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BIN LADEN, IRAQUE, ESTADOS UNIDOS E O TEATRO DE ASSASSINATOS


O que Bin Laden nos trouxe? Nada. Bin Laden foi trazido, foi vomitado pela falência e diluição de cânones da modernidade:  a racionalidade política, previsibilidade e controle.

O primeiro derrame, individualizado na pessoa de Bin Laden, foi o terror como forma sistemática de reação e manifestação de interesses de coletividades. O terrorismo, particularmente efetuado pelo homem bomba, desconstrói as linhas do humanismo moderno. Não só isso, as guerras se tornaram sem-fim, onde a ideia de vitória ficou intangível. Mesmo quando uma das partes tem superioridade bélica, o conflito não termina.

Essa guerra sem-fim é uma guerra que não representa uma saída da política com um retorno calculado a partir de objetivo. Ela simplesmente não tem objetivo político que sustente um retorno positivo à política. É a guerra que não possibilita nenhuma ilusão de sentido. A guerra do Iraque foi uma guerra para quê? Qual o objetivo? Que retorno político? Sintomática a conclusão de Shannon P. Meehan, capitão reformado do exército americano, veterano da Guerra do Iraque: “Meu maior ‘sucesso’ na vida será lembrado como um erro.”

A morte de Bin Laden é a institucionalização do terror, na forma de justiça de sangue via assassinato. Ao matar Bin Laden os USA perpetuaram a doutrina na qual o próprio Bin Laden se afirmava e se justificava. Tudo foi nivelado por baixo, pela brutalidade, onde não cabe rendição nem clemência. Quem venceu? Venceram os que comemoravam a morte de Bin Laden? Venceram os fãs dos atentados promovidos por Bin Laden? No fundo, esses lados convergem para um ponto: a violência.

Bin Laden está mais do que nunca eternizado como personagem da cultura americana, com amplo espaço no roteiro do teatro de assassinatos americanos. Não se pode mais falar dos USA sem Bin Laden.

As fotos e imagens divulgadas até agora sobre o local da morte de Bin Laden apontam para um cenário teatral, onde vidas foram eliminadas em nome de realismo, ou construção de uma “verdade” do Estado americano. Não há sinais claros de resistência e trocas de tiros. O corpo do principal personagem não é mostrado. Por que não é mostrado? Propomos duas hipóteses: 1) Mais do que evitar chocar as pessoas, os americanos querem evitar o ofuscamento de seu heroísmo. Talvez estejam simplesmente tentando ocultar que mataram um moribundo, um inimigo que já estava em situação precária de saúde e debilitado; 2) Bin Laden já estava morto e esse teatro (de horror) serviu a dois propósitos: alavancar a campanha de Obama e justificar a saída das tropas americanas do Afeganistão.

1-Curiosidades: Imagens do quarto revelam enorme quantidade de vidros de remédios em uma prateleira; a segurança de Bin Laden com um número reduzido e baixo armamento; pouca resistência (tinha colaboradores infiltrados na casa?); aproximação dos helicópteros não percebida; Bin Laden após a chegada dos americanos ainda estava desarmado.

2-Curiosidades: No período Bush, aparecia gravações de Bin Laden fazendo ameaças sempre que a popularidade do presidente caía. Bush se reelegeu sustentado pelo pavor. 
Não duvidamos da morte de Bin Laden. A primeira versão de morte de Bin Laden data sua morte em dezembro de 2001 e outra agosto de 2006. Essa primeira data foi publicada pelo Pakistán Observer, onde um líder talibã afirma que Bin Laden, sob ataques americanos, não pode fazer diálise diariamente e teria morrido quando fugia de Tora Bora.

Segundo o Pravda (04/05/2011 – mundo):

El último video de Ben Laden, considerado auténtico por los expertos, es de 26 de diciembre 2001 y fue grabado semanas antes. En él, aparece el jeque en pésimo estado físico: muy pálido, muy delgado y con el brazo izquierdo (era zurdo) inmóvil.
Después de esa aparición, Osama vuelve a aparecer durante años. El vídeo en el que sale caminando en las montañas con Al Zawahiri (emitido en 2003) también se remonta probablemente a 2001 y las dos siguientes filmaciones (una de 2004 y otra de 2007) se consideraron falsas. Por lo demás, sólo hubo mensajes audio de dudosa fiabilidad.
En abril de 2002 Steve R. Pieczenik, antiguo vice de los Secretarios de Estado Henry Kissinger, Cyrus Vance y James Baker, un personaje que había trabajado con Ben Laden en Afganistán contra los soviéticos en los años 80, respondió al popular locutor de radio Alex Jones que Osama "llevaba meses muerto".
En julio de 2002, el jefe del FBI de la lucha antiterrorista, Dale Watson, declaró: ''Creo que Osama bin Laden ya no está con nosotros, aunque no tengo pruebas para decirlo''.
Unos meses más tarde, en octubre de 2002, le tocó el turno al presidente afgano, Hamid Karzai:'''Hace mucho que no tenemos noticia de él: es probable que esté muerto".
En esos mismos días, la muerte de Ben Laden de diciembre de 2001 también fue acreditada por las fuentes de inteligencia israeli.
Sin embargo, según los servicios secretos saudies, Osama sobrevivió, al parecer, hasta el 23 de agosto de 2006: día en que el  jeque del terror falleció presuntamente en Pakistán debido a una parálisis de los órganos internos causados ​​por la fiebre tifoidea. La información, recogida por el servicio secreto francés, fue difundida en septiembre de 2006.
El ex agente de la CIA Robert Bear, autor del libro que inspiró la película Syriana, columnista de inteligencia para Time, Washington Post y Wall Street Journal, declaró sin titubeos en una entrevista a laNational Public Radio estadounidense: "Por supuesto Ben Laden está muerto ".
'''No creo que él todavía esté vivo", dijo a NBC News en 2009 al presidente de Pakistán, Asif Ali Zardari. ''Tengo esta fuerte sensación y razones para creerlo después de haber hablado con la inteligencia estadounidense''.
Consideramos que a existência física de Bin Laden foi minada há tempos. Portanto, a dúvida é a data verdadeira. Enfim, o que faltava era retirar o personagem do palco para que a peça pudesse seguir sua sequência. É o teatro americano.
Em que pese as eufóricas comemorações americanas, mas é o terror que está vencendo até agora. Infelizmente todos estão caindo na vala do terror.

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