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Comissão de direitos Humanos e o oportunismo hipócrita


Feliciano fez brotar uma passarela para uma legião de hipócritas e oportunistas desfilarem. A questão não é se ele é pastor ou não. Não é para se discutir seu ministério pastoral, mas o desempenho de função pública em um Estado laico, democrático e republicano, nos termos da nossa Constituição de 1988.
A questão é ampla e passa pela qualidade dos nossos processos políticos e dos nossos representantes e governantes. O problema maior é a falta de mecanismos que garantam a efetividade dos direitos e da cidadania. A homofobia é uma negação de cidadania. O problema da falta de efetividade dos direitos tem se agravado com a ausência de instrumentos democráticos de ação popular direta, na forma do princípio de soberania popular.
Por outro lado, nem toda discordância pode ser vista como FOBIA ou ÓDIO. Assim como o dever de tolerância não é dever de concordância. A democracia é feita de contraditório e pluralidade, mas com o limite de que não pode alimentar aquilo que destrói os seus próprios princípios. Discordância e visão diferenciada é parte desse campo, apologia a intolerância, o insulto e a violência são coisas danosas a qualquer democracia. Infelizmente esse deputado já deu demonstrações de não saber o que é tolerância e respeito às diferenças. bem como o pressuposto de combater a desigualdade. Porém, Feliciano enquanto presidente dessa comissão não é uma invenção de si mesmo.
A chegada de Feliciano à presidência da Comissão de Direitos Humanos e sua eleição teve a cumplicidade do Governo e do PSDB. Por que ninguém mostra a composição anterior da Comissão? Por que não se mostra as regras de composição da Comissão?
Eu não estou em guerra contra evangélicos! Nem contra qualquer religioso.Não estou em nenhuma cruzada e nem em guerra santa, mas em um debate político, que por isso deve ser qualificado e pautado em princípios, dentre eles o do interesse público, do bem comum e das regras democráticas. Portanto, estou agindo em defesa de princípios democráticos, republicanos e da coerência, movido também pelo que prega a nossa Constituição: Art. 1º, II e V; Art. 3º I, III, IV; Art. 4º II; Art. 5º I, III, IV, VI, VIII, X.
Eu defendo a dignidade da pessoa, do humano acima de qualquer coisa e independente de opção ou identidade de gênero, crença, classe etc. Nenhum indivíduo, em sua humanidade pode ser resumido e tratado em um único aspecto vida. A vida é sempre cheia de pluralidade. Opção de gênero não santifica ninguém, nem o torna dono da verdade. Da mesma forma a opção religiosa não credencia ninguém a dono da verdade, nem santidade e nem salvação. Chega de sexismo (e essencialismo), chega de demonização, pregações "teológicas" mirabolantes e a desumanização!
Já está na hora de dizer basta! Vamos repor a prudência, a sensatez, a responsabilidade e a sensibilidade. Não é mais possível alimentar ingenuamente oportunistas e desqualificados que pegaram carona nessa tragédia promovida por inúmeros sujeitos, inclusive o governo e a oposição tucana. Vamos pensar: como e por qual motivo os nossos representantes são esses(?) Vejam como está composta essa Comissão atualmente e quem poderá suceder Feliciano na presidência dessa Comissão

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