quarta-feira, janeiro 25, 2012
458 anos de grandeza e de ser não traduzível facilmente
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| Mercado Municipal de São Paulo |
Hoje, 25 de janeiro de 2012, a capital do estado de São Paulo, a cidade São Paulo completa 458 anos. Está entre as maiores cidades do mundo em população e economia. São Paulo é grande, às vezes caótica, mas múltipla e diversa. Ao mesmo tempo que é uma cidade de pedra-cimento e cinzenta é também uma cidade de parques e bosques. A marca de São Paulo é que ela não se deixa traduzir de forma fácil, simples e nem completa.
Em um só tempo temos os belos marcos arquitetônicos e a perturbadora aglomeração. Tudo nessa metrópole distorcida.
O mercadão municipal é um dos seus recantos, Charmoso e fervilhante. Ele tem uma bela arquitetura e nele são mantidas as condições dignas para visitação. Espaço público do encontro, dos sabores.
O mercado também é aniversariante nessa data, completando 79 anos. Para festejar os aniversários, seu e da cidade, estendeu o seu horário de funcionamento até às 02h00min. Isso em um mercado de uma metrópole com mais 15 milhões de habitantes.
O mercado também é aniversariante nessa data, completando 79 anos. Para festejar os aniversários, seu e da cidade, estendeu o seu horário de funcionamento até às 02h00min. Isso em um mercado de uma metrópole com mais 15 milhões de habitantes.
Daqui a pouco, no dia 08 de setembro, São Luís completará 400 anos. A cidade sofre com questões básicas e simples, que vão da falta de água, calçadas e até um aeroporto decente. Os mais perfeitos exemplos dessa deplorável ruína administrativa e política que vive a capital do Maranhão são os mercados municipais (feiras).
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| Marcado Central São Luís |
Todos os mercados de São Luís são dignos de serem fechados por questão de saúde pública. São verdadeiros centros de sujeira, abandono e irresponsabilidade com a coisa pública. Fedem, são imundos, pisos deteriorados, as instalações elétricas e sanitárias são ruins, os ambientes estão empestados de ratos, moscas e baratas. Verdadeiros horrores.
No dia do aniversário de São Luís o Mercado Central, o Mercado do Peixe e a feira do João Paulo deveriam ser fechados como um presente à cidade. As condições atuais desses mercados ferem a nossa história, nos insulta enquanto cidadãos. A demolição do Mercado Central e da Feira do João Paulo é algo de urgente.
Por que não se fez um concurso público para escolher um projeto arquitetônico para esses espaços, visando construir um novo Mercado Central? O atual prédio do Mercado Central é feio e de instalações deploráveis. Devia ser demolido o quanto antes. É puro desperdício reformar. Por que não se priorizou obras como essa? Faltou recursos? Não. Recursos tem demais. Basta ver os diversos gastos da Prefeitura em devaneios: bolo gigante etc. Do outro lado o governo estadual fazendo meia coisa: a via expressa, o espigão costeiro e outras coisas duvidosas feitas com o dinheiro público.
Essa é a fórmula que nos torna os últimos no que é bom e os primeiros em tudo que não presta!
terça-feira, janeiro 24, 2012
Maranhão é uma lavoura arcaica
José, dono da fazenda, que não é bobo, saiu na frente plantando uma Macaxeira bem no meio do terreno. Chuvas começam a cair e vários políticos ainda estão indecisos, vacilantes, sem saber se plantam ou não suas candidaturas nessa terra do Zé.
Lavradores que não querem ficar na senzala do Zé estão demonstrando não conhecer bem a terra e nem como como prepará-la; podem perder a hora de plantar e de colher.
É preciso sagacidade para fazer vingar algum bom fruto livre das garras do Zé. É uma lavoura arcaica de brutos manejos.
sexta-feira, janeiro 20, 2012
Maranhão: fazenda dos “pavões arrogantes”
em
memória do mártir São Sebastião.
