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A parada de Sarney


Nesse último domingo (04/01/2015), José Sarney anunciou, em sua coluna no jornal O Estado do Maranhão, que parou (sem dizer de imediato que é a carreira política). Após citar o Eclesiastes falando que há tempo para tudo, o ex-Presidente da República, anunciou sua decisão: "Eu, agora, achei que era tempo de parar". 

Lembrei-me de Maquiavel ao dizer, em referência aos romanos, que "sabiam que o tempo tudo arrasta consigo e que, assim, ele pode trazer o bem como o mal, o mal como bem." (Capítulo III de O Príncipe).

Mesmo que os senador ainda não perceba, está também fazendo tardiamente um bem a si mesmo. E como está dito no Eclesiastes: "Uma geração passa, outra vem; mas a terra sempre subsiste."  (Ec, 1: 4) E no mesmo Eclesiastes: "O que foi é o que será: o que acontece é o que há de acontecer. Não há nada de novo debaixo do sol." (Ec, 1: 9)

A sua permanência na Política, desde o segundo mandato de Roseana, devia-se a inércia. Existia uma oposição que sobrevivia de derrotas. Era cômodo, porque ser a eterna oposição rendia. Essa letargia oposicionista era alimentada pela ideia da existência de um demiurgo malévolo de onde eram extraídas todas as legitimações, explicações e justificações para a realidade de forma mitologizada. Essa era e essa oposição precisam ser superadas agora.  Superar o sarneísmo é também superar a oposição criada pelo sarneísmo. 

A velha dialética do senhor e do escravo parece falar nesse parar (saída)... (Para quem não lembra, Hegel, Fenomenologia do Espírito, Seção A, cap. 4)

Assim, por falta de força organizada que pudesse lhe contrapor, o senador era perpetuado no poder como alguém imbatível e imune aos contextos e ao tempo que muda. O que alterou isso significativamente foi uma questão passional dentro do sarneísmo que produziu Zé Reinaldo opositor e a percepção de Flávio da ocasião. Tudo o mais foi o que deve ser:  trabalho e a disposição de vencer. 

"Vi tudo o que se faz debaixo do sol, e eis: tudo vaidade, e vento que passa." (Ec, 1:14)

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