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O PT de 2014 e alguns petistas

Foto original: Folha. 

Não existe mistério e nem possibilidade outra para o PT/MA em 2014... vai rumar junto com os Sarney. Fatura certa. Sarney mais uma vez está liderando a blindagem de Lula e nesse universo é dando que se recebe. gestos de retribuição e o interesse pela manutenção do poder pesam. 

Quando Lula disse que Sarney era uma cidadão incomum não estava só constatando a enorme e brutal verticalidade e distanciamento existente no Brasil, onde uns sobram em ter direitos, mas também auto-denominando-se com ser dessa espécie: cidadão incomum. 
Ainda vai render e vender manchetes, porém a carruagem vai para além do mensalão. Sarney e Lula seguem parceiros para 2014. O Maranhão é um detalhe pequeno para os dois. Onde tudo pode ser conversado.

Sobre o episódio Mensalão: tudo é verdade e muito de tudo é pura mentira. Há fatos e existem também os oportunista de ocasião tentando se beneficiar empreitando  vingança. Reflete um pouco um ódio endêmico de parte das elites brasileiras por aquilo que eles veem como povo, os inferiores. O outro lado, são os fatos comprovados. 

No Maranhão, esse eito tocado por mandões, mandões, repetido para destacar a pluralidade de exemplares dessa espécie, não há muito o que esperar, em 2014 o próprio senador Sarney estará pessoalmente na disputa eleitoral. Domicílio eleitoral regressado para São Luís, ele está hábito a ficar com a única vaga para o Senado em disputada em 2014. Não se tratar de gostar, querer, desejar, torcer... mas ver o que está sendo construído dia a pós dia. Qual o adversário com articulação e apoio em todo o Maranhão?  Sarney tem voto e admiradores em todo Maranhão, gente que vota na família ao menos 40 anos. A vitória de João Alberto sinalizou muito bem essa possibilidade, particularmente quando venceu José Reinaldo, em um momento que o ex-governador gozava de muito mais prestígio. Dos nomes conhecidos: José Reinaldo, Vidigal, Castelo, Roberto Rocha quem vai se lançar na aventura de disputar uma vaga ao senado? 

O próprio quadro do que se denomina anti-Sarney e oposição a Sarney ficou diluído, perdeu tons de contraste mais nítidos. Os anti/opositores operam nos mesmos moldes dos Sarney, boa parte foi ou é aliada de Sarney. O Presidente do Senado e Ex-Presidente, José Sarney, ineditamente na história republicana, homogeneizou todo um campo político decompondo as distâncias de tons. Aos olhos do eleitorado não é tão significativa a diferença de cor. Isto é, Sarney não diminuiu seu desgaste, mas trabalhou sistematicamente para desgastar os seus oponentes. Contra ele é preciso inventar um qualitativo novo e diferenciado dos que já foram usado até aqui. Motes com marcos cisórios entre esquerda e direita não funcionam para a grande massa do eleitorado, tampouco o de moralidade (existem corruptos de altíssima patente de todos os lados)... O que resta? Só inventando. A Política também carece de invenções, sempre! 

Não só isso, a grande massa das gerações recentes tem pouco ou nenhum envolvimento militante, não possuem posição política militante, mais ideologizada. Ao contrário, a maioria tem uma enorme fluidez de posicionamento, pragmatismo fisiológico, opinião de circunstância, com base em recompensa pessoal imediata. Vide parte do adesismo a Castelo. 