I
O
Maranhão virou moda para alguns intelectuais e jornalistas do sul e sudeste do
país. Contra aos anos de omissão e cegueira cúmplice, lançam artigos e
pronunciamentos fervorosos contra as mazelas aqui existentes e seu principal
malfeitor: Sarney. Tudo que está sendo dito não passa de museu de novidades.
Coisas tão recentes quanto à invenção da pólvora. Cabe o ditado: “em tempo de
manga, toda mucura é gorda”. Enfim, virou uma mania pegar carona agora na
situação do Maranhão, porque ficou fácil se projetar com isso. O ponto comum
dessas análises e explicações exógenas são as generalizações, a
superficialidade do trato e as absurdas ocultações.
Porém,
é sábio que, entre nós, impera o complexo de inferioridade, o caráter colonizado,
onde o que vale e o que presta é coisa feitas pelos de fora, pelos outros.
Somos incapazes de reconhecer os méritos dos nossos pares. Temos temor ferrenho
de sermos os pioneiros, por pura falta autoconfiança. Resultado, qualquer
idiotice dita por alguém de fora toma forma de genialidade e da última palavra
sobre o assunto. Mesmo que isso não passe de clichês tomados de empréstimos. Para
compensar esse sentimento de inferioridade, agimos de forma extremamente ácida,
intolerante e desdenhosa em relação ao que é produzido pelos conterrâneos. Ninguém
pode ganhar visibilidade para não revelar a mediocridade e incapacidade dos
demais.
Essa
emergente crítica dos intelectuais e artistas do centro-sul aos Sarney é primorosa
em ocultação e fraquinha em compreensão do fenômeno que diz tratar: Sarney.
Perguntas
necessárias: Como Sarney conseguiu ser 04 vezes Presidente do Senado? Como e o
porquê de ter se tornado o Vice-Presidente e depois Presidente do primeiro
governo civil pós-1964, Como e por quais motivos jamais vingou qualquer
processo contra ele e seus familiares? Quais os reais motivos para ter tido
assento nos dois governos de FHC, nos governos de Lula e nesse de Dilma? Existem
ou não condições institucionais, sociais e políticas para o fenômeno Sarney?
Quais são essas condições e quem as mantém? Há ou não no conjunto da sociedade
brasileira elementos culturais que viabilizam a perpetuação de tal forma de
mando político? Há ou não cumplicidade, parceria e omissão de diversos setores
da sociedade em prol da existência de tal fenômeno? Quais os nexos de poder
favoráveis à vida política do fenômeno Sarney nos diversos níveis do Aparelho
do Estado, na direção do Estado? Sarney é um super-homem, um supra-humano carregado
de poderes sobrenaturais? Ou é um sujeito inserido em uma história, carregada
de múltiplas valências de relações interdependentes, que opera dentro dos
limites das condições e recursos disponíveis no espaço e no tempo?
Essas
questões breves são para ilustrar o quando é carente de aprofundamento esse
trato até agora dado ao fenômeno Sarney. Infelizmente as pesquisas sérias ainda
são poucas e de pequeno alcance. Tudo o mais são achismos, antipatias, ódios
pessoais, oportunismos, partidarismo e superficialidades. Infelizmente ainda
estamos nesse nível.
O
que choca é o grau de importância dado a certas leituras sobre o sarneísmo
feitas por pessoas de fora do Maranhão e que não acusam terem pesquisado mais
cuidadosamente a nossa realidade. Isto é, são textos bem menos confiáveis, em
conhecimento e em proximidade com a realidade que os produzidos aqui. Vale
lembrar que eles, em geral, não apresentam qualquer fonte ou referência
bibliográfica verificável. São, grosso modo, opiniões ao bel prazer. Cabe
perguntar: Por que elas valeriam mais do que as nossas?
