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Onde doxa é episteme

Decorar é algo bem, bem primário. A memorização de procedimentos está inserida na socialização desde os momentos inciais. Abstrações complexas e reflexões exigem esforços adicionais. Produzir conhecimento de caráter científico, ultrapassando a doxa não é uma tarefa qualquer. Produzir cientificamente a partir de uma metodologia qualitativa é difícil. 

Fica mais desafiador se na empreitada a metodologia assumir a dimensão reflexiva, em detrimento do paradigma positivista e a compreensão da relação sujeito-objeto não for cartesiana. 

Não importa o preciosismo linguística e o volume de acertos gramaticais contidos no texto onde foi expressa, a opinião continua somente como opinião mesmo diante do primor da escrita. Quem ainda não demonstrou capacidade de elaborar hipóteses testáveis, domínio sobre indução analítica, teorização enraizada etc. não provou ter ido além da opinião. 

Mas, essas exigências nada importam quando a sociedade está estratificada com base em um sistema de castas, onde a validade das coisas e a condição do sujeito estão aferidos por dotes, prebendas e de cunho nobiliário. Com isso, reis, sub-reis e todos os endinheirados podem reivindicar qualquer posto do "saber", pois basta produzir uma opinião qualquer que a mesma será alçada ao posto de uma valiosa elucubração. Assim, doxa passa por conhecimento, sob massiva divulgação efetivada pela rede de lacaios. 

Como sempre, é um elemento recorrente desse contexto maranhense: o exercício da vaidade. Trata-se de um "dizer" sem qualquer fundamentação pautada em dados, onde o conceito jogo é lançado no texto sem nenhuma teoria, mas como o acaso que produz a crença na sorte. Viva o polida doxa dos senhores!        

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