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São Luís 403 anos. Quando chegarão ventos bons por aqui?


São Luís vive, até o momento, um mesmo tom administrativo, que teve início em 1985. Excetuando os Gonçalves (Dona Gardênia e Castelo, o responsável pela eleição de Holandinha) a Prefeitura tem sido uma possessão do PDT (partido democrático trabalhista). Salvo o primeiro mandato de Jackson Lago, nada de significativo foi feito. Nenhuma intervenção urbanizadora significativa foi feita nos últimos anos, nenhuma inovação na gestão pública aconteceu, a qualidade de vida em São Luís não melhorou. Já é bem nítido que esse tom "administrativo" que tomou conta da Prefeitura de São Luís é ultrapassado e está se tornando cada vez mais prejudicial à cidade. 

Vamos aos fatos.
A drenagem continua uma lástima, a pavimentação continua pífia, sempre com obras paliativas. Existem mais de trinta pontos de alagamentos na área mais central de São Luís. O escoamento da água pluvial é precário e cada vez piorando mais. Inexiste a manutenção regular dos bueiros. Falta tampas de esgotos e grades nas bocas de lobo. Faltam sarjetas feitas dentro das especificações técnicas (com um mínimo de racionalidade e observando que a água desce por conta da força da gravidade). Existes vergonhosos canais de esgoto a céu aberto. Até quando vamos ter valas como as da Areinha, Coroadinho etc. ?  Atualmente está em curso uma tais audiência públicas sobre revisão do Plano Diretor, na verdade esse Plano Diretor está em estado de revisão já faz muito tempo. O que a administração de Holandinha quer é atender as novas exigências dos empresários do setor imobiliário. O que eles querem é aumentar o gabarito e construir torres ao longo da orla. Vejam se há alguma previsão de compensações nas áreas a serem impactadas, vejam se há dispositivos para esses empreendimentos serem obrigados a realizarem melhorias no entorno. Nada! É só mais um acerto para atender interesses privadíssimos. Essas audiências estão sendo feitas de um modo para não ter participação significativa da população. 

O transporte público é "planejado", ditado e imposto pelo Sindicato dos donos de ônibus, que a cada ano são agraciado com o aumento do subsídios, mas sem oferecerem melhores serviços. Manter uma população de mais de 1 milhão de pessoas na dependência de um único meio de transporte de público de massa é algo perverso. Enquanto em todas as capitais estão buscando diversificar o transporte público, aqui Holandinha em acerto com os donos de ônibus enterraram o VLT. Os donos de ônibus com uma margem de lucro folgada e os cidadãos condenados a usarem ônibus miseravelmente velhos, com péssima manutenção e nenhuma higiene (alguns fedem, bancos encardidos, piso imundos etc.). Não bastasse só a péssima qualidade dos veículos, as rotas são mal planejadas e em nada levando em consideração a questão do custo/benefício. O tempo o por demais desperdiçado. Não existe paradas seletivas e, para piorar, existem os terminais que, na prática, só servem para desperdiçar dinheiro público e humilhar ainda mais a população que precisa de transporte público. Há cinco anos atrás disse que esses terminais não são necessários, são verdadeiros sumidouros de dinheiro público e precisam ser fechados. No lugar desses terminais deveriam existir escolas com ensino tecnológico (precisamos de técnicos/cientistas, nós já temos um estoque de poetas colossal - ser poeta não inviabiliza ninguém de ser cientista e vice versa) e creches de tempo integral. 

O saneamento é o supra sumo do descaso. São esgotos e mais esgotos despejando in natura nos rios e no mar. Assim como os donos de ônibus (os reais donos do transporte "público"), os donos das construtoras podem fazer livremente o que quiserem, podem: grilar dunas e mangues, interromper e bloquear ruas, construir na projeção (continuação) de avenidas e ruas, desrespeitar o afastamento (recuo), construir sobre mata ciliar, aterrar calhas de rios, córregos e bacias naturais. E tudo isso sem levar qualquer compensação para a área onde constroem. Estão acima de tudo. Ganham até habite-se sem a obrar estar acabada. 