II
O
fenômeno Sarney não se explica só pelo Maranhão, mas também não se explica sem
o Maranhão. Enquanto fenômeno político, Sarney não pode ser tomado como um
indivíduo isolado ou onipotente. O fenômeno precisa ser contextualizado, o
ambiente deve ser devidamente caracterizado e os diversos sujeitos pensados em
termos de potencialidades e recursos, diante de fluxos constantes de demandas,
tensões, composições e concorrência pelo poder. Sarney não é uma invenção de si mesmo, não age
sozinho e depende de alianças no plano local, regional e nacional para manter e
gozar de certos privilégios. O sarneísmo não é só o indivíduo Sarney. Constitui-se
de uma vasta rede de relações/obrigações/fidelidades que se estende por todos
os poderes e possui diversas teias de apoio, influência e parceria localizadas
em postos-chaves do Estado e da sociedade.
Impera
em algumas cabeças locais a espontaneidade ingênua, cujo fundamento é o Milagre
do Óbito, que acredita que falecendo o indivíduo Sarney todo o esquema político
que ele participa e representa desmoronaria de forma automática e imediata
(espontaneamente).
Isso é pouco provável. São muitos os interesses que confluem na
direção dessa rede. Os diversos operadores das teias do sarneísmo sabem que é
mais fácil defender e preservar seus interesses mantendo a unidade-cumplicidade do que arriscar se aventurar pela mão do desconhecido.
Nome político eles inventam, criam rapidinho com auxílio de um bom marqueteiro e com recursos.
Roseana não tinha nenhuma participação política, mas a inventaram para ser logo
governadora. Isso ocorre exatamente quando Sarney ganhou sua sobrevida política
ganhando a Presidência da República. Daí em diante foi só a Rainha, a Guerreira
etc.
O que não falta é gente dentro do sarneísmo para ser inventada como
político. Além disso, a quantidade de netos e sobrinhos do senador é enorme. O que concorre contra é péssimo desempenho do atual governo, os diversos índices negativos que não foram revertidos ao longo dos sucessivos governos e o desgaste comum a quem fica tanto tempo à frente do controle político.
Mas, mesmo assim ainda reúnem recursos para permanecerem à frente do poder político. Basta ver as sucessivas reeleições de Sarney Filho para Deputado Federal. Como ele conseguiu tantas reeleições? Foi voto
popular?, voto de opinião? O sarneísmo
compõe, em sua teia, a maior força empresarial e econômica do Maranhão, vão ter
recursos para operar nas diversas eleições. São negócios que não podem ficar
totalmente desvinculados do Estado e dos governos.
Quando
o senador Sarney morrer o grupo pode até esvaziar, mas há a possibilidade real
do grupo inchar, particularmente com a ida de oportunistas querendo vender seus
serviços ou prestar ajuda. Além da possível chegada dos dissimulados espertos,
que sempre quiseram fazer parte da rede, mas tinham vergonha de assumir a
participação. Diante do manto do fim do sarneísmo, vão tentar participar do grupo
e de lá tirar proveito. Matéria prima para a continuar dando vida a essa rede
mandonista não falta. Muito menos falta mão-de-obra especializada para tais
tarefas.
É Ingênuo
também acreditar que os componentes dessa teia de mando não pensam o futuro e nem
trabalham para operarem em um cenário pós-morte do senador. Como já foi dito,
são muitos os interesses e vantagens conseguidas com a existência dessa rede,
quem dela participa sabe que tem a perder com sua extinção. Por que entregariam
docilmente o poder ou por que ficariam inertes? Certamente já foram projetas diversas
formas de fazer sobreviver os benefícios
em tempos futuros. Se isso vai dar certo ou não, só a história dirá.
III
O
mandonismo tem raízes profundas e permeia todos os micro-espaços da vida cotidiana.
Basta ver o que acontece nas universidades locais, onde predominam pessoas da
oposição, da esquerda, críticas etc. o mandonismo deita e rola, nepotismo tem
de sobra, favorecimento de amigos e “chegados”, apadrinhamento e os vergonhosos
“concursos” criados só para colocar um aliado no Departamento.
Não
é fácil e simples desconstituir esse estado de coisas. O sarneísmo, além
dos seus recursos, conta com a ajuda generosa da força da inércia. No plano
concreto das relações políticas, a organização efetiva contra a permanência desse mandonismo é pouco eficiente e de pouca abrangência. A falta de qualidade das ações
ou a ausência de ações por parte dos seus opositores lhe permite permanecer de
forma mais fácil e tranquila.
