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A Galinha dos Ovos de Ouro


A galinha dos ovos de ouro é uma história conhecida e bem conhecida de todos nós (Trata-se uma fábula de La Fontaine). O indivíduo mata a galinha ambicionando ter mais ovos de ouro imediatamente, sem demora. A velha sedução do fácil produzida pela ganância. O tesouro pronto que se quer logo. Subjetivamente o "diabinho" que fala à consciência subjugando outros valores.  Na minha infância, quando conheci a história, fiquei chocado mesmo foi com a morte da galinha. Olhei a ilustração e achei a galinha tão bacana. Ela estava candidamente abaixada no seu ninho e rodeada de ovos dourados. A coitada eliminada por ter a beleza de produzir tesouro. Ouro não fazia o menor sentido para mim, algo totalmente estranho ao meu universo (carrinhos de lata, mangueiras e a areia do quintal). Lamentava mais pelo fato dela não ter chocado e produzido crias. Imaginei a ninhada. Na verdade até hoje não sei o porquê de tamanha valorização ao ouro (não vejo nada demais e a única vantagem é que não enferruja como o ferro e nem suja como a prata). O que apareceu em primeiro plano foi a maldade do homem de matar a galinha. A lição moral retirada (interpretação corrente) é a destruição de algo precioso pela ganância. A ganância que obstrui a prudência e a inteligência. O indivíduo perdeu tudo por querer ter tudo de uma só vez, em um só instante. Mantive ao longo dos anos a impressão  inicial de que há uma maldade que envolve o querer. 
Vejo essa história hoje como algo absurdamente complexo contido em uma simplicidade. Vejamos: a galinha é aparentemente extraordinária porque realiza o impossível: pôr ovos de ouro. Isto é, uma ave que produz metal nobre morre. Mas o interior vivo da galinha (dos órgãos) revela-se o mais extremo normal, comum e não extraordinário. O extraordinário acontece nela, mas não está nela contido como algo pronto. Sua fonte não é visível, é extraordinariamente oculto. A galinha só é extraordinária porque é uma galinha organicamente como qualquer galinha (sua existência física é naturalmente comum). Outra lição moral possível é que a Fortuna é móvel e extremamente efêmera para quem é destituído de qualquer Virtú. 
Historicamente a galinha é um tesouro para a humanidade, porque é o alimento de bilhões de pessoas por todo o Mundo. A galinha está presente em todas as sociedades e culturas. A galinha é um tesouro extraordinário ao ponto do pobre poder ter esse bem e o manter com tão pouco. 
Nos povoados rurais do Maranhão, castigados pela pobreza e por déficit tecnológico de produtividade, a galinha no terreiro é uma poupança, um tipo de socorro nos momentos difíceis da família e um prato especial na mesa em dias de celebração. 
A galinha é  o grande tesouro para os virtuosos e os ovos de ouro a tragédia para os gananciosos!  

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