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61 anos: Roseana aprendeu alguma coisa em termos de trato político diante esse tempo todo de exercício de poder?



Nunca votei e sempre fiz oposição ao grupo político que Roseana Sarney participa. Sempre fiz oposição política. Como nunca militei nesse anti raivoso, o que considero uma vantagem para  ver de outros ângulos, a figura política dessa senhora. Ângulos para detectar aspectos e detalhes para além do que a galhofa ácida já cristalizou sobre o seu intelecto. 

Olhando um pouco mais, vigiando e buscando controlar as minhas inclinações acerca da disputa pelo controle do poder político, relacionei a imagem popularmente construída de Roseana ao dados que colhi sobre as práticas políticas por ela assumidas. Não estou tratando dos atos de governo em geral e nem de aspecto da gestão. O meu foco está contido na questão seguinte: Roseana aprendeu alguma coisa em termos de trato político diante esse tempo todo de exercício de poder? (Adoto como trato político as formas de encaminhar e articular certas questões de poder). 

Aprendeu algumas coisas, sim. Isso não é concordar, nem simpatizar com o que representa esse aprendizado, mas só uma constatação, que é passível de ser observada.  Tampouco quero contestar a postura de quem nada ver em Roseana. Seguindo a "grande teoria" dos quadrados, que cada um pense o que mais lhe satisfaz.  

Há tempos Roseana percebeu claramente o que significava eleitoralmente para seu grupo e como deveria exigir sua porção de poder dentro do grupo político e familiar. Só que internamente o grupo tem diversas demandas e contendas, muitas delas aprofundadas com o crescimento do grupo nos últimos anos. Por conta de ter contrariado alguns dos seus pares, a sua imagem de geniosa, cheia de rompante e despreparada foi sendo popularizada. Essa imagem foi bastante explorada pela oposição, mas nasceu no interior do grupo da Roseana. 

O que mais pode servir como indicativo para dizer que ela aprendeu alguma coisa sobre o trato político? Considero que uma tomada de consciência que, os demais familiares e os diversos membros do seu grupo político, não sofrem a mesma pressão e insultos que ela sofre. Nem eles estão mesmo lugar que ela. Isso parece que passou a ter mais importância. O lugar que ocupa e o que carrega sobre si, sem poder transferir.   

Durante o período de intensas atrocidades em Pedrinhas,  Roseana, em uma entrevista coletiva, afirmou:  "Meu sobrenome é Sarney (...). Mas sou uma pessoa com passado, presente e, se Deus quiser, com futuro." Posso, sem forçar muito, alinhar essa afirmação com a tomada de consciência da individualização. "Quem está mandando aqui não é família. Quem está no Governo sou eu, que fui eleita." (Roseana). Essa afirmação evidencia bem o aprendizado sobre quem, no final das contas, responde politicamente e judicialmente pela condução pelo exercício do poder político

As atrocidades de Pedrinhas fez Roseana, mais do que nunca, reivindicar o controle do processo de candidatura para a eleição ao cargo de governador. Foi assim que foi defendendo o nome de Luís Fernando como pré-candidato ao governo estadual. Mas algo uivava nos bastidores do grupo político da governadora, como "um monstro invisível a comandar a horda". Não tardou e diversas segmentos do grupo e parte da família passaram a fazer resistência ao nome de Luís Fernando. 

Depois de uma intensa exposição do pré-candidato governista pelo interior, a situação saiu do controle da governadora. Elementos do próprio grupo de Roseana, que rejeitavam o nome de Luís Fernando, somaram esforços com a oposição para inviabilizar a candidatura dele. O locus do desmonte foi a Assembleia Legislativa, onde a candidatura pela via indireta foi desaprovada pelo Presidente da Assembleia, que passou a defender seu próprio nome a eleição indireta, jogando por terra estratégia defendida por Roseana para eleger seu sucessor e, principalmente, viabilizar sua candidatura ao Senado. 

Diante disso teve alguma demonstração de aprendizado? Sim. Simplesmente permaneceu no Governo e não publicizou nenhuma reação emotiva à destruição de sua estratégia. Ficou e está na dela. Ficou no Governo e destruiu logo de imediato o surto egocêntrico do Presidente da Assembleia de ser Governador, além de ter deixado em xeque a "verdade" de que ela não pode ficar sem mandato. 

Mais recentemente eliminou a ambição do Presidente da Assembleia de ser candidato a Senador. Fatos facilmente verificáveis. Isso, gostando ou não da cor do esmalte das unhas da Governadora, demonstra um certo aprendizado. 

A questão é: o que vai sobrar para o restante dos mentores do aborto dos planos políticos de Roseana de eleger seu sucessor? Suponho que vai depender de como esse desacordo foi interpretado. No entanto, o que é traição nunca ficou sem resposta nesse meio. Porém, a resposta para uns não vai ser de igual intensidade nem feitio. Existem aqueles blindados, mas outros não. 

As emendas parlamentares já vão sair, cada deputado leva 3 milhões. Esse reforço aos parlamentares é para o candidato a governador ou ao candidato a Senador? Suspeito que é para o candidato a Senador. Quem serão os suplentes de Gastão? Quais as exigências legais para suplente de Senador? 

Daqui para frente, Roseana não vai encontrar dificuldade nenhum de responder a um dos principais mentores da destruição da sua estratégia, basta ela querer. Para tanto, basta ficar na dela, como está e assumir uma postura republicana na campanha, deixando a máquina estatal e o cofre público isolados da campanha para o Executivo. A sutileza até agora dão indícios que aprendeu muito para o que ela era e bem pouco diante do enorme tempo à frente do poder. Vamos ver se há algo mais pela frente... 

PS.: Fato extraordinário. Roseana, mesmo com 61 anos de idade, ainda é tratada popularmente como se fosse uma jovem. No discurso das pessoas ela parece estar congelada, não é avó e tampouco uma senhora beirando a terceira idade.  Acho que tá na hora de Roseana virar vovó Roseana.  





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