Há
diversos não simpatizantes, críticos, pessoas que odeiam, opositores políticos,
anti-sarneístas, mas nem por isso há uma mobilização coordenada e eficaz para
estabelecer provocar de imediato uma vitória política. Se ocorrer qualquer
mudança significativa no atual contexto vai ser obra, em grande parte, da fortuna.
Os homens reais e históricos ainda não trabalharam o suficiente para mobilizar as
condições necessárias para desmontar esse mando em curto prazo. Vai ter que ser
aos pouco e de forma constante.
A
falta de mobilização, de organizações da sociedade civil capazes de operar com
efetividade política, favorece a vitalidade das ações sarneístas. Sem
mobilização e organização não há como fazer pressão, nem como intimidar as omissões
cúmplices de alguns agentes estatais, que deixam de fazer valer o Direito ou o
distorcem em favor da continuidade desse mandonismo. Eis um problema grave.
A
subordinação do Partido dos Trabalhadores (PT) do Maranhão ao sarneísmo
comprometeu ainda mais as possibilidades de mobilizar as organizações da
sociedade civil em torno de um projeto mudança política, no estado. Para o bem
dizer, desde que o PT assumiu o Governo Federal diversos movimentos e entidades
deixaram de ter papel crítico mais ativo, passando a uma condição de apêndice
do governo, alguns em alinhamento de tipo suicida, destituindo a entidade de
legitimidade diante de sua base.
A alta fragmentação das ações e desorganização dos grupos de oposição é também um fator desfavorável nessa situação de enfrentamento aos sarneísmo. Esse fator pesa mais do que a heterogeneidade dos grupos. Pois
essa só ganha relevância pela ausência de um projeto político claro que agregue os diversos interesses de forma pactuada.
Porém,
outros problemas existem, por exemplo, o grupo da oposição com maior capacidade
de concorrer eleitoralmente com o sarneísmo vive o dilema das duas velas. Isto
é, faz parte do Governo Federal, assim como Sarney faz parte, mas é oposição a
Sarney no plano local. Até aí o prejuízo
não é grande. Tranquilo. Porém, as coisas complicam muito quando o Governo
Federal expressa sua preferência e coloca como aliados prioritários os Sarney.
O que resulta em um ato contra os governistas que, localmente, são oposição a
Sarney. Essa fração da oposição defende uma força política nacional que acaba
tendo preferência por seu opositor local.
Nas
diversas mudanças ocorridas, em torno do controle político do Maranhão, a
participação do poder central foi decisiva. As forças locais precisaram ser
apoiadas por forças externas para assumir o poder. A oposição precisa ampliar
seu apoio externo.
IV
O
caso do PT no Maranhão não é excepcional, nem algo inusitado. Segue o comando
nacional, segue seu principal líder, Lula, que há tempos selou aliança com
Sarney. O PT do Maranhão só tem de singular a entrada tardia nessa aliança com
os Sarney. O PT já se conformou enquanto partido de cúpula, dirigida e ordenada
de forma mais verticalizada. Os que os Chefões do Alto-Comando acertam o que os
demais chefes locais devem seguir. Esse é o PT que existe hoje. É lógico que
existem petistas que não concordam com isso, mas eles não são a força dirigente
do partido.
Nas
eleições de 2010 o PT e todos os partidos da base governista fizeram campanha
para Dilma em nome de um projeto maior, do projeto nacional. Em nome desse
mesmo projeto nacional o PT do Maranhão passou a ser conduzido em conformidade com
os interesses do mando sarneísta no estado. Isso não só ampliou as divisões no
interior da oposição ao sarneísmo, como também diminui drasticamente seus
recursos.
