quarta-feira, maio 26, 2010

VIOLÊNCIA E O FIM DO MILAGRE MARANHENSE.

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A pesquisa Mapa da Violência, produzida pelo Instituto Sangari, deu mais 15 minutos de fama ao Maranhão. Para não fugir da tradicional forma atenção dada ao Maranhão, os índices negativos foram sublinhados. Causa espanto ao silêncio da grande imprensa nacional quando aos fatos geradores e os principais responsáveis pela perpetuação de nossa miséria. Porque não se divulga as inúmeras irregularidades ocorridas cotidiana no Maranhão e que produzem essa situação de corrosão da qualidade de vida e fazem crescer a violência. Essa situação foi socialmente produzida e reflete significativamente o grau de estagnação política da elite no poder.
 
Considerações sobre a Pesquisa: limites e alcance.
O resultado da pesquisa preocupa não só pelos aspectos explícitos, mas também pelos implícitos. A pesquisa tem como referência a Base de Dados Nacional do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Portanto, trata apenas de casos com registro oficial. Nesse particular, pode-se estar diante de números bem abaixo do ocorrido na realidade. Isto é, o número de homicídio pode ser bem maior, pois é bastante significativo o número de casos sem registro oficial.

É de se observar que a violência está representada apenas por um indicador, que é o homicídio. Segundo o responsável pela pesquisa, Julio Jacobo Waiselfisz, isso se deu por dois motivos: 1- o homicídio é a expressão máxima da violência; 2- as outras variações de violência pouco são registradas e tornam os dados insuficientes.

Consideramos uma limitação da pesquisa não buscar outros registros e bancos de dados para posterior cruzamento e não ter apresentado uma avaliação sobre a forma e a metodologia de registro oficial. Não há falhas na forma de registro do SIM?

No entanto, serve como alerta. Porém, como a violência não se resume ao homicídio e se estende às diversas relações sociais geradoras de danos físicos, patrimoniais, morais e simbólicos, onde a coação e a força são empregadas de formas imoderadas e sem propósitos positivados socialmente, pode-se afirmar que o quadro de violência tem dimensões bem maiores.

Aproveitar o alerta
Cabe um esforço de complementar tal pesquisa, a fim de verificar mais a fundo e de forma ampliada o avanço da violência no Maranhão. Sabe-se que a violência e o crime são fatos semiestruturados e de difícil mapeamento de todas as suas causas, mas é possível sondar dentro de um determinado espaço e momento quais os com maior constância e volume. Necessário investigar esse fenômeno e saber de suas particularidades. Existem especificidades no Maranhão; coisas que não há paralelo nas demais unidades da Federação. Quais os fatores exógenos e endógenos?

O Maranhão há tempos vem liderando todos os índices socioeconômicos de forma negativa, isto é, é o pior estado em tudo. O primeiro desse alerta foi dado pelo Atlas da Exclusão Social no Brasil, que cruzou diversos dados e indicadores, dentre eles PNDU e IDH. No Atlas de 2000 o Maranhão aparece como campeão, quanto ao número de cidades com piores níveis de qualidade de vida. O índice de Exclusão Social foi composto a partir de 07 indicadores: pobreza, emprego, desigualdade, alfabetização, escolaridade, juventude, violência. Na época a indicador já apresentava queda no índice, o que implicava em diminuição da qualidade. Esse declínio começa da década de 90 e vai avançando até o ano 2000.

Ora, dos sete indicadores que fazem parte do índice de exclusão, o único em que o Maranhão apresentava índices positivos era o da violência. Era um verdadeiro milagre maranhense. Durante três décadas (de 60 a 80) o Maranhão registrou índice de violência bem abaixo da média nacional e regional. Era um campeão da não-violência. Essa paz existia ao lado de miséria, falta de emprego etc. O que houve?

Houve uma precarização da juventude e da infância. Há registros do aumento da violência nesse segmento social, mas não existe a indicação dos fatos geradores. No entanto, alguns fatores podem ser enumerados a partir de registros esparsos. Porém, alerto que não são suficientes para uma análise mais consistente, tão pouco para uma explicação válida. É extremamente necessária a realização de pesquisas mais aprofundadas.

Enumeração feita a partir de registros fragmentados. Fatores que merecem atenção: 1- a precarização do ensino; 2- falta de espaços formativos que habilite o jovem para uma convivência pacífica e de tolerância; 3- o esgotamento da elite política e da oposição formada a partir dela; 4- estagnação política-administrativa, falta de renovação; 5- a entrada no Maranhão no circuito internacional do tráfico de drogas; 6- a invasão das drogas químicas (craque, merla, cocaína, êxtase) na periferia das grandes cidades e nas pequenas. O consumo e o tráfico tem se intensificado nas pequenas cidades do Maranhão (vide os noticiários); 7- falta de emprego para a juventude. Há jovens que já estão veteranos em estágio, mas nunca encontra emprego.

A capital do estado do Maranhão é reveladora da situação precária do ensino formal e da falta de espaços formativos. São Luís não oferece nada para a juventude. Além da superlotação de salas de aula, das instalações ruins, as escolas não oferecem nada mais que o ensino formal (nem sempre com qualidade). Não nenhum outro espaço para os jovens além de praia e shopping. Sendo que na orla só se oferece bares, os mesmos já atrapalham o livre acesso à areia.

Dono de bar já se acha dono da praia. Faltam atividades e programas regulares para promover lazer e educação aos jovens. As áreas verdes dos bairros carecem de infraestrutura e, recentemente, começaram a ser griladas à luz do sol pelas construtoras. Áreas que deviam ser destinadas ao desenvolvimento de atividades educativas e esportivas para a juventude são invadidas por empreiteiras. Pode?

O Maranhão está morrendo junto com sua velhacaria política. É preciso dar um basta e interromper esse curso de degradação! O jovem tem que ser o presente do Maranhão!


 

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