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DEPOIS DAS FARRAS TRIUNFANTES



Desde a década de 80 (do século XX) o mundo inteiro foi tomado por um festivo e triunfante alarde economicista. Num só instante a vida e a história estreitaram-se sobre uma única opção: o liberalismo, melhor precisando, o neoliberalismo.
As explicações pautadas no fundamento econômico dominou todas as pautas de discussões. Nesse debate figuram como personagens as vozes dos que eram a favor (os vencedores) e os contra (os vencidos). Mas ambos estavam de acordo sobre a supremacia da dimensão econômica. As desgraças e graças estavam sendo explicadas, pensadas e debatidas pautadas na idéia de que o econômico era a causa de tudo aquilo que afligia o mundo. Eis a nova ordem mundial: a realidade pensada e solucionada pela matriz econômica. CUJA DOUTRINA GUIA RECEBEU O NOME DE NEOLIBERALISMO.
Porém, no meio dessa festa liberal, O horror econômico, de Viviane Forrester, soou estranho pelas denúncias e pelo sucesso editorial. Outro detalhe: a autoria da obra não era de um economista etc., mas de uma jornalista. Poucos eram os contras o pensamento único e ningém conseguia atingir o grande público. Forrester conseguiu ser lida pelo grande público de forma ruidosa.
Por outro lado, perpetuava-se a ilusão de que o horror era só econômico. Jacques Généreux foi uma voz diferente, deu bastante atenção ao que explicitava Viviane, mas destacou um problema: o horror não podia ser pensado exclusivamente pelo econômico. Généreux destacou como questão fundamental o horror político.
Os anos se seguiram e os dois mandatos de Bush consolidaram esse horror. Na época Généreux fez uma pergunta simples: Por que, então, desviamos os olhos de escolhas das quais participamos, consciente ou inconscientemente, enquanto cidadãos, enquanto eleitores?
A última reunião do G-20 (em Lodres) marcou a ressaca do liberalismo triunfante. Essa reunião se constituiu no elemento factual para ilustrar que o horror do mundo atual é por demais político. Sem a política potencializada, sem consensos políticos não haverá possibilidade real de promoção, de garantia  mínima de sobrevivência aos cidadãos do mundo. Os esforços devem ir da produção de riquezas às condições de sobrevivência orgânica no planeta. Somente através da política a vida será garantida planetariamente.
(Publicado originalmente em 14/04/2009 - ethospolitico.zip.net) 

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