Essa
operação de submeter o PT do Maranhão ao mando dos Sarney provocou, além do
efeito moral, que reduziu sua credibilidade e legitimidade para evocar a
representação da mudança e da moralidade na Administração Pública, uma forte
homogeneização e indistinção. A partir de um nivelamento por baixo, onde todos
aparecem como iguais e cúmplices. Para que mudar se todos são do mesmo feitio?
V
O
sarneísmo também conta, a seu favor, com a falta de nomes nos quadros partidários de oposição. Hoje a oposição tem problemas de deficiência de nomes e quadros. Na
verdade, ela está encurralada e temerosa por falta de um leque maior de opções.
Nos últimos anos, a oposição foi
incapaz de produzir, dá visibilidade e firmar nomes com viabilidade eleitoral e
apoio popular. Quase não se renovou, em parte por falta de visão de alguns líderes e por consequência dos personalismos exacerbados.
A oposição aos Sarney que existiu, até aqui, foi fragmentada, formada por arquipélagos altamente personificados, muito mais por nomes isolados do que
grupos articulados. Isso tem facilitado a disputa para o sarneísmo.
O
Maranhão é uma fazenda de “pavões arrogantes”. O problema de ego é grave e cada
um quer ser mais importante do que o outro. Todos se acham grandes estrelas e a
História do Universo parece depender exclusivamente deles. Sabe-se que o horror de todo pavão são seus próprios pés.
A oposição, através de suas variadas frações,
constitui-se em uma grande reprodutora do mandonismo. Em grande medida, as
relações estabelecidas, no interior desses grupos, são nitidamente marcadas por vaidades mesquinhas, clientelismo e por subordinação. Não são pautadas na igualdade, no reconhecimento dos pares, mas por relações extremamente seletivas de quem tem mais ou
menos importância. Portanto, cooperação e desprendimento são coisas raras nesse
meio. Ninguém quer ir para o sacrifício, sobra desconfiança e falta lealdade.
Enfim, acabam achando muito mais motivos para brigarem do que cooperarem. Aí
reside uma questão crucial. Será que existe realmente uma causa, um valor político
comum na dita oposição? Ou tudo fica ao nível das disputas por vaidade e por mero deleite?
Sem
causa não há projeto político, nem viabilidade para efetivá-lo. São facilmente
percebidas as discordâncias e antipatias ao senador Sarney e sua família,
porém, essas coisas não são suficientes para atestar a existência de causa
consistente de luta política. Qualquer projeto de superação de um modelo de
mando político e gestão pública não pode se limitar em ser contra, precisa
apresentar o que tem de diferente, como vai ser melhor, como isso será feito.
Até o momento a oposição não construiu um discurso claro e objetivo com essa
finalidade. Tudo vem sendo dito de forma muito vaga, imprecisa e vacilante. Será
que ela é capaz de traduzir-se.
A destituição
do sarneísmo enquanto controle político ainda não se constituiu em causa maior
para a maior parte da oposição, infelizmente. Apesar de todo o desamor contra
os Sarney, essa parcela maior da oposição opera basicamente movida pela simples
busca do poder, do poder em si. O poder é fica como um fim em si mesmo, não é
buscado como um meio para realizar coisas de maior amplitude. Ora, essa falta
de causa e o foco estritamente no poder impede a constituição de um projeto
político amplo, capaz de fazer convergir e equacionar os diversos interesses
dos grupos de oposição, fazendo-os pares em ações conjugadas e coordenadas
visando concretização de uma realidade cotidianamente melhor para os cidadãos
maranhenses.
A
estrita luta pelo poder não dá margem para cooperar com os outros e tão pouco dá
motivo para confiar. Todo mundo querendo ocupar o mesmo lugar e ao mesmo tempo torna
inviável uma real composição de forças.
Falta
aos povões saberem fazer acertos e cumpri-los. É necessário acordos de médio e
longo prazo, e alguns indivíduos precisam tomar a pílula da anti-vaidade e saber
esperar o seu momento. Outros, já envelhecidos na política, precisam demonstrar
sabedoria e prestar solidariedade à causa e encerrar a carreira de forma digna.
