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CAMPANHA PRESIDENCIAL CAIU NA LAMA DO TIETÊ


Só uma pessoa muito desinformada ou de extrema má fé para não admitir que o nível do conteúdo das campanhas eleitorais estão baixos. Aliás, nenhum dos dois candidatos estão desempenhando um papel eleitoral em conformidade com a importância e da grandeza do Brasil. Não estão sendo, em nada, pedagógicos e úteis para reforçar os ideais republicanos e democráticos.

Para completar a política nacional está enquadrada no enfretamento de facções do centro-sul, particularmente dos grupos paulistas encravados na USP, Unicamp, UNESP, CUT, CGT,FIESP, Força Sindical, Folha, Estadão etc. Não bastando isso, veio os clãs artísticos, aqueles que são sempre os únicos beneficiados pelos grandes incentivos e patrocínios públicos, para completar o salseiros com um plus de puro estilo do absurdo. Pois, em conteúdo, até agora não trouxeram nada para melhorar o nível.

A dose mais contundente da fetichização do baixo nível está sendo promovida por renomados intelectuais, tucanos e petistas, que facciosamente e com pouca crítica tentam justificar as lorpices promovidas por essas candidaturas. Novamente vem a pergunta sobre o papel do intelectual na política. Ninguém quer uma neutralidade ingênua, porém, espera-se que os intelectuais não estabeleçam um culto às bizarrices do senso comum. Desconfio que esses intelectuais estão muito passionais ou relativizando demais. Sem dúvida, há algo de estranho.

Nós, cidadãos comuns, nos perguntamos: para que esses homens e mulheres passaram tanto tempo estudando? Esperamos dos intelectuais, no mínimo, uma abordagem mais consistente e criteriosa, que motive a elevação do discurso, das críticas e das análises.

A contribuição intelectual mínima seria apontar as questões mais relevantes para um debate público, sinalizar o que é verdadeiramente de interesse público nacional. Mas também fere e contribui para essa pobreza do debate político: a omissão de diversos intelectuais e cidadãos sérios.

“As sereias, porém, possuem uma arma ainda mais terrível do que seu canto: seu silêncio.” (Kafka)

Por que a discussão e a rivalidade não ocorrem sobre quem tem a melhor proposta para resolver questões de ordem pública: Segurança, Saúde, Educação, Transporte, Emprego, Previdência etc.? Por que não há avaliação de quem tem as melhores e mais viáveis propostas? O que tem ocorrido, ao contrário disso, é uma dedicação total pela ocultação do que é de interesse público, por exemplo: a situação da Previdência Social. Não é estranho tamanha dedicação e foco sobre a vida privada: o sigilo fiscal de Serra, a vida clandestina da Dilma?

Por que não se discute se são sensatas as propostas de José Serra, tendo em vista que elas representam mais 46 bilhões de gastos; será que a proposta de Dilma, que ancora a saída da pobreza no Programa da Bolsa Família é uma política pública consistente, de resultados duradouros? Devemos verificar se agora as pessoas SÃO menos pobres ou se apenas ESTÃO menos pobres com a Bolsa Família.
Por que o número de cadastro na Bolsa Família está aumentando? Como Serra vai reforçar as estatais? Como Serra ver o papel do Brasil no cenário internacional? Os mais de 350 deputados que apóiam Dilma representam uma segurança de governabilidade ou uma insegurança institucional, tendo em vista que é mais de dois terços da Câmara Federal? Essa tal maioria foi formada em torno de programa e afinidades ideológicas ou mero casuísmo do mercado das vantagens? O Lula reclama muito da imprensa, mas o que a Dilma vai fazer para democratizar as comunicações no país? Enfim, para onde o PT e PSDB querem levar o Brasil e o povo brasileiro? Como?

Até o momento, pelo conteúdo das campanhas, eles estão promovendo o maior rebaixamento do nível político já visto desde a redemocratização, coisa que a extrema-direita sempre quis, mas jamais consegui sozinha. As crias da esquerda brasileira intelectualizada estão empurrando nossa política para a lama do rio Tietê. Política sem cultivo de ideais republicanos e democráticos é a “política” do perigo.

O Brasil merecer mais do que isso!

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