sábado, fevereiro 26, 2011

RESPIRANDO FEZES


Ainda que as chuvas estejam tímidas, os seus efeitos são de proporções colossais. Os piores efeitos são sobre o asfalto e a "rede" de esgoto. Do asfalto já tratamos. A rede esgoto é de responsabilidade da CAEMA,  que é controlada pelo Governo Estadual.

A falta de uma rede de esgoto compatível com as necessidades da nossa cidade tem conseqüências sobre a qualidade de vida e afeta as condições da saúde pública.

“Estas condições são as causas primárias da alta incidência de diarréia observada nos países em desenvolvimento e que é responsável pela morte de cerca de 2 milhões de crianças e causa cerca de 900 milhões de episódios de doenças por ano. Além disso, a falta de um adequado sistema de coleta, tratamento e destino dos dejetos é a maior causa da degradação da qualidade das águas subterrâneas e superficiais.” (Organização Pan-Americana da Saúde).

Bairros como o Cohatrac, Cohab e adjacências concentram quase um terço da população de São Luís, mas ainda não receberam um sistema de esgotamento sanitário adequado às necessidades locais.

As impermeabilizações irregulares de quintais, somada à falta de sistema coletor da água pluvial, provoca uma sobrecarga no esgoto doméstico. A conseqüência: os bueiros são transformados em chafarizes.

O esgoto estourado é um atentado contra a saúde dos cidadãos. A água contaminada (in natura) escoando sobre o calçamento é suspensa, na forma de spray, pelos veículos que passam em velocidade. Essa água suja, suspensa no ar, acaba sendo inalada pelas pessoas que estão por perto: motoristas, pedestres e moradores etc. Os (as) "cidadãos" (ãs), nesses locais, acabam introduzindo fezes nas vias respiratórias, ficando a mercê de inúmeras enfermidades.

“Os esgotos domésticos contêm aproximadamente 99,99% de água e 0,1% de sólidos, sendo essa última fração composta de sólidos orgânicos como proteínas, carboidratos e lipídeos; sólidos inorgânicos como amônia, nitrato, ortofosfatos; microrganismos com bactérias, fungos, protozoários, vírus e helmintos etc.” (VON SPERLING)
Não é responsável considerar adequada uma rede de esgoto como essa existente nos bairros citados. Pois é ineficiente na coleta, não possui tratamento e o destino não é ambientalmente responsável. 

Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 70% das internações hospitalares da rede pública estão relacionadas com doenças de veiculação hídrica que por sua vez estão diretamente ligadas à ausência de tratamento de esgotos domésticos. Estes mesmos estudos mostram que cada dólar investido em saneamento proporciona a economia de cinco na área da saúde.(Lupércio Ziroldo Antônio)


Para ser considerado um sistema de esgotos sanitário é preciso que apresente as principais unidades componentes: rede coletora, interceptores, emissário, elevatórias de esgoto, estação de tratamento de esgotos e emissário final. Seguindo dos seguintes níveis de tratamento: preliminar, primário, secundário e terciário. Onde existe isso aqui? Quem localizou? 

Como se quer saúde pública sem saneamento básico?
Só muita falta de compromisso público pode colocar o saneamento como uma questão menor. Haja hospitais para tantos enfermos. Só 72 não serão suficientes. 

Enquanto isso a CAEMA continua sendo a robusta fonte para a sede (do latim sitis)  insaciável das oligarquias.

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