sábado, agosto 04, 2012

O Voto individual e a consequência coletiva



Sabe-se que em cada eleição todo eleitor passa por um momento único, bastante singular: a solidão da urna. São aqueles segundos últimos quando cada cidadão vai finalizar o procedimento da sua escolha, confirmando seu voto. Para muitos, ali, naquele instante, ainda é momento de pensar, refletir. Passa um pequeno filme na cabeça de cada eleitor, palavras e imagens ganham destaque no borbulhar da memória. Pois bem, muitos eleitores mudam o voto nesse exato momento ou deixam de votar em alguém, simplesmente anulam o voto. Essa parcela dos que mudam ou desistem de votar válido, no exato momento do voto da solidão da urna, é pequena, mas existe. 
Os que buscam ainda refletir rapidamente sobre em quem está votando constituem uma parcela bem maior. No entanto, a estrondosa maioria não se permite nada além de cumprir o dever de votar. Para esses indivíduos o instante deve ser unicamente de se ver livre da obrigação. Não importa a esses o que está fazendo, tão pouco lhe causa preocupação as consequências daquela opção. Semanas depois da votação, a grande maioria nem lembra em quem votou. Simplesmente passa a vigorar o esquecimento fruto da apatia, da descrença e da falta de responsabilidade consigo mesmo. 

O voto tão individual, secreto, nunca deixa de ter consequências sobre o coletivo. O que é individualmente praticado, na forma da livre escolha, penhora o futuro da coletividade. A distribuição do controle e da chefia das instâncias de poder, nesse modelo político eleitoral, está vinculada ao voto. A omissão, o desleixo ou a venda do voto são práticas que fragilizam as instituições políticas, particularmente quando abre espaço para os criminosos usurparem o poder, corrompendo a vontade popular e colocando o Estado como refém dos corruptos.

Todos os criminosos participam da disputam eleitoral, ao contrário do que pensam alguns incautos. Essas pessoas sem compromisso público, que não prezam por ética e pelo bem coletivo, são os que mais investem e os primeiros a se mobilizarem para garantir que seus comparsas e sócios permaneçam no poder. A lógica prevalecente hoje na regulação da propaganda eleitoral serve aos criminosos, corruptores do voto e pune quem vai disputar as eleições de forma limpa e honesta. Por quê? Porque ela tira as possibilidades de igualdade de competição, estabelecendo regras que dão chance de ter maior espaço e visibilidade somente os que podem operar no mercado eleitoral. Só os viciosos conseguem uma quantidade enorme de muros e terrenos para fixarem seus materiais de campanha. Somente eles acham pessoas voluntárias para lhes entregar gratuitamente espaços nos imóveis das principais avenidas.  São esses viciosos que, sem pudor, lançam milhões na corrupção do voto, lavando parte desse dinheiro, cuja fonte são para lá de obscuras. Parte dessas fortuna gasta é oriunda da pilhagem do Estado, do desvio de verbas públicas e de diversas modalidades crimes.  

Onde ficam os bons cidadãos na época das eleições? Quais suas contribuições?  

Observem. Os candidatos sem participação popular, sem serviços prestados à comunidade, que nunca participaram ativamente de nenhum movimento ou organização social foram os primeiro a massificar suas imagens. Isso foi feito para compensar a falta de serviços prestados e de popularidade? Foi para combater o fato de serem notórios desconhecidos? Não. Nada disso! Essa propaganda massiva e de alto custo é um álibi. Não são esses mini-door, nem essa quantidade de cartazes que arrebanham voto para essa "rapaziada", mas a corrupção do voto. Quando eles aparecem com votações estrondosas todos os créditos logo são dados à "brilhante" campanha publicitária. Tudo não passa de um jogo de cena. Uma vergonhosa fraude à Democracia. 

As nossas eleições não terão maior competitividade e não serão mais limpas enquanto não forem limitados os gastos de campanha com recursos publicitários, enquanto o tempo gratuito de rádio e televisão não for igualmente distribuído. Não serão mais limpas enquanto prevalecer doações de pessoas jurídicas. Tudo que aí está é uma legalização das vantagens dos poderosos e viciosos ou simplesmente criminosos. 

