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Três dias de Roseana: deixar ou permanecer à frente do Governo Estadual

Três dias de Roseana: deixar ou permanecer à frente do Governo Estadual. Qual o significado e a importância disso? A importância e significado disso estão resumidos ao fato das frações de oposição e diversos segmentos partidários ainda existirem na forma de satélites.  O campo político no Maranhão é muito estreito e densamente eclipsado por uma ideologia dualista. Difícil não pensar como uma hegemonia exercida pelo grupo político que controla o governo estadual. Essas frações ainda não pressionam significativamente a composição da pauta política, não conseguem estabelecer os temas dos debates, não possuem a capacidade de selecionar as prioridades das questões. As ações deles acabam sendo reativas, buscando responder com críticas. Até mesmo as denúncias têm sido de pouca significância em termos de consequência. A resultante é que os feitos e defeitos da situação impõem o ritmo, as condições e ocupa toda a pauta de forma muito absoluta.

Essa situação faz com que as atenções fiquem fixas sobre o que a governadora vai fazer nesse período de tempo, exato até 05 de abril. Essa questão ganhou uma centralidade desproporcional, ocupou todas as pautas. As oposições se condicionaram muito a esse fato. A continuação ou não de Roseana é problema mesmo para o grupo político dela. As oposições vão ter praticamente os mesmos desafios, dificuldades etc.

Onde pesa é na situação. Na verdade, a retirada de Washington da linha de sucessão e a eleição de Arnaldo Melo para presidência da Assembleia Legislativa tem revelado que as articulações não foram bem combinadas com todos do grupo situacionista. Caso típico de jabuti em árvore, mas na fórmula que um professor veterano me apresentou: “jabuti sobre árvore foi enchente, mão de gente ou milagre.” Segundo esse professor o pároco da sua cidade natal repetia a fórmula sempre acrescentando a variável “milagre”.

Todos sabem e não é de hoje, que o grupo político da Roseana está desgastado. Esse grupo não soube perde uma ou duas eleições para criar novos nomes fortes e para descaracterizar o continuísmo. Agora vão fazer o exercício de sobrevivência, de manter participação significativa na política, mesmo sem esse domínio brutal. O ideal para eles era fazer tudo como queriam: presidente da Assembleia elegia o pré-candidato a governador pela situação ou outro nome de confiança pela via  indireta, a governadora saía candidata a senadora e trabalhariam para garantir a maioria absoluta das bancadas federal e estadual... Isso seria o melhor resultado em caso de perda do controle do governo do estadual, pois ficariam calçadíssimos e podendo pressionar a partir de Brasília o ocupante da cadeira dos Leões. Essa via não funcionou bem até hoje e nem parece que vai funcionar até o dia 05. Algo forte emperra. A posição de Melo e outros parecem ter calços.

Outra via seria os dois (Roseana e Sarney) saírem como candidatos ao Senado ela pelo Maranhão e ele pelo Amapá. Isso ficou mais improvável agora. A outra via seria em garantir um dos dois no Senado. Mas essa vaga, onde parecia ser mais fácil está revelando-se uma dificuldade: ela deixar o governo e ser candidata ao Senado. O pai já tem o peso da idade, a carreira já concluída, não tem mais o que ocupar no Congresso e a imagem da continuidade pesam sobremaneira. A permanência no Senado seria mais fácil na figura dela.

Mas vamos refletir também com o acréscimo do padre: o milagre, para acrescentar mais uma via. Sarney ser novamente candidato pelo Amapá e Roseana permanecer no governo. O Amapá existe tal qual o Maranhão, tem árvores, jabutis e pode ter esse milagre. O senador Sarney pode enfrentar mais uma eleição e um mandato pelo Amapá. A atual governadora do Maranhão permaneceria no cargo para empenhar todas as forças que os Leões podem somar em prol do candidato deles ao governo do estado. Essa via, como já dito, é jabuti em árvore por milagre.

O certo é que as condições para Roseana sair do governo com boas garantias de disputa para seu candidato ao governo estadual ruíram a partir da retirada de Washington da linha sucessória, quando o direito de sucedê-la passou ao Presidente da Assembleia. Parece que essa dificuldade foi criada e está sendo mantida por ações endógenas. Sendo uma força interna que persiste, o prejuízo menor vai ser permanecer no governo e jogar tudo na candidatura de Luiz Fernando e garantir a maioria da bancada federal.

A oposição tem que se preocupar é em fazer campanha e saber explorar o cansaço do eleitor com o continuísmo. Roseana permanecendo no governo... a oposição tem que saber encarar o peso total da máquina administrativa dos Leões. Ou a oposição faz o povo pirar nessa ideia do basta ou não vai levar essa.

 Não existe soma zero ainda para o grupo da governadora. Vejamos: ela não sai candidata ao senado, a “oposição” ganha a vaga para senador, Luiz Fernando ganha o governo e eles conseguem maioria na bancada federal, estarão mais do que no lucro. Ela não sai candidata ao senado, a oposição ganha a vaga de senador, a oposição ganha o governo, mas se a maioria da bancada federal ficar com o grupo dela e o candidato deles ao governo for muito bem votado em São Luís, vai perda média, dependendo da atuação dos vencedores. Pois o grupo da governadora vai para a oposição dobrada: estadual/municipal e certamente serão os principais adversários da situação na disputa pela prefeitura de São Luís. Podem ocupar pela primeira vez a prefeitura pela via direta. Basta ter continuidade esse desgaste de Holandinha e tropeços do novo ocupante dos Leões logo no primeiro ano de governo (como os que ocorreram no governo da Libertação). Muito improvável o grupo da governadora perder em todos os níveis. Para o Senado, sem a governadora disputando, eles entram praticamente  com 50% de chances, já que a oposição firmou um candidato. Para a Câmara Federal dificilmente não conseguirão obter a maioria das vagas, com os velhos chapões 1 e 2. O risco real é perder os Leões.

O grupo tem o peso do desgaste, mas ainda respira. A oposição é que não pode perder, em mais de um nível de disputa, principalmente do Executivo. Pois aí a possibilidade de mais 12 anos de continuísmo fica bem real, principalmente se o candidato da oposição, melhor colocado nas pesquisas, perder e perder dentro de São Luís...



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