domingo, março 10, 2013

Consumidos da Arte

Foto: Internet

Admiro muito a perseverança e ânimo de espírito de alguns cantores de bares, restaurantes e churrascarias. Que postura de determinação, é o que penso sempre que os vejo.

Há tempos venho observando uma situação peculiar e recorrente na vida desses profissionais: cantar para a ausência, sem público. Pois é, em diversas datas e locais dessa cidade já testemunhei um cantor cantando sem ninguém nas mesas. Porém, o que mais me atordoa é a situação dos que cantam para uma multidão de indiferentes. 

Ontem encostei em uma churrascaria para comer um pedacinho de carne e vi exatamente isso. O rapaz anunciava as próximas canções, terminava um e iniciava outra, mas ninguém aplaudia. Então virei minha cadeira e fiquei observando as pessoas presentes no ambiente. Nossa, fiquei espantado. Ninguém olhava na direção do cantor. Sem palmas e sem olhares. Pensei: vou bater palmas e romper com essa indiferença. Pensei novamente: essa atitude pode me custar a vida.

O salão da churrascaria estava cheio de telas de TV LED, canais abertos e pagos, imagens e mais imagens. Bem, isso não é uma exclusividade desse estabelecimento, tantos outros locais são assim e fazem exatamente isso: chamam um artista para se apresentar e ligam um monte de televisões e telões com imagens que nada tem a ver com a apresentação do artista. Parece mesmo que "música ao vivo" é uma coisa feita por um morto, pois tudo está montado para gerar indiferença, invisibilidade do artista. A única coisa que verdadeiramente ganha visibilidade é o couvert artístico que, absurdamente nem todos os estabelecimento repassam integralmente aos artistas, além de inexistir a tal informação prévia na entrada do estabelecimento, que é uma exigência legal (Art. 6º, III do CDC e Lei nº 12.741, de 08 de dezembro de 2012).

Os admiro esses profissionais pela qualidade do trabalho, pelo esforço e também pela coragem, pela firmeza como persistem na sua tarefa com ânimo. Por outro lado, por essas situações avalio minha fraqueza, percebo meu limite, meu orgulho. Sei que não teria força para cantar diante de um monte de cadeiras vazias e tão pouco para uma multidão de ignoradores. 
Todos os meus aplausos a esses profissionais e que o couvert artístico seja integralmente dos artistas, sendo ou não ignorados e atacados pela indiferença. 

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