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Cem dias de subterrâneos: descobrimos que estamos mais podres


Nunca em Cem dias um governo conseguiu ser tão sem credibilidade e sem apoio popular. Nunca estivemos tão frente a frente com a chaga de uma fraca e insipiente república, valores tão pouco defendidos, instituições tão pouco atuantes, sistema de punição e defesa do bem público tão insignificante.

Tempos atrás disse que seria uma temeridade uma segundo governo de Dilma sob vários aspectos. Agora a crise se alastrou e não é preocupante só por uma governo mal conduzido administrativamente e politicamente. A crise é da política total. Democracia em ambiente de baixa cultura cívica, de rarefeita virtude civil é um risco. Risco porque essa esquerda governista e não-governista estão desmoralizadas, anacrônicas, total surdas e cegas aos novos movimentos e reivindicações. A esquerda que orbita em torno do PT e a tal extrema esquerda, só formalmente fora do governo, são autoritárias com um ideário do século XIX, apresentam-se tão reacionárias e nocivas à Democracia quanto a extrema direita que deseja a volta de uma ditadura militar. 

A ausência de oposição, já só agora descoberta pelos grandes pensadores políticos do Brasil, é um velho problema, que já sinalizei desde 2006. Desde a redemocratização só existiu uma efetiva oposição quando o PT não era governo. Esse vazio, essa falta de representação sistemática e organizada dessas novas demandas sociais é o principal alimento da extrema direita golpista. 

Mas a dinâmica política trouxe novos componentes dessa crise política e essa crise de legitimidade e sustentação desse governo. Tem componentes novos para além do custo dobrado do PMDB. A operação Lava a Jato deixou evidente que a corrupção no Estado brasileiro ganhou uma condição sistêmica e com um alto de grau de especialização. Tomada de dinheiro público transacionada com o alto empresariado e com um montante bem acima de qualquer lógica legal de contabilidade eleitoral. Dinheiro para qualquer campanha e em qualquer época, montante de bilhões. O que tem mais por trás desse dinheiro? Que articulação está em torno desse dinheiro aqui e no estrangeiro? 

Outro componente "novo" desse imbróglio é a postura dos defensores do governo de Dilma. Por um lado, espanta pela posição ética das defesas e, por outro lado, pela violência da defesa. Os primeiros defensores apresenta uma vasta variedade, indo de parlamentares a militantes de rede-sociais. Eles defendem o governo e o PT por um nivelamento por baixo, acreditando que se demonstrar a imoralidade, a desonestidade também presentes em outros governos e partidos eles ficam absolvidos de qualquer responsabilidade. O partido que reivindicava ser diferente... agora lutar por ser igual  as outros enquanto desqualificado, errado e mais um desse rol. No mínimo absurdo. Os segundo grupo é composto pelo MST e pela ciber-guerrilha, ambos atuam de forma agressiva os adversários e até aliados da própria Dilma. Dirigentes do MST falam em exército, ocupação das ruas, mas as manifestações que promoveram não tiveram nenhuma expressão a não ser acentuar posições contrárias a Dilma e ao PT, entre ela as que os consideram um grande risco à democracia. Recentemente o Stédile desqualificou o ministro de Levy. E a ciber-guerrilha mantém os opositores em alerta e sempre tendo que dar uma responta ao governo. Isto é, ao promoverem sucessivas desqualificações e patrulhamento alimentam a permanência de uma resistência mais aguerrida contra o PT e o governo. Nesse particular eles agem mais para o acirramento. Em boa medida eles acabam sendo um problema para a própria Dilma. O que quer mesmo o MST? Em qual desdobramento esse movimento aposta? 

As simplificações propostas por essa esquerdozofrênica sobre os cidadãos que estão protestando dentro de um rito normal de democracia, até o momento, não ajudam em nada a constituição de uma nova dinâmica política e que responda às questões que promovem inúmeras indignações e desesperanças nos brasileiros. O problema é a elite branca? São os que que antecederam o PT desde 1500? É a direita? São os golpistas? Existe algo bem maior e que passa por uma perda de legitimidade das instituições políticas brasileiras. Passa por uma profunda crise do Estado, que passa pelo modelo federativo adotado a partir de 1988, pelo sistema eleitoral e partidário ineficientes e que retira do plano político lideranças locais, não ecoam voz de maiorias, que alimenta um mercado eleitoral e partidário danoso, sem competitividade real, sem equidade. Passa por uma democracia que foi engessada e que pouco tem avançado na ampliação de possibilitar mais poder aos cidadãos. Após 1985... com o retorno das eleições pareceu que a democracia tinha chegado ao seu máximo, ainda mais com o voto eletrônico, que precisamente urgentemente sofrer mudanças que lhe dê mais transparência. Essa sensação foi reforçada coma estabilização econômica, parecendo que nada mais precisava ser feito em termos de participação dos cidadãos.  Se é um ruído só de direita, por que o DEM está definhando? Por que inúmeras outras legendas estão sendo articuladas com outros arranjos e ideários políticos diferenciados dos que aí estão postos? 

O quem tem esse "atual" governo Dilma além do projeto de manutenção do controle do poder? Quais políticas e programas significativos esse segundo mandato de Dilma tem para o Brasil? Qual as efetivas políticas no campo econômico para o Brasil crescer e atingir patamares de desenvolvimento ainda não experimentados? O que é esse segundo governo e quem o direciona? 

As notícias de corrupção não tem como deixar os cidadãos quietos e pacientes e discursos demagógicos e medidas populistas não estão mais distraindo a atenção do povo. E por fim uma questão: qual o cargo de Sarney nesse governo? 


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