domingo, abril 27, 2014

A Pesquisa M e o mágico de OZ


O pouco que consegui aprender até agora me possibilitou distinguir uma pesquisa de opinião e uma enquete simples. A estatística é um instrumento valioso, mas não sozinho, principalmente, quando se quer aferir representações de posições de sujeitos imersos em um processo de disputa de poder. Mas esse tema é complexo... Vamos à parte prazerosa que esse mundo da disputa eleitoral nos traz. 

Por cá, nesse Maranhão, quanto mais absurda é a ação, mas próxima está da realidade. Ideologias converteram-se em penitência religiosa. Aqui, operando essa fórmula distorcida de pão e circo, onde efetivamente é distribuído o circo com o próprio circo, existem mágicos inusitados, da magnitude do mágico OZ. 

Toda mágica possui três fases: apresentação, a virada e o retorno. Para o mágico carrega a obstinação do segredo e da ocultação, mas a plateia só quer e só busca uma coisa: a ilusão. Aqui o mágico dispensa as fases e o segredo e a ilusão são mesclados. 

A questão é que o Totó sumiu, tem pouco espantalho muito leão e homem de lata. Mas o fundamental é não esquecer que eles procuram o que já possuem. A questão crítica aqui é quem quer a ilusão? Quem vai realizar com perfeição a ilusão? 

Muito antes do período eleitoral mais festivo apareceu uma pesquisa onde Flávio Dino aparecia com mais de 62% das intenções dos votantes... Lá embaixo aparecia Luís Fernando que nem tinha sido confirmado como candidato. Isso ainda no ano de 2012. Lá nessa pesquisa aparecia vários "cenários", onde o senador Lobão acumulava a maior rejeição com mais 30%.  Enquete inusitada e perigosa... Com um tempão pela frente apresentar dados assim é um risco, principalmente para quem está liderando. Mas, por incrível que pareça a divulgação e o alarde foram feitos pelos aliados de Flávio. 

Edinho, filho do Lobão, nem acabou de ser apresentado como o novo candidato do eterno novo de novo (sarneísmo) e os aliados de Flávio aparecem novamente com uma "pesquisa" apontando Flávio novamente com 62% das intenções de voto. A campanha de Edinho nem foi iniciada e o senhor empresário milionário aparece com um confortável rodapé de 12%. Aqui não é tanto saber a fidedignidade ou validade da amostra, mas saber qual o objetivo de tal divulgação, o que os seus promotores querem com isso. Pasmem, novamente a divulgação parte dos aliados de Flávio. Há algo estranho nisso. Imaginem quando Edinho começar a fazer sua campanha glamourosa de helicópteros, caviar, champanhe etc... Com quais números ele vai aparecer? Flávio vai ficar aí nesse patamar intocável? Ou Edinho entrou para seduzir os 3% e os 2% do PSTU e PSOL respectivamente? 

Os maiores adversários de Flávio estão com ele. Os votos de Flávio, na sua maior porção, para sorte eleitoral dele,  é composto pelos que cansaram de ver os Sarney no poder. Noventa por cento dos aliados de Flávio não agregam nada eleitoralmente para a candidatura dele. Hoje mais importa neutralizar Castelo e Eliziane (essa tem feito de tudo para se auto-enterrar). Flávio não pode vacilar muito com essa porção do eleitorado. A adesão pelo cansaço guarda um germe da impaciência. Todo cuidado é pouco. O texto apresentado como Programa de Governo é algo inominável... Esse atos de impulso são perigosos nesse contexto. Para que isso? Bastava uma carta de intenções focada nas áreas que terão prioridade e as ações imediatas de governo. O documento possui trechos cabalísticos e, em outras partes, coloca uma montanha para parir um rato. Não vou destacar...  

No meu Twiitter disse que a candidatura de Edinho tanto fede quanto cheira. Ninguém deu atenção. Mas não foi postada sem nenhum fundamento. Explico agora. Até recentemente... em bastidores e em aparições públicas aliados e articuladores de Flávio andavam em um tipo de amizade-cooperativa com Edinho. Gente de alta patente do comunismo apareceu até recebendo medalha na Difusora, nada demais naquele contexto de conspiração contra Sarney/Roseana. Tudo parecia útil e lucrativo em tentar implodir por dentro o sarneísmo. Certo? Vários blogues publicaram uma fala atribuída a Edinho que ele ameaça implodir ou que seu pai seria o candidato e só não seria candidato se não quisesse etc. Pode não ter sido nada certo. Edinho estava buscando se viabilizar, mostrar diferença e independência em relação aos Sarney, os comunistas e uma trupe da oposição podem ter servido úteis como escada. Subestimando a astúcia do filho do Lobo, pode ter ocorrido o inverso do que planejaram: foram usados por Edinho. Os marqueteiros de Edinho já devem estar pensando em desvincular a candidatura dele do continuísmo de Sarney. O voto de peso é contra a continuação. Isso pode dar certo e, se der certo, fede. O que sacia a plateia que está no circo diante do mágico é a ilusão. 

O que cheira... kkkk. Tudo cheira, né? A burguesia tem dinheiro para comprar perfume. Falando sério. Se essa aproximação com Edinho foi suficientemente planeja e com dados suficiente de sua fragilidade, a fim de escolher o melhor adversário. Isto é, insuflaram Edinho para ter um concorrente melhor de enfrentar no debate, melhor de confrontar em termos de retrospectiva política e administrativa. Se isso for confirmado, foi Certo andar em conluio com Edinho. Pois Luís Fernando não seria um adversário fácil em debate e nem em retrospectiva política e administrativa. Além disso, segundo a tal pesquisa dos aliados de Flávio, acima referida, Luís tinha um índice de rejeição bem baixa em relação aos adversários. O Lobão apareceu com um índice bem maior de rejeição. 

Como ninguém quer esquecer Sarney... Vamos falar dele. O que sobra de ganho para Sarney tendo de um lado Zé Reinaldo e de outro Edinho? Sei lá! Sarney ainda deve estar comendo bolo do seu aniversário por aí e contando histórias na sua coluna de O Estado do Maranhão. Desconfio que Sarney quando foi mudar de nome no cartório também mudou o nascimento dele e virou Matusalém. Mas eu comecei falando do Mágico de Oz e não de Matusalém. Qual o nexo disso como o assunto tratado? É que tanto faz , quanto mais absurdo, mas próximos estamos da realidade. 

Edinho é o candidato perfeito para coroar esse nosso período histórico (ou para coroar o charme de nossa miséria política).  

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