O senador Sarney tem um eleitorado cativo em São Luís, independe de se gostar ou não disso.  Se ele obtiver 20% dos votos válidos de São Luís tudo vai ficar muito fácil, principalmente se ocorrer uma enorme pulverização dos votos de oposição, dos votos contrários a sua candidatura. Se os adversários forem figuras já carimbadas e em enorme quantidade, o senador do Amapá já sai em vantagem. Em que pese os votos contrários em Imperatriz, Caxias, Timon, Codó, Açailândia, Santa Inês, Bacabal, São José de Ribamar, ao seu favor ainda existem duas centenas de municípios, onde o voto de opinião, mais livre e ideológico tem menor peso. Nesse Maranhão profundo as máquinas municipais e a estadual podem  criar adesões e votos significativamente. Tudo vai depender do mínimo de votos alcançados nas grandes cidades e do tamanho de favor (máximo) alcançado pelo prefeitos das pequenas. O quadro pretendido é para o senador vencer por WO. 

O PT tem rumo líquido e certo em 2014: segurar a bandeira de Sarney (senador). Não importa qual ala, corrente, coletivo, tendência esteja presidindo o PT, o partido estará a serviço dos Sarney. Por quê? Porque Lula, Dilma e Dirceu querem. E tudo novamente justificado em nome do projeto "nacional". O que pode ser novo é que além dos velhos petistas estarem trabalhando para Sarney,  velhos sarneístas estarão operando dentro do PT. O PT pode ficar não só aliado, mas diretamente comandado pelos Sarney. A figura intermediária, hoje desempenhada por Maca (senhor Washington), ser suprimida. Isso abre uma questão imediata: qual as possibilidades de reeleição de Dutra e Bira nesse quadro? 

Quem ficar no PT até outubro de 2013 não vai poder somar a qualquer outra candidatura fora do campo de controle sarneísta. Quem ficar no partido vai ter que se submeter a seguir as candidaturas dos Sarney, de bom gosto ou a contra-gosto. 

A outra possibilidade de desenrolar é da conciliação. Caminho bastante provável nas pretensões de Lula e Dilma. O senador Sarney teria uma oposição branda a sua candidatura, ficando no embate direto consigo mesmo, prestando conta da vida política e do seu mandonismo sobre o estado durante quase 50 anos. Em compensação aceitaria a perda do governo estadual. Aceitar aqui é tão somente, perder e não levar. Aqui já ficou provado que se ganhar pode não levar. Isso não vai significar uma facilitação ampla. Certamente o senador Sarney vai buscar ter a ampla maioria da bancada de deputados federais e estaduais. A maioria da bancada de senador já está garantida, a questão é só manter o 100%. 

Aposentar-se com um mandato fora de seu estado natal tem um ar de humilhação, isso parece algo que o senhor Sarney não quer em sua biografia, tantas vezes remodelada. Nessa conciliação sobraria ao "PT" não-sarneísta a condição de cachorro que caiu do carro de mudança em uma noite escura e chuvosa. Pois todos os lados estarão em concertação e somente eles em desconcerto. Lula e Dilma sabem que grupos parlamentares nacionais e forças regionais existem e alguns são bem maiores e mais poderosos do que qualquer partido, pois é um coletivo que se articula em diversas legendas e em diversas bancadas estaduais. Isto é, pesam na hora de aprovar e vetar diversas matérias no Congresso. A principal oposição ao mando do grupo Sarney também compõe a base aliada do governo Dilma. Não haverá nada de muito escandaloso nessa transação. Vide as posições no quadro geral.                                                                                                                                           

Em boa parte essa configuração política maranhense é produtora e produto de uma cultura totalmente mistificadora da base objetiva concreta. O jogo passa a ter dimensão performática e espetacular intensas que, em maior parte do tempo, é só simulação da realidade e não propriamente a realidade (formulação baseada na noção de Baudrillard de simulação e simulacro). Alguns tensões nesse campo são frutos de crenças, quando o ator começa à acreditar cegamente que as suas representações são as únicas possíveis diante de um real coisificado e, ao mesmo tempo, sacralizado como a grande verdade real.  

A mudança não é só vencer eleitoralmente Sarney, mas também superar o que ele produziu: a oposição a ele existente até hoje. 

Não existe PT para fora dos Sarney em 2014. Qualquer outro projeto é inviável dentro do PT.  



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