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EDUCAÇÃO SEXUAL PARA PROMOVER PRAZER E VIDA E EVITAR A MORTE!


Acho plausível discutir situações de aborto, mas sou contra o aborto. Sou a favor da liberdade sexual, mas com responsabilidade.
O ato necessário para que o aborto possa ser efetivado é, antes de tudo, a forma como ela/ele (tem sempre a outra parte,não podemos esquecer) praticaram sexo. Sem o sexo, que gerou a concepção, não teria o aborto. Não tem aborto sem gravidez. É necessário, mas não é suficiente. Os fatores que levam uma mulher a tal prática são variados. Muitos não são congruentes.
Considero mais eficaz combater a causa do que tentar corrigir a partir das conseqüências. Muitos marxistas defensores do aborto não entenderam as críticas feitas por Marx aos neo-hegelianos: sobre o que era a causa e o que era a conseqüência. No fundo, estão tomando conseqüência como causa e, o pior de tudo, reproduzindo o “praticalismo liberal”.
Nenhuma mulher estaria correndo os riscos de um aborto se a prática do sexo fosse com responsabilidade. Já foi constatado que a gravidez crescente na adolescência não é por falta de informação. Pelo contrário, as entrevistadas (e os entrevistados) afirmaram que conheciam os meios anticonceptivos. Isto é, só a informação não muda comportamento. O que muda comportamento é a Educação.

Imagina quantos abortos (em potencial - clandestinos ou não) uma a senhorita poderá fazer ao longo da vida se não mudar de comportamento, se ela e o parceiro não forem sexualmente responsáveis.
As pessoas que praticam sexo estão destituídas de responsabilidades? Podem disseminar HIV em nome da liberdade individual de não querer usar preservativo? Podem engravidar n vezes porque vai ter o SUS para fazer o aborto “seguro”? Existem casos e casos, por isso acho que é cabível discutir algumas situações em que o aborto deva ser praticado. Mas não faço defesa do Aborto!
Se a defesa de tal atitude tem como base única a hiper-valorização da liberdade individual, mostra como  essa leitura é superficial e nada rigorosa. Primeiro, porque tenta ver de forma isolada algo que não é produzido fora de um contexto social: o indivíduo livre. Segundo, para além do prazer, o sexo está vinculado a um processo que é crucial para a perpetuação da espécie e, conseqüentemente, a vida social. Onde fica o discurso ecológico nessa hora? Por que então condenar a morte de animais para a alimentação humana?
“A Liberdade não é apenas a oportunidade de fazer o que queremos; nem é apenas a oportunidade de escolher entre alternativas fixas. A liberdade é, em primeiro lugar, a possibilidade de reformular as escolhas existentes, discuti-las – e então, a oportunidade de escolher. É por isso que a liberdade não pode existir sem um maior papel da razão humana nas questões humanas.
Além disso, o problema da liberdade é o problema de como são tomadas as decisões sobre o futuro das questões humanas, e quem as toma” (Wright Mills).
Portanto, a prática do sexo traz conseqüências que atingem todo o conjunto da sociedade e interfere no espaço público, tais como disseminação de doenças, crescimento populacional, perpetuação da espécie, aumento dos custos hospitalares (todos os contribuintes pagam os tratamentos com seus impostos) etc. Falo da vida na sua condição de interdependência.
“Não é apenas de informação que precisam – nesta Idade do Fato, a informação lhes domina com freqüência a atenção e esmaga a capacidade de assimilá-la. Não é apenas da habilidade da razão que precisam – embora sua luta para conquistá-la com freqüência lhes esgote a limitada energia moral.
O que precisam, e o que sentem precisar, é uma qualidade de espírito que lhes ajude a usar a informação e a desenvolver a razão, a fim de perceber, com lucidez, o que está ocorrendo no mundo e o que pode estar acontecendo dentro deles mesmos”. (Wright Mills)
Para quem defende a vida é mais coerente defender investimos para uma educação sexual que mude o comportamento. Educação que seja capaz de produzir atitudes que concilie prazer e responsabilidade, que garanta a vida e não banalize a morte! Gozar sem ter que matar!
Com isso, não só as pessoas serão mais livres sexualmente para a prática meramente prazerosa do ato sexual, como estarão protegidas de traumas e tragédias contra seus corpos e contra seu campo emocional. O bom gozo deve ser conseqüente, principalmente quando está em jogo a vida, a saúde e o interesse coletivo!
A vida é algo muito sério para ficar dependendo de escolhas isoladas, ou nas mãos de alguns poucos! Quem verdadeiramente pode decidir sobre a vida? E por qual motivo?

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