Pular para o conteúdo principal

OBAMA, BADULAQUES E OS SEM-NOÇÃO


A vitória eleitoral de Obama já o qualifica com personagem de um grande acontecimento histórico. A vitória na disputa pela  Casa Branca tem uma força que ultrapassa o ineditismo de um negro ter vencido.

A vitória de Obama significa para a América e para o mundo avivamento da política, ferida nas últimas décadas pelo belicismo de Bush e pela falta de esperança, tão difundida pelos profetas do final da história e do conformismo.

Obama venceu com maioria dos votos diretos dos cidadãos, o que nem sempre ocorre no modelo eleitoral dos Estados Unidos da América. O povo participou e quis fazer sua vontade valer voluntariamente, impulsionados pelo civismo, pela esperança.

A postura de Obama é marco significativo, não só por seu discurso sedutor e bem articulado, mas porque acentua alguns elementos significativos do mundo ocidental e que estão passando por dificuldade de expressão: esperança e política.

As principais queixas e reclames produzidas contra Obama veio da fração da “esquerda” brasileira com sérios problemas de avaliação e coerência. É uma esquerda que diz defender democracia e direitos humanos, mas apoia o governo de Hugo Chávez (coronel autoritário) na Venezuela, o governo de Mahmoud Ahmadinejad (autoritário fundamentalista) no Irã, o regime cubano (com graves violações a direitos humanos e à liberdade de expressão), está defendendo a continuidade de Gaddafi (coronel sanguinário e genocida) no comando da Líbia e defendem, sem reservas, o asilo político dado ao italiano Battisti.

Não  são só posições incoerentes, mas também absurdas compõem a mentalidade dessa parcela da esquerda. Querem, por exemplo,  que Obama não seja um presidente americano, quando reclama que Obama “é um típico americano”. Pois bem, Obama é americano e é o presidente dos Estados Unidos pela vontade do povo americano. Era para ser o que? O absurdo dessa colocação: (essa esquerda) critica o imperialismo americano, mas trata o presidente americano como se fosse o presidente do Mundo.

Há uma grande força no discurso de Obama, principalmente por se tratar do presidente do país berço das medidas neoliberais, impostas ao mundo nas últimas duas décadas, via FMI, BIRD, BID etc.


Obama, desde o discurso de posse, firmou a expressão: de olho no mercado, que as traduções especializadas definiram como regular e fiscalizar o mercado financeiro.  Obama admitiu que o mercado não tem uma auto-regulação confiável e estável, que o capitalismo precisa ser conservado a partir do Estado. Isto é, a perpetuação do modelo capitalista passa também pelo ato político de intervenção estatal na economia.

Ora, essa esquerda vem dizendo, há décadas, que o mercado deve ser regulado pelo Estado. Pergunto: como não reconhecer a similitude do seu discurso com o de Obama? Essa esquerda quer ou não quer o fim da onipotência da doutrina neoliberal? A regulação estatal não vai abolir o capitalismo. Vide a China “comunista”.

As formulações anti-neoliberais propostas por essa esquerda estão se revelando de conteúdo conservador e tendente à manutenção da ordem capitalista, igualmente como quer Obama.

O neoliberalismo, historicamente, mostrou-se como uma força destrutiva do próprio capitalismo. Após evidenciadas as consequências das medidas de primeira geração impostas pelo FMI, Banco Mundial etc., os países mais ricos trataram de minimizar e rever as aplicações de orientação neoliberal.  Se todas aquelas medidas e postulados doutrinários fossem executado com rigor e inteireza o capitalismo entraria num processo de canibalismo desestabilizador, entrópico e provavelmente se esfacelaria como modelo hegemônico. Por que esse medo do neoliberalismo? Essa esquerda quer ou não acabar com o capitalismo? Ou só quer estatizar o capitalismo?

Aquela manifestação incendiária contra Obama lembrou a velha e reacionária Ku Klux Klan. O primeiro presidente negro dos USA é responsável por todos os crimes da história dos Estados Unidos da América? Só a Ku poderia pensar assim! Bush (reacionário sob todos os ângulos) visitou Lula duas vezes e essa turma não quis jogar fogo nele. Sabe o que o Lula disse do Bush? "Eu queria brigar com o Bush, mas ele virou meu amigo" (Lula). 

Seria bom essa esquerda verificar o que está formulado em  O Caminho da Servidão, de Friedrich August Von Hayek. Essa obra o autor dedicou aos socialistas... Certas ironias não podem ser ignoradas!
Inté...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

AÇÃO DIRETA E LEGÍTIMA DEFESA PACÍFICA

Green Politics must become the Politics of the Regions – all the Regions, from the celestial to the subterranean. Let the next Gathering of the Greens conduct all its business in poetry. This will foreshadow the day when America will be Green. Even better, the day when for a small fee we do an international name exchange and America becomes a large frozen island, while Green Land extends from sea to shining sea. The day when Green Politics rules. The day when the President pantomimes the Inaugural Address and sings the State of the Union in falsetto. The day when the Supreme Court sits naked in powdered wigs and hands down rulings in Pig Latin. The day when the Congress throws a multi-party and dances all the Laws out of existence.(Trecho do The Surre(gion)alist Manifesto , John P. Clark)
É preciso ultrapassar as formas mórbidas e dilacerantes da política atual. Não adianta só as contestações, enquanto persistir seus mecanismos genocidas e desumanizantes é necessário agir diretamente s…

Ação Penal 470 - Filhos do Brasil

                                         Por  Washington Ribeiro Viégas Netto*

"Quando o homem inventou a roda, logo Deus inventou o freio. Um dia, um feio inventou a moda, e toda a roda amou o feio". Zeca Baleiro.

Tenho acompanhado com especial atenção o julgamento do mensalão pela nossa mais alta corte de justiça, o STF. Penso que o resultado ali proclamado nos dará uma medida atual do quanto já nos distanciamos da pecha “república de bananas”; forma de governo que ainda persiste em países destas latitudes. No decorrer de todos esses anos em que tramita o processo, tem sido uma rara oportunidade de o Brasil reafirmar a força e solidez de suas instituições, soberanamente constituídas, quando confrontadas com um, ao que tudo parece, projeto de poder que, por meio de um conhecido método de aparelhamento estatal, tentou um processo de clivagem dessas mesmas instituições. Porém, antes mesmo de iniciado o julgamento, acredito que o saldo é favorável ao Brasil. O Supremo é composto d…

A CORRUPÇÃO NÃO É UMA COISA MENOR

A CORRUPÇÃO NÃO É UMA COISA MENOR A relativização aplicada aos casos de corrupção praticada por parte da “esquerda” (criminosos da “política’) é vergonhosa e irresponsável, mas não deixa ter coerência interna com a doutrina política que abraçam (ao credo religioso que professam). Esse modelo de esquerda existe enquanto séquito e seu ethos é de natureza similar aos ethos encontradas em seitas religiosas. Seguem a apreciação dos fatos e do contexto sob a ferrenha força doutrinária (que diz o que fazer) e sustentada pela fé cega (eles creem por creem, sem se permitir pensar sobre os rumos da sua fé e os efeitos dela sobre o contexto). Essa parte é, sem exagero nenhum, composta por fanáticos. O fanatismo é tão exacerbado que buscam escamotear fatos, em que pese as diferenças e possibilidades interpretativas, são passíveis de verificação por diversos meios. Mas, como fanáticos de tipo de seita, estão mantendo a coerência, pois não só isso pode ser racionalizado a partir da doutrina mãe (marx…