Seguindo a lista dos horrores encontramos as péssimas condições sanitárias de vários estabelecimentos comerciais, particularmente restaurantes, lanchonetes e similares (a sujeira é até glamourizada como se fosse parte da nossa tradição). Ninguém é fiscalizado verdadeiramente e só uns poucos punidos. 

Temos um nó cego em São Luís: serviços de saúde. No âmbito da saúde pública municipal é a mais grave. É um cenário complicado demais e que envolve o próprio modelo de Sistema Único (SUS). Existia a promessa de construção de um novo hospital, aí veio todo um debate sobre a localização e agora simplesmente não existe mais na prioridades municipal a construção desse hospital. Cadê a grana desse projeto do novo hospital? Quantas reformas ainda serão feitas no eterno reformado Socorrão I? 

Aí vem a a limpeza pública. Verdadeiro desastre na gestão atual. Ruas e avenidas inteiras sem capina nos canteiros e calçadas, terra acumulada nas sarjetas e o absurdo aumento de descarte de entulho nas áreas "verdes". Além disso, a cidade está emporcalhada visualmente com um monte de cartazes e anúncios irregulares em postes e muros, viadutos. Cartazes de show de bandas, de palestras, de culto, de festejos, de serviço de manutenção etc. Sujeira total. Segue a isso a poluição sonora dos pancadões, que de forma mais que visível perturbam o sono e sossego de milhares de pessoas em bairros, condomínios e praias. Até agora nenhuma legislação municipal mais específica foi elaborada para combater isso. Outra praga que se alastra pelos bairros: as ruas são transformadas em oficinas e garagens. Alguns moradores de condomínios estão utilizando calçadas como garagem de forma permanente. Ninguém faz nada. Outra coisa que é preciso perguntar é: cadê aquela lei de calçadas e muros? Por que ela não é aplicada em terrenos no Renascença, Calhau, Olho D'Água? 

As áreas "verdes". Bem, as áreas verdes merecem até um post exclusivo. O que estamos assistindo no Vinhais é total cumplicidade do poder público com a grilagem. No Vinhais estão invadindo as áreas verdes, são casas e mais casas construídas irregularmente nas áreas que foram reservadas à vegetação. Na Cohab a grilagem está escancarada sobre as praças, além da ocupação irregular e absurda por trailers e barracas. Existem áreas verdes quase totalmente encimentadas. Ninguém faz nada. Quando as "áreas verdes" serão libertadas de dessas barraquinhas de comerciantes, dos "escritórios" de postos de táxis e de moto táxis?  Quando essas áreas serão espaço para lazer dos moradores (serão pontos culturais)? 

São Luís tem uma das piores sinalizações de trânsito. Placas velhas, semáforos que não funcionam. Inexiste um sistema de monitoramento do trânsito. O número de foto sensores e radares são insignificantes e não existem em diversos pontos críticos. Onde e em qual lugar do mundo existem 3 ou 4 semáforos em sequência em uma distância de menos de 1km? Nenhuma passarela para os pedestres. Criaram uma ideologia que o povo não gosta de usar para não fazer. Completa falta de respeito. As rotatórias mais problemáticas: Cohama, Forquilha, Tirirical, São Cristóvão não sofreram nenhuma intervenção para melhor ar a trafegabilidade e acabar com os engarrafamentos. Cadê o dinheiro do viaduto da Forquilha? As pontes do Caratatiua/Ipase continuam com engarrafamento. O que foi feito exatamente na Forquilha, onde a estrada da Maioba se une à estrada de Ribamar?

