sobre a economia. Ela pode ser  definida como um fenômeno amplo, presente em diversas sociedades  e diretamente relacionada às relações que envolvem as transações de bens, serviços, produções, dinheiro etc. ou como uma disciplina acadêmica, mais precisamente a ciência econômica.

No Brasil, enquanto perdurou a inflação alta e descontrolada, entre os anos 80 e 90, os economistas eram comumente vistos nos telejornais dando explicações ou apresentando soluções controlar a inflação. A inflação virou uma palavra chave para tudo. O cometa Halley não foi avistado, logo se culpou a inflação, o país não se desenvolvia era a inflação, a pobreza era por conta da inflação, a taxa de natalidade também estava sob influência da inflação.

O que estava atrás de tanta inflação? Uma cultura inflacionária. A malandragem e a esperteza. Todos queriam tirar proveito a partir da inflação, com ela se justificava qualquer extorsão e canalhice. Tudo foi indexado, era a indexação da indexação, que no final realimentava a própria inflação. A malandragem era nitidamente suicida.

Hoje, o que é observado, alguns grupos empresariais, percebendo a ampliação da capacidade de consumo de diversos segmentos sociais e a elevação do padrão de consumo de diversos outros segmentos sociais, resolveram lucrar fácil, aumentar malandramente a margem de lucro. Primeiro veio o ataque do cartel do combustível, mas graças a intensa contestação do povo pelas redes sociais (internet); o Governo percebeu e o preço da gasolina declinou.

No mesmo passo, de forma fracionada e pulverizada, as redes de supermercados atacaram estão vorazmente atacando a economia, os preços dos produtos que subiram no período da entressafra, praticamente não foram reduzidos após esse período e outros, que não sofrem com entressafra foram tiveram seus preços elevados.

Na parte micro, mas imensa na soma geral, na trama das relações moleculares de consumo cotidiana, formalizadas ou de formalização autônoma/alternativa (temos dificuldade de aceitar o tal informal) o ouviu dizer, a sensação de impotência religou a cultura inflacionária perigosamente, e múltiplos reajustes foram feitos: lavagem de roupa, faxina, o churrasquinho vendido na calçada, a calibragem de pneus, o remendo de pneu, o cachorro quente da esquina, o cremosinho, o picolé de palito, o suquinho, o sorvete de coco de casquinho, a pipoca, o cuscuz ideal, o salgadinho de milho, o  PF (prato feito) da merendeira perto da rotatória, o lanche da bike-lanche, o milho verde cozido vendido na beira da BR, a garrafada do MC (Mercado Central), o copo de mingau de milho de Dona X etc. O que é muito preocupante.

Resta saber até que ponto a cultura de não consumir com preços absurdos, restringir consumo e optar por similares mais barato foi consolidada durante esses anos de vigência do Plano Real. Além disso, até onde a cultura inflacionária passou a ser rejeitada em uma forma de consenso.

Preços existem, cálculos e escolham racionais existem, mas há um amplo campo movido por motivações afetivas, de valores não estritamente econômicos que operam em todo e qualquer economia. Essas motivações escapam aos cálculos racionais efetivados nas universidades de economia. Essa parte compõe a faixa do talvez, do inesperado e , quem sabe, agregue também esse “meio irracional” pronunciado por um professor de economia no Globo News, hoje pela manhã.  Que bom ver o cálculo irracional pensar a partir do “meio racional”.

Esse “meio racional” entra como dado sinalizador do comportamento de variáveis e fenômenos componentes do sistema econômico? Como isso favorece a “compreensão da situação presente e o delineamento das tendências”?

Um fantasma paira sobre a ciência econômica.   

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