O que fazer? Participar. Só a insistência, a persistência e a pressão dos que não concordam, dos que não compartilham disso é que vai provocar mudança nesse estado de coisa.  Mas enquanto os homens e mulheres de bem ficarem na cômoda posição do distanciamento, omissos e silenciosos para garantir seu estado de pureza, tudo permanecerá a favor dos corruptos! Os bandidos vão reinar cada vez mais tranquilos.

quarta-feira, agosto 01, 2012

Batman foi curado em Abu Ghraib



Fui ver Batman ontem... sabe... Literalmente mataram Batman. Curaram Batman e Gotham City virou Metropolis: clara e feliz, onde o mal sempre é uma coisa exógena. Batman sempre trouxe um movimento contrário ao modelo americano, ao heroísmo americano. Apresentava o lado escuro da lua. Ou o lado da face da lua que nunca ninguém ver. Tinha uma crítica na na sua negatividade: o mal residia lá dentro. Batman é um ser perturbado (com os tormentos de todos os mortais, na verdade), Gotham é doente. Isso ficou muito retratado no filme anterior, quando o Coringa se coloca como espelho para Batman. Nele a lógica apresentada nas histórias em quadrinho foi radicalizada e ampliada. O edifício de moralidade americana foi demolido. 

Nessa versão arrumaram uma "clínica" para Batman se curar e, aproveitando o processo de conversão, jogaram o mal para o exterior, para o Oriente, visando demonizar ainda mais os árabes. Aquela prisão "clínica" deve ser Abu Ghraib, onde os americanos torturaram tudo e a todos sem resp
eitar nenhum dos direitos humanos em nome da democracia. A legitimação do terror pelo terror. 

Gotham apareceu mais clara retratando um período de felicidade da cidade, de paz. Pacificada e unida por uma mentira. Nisso vi muita sinceridade, mesmo que involuntária. Tanto na mentira das armas de destruição em massa de Saddam como no perigo do Talibã para o Mundo.

Esse filme do Batman "curado" contém um nítido ataque aos documentários de Michael Moore, particularmente a "Capitalismo - uma história de amor." Através da fala do vilão de aparelho, montam um discurso nitidamente anti-movimento popular, feroz defesa da propriedade privada e do progresso individualista. 

O filme tem um grande volume de visão política americana conservadora. Em um trecho, sobram referências anti-movimento Occupy Wall Stree: pobres atacando ambientes de luxo, violência contra pessoas bem vestidas. Uma pessoa vestida de casaco de pele é arremessada na calçada. Bem caricatural! Tudo para mostrar o perigo do povo, de mobilização popular e da crítica ao capitalismo. Resumindo: só uma elite esclarecida e heroica pode comandar e reter todas as decisões. 

Isso serve para os brasileiros perceberem como os americanos dão importância para política. Eles estão em campanha pela sucessão presidencial. Lembram do filme Avatar? Pois é, não levou o Oscar.. porque aquele filme do desarmador de bomba no Iraque, "Guerra ao Terror", que era melhor para a auto-imagem dos americanos. Como justificar aquela guerra?

Completando, e aquele diálogo do Inspetor com o Robin, nitidamente justificando os meios pelos fins? Melhor dizendo, vale a pena a lama, pois através dela é possível manter causas maiores, isso é fiel a Gotham, mas é um texto que merece placa de ouro na porta de entrada da CIA. Enfim, o gostoso mesmo é a arte e as possibilidades que ela abre de leitura. Imaginem quantas outras coisas contrárias e diferentes foram vistas por outros olhos!

domingo, julho 29, 2012

Pin-Up e os arrumes da imagem



Nas Décadas de 40, 50 a ilustração tinha espaço central em todas as revistas e comerciais americanos, o artistas Gil Elvgren (1914-1980) virou um ícone desse estilo. Fez peças que até hoje encantam. Gil Elvgren colocou as mulheres de forma sensual e inocente dentro de um mundo em que a nudez era total heresia. A piscada foi uma das marcas de sua ilustração, nas pin-up girls. Curvas e volume caracterizavam as belas de Elvgren.

Mas, observando as modelos e os cenários sobre os quais produzia, fica fácil perceber como o artista fazia seus ajustes e as curvas originais da modelo eram alteradas para o resultado desejado. Isto é, o “photoshop” não inventou o “melhoramento” para produzir a imagem mais aceitável do grande público. No entanto, Elvgren não era um mero aplicativo, um software pronto para downloads intermináveis, mas um artista e em Arte.


