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E agora é Carnaval... O Brasil em breve começa


Sob o compasso, profano de santos aversos,soam as pancadas dos bombos. Tremulam artefatos coloridos; corpos se multiplicam em saltos, remelexos, requebrados a suar toda a pele.
Vozes, faces, suores... Carnaval!

O Brasil nasceu na praia depois do carnaval, quando a cruz cristã ibérica tremulava no pau da bandeira:  formando o caldo tropical que daria vida ao Carnaval . 


Tabaco, cachaça, espada, pelourinho, sedução e estupro. O ventre cerrado, depilado da nativa se abriu ou foi aberto para lançar o mestiço, o novo mundo. 


Cunhãs pariram marias, joanas, pedros joões e josés. Foram tantos de ribamares e silvas.
Freiras, putas e pajés  na quermesse  do Largo da Matriz. Inventamos a nova fé. 

As sobras se combinaram para ser a referência nacional: a feijoada.
A polifonia negra cunhou na flor do Lácio sua unidade de vida-nova-pós-diáspora. Tornou irreversível a invenção do Brasil. Nem só de acoite vivem os homens, o leito branco foi invadido pela sedução e pela força-da-mão da raiz africana-mãe.
A vida foi maior que a escravidão. A liberdade pela vida. O caboclo-nagô passou a rezar o Pai-Nosso para a sinhá branca segurando, na mão, um maço de ervas. Mais tambores!

Nunca fomos do mundo aristotélico, cartesiano, newtoniano. Já nascemos pós-modernos. Realizamos o improvável para o homem branco europeu. Somos o paradoxo em forma de nação. É isso! Somos a realização do improvável civilizatório. Somos pátria cujo civismo está no estádio de futebol. Na inconcebível forma torna do encanto do drible de Mané e na explosão genial do rei Pelé. Nossa aldeia central é puro concreto na forma de pássaro do comunista Niemeyer.

O batuque africano nos colocou em definitivo êxtase. Já nascemos em um estado alterado de sentido, qualquer droga é redundância. Pungadas de bambas atravessando a segunda-feira. Todo dia na esquina e no boteco é feriado nacional. Há sempre o que se comemorar no espaço laboral. A divisão social do trabalho fordista é uma ficção para nós, misturamos tudo como no cozidão e na panelada.

Fazemos rock produzindo carimbó e boi é dança. Jesus é bebida. Colocamos farinha em sopa; comemos ova de peixe e fazemos piada sobre caviar. É o Carnaval. Em qualquer época o Brasil é Carnaval, por isso é que o Brasil só começa depois do Carnaval.

A bunda não é retaguarda, é vanguarda e centro na catedral Sambódramo. Que Chopin seja apenas o pequeno chope tomado sem Bach, porque o boteco da esquina só toca Waldick.
Amém... Qualquer coisa “séria” só as cinzas explicam! 

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