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Quilombolas: a continuada luta contra o sofrimento


Mais uma vez diversos presentantes de comunidades quilombolas e indígenas estão ocupando pacificamente a sede do Incra do Maranhão. Motivo: reivindicações que nunca foram atendidas. A ação não é mais que a reivindicação do atendimento das reivindicações já feitas diversas vezes. 

O que temos hoje são Reivindicações de reivindicações não atendidas por diversas gestões anteriores. O INCRA já teve diversas vários superintendentes, a Presidência da República já teve vários ocupantes, só o governo do Estado que está pela primeira vez sob novo comando (exceto a breve passagem de Jackson à frente dos Leões). E nada de significativo foi feito até agora. Tudo que está acontecendo é o eterno ontem se projetando no presente. A velha memória opressiva.  É uma negação continuada de Direitos e privação do essencial: de vida sem graves precariedades e perseguição.

Depois de 300 anos de escravidão legalizada, oficial, as comunidades e povos oprimidos desse o início do processo de coligação ainda vivem sob o desespero, sem garantias ao espaço de morada, de trabalho, de vida. Não bastou os séculos de pelourinho oficial, os negros e índios ainda precisam se lançar em ações extrema para serem ouvidos e terem seus direitos reconhecidos. Que Estado de Direito é esse que é um grupo de homens e Mulheres precisam fazer greve privando-se de alimentação (Greve de fome) para serem vistos (perder a invisibilidade social), ouvidos e ouvidos? 

Hoje completou 08 dias (não 05 como publiquei inicialmente) que um grupo de quilombolas estão em greve (de fome) dentro do INCRA, em São Luís. Os indiferentes são, no dizer de Gramsci, covardes. 

Aí é possível ver o porquê de não termos uma reforma política. É isso aí, para manter um parlamento que não represente realmente o que a o povo, os setores menos favorecidos. Onde estão esse 18 deputados federais do Maranhão? Estão em Brasília representando o que mesmo? Cadê os 42 deputados estaduais do Maranhão, distribuídos em 23 legendas? Nenhum desses partidos tem, no seu programa, algum item programático que se afine com essas reivindicações dos Quilombolas? Nenhumas das supostas causas desses parlamentares tem ligação com esse tipo de luta? Ou são políticos sem causas? Não. Não existe político sem causa. Resta então saber que causas tão diferentes são essas? 
Por que ninguém se movimenta para mediar, buscar consolidar um acordo, cobrar do governo federal que atenda essa pauta de reivindicações que há anos vem sendo solicitada?  

Hoje foi mais um dia de esforço de diálogo e de construção de acordos, compromissos, lá no auditório do INCRA estavam o representante do Ministério Público Federal (Procurador Alexandre Soares), Líderes das comunidades Quilombolas, Superintendente do INCRA-MA e, finalmente, um representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário. A falta de domínio técnico e habilidade política dos representantes do Governo Federal saltaram aos olhos, começando pela "planilha", imprecisa etc. 

Quero registrar que senti a falta de um representante do governo estadual. Pois, mesmo sendo alguns trâmites de competência da União, esse nobres cidadãos são maranhenses e a questões em pautas ocorrem integralmente em solo maranhense. Não custa nada compor a mesa para buscar soluções e, de imediato, tirar do risco de morte aqueles que estão em greve de fome. 

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