Durante a minha infância vi revistas americanas na casa de minha tia, uma de suas clientes a levou para que ela olhasse uns modelos de roupa, elas continham inúmeros Pin Ups comerciais de diversos produtos. Fiquei encantado, um espanto. Vi que não era foto e me perguntei: como fazem isso tão bem feito? Salve a bela e boa ilustração. 

quinta-feira, julho 26, 2012

Governadora, faça o serviço completo




Senhora Governadora, por compaixão.... faça o serviço completo. Estenda a via expressa até o Atlanta Center (entrada da Lagoa da Jansen), passando por detrás do colégio Reino Infantil... Esse trecho vai melhorar o tráfego nessa área, o acesso à ponta d'areia e vai ajudar a justificar tal obra como útil. 
Os acessos hoje existentes já estão congestionados. Engarrafa ao lado do Banco do Brasil e ao lado do Monumental. Essa entrada antes do Armazém Paraíba... ajudaria muito o acesso à nova avenida. 
O que pode no Vinhais Velho não pode no Renascença? 
Nós... contribuintes agradecemos!

terça-feira, julho 24, 2012

"Verdades" eleitorais & quem é povo?



Quem é povo? Ou o que é o povo? Não sou desconhecedor das definições e dos sentidos clássicos dados  ao conceito. Falo o que é povo eleitoral, o que elege um dado candidato em certas circunstâncias.

Vejamos. Quinta-feira passada fui ao Banco do Brasil levar uns documentos, como sempre, aquela dificuldade para achar uma vaga no estacionamento. Depois de achar a vaga fui fazer o que tinha que fazer. Quando retornei encontrei, próximo a meu carro, um senhor com um crachá dependurado no pescoço, era o flanelinha. Ok. Liguei o carro, manobrei e quando fui entregar meu 01 real ao senhor e lhe fiz a seguinte pergunta: E as eleições? Quem ganha? Ele prontamente me disse: “É ..... (fulano)”. Argumentei sobre as deficiências já apresentadas pelo candidato. Respondeu aos meus argumentos da seguinte maneira: “ Não sabe que povo gosta de se iludir?”.

Pois bem, quem é esse povo? Pelo que pude perceber, esse cidadão afirmou quem vai vencer (na forma de uma propaganda), mas não quis assumir que prefere o candidato que citou. Será que ele estava chamando a si próprio de ‘povo que gosta de se iludir’? Ou é o preconceito de assumir sua opção? Assim como o brasileiro tem preconceito de ter preconceito, alguns eleitores teriam preconceito da sua opção política? Alguns teriam preconceito de serem conservadores?

Mas o caminho pode ser outro. Ou esse “povo que gosta de se iludir” é uma forma irônica de responder à violência como é tratada socialmente a vontade política dos setores pobres da população? Significativa parcela das classes médias culpam os pobres pela eleição dos maus políticos. Existe, entre nós, uma violência generalizadora que afirma que os pobres e analfabetos não sabem votar. Como se eles fossem despossuídos de todo e qualquer discernimento, consciência e percepção das coisas.

A questão não é só ter ou não consciência, mas também uma questão de opção. Passa pelo direito que cada um deve ter de poder optar. Quem opta diferente de nossas preferências não tem consciência? Grande parte do eleitorado não sofre de falta-de-consciência, mas de liberdade. É uma questão também de opressão, não só de consciência. Quem não é livre não escolhe. Eu não vejo sentindo culpar a vítima por tal crime. A outra parte dessa violência é achar que todo pobre é venal, que vende seu voto por qualquer coisa. Por isso, muitos têm uma crença cega no poder da “máquina” e na certeza da vitória de quem está no poder.

Essa história tem outro lado. Assim com ouvi o flanelinha, ouço, quase diariamente, as vozes dos setores intelectualizados. Aí tem uma coisa assustadora e sem crítica. O que é isso? A unanimidade em torno da ida de Castelo para o segundo turno. Ninguém em nenhum momento levantou a voz e exerceu acrítica para dizer que: se ele for para o segundo turno não é confirmação dessa “verdade”, mas a constatação que essa forma de publicidade funcionou.

Fico pasmo como alguns opositores do ocupante do governo não se dão conta que são os maiores marqueteiros dele. Se o ocupante do governo for para o segundo turno ainda vão comemorar o seu acerto. Se isso ocorrer o acerto será do ocupante do governo, que soube fazer a sua propaganda ao ponto de tornar uma inverdade em fato, utilizando-se dos opositores. A fórmula é repetir a mentira até que todos passem a considerar como verdade.
Quem é mesmo o povo que gosta de se iludir? O que fazem as classes médias?, como elas aderem a uma candidatura?, elas são sempre racionais, críticas, conscientes na escolha eleitoral? Que consciência é essa?

