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DEPOIS DO CIDADÃO INCOMUM É A VEZ DO BANDIDO ESPECIAL

Ilustração: Francisco Araujo

Em 1993, Luiz Inácio, o Lula, quando diagnosticou o Congresso como composto por 300 PICARETAS inspirou a Banda Paralamas do Sucesso a produzir “Luís Inácio (300 picaretas)”, uma das faixas do álbum Vamo Batê Lata, lançado em 1994. Foi bom para banda que conseguiu vender perto de um milhão de cópias.  Era a época em que a palavra ética iniciava qualquer texto do PT e o Lula era do PT.

Recordando a banda Paralamas:

“É lobby, é conchavo, é propina e jeton
Variações do mesmo tema sem sair do tom
Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei
Uma cidade que fabrica sua própria lei
Aonde se vive mais ou menos como na Disneylândia
[...]
“Parabéns, coronéis, vocês venceram outra vez
O congresso continua a serviço de vocês
Papai, quando eu crescer, eu quero ser anão
Pra roubar, renunciar, voltar na próxima eleição
[...]
De exemplo em exemplo aprendemos a lição
Ladrão que ajuda ladrão ainda recebe concessão
De rádio FM e de televisão”

Depois disso o PT seguiu crescendo, crescendo e o Lula crescendo, crescendo muito mais, ao ponto de se tornar uma entidade distinta do partido. Convenceu e foi convencido de possuir uma sabedoria superior. No ápice desse enaltecimento a filósofa Marilena Chaui afirmou, em um transe filosófico, que “Quando Lula fala, o mundo se abre, se ilumina e se esclarece”.  

Durante a crise do Senado, desencadeada pelos atos secretos, momento em que o senador Sarney foi massivamente criticado, recebendo até um cartão vermelho do senador Eduardo Suplicy, Lula falou e tudo se esclareceu: (Sarney) “Não seja tratado como uma pessoa comum”. O senador Sarney foi transformado em cidadão incomum. A crise passou e o senador foi reeleito presidente do Senado.

Agora, mais experiente e com o currículo de 08 anos de Presidência, Lula iluminou o mundo quando criticou a ação da Polícia Federal na Operação Voucher: “Não é aceitável que uma pessoa que tem endereço fixo, RG e CPF seja presa como se fosse um bandido qualquer.”

Fica estabelecido que endereço fixo, RG e CPF é condição de imunidade. Quem pratica a pilhagem da coisa pública etc. é inimputável. Deve ser considerado Preso Incomum, ou bandido especial.

O que dizer agora dos sem-teto, nômades e dos que trabalham e vivem sem a pilhagem do Estado...? São os comuns dos comuns?; os eternos sentenciados da terra?

Para ser incomum não é necessário ter em comum as propriedades do que é o incomum?

Comentários

  1. Que máximo!
    Já estou seguindo aqui e no twitter.
    Sou a Mery, do Rio de Janeiro.

    ResponderExcluir
  2. Obrigado..Visitei seu blog... e também estou seguindo você.
    Parabéns pelo seu blog..maravilhoso-poético!

    ResponderExcluir
  3. Eu tenho RG, CPF, mas, pelo mal ou pelo bem, não tenho um vasto patrimônio conquistado por meio dos cofres públicos. É, não sou uma cidadã incomum, por isso meus direitos podem ser descaradamente violados e a Carta Maior ignorada. Lamentável. Parabéns pelo texto!

    ResponderExcluir
  4. Marizol, obrigado por ter lido meu texto.. Grato também pelo comentário... Também não sou um cidadão incomum... e sendo do Maranhão..só me resta ser um INQUILINO...os donos são eles...
    Boa semana!

    ResponderExcluir
  5. A revolta foi com as algemas lá trás no daniel dantas. Daí o Gilmar Mendes ter inventado esse acórdão #11 asinado por todos. Absurdo. Em todo lugar do mundo se algema bandidos.

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