domingo, fevereiro 21, 2010

AS DIRETRIZES DO PT E OS OPORTUNISTAS LOCAIS


Não é nenhuma novidade dizer que a política ou o campo de alianças do Partido dos Trabalhadores (PT) foi alterado há tempos, de forma não só numérica como qualitativa. As nomenclaturas “centro-esquerda”, “mais à esquerda” são meros recursos saudosistas. Onde há, dentre os partidos atuais, essa tal homogeneidade ideológica? O PMDB é o centro? Não! Não há nenhum dado empírico que prove isso. Ao contrário disso, inúmeros trabalhos acadêmicos apontam o PMDB como um consórcio eleitoral, um corpo sem uma fisionomia ideológica e altamente heterogêneo. Isso também não é nenhuma novidade. O PMDB era um grande guarda-chuva no período do autoritarismo; depois da abertura não conseguiu depurar a diversidade baseada na conveniência e no oportunismo eleitoral.
As alianças são necessárias matematicamente para vencer uma eleição, mas nem só de matemática vive o homem. Ou vive? O apologismo à aliança PT/PMDB no Maranhão tem menos de matemática e mais de oportunismo. É uma jogada do sarneísmo envergonhado (que usa Dilma e as diretrizes nacionais como álibi) e do carreirismo comissionado. Basta ver a dimensão do eleitorado maranhense e a dimensão do eleitorado de São Paulo,  de Minas Gerais, da Bahia e de Pernambuco, locais onde o palanque unificado PMDB/PT não se efetivou até o momento. Além desses importantes colégios eleitorais, em Santa Catarina e no Mato Grosso do Sul o PT e o PMDB não se acertaram em palanque único.
O IV Congresso Nacional serviu para selar a minimalização do basismo. O PT operará cada vez mais na lógica eleitoral de resultados; tática de tomada de poder concentrada e comando de cúpula. Decisões e direcionamentos centralizados na cúpula tomou forma explícita no 13º mandamento das diretrizes: “Compete ao Diretório Nacional conduzir a política de alianças nacional e atuar em conjunto com as Direções Estaduais na definição das alianças estaduais. Ao Diretório Nacional compete decidir, em última instância, as questões de tática e alianças necessárias à condução vitoriosa da campanha nacional.”
Portanto, o 13º mandamento conserta a redação que finaliza o 10º mandamento: “À medida do possível, devemos buscar palanques estaduais unitários, respeitando-se as particularidades de cada estado.” Do mesmo modo resolve também a redação final do 11º mandamento: “Onde isso se revelar politicamente impossível, devemos construir um acordo de procedimentos durante a campanha, que permita a existência de dois palanques para a candidatura presidencial.”
Essa redação do 13 º mandamento passou a ser de fundamental importância para a cúpula nacional do partido, que já tem posição definida quanto aos estados. Através de uma emenda, apresentada por José Genoíno, a direção quis definir logo seu “casamento” com o PMDB, mas a emenda foi rejeitada. Certamente algumas cabeças lembraram que além da necessidade do apoio de vários partidos para vencer a eleição presidencial, vai precisar também do auxílio de vários partidos para governar. Um texto minimizando os demais partidos, no atual estágio da disputa, seria um tanto quanto perigoso. Daí resultou colocar o 13º mandamento como uma espécie de chave-mestra.
No início do 10º mandamento diz: “Não podemos, no entanto, menosprezar a importância que têm os governos de estado. A manutenção dos cinco governos petistas e a ampliação desse número, além de reeleger e eleger governos de partidos aliados é também um objetivo importante.” Ora, partidos aliados não quer dizer o partido aliado. Logo a questão a ser resolvida não é só de duplo palanque. No Maranhão, por exemplo, três partidos aliados podem lançar candidatos próprios: PMDB, PC do B e PDT. O que a chave-mestra quer abrir e fechar no Maranhão? Taticamente não séria mais lógico unificar o palanque em São Paulo que tem mais de 29 milhões de eleitores, em Minas Gerais com mais de 14 milhões de eleitores, na Bahia com mais de 9 milhões de eleitores e em Pernambuco com mais de 6 milhões de eleitores?
A importância do Maranhão nesse cenário é o casamento da cúpula do partido com o Grande Irmão da política maranhense nos últimos 45 anos. Tudo certo. Todo mundo tem o direito de optar. Só acho que esqueceram de avisar ao povo e a uma forte oponente sem legenda: a REjeição.

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