Ora, nem sempre a de vontade/intenção de votar na pessoa X é concretizada. As pessoas podem mudar de ideia, as pessoas podem esquecer-se de fazer o que diziam que iam fazer e muitos não são suficientemente livres para escolher, seja qual for o fundamento dessa não-liberdade.  Persiste então  a pergunta: quem é esse povo que vota em Fulano? Lembrando que Fulano é campeão em rejeição e desaprovação, com índices altos. A certeza da ida de Fulano para o segundo turno e de sua vitória não é só mito? Ou sua principal arma de propaganda eleitoral? Outubro... saberemos!

sábado, julho 21, 2012

O Capitalismo bolinha


O Maranhão tem um erro de soma incrível. A conta não bate. Há tempos venho comentando e tentando chamar a atenção para o fato. Mas todo meu esforço foi inútil até agora. 

Em que consiste essa conta tortuosa? É bem simples dizer como é a fisionomia, mas muito difícil detalhar o funcionamento e constituição do erro. Em resumo é o seguinte: No Maranhão tem riquezas, empreendimentos e empresas de portes incompatíveis com a potencialidade do mercado consumidor. Isto é, são negócios que não têm condições de sobreviverem às custas do mercado local. Fica então a questão: como sobrevivem? Logo vem uma alternativa de resposta: sobrevivem graças ao mercado externo. O que significa dizer que somos um estado altamente exportador.

A verdade não é bem essa. A exportação é basicamente assentada em minério e isso não tem gerado distribuição de riquezas e nem oportunidades maiores de lucro para além da Vale e da Alumar. Basta ver o índice de empregabilidade dessas empresas. 

Os dados sobre renda e ocupação mostram um mar de gente exprimida entre 0 a 3 salários mínimos. Quem está na faixa de 10 salários mínimos constitui uma elite, parcela pequenina da população. Os baixos salários indicam para concentração de renda, mas não explicam o porte de algumas riquezas e como certos indivíduos posam de empresários. Principalmente quando observamos que essa massa de assalariados são, em grande porção, funcionários públicos: municipais, estaduais e federais. O que mostra o quão dependente é o mercado dos salários dos funcionários públicos. O comércio não tem condições de se manter só com os assalariados dos empregados na iniciativa privada. Onde está então o capital produtivo? Como aparecem esses megas empresários da "iniciativa privada"? O que sustenta a prolifera desse rito de ostentação: helicópteros,  caminhonetes, carrões, apartamentos caríssimos etc. ?  

Outra tentativa de explicar é apontar os repasses e distribuição direta de renda através de programas sociais. É certo que quase 50% de cada R$10,00 que circula no Maranhão não é riqueza aqui produzida. Porém, esses repasses que visam distribuição de renda e combater a extrema miséria, não deveriam estar produzindo mais concentração de renda e nem manter empreendimentos que se apoiam no alto consumo, em venda de produtos e artigos de luxo. Então como surgem esses empresários e essas empresas lucrativas em um mercado como esse? 

Eis o capitalismo bolinha... Pois é, como diria os marxista, o capitalismo é hegemônico, sem dúvida a nossa economia desemboca no sistema geral, porém, aqui nem tem e nem nunca se constituiu uma fração social propriamente burguesa, enquanto lógica e estilo de vida. Não muitos arremedos disso, o que é a livre iniciativa aqui, sem atrelamento ao governo aos esquema políticos? Sem proteção política é difícil vencer uma licitação, conseguir financiamento mesmo nas entidades bancarias estatais. Como essas riquezas surgem? 

Em grande monta são empresas lavanderias, lavam e alvejam os tecidos conseguidos pela pilhagem do Estado. São riquezas que não são constituídas estritamente pelos meios regulados e consentidos. É um montante híbrido de negócio lícito (só de fachada) e acúmulos oriundos de superfaturamento, de propina, corrupção, agiotagem e, pasmem, de assaltos e demais crimes correlatos.  Não há mágica quando a questão passa por soma e subtração. Onde se produz X riqueza não pode aparecer riquezas equivalentes a X +4. Pois elas teriam que receber um aditivo originado em algum lugar. A origem? Recursos públicos que não chegam ao seu destino e nem cumprem a sua finalidade.  Como consequência temos a inexistência de serviços essenciais e obras essenciais em mais de duas centenas de municípios. 

Tudo isso que foi dito não é suficiente para explicar a complexa teia dessa promiscuidade criminoso com o modelo hegemônico de mercado. Trata-se um densa e complexa teia produtora de riquezas sem capital produtivo e apoiada em diversos crimes. 


Por outro lado, os homens de capa preta ficam operando, no silêncio do gabinete, a omissão cúmplice, que gera uma ciranda de impunidades e injustiças. A esse endinheirados não cabe o termo burguês, não chegaram a tal patamar, pois são notórios boçais.. Bolinhas da vida e seus impérios! 


 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...