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O ENEM, a centralização excessiva e espetáculo

O Brasil é um país de espetáculo e dramas grotescos. O ENEM encaixou bem no cenário.
Hoje a Globo News ... fez a cobertura dos candidatos que chegavam atrasado. Pois é, a Globo se dedicando ao atraso de candidatos do ENEM. Logo em seguida apresentou um herói que supostamente livrou uma moça de ficar do lado de fora do prédio por atraso. Além disso, foi exibido um professor fazendo uma performance com as dicas de matemática. 


O que está verdadeiramente por trás do ENEM é uma bizarra centralização de todas as atividades da educação na mão do Estado. Cada vez mais autonomia das entidades de ensino está sendo diminuída. Essa política do Governo Federal é exageradamente centralizadora, há tempos já ultrapassou o interesse de estabelecer apenas um currículo mínimo nacional. Não é mais isso, o que está em concurso é aprofundar o ensino como Aparelho Ideológico do Estado. As abordagens dos temas sofrem um brutal inclinação para o campo doutrinário (No sentido de orientar o fazer, a conduta. Se fosse defesa ou justificação seria ideológico), diminuindo a crítica e a pluralidade de abordagens sobre alguns temas sociais. Não possibilitam ver a complexidade inerente aos fenômenos sociais. Outras são puro proselitismo da posição que ocupa o elaborador da questão.  



O próprio sistema de avaliação das entidades de ensino é hoje uma ferramenta a serviço da política partidários dos favores e outras coisas mais. Hoje não basta seguir as exigências, mas tem que ter uma articulação política que torne a avaliação sem risco. O jogo empresarial tomou conta dessa avaliação e isso virou um mercado, muito arriscado e perigoso, porque o que está mesmo em jogo não a qualidade o crescimento e melhoramento do processo de formação e qualificação dos estudantes. Jogam com alguns números para produzir uma estatística publicitária para o governo. 



Por que no Brasil não é permitido universidade e faculdade livres, sem seguir estritamente o critério curricular do MEC? Qual a preocupação? É coma qualidade de ensino ou com a reserva de mercado? Hoje o ensino superior está sucateado e engessado por parâmetros de qualidade duvidosa. Eles na verdade obscurecem uma parte da realidade e de outro lado exigem uma solução mágica para os efeitos de um massificação abruta do ensino superior.  



O que menos esse ENEM avalia é a capacidade (habilidade e competência) do estudante para o que ele vai fazer na Universidade. Isto é, se ele tem capacidade efetiva de ser Universitário. Sempre fui contra vestibular e também sou contra esse ENEM. O que precisamos é um sistema avaliativo progressivo durante toda a vida escolar do estudante. Algo como parte da rotina dele de estudo/avaliação e não mais um circo, um drama e um sofrimento desnecessário. 



PS.: ENEM  A vitória da cegueira... ao invés de um aprofundamento sobre o caráter mesmo desse tipo de exame e os aspectos teóricos, emerge proselitismos estéricos, inclinações ideológicas e doutrinárias sectárias. O que está proliferando nas redes sociais não é um debate acadêmico, nem um debate minimamente sereno e responsável, coisa que a situação necessita. Não é. As subjetividades  não estão sendo usadas produtivamente em benefício de um debate que possa servir para evidenciar a complexidade da realidade, os problemas mesmos relacionados à formação dos nossos jovens. Ninguém problematiza particularmente sobre a unidimensionalidade como algumas  questões sociais foram postas. Esse exame, no formato e conteúdo, é o mais adequado? O Brasil não precisa de algo mais significativo para melhorar a qualidade do ensino? 

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