E as calçadas? Bem, agora o Holandinha está fazendo um cenário cenográfico para mostrar "calçadas" feitas em sua gestão. Fazer as calçadas é o certo, basta ver que as ruas visualmente ficam melhor e ajuda de imediato no processo de limpeza da mesma. Mas, o que Holandinha está fazendo é muito abaixo da necessidade e padrões técnicos. Começa pela qualidade da massa ("cimento"), depois a falta de interesse de fazer o serviço completo, faz em um trecho e, na mesma rua, deixa sem fazer outros trechos. Até agora , a Prefeitura não removeu nenhum obstáculo existes nas calçadas, tais como: postes (no centro da calçada), barras de ferro, muretas etc. Sem falar que não realinhou o meio fio, nem melhorou o espaçamento da calha da rua. Ficando uma calçada par dentro e outra para fora. Onde o proprietário do imóvel avançou com a calçada ou rampa sobre a rua a Prefeitura não mexeu. A casos absurdos na Avenida Mato Grosso na Chácara Brasil, Na rua Aririzal, só para exemplificar. Na rua Aririzal tem uma calçada e uma sarjeta feita pela prefeitura que servem de paradigma para uma arquitetura-piada. 

Arborização. Cadê as milhares e milhares de plantas que iam ser plantadas? Não existe nenhuma jardinagem e paisagismo significativo em São Luís. As áreas verdes estão cheias de entulhos ou encimantadas por barraqueiros. Os canteiros centrais das avenidas, as poucas plantas que existem estão abandonadas, os próprios canteiros totalmente danificados e sem manutenção (só ver o da avenida Dos Franceses). O mais absurdo é escutar o presidente do Instituto dizer na TV Mirante que ainda vão fazer um estudo para ver qual a planta adequada para plantar nos canteiros. Esse Instituto (Impur) ainda não sabe quais plantas devem plantar? Triste ver a praça Gonçalves Dias ser desertificada (só cimento, nem grama tem nos canteiros). 

O Centro Histórico é agora um laboratório de higiene social. A doutrina do darwinismo social chegou forte por lá, mas, melhoria no ambiente, como um todo, não aconteceu. A mais recente novidade é a desastrosa liberação para carros, inclusive fazendo da praça Nauro Machado estacionamento de carros oficiais. A rua Grande sempre a espera de um projeto decente, de melhorias significativas, mas tudo não passa de promessas vazias e delirantes. A praça Deodoro e o Mercado Central são dois certificados de descaso e de total falta de visão administrativa. Vergonhosos os nossos mercados. 

Falta dinheiro? O dinheiro é pouco? Nem tanto. O que falta é gestão, empenho, vontade política,compromisso e respeito com o erário. A gestão eficaz passa por achar e desenvolver respostas e soluções com escassez de recursos. Existem inúmeras soluções de baixo custo, que vão da despoluição da água até a pavimentação sustentável. Quanto a Prefeitura economiza na conta de energia utilizando fonte de energia eólica e fotovoltaica? Para arborizar é preciso milhões? Não é! A questão dos milhões são outras... Somado a isso, a baixa qualidade administrativa não sabe reduzir gastos (desperdícios), otimizar o uso dos recursos etc. Existem pastas importantes com baixo orçamento e que o "gestor" ainda tem o luxo de gastar mal o dinheiro público. Ao invés de estabelecer as prioridades e efetivar ações que surtam melhor resultado, eles pegam o recurso que já é pouco e pulverizam de forna ineficiente, gerando nada em lugar nenhum, tendo como resultado somente alimentar clientela eleitoral, nada mais que seja real benefício da população. 
E nisso São Luís vai ficando cada vez maior populacionalmente e muito, muito menor em qualidade de vida. Está sendo transformada em um monstro.

Tenho uma amigo (poeta e empresário) que diz o seguinte: "São Luís é um milagre. Sabe?! Como ela consegue existir? Essa cidade insiste em sobreviver. É incrível isso! Esses caras (os governantes) tentam destruir essa cidade de todas as formas, mas ela consegue sobreviver a eles. Ela sobrevive a essas desgraças (os governantes). É impressionante isso!" 

É, poeta... acho que a cidade já está esgotada, sem as necessárias forças para resistir. Veja o cenário como está, poeta! 

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