VI
Vamos
às situações factuais. O PT local, por força e obra dos Sarney lança um
candidato para correr ao cargo de Prefeito de São Luís. Quem no PT tem
condições de crescer eleitoralmente e ir ao segundo turno? Quem no PT é um nome com densidade eleitoral
frente a Castelo ou Tadeu? O resultado mais provável de uma candidatura do PT é
ampliar as chances de eleger alguns dos seus candidatos nas eleições
proporcionais (vereadores).
A
ausência de Flávio, na disputa eleitoral desde ano, facilita de imediato os
planos de Castelo e, em médio prazo, os planos de Sarney. O sarneísmo sabe
sobreviver sem a Prefeitura de São Luís, tanto faz quem seja, só não pode ser
Flávio. A continuação de Castelo não é problema, muito pelo contrário, parece
ser desejada, pois pode evitar que Flávio amplie seu lastro de apoio e ganhe cada vez mais popularidade no estado. Tanto é verdade que lançaram recentemente Washington
para prefeito, praticamente sinalizaram para Castelo que ele pode permanecer.
No mais, essa candidatura do vice-governador a Prefeito de São Luís tem
indícios de ser mais um exercício de humilhação. Sabem como poucos como
construir uma vingança. A preocupação dos
Sarney é Flávio, porque pode se tornar mais forte à frente da Prefeitura e
atrapalhar a continuidade deles à frente do governo do Maranhão, em 2014. Com
uma candidatura forte ao governo do estado ele pode alavancar um candidato ao Senado
e complicar a eleição de Roseana esse posto.
Recentemente
o prefeito João Castelo, em entrevista concedida ao jornalista Kenard, alertou
para o perigo de quererem “ganhar a Prefeitura de São Luís pela primeira vez”. E
alerta a os oposicionistas: “Precisam tomar juízo”. Pois bem, já que ele é tão
experiente e ajuizado e está preocupado com os que querem ganhar a prefeitura
de São Luís pela primeira vez, por que ele não retira sua candidatura em prol
de Flávio? Por que ele e só ele pode ser o candidato? Será que está mesmo se
opondo ao sarneísmo?
Flávio
não teve apoio do Governo Federal nas eleições de 2010 e dificilmente terá em
2014, pois, em nome de um projeto maior, será novamente priorizada a aliança
com os Sarney e, logicamente, o apoio virá para o candidato deles. Agora, nas
eleições de 2012, também não terá esse apoio, porque o PT terá candidatura
própria, já providencialmente acertada com a cúpula nacional do partido. A
exigência era o PT não apoiar a candidatura de Flávio, ela já foi devidamente
atendida. O que vai acontecer no PT a partir desse momento são as repetidas
rinhas e eclosões de ódios pessoais e intrigas internas. Mas tudo vai ficar
como José Dirceu já acertou com José.
Não
tem conquista fácil nesse campo. É preciso mirar em etapas, ter paciência e
habilidade de congregar. Ainda há tempo para montar uma chapa reunindo a maior
fração da oposição contra o mandonismo. Flávio precisa entrar na disputa
eleitoral de 2012. Agora ou depois, o risco de perder vai sempre existir. Ele
só deixa de existir quando não há disputa.
Não
se pode alimentar certas ilusões, 2014 será muito difícil, vai ser o momento de
Sarney cumprir sua promessa com Lobão, já tantas vezes adiada. Vem Lobo,
oncinha pintada, zebrinha listrada, coelhinho peludo e todos os bichos... A
Prefeitura de São Luís precisa ser conquistada, em 2012, para a oposição ser
ampliada e para ter mais fôlego na luta contra a força do gás da alcateia, em
2014.
Viva
Sebastião (Divino)!
quinta-feira, janeiro 19, 2012
PROUDHON E OS MALEFÍCIOS DOS DOGMAS -147 DE SUA MORTE.
Hoje, 19 de janeiro,
completou 147 anos de morte de Pierre-Joseph Proudhon (1809 – 1865). Muito se
fala de anarquismo, mas poucos conhecem a obra desse pensador. A importância de
seu pensamento e sua contribuição para o pensamento social e político ainda não
receberam o devido reconhecimento. Ao longo de mais de um século vem sendo
atacado pelo dogmatismo implantado pelos séquitos marxistas. A desvalorização
do seu pensamento foi incrementada, principalmente, após a Revolução de 1917,
na Rússia.
Ele foi o primeiro a se
reivindicar anarquista, mas logo mudou de ideia e passou a se denominar como um
federalista. Assim como mudou sua própria ideia de anarquismo, passando da mera
ausência de senhor, de autoridade para a autogestão.
Foi o primeiro a formular a exploração
capitalista atrás do trabalho assalariado, o que chamou de erro de cálculo, que
mais tarde Marx chamaria de mais-valia (sem citar Proudhon).
Foi combativo contra a
titularização da propriedade, defendo a existe exclusivamente só da posse. As
terras não teriam donos, mas apenas usuários. Sendo essa submetida ao controle social. Desta
forma era contra tanto a propriedade capitalista quanto a propriedade estatal.
Magistralmente anteviu o
risco do autoritarismo no comunismo e foi o seu primeiro crítico. Como também
sinalizou a tendência dogmática do próprio Marx. Rompeu com Marx, de quem
sofreu inúmeras e severas críticas posteriormente. Mesmo tratamento desleal
continuou recebendo dos clérigos marxistas que, posteriormente, formaram-se
pelo mundo inteiro.
Em expressões aparentemente
contraditórias explicitou a necessidade da reflexão de acompanhar as mudanças e
seus níveis de complexidade da realidade. Ao mesmo tempo afirmou que a propriedade
é roubo e que a propriedade é liberdade, que anarquismo é ausência de
autoridade, de um senhor, mas também afirmou que anarquismo é ordem e defendeu o
equilíbrio entre autoridade e liberdade. Tratou esses temas pela ótica de uma
dialética que chamou antinômica, onde não síntese e os elementos em antagonismo,
que movimentam a história, só alcançam equilíbrios imprevistos, mas em
permanente estado de ebulição. Dessa maneira, não aderiu ao fim de história e nem enveredou pela promessa de paraíso.
Propôs o Mutualismo como alternativa
ao capitalismo e ao comunismo. Pautando-se na autogestão e na federação
(descentralização).
Trecho da Carta de Proudhon
ao mandão Marx, em 17 maio de 1946, Lyon – França.
“Em primeiro lugar,
embora minhas idéias quanto à organização e realização do movimento estejam no
momento mais ou menos definidas, pelo menos no que diz respeito aos seus
princípios básicos, creio ser meu dever – como é dever de todos os socialistas
– manter ainda por algum tempo uma atitude crítica e dubitativa. Resumindo: eu
em público professo um anti-dogmatismo quase absoluto.
Procuremos juntos, se assim o desejar, as leis da sociedade, a forma
pela qual essas leis poderão ser executadas, o processo que utilizaremos para
descobri-las. Mas, por Deus, depois que tivermos destruído a priori todos os
dogmatismos, não sonhemos por nossa vez em doutrinar as pessoas; não nos
deixemos cair na contradição de seu compatriota Martin Lutero que, depois de
ter demolido a teologia católica, lançou-se imediatamente à tarefa de criar as
bases de uma teologia protestante, utilizando-se da excomunhão e do anátema.
Nestes últimos três séculos, uma das principais preocupações da Alemanha tem
sido desfazer o mau trabalho de Lutero. Não deixemos pois à humanidade a tarefa
de desfazer uma embrulhada semelhante como resultado de nossos esforços.
Aplaudo, de todo o coração, sua idéia de trazer todas as opiniões à luz.
Iniciemos sim uma boa e leal polêmica; tentemos dar ao mundo um exemplo de
tolerância sábia e perspicaz, mas não nos transformemos, pelo simples fato de
que somos os líderes de um movimento, em líderes de uma nova forma de
intolerância; não posemos de apóstolos de uma nova religião, mesmo que seja a
religião da lógica e da