sábado, janeiro 12, 2013

A cidade desgraçada, na pele e nos cofres


Rio Gangan, obra mostrada como concluída no horário eleitoral. Aí tem recursos federais. 

Em qualquer país em que os aparelhos  de Estado gozem da mínima efetividade de institucionalidade pública o ex-prefeito de São Luís estaria sob forte investigação. Não só isso, os ocupantes dos postos do primeiro  escalão também estaria sob o mesma investigação.

Inconcebível que no Brasil a prática de pilhagem e sucateamento de bens públicos não figure como uma falta gravíssima e ainda conte com a omissão de instituições que deveriam zelar pelo  controle e transparência do atos que envolve o patrimônio público.
A forma com diversas secretarias e órgãos da administração pública  municipal foram deixadas requer imediato levantamento, apuração e responsabilização dos responsáveis. Inadmissível a omissão-cúmplice de inúmeras autoridades (agentes estatais) , que deveriam estar exercendo seu papel fiscalizador e regulador, mas nada fizeram até agora. Como em uma República atos dessa natureza ainda são possíveis? Como ações de tamanho dando público e que ferem a própria integridade institucional republicana não configuram como de competência federal?

O que o ocorreu na Prefeitura de São Luís é um absurdo atentado contra a coisa pública, onde foram mesclados pilhagem,  incompetência e irresponsabilidade.
A última gestão deixou um rastro de irresponsabilidade pública sob todos os aspectos e promoveu uma diluição sistemática dos marcos regulatórios, particularmente  através de uma generalizada complacência e permissividade, que tinha como objetivo a promoção de clientelismo eleitoral.

Hoje a cidade está emporcalhada de cartazes de toda a natureza nos muros, nos postes, nas pilastras dos viadutos, nas fachadas dos casarões etc. Anúncios de aluguel de pula-pula, desentupidor de pia, montagem de móveis, segurança, cursos, atendimento espiritual, anúncios de aluguel de imóveis etc. Mas as grandes vedetes dessa poluição e sujeira são os cartazes das bandas musicais de outros estados. A poluição visual, sonora e luminosa tomou conta da cidade.  Tudo foi permitido em nome de apoio e em prol exclusivamente da sede pelo poder.

Calçadas ocupadas e tomadas como estacionamento, licenciamento de obras irregulares, desrespeito à lei de zoneamento e a não  aplicação das sanções devidas aos atos infracionais. Total incapacidade de exercer de forma efetiva os serviços que são de competência do município. Hoje é comum carros e motos circularem nas vias com placa sem selo, motos sem retrovisor etc. Total e completa baderna.
Castelo gastou mal, errado e de forma indevida.

Esperamos que ao menos as obras e secretarias que receberam recursos federais sejam fiscalizadas e  investigas.

A cidade de São Luís reflete hoje, nas suas ruas, avenidas e esquinas a face do que há de pior, mais atrasado e anacrônico na política brasileira: o lixo residual do autoritarismo, mandonismo e patrimonialismo.  


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