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Comentário Sobre o Editorial "A quem interessa debater a mudança no Maranhão?" do jornal Vias de Fato (17/03/2014)

Caro Emílio e demais integrantes do Vias de Fato,
quero expressar e reforçar meu apreço pelo esforço e trabalho de vocês. Aproveito para destacar a importância desse editoral do ponto de vista político e jornalístico, pois começa a se distanciar da oposição-fã e mostra um diferencial que o afasta da possibilidade de ser confundido como mais um jornal pequeno. 
Ver causas, destacar a importância das questões sociais mais significativas presentes na realidade maranhense e, acima de tudo, ter um posicionamento acima de legendas e siglas ou grupos particularíssimos de interesses em defesa de vida digna, defender a consolidação da cidadania, estado de direito, clamar por justiça para além do aspecto formal e defender ampliação dos espaços e mecanismos democráticos faz muita diferença no nosso cenário. Parabéns! 
No mais... é importante observar que vocês começaram a fazer coro com algumas poucas vozes que reclamam a necessidade de superar não só a hegemonia dos Sarney, mas também o modelo e tipo de oposição consolidada como anti-Sarney que, pouco ou nada, tem a oferecer aos grupos  e setores sociais mais injustiçados e oprimidos do nosso estado. 
Esse tipo de oposição-fã, corporificada nesse imenso e heterocéfalo cobertor chamado anti-sanarnísmo ou anti-oligarquia vem, ano a pós ano, resumindo-se a um projeto de poder ensimesmado, valendo apenas o poder na percepção de controle e domínio, destituído de um caráter produtor e promotor. Essa oposição omissa e irrelevante na Assembleia não faz mais que sustentar a permanência desse status oligárquico. 
O que a mudança tem a oferecer (propor) em contraposição ao agronegócio predatório, à concentração de terras, à pistolagem, à grilagem urbana e rual, aos palafitados, aos moradores das áreas de risco, ao desvio de recursos públicos, ao favorecimento pessoal no uso da coisa pública? O que será feito contra a negação sistemática do acesso ao ensino de qualidade, à saúde e à segurança? A mudança sem um compromisso social que seja contrário a essa ordem não será mais que uma mudança apenas de gerente, que servirá para a continuação desse mesmo domínio de perversidade. Falta ao Maranhão uma oposição à altura de nossas necessidades mais elementares, falta abraçar causas relevantes e ter um coeficiente de princípios. É isso que significativamente torna os atuais "donos" do poder mais impróprios aos cargos de comando do nosso Maranhão. 
Parabéns pelo trabalho!!!!!

Comentários

  1. Honrado com o comentário, professor Francisco Araújo. Obrigado

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  2. Honrado com o comentário, professor Francisco Araújo. Parabéns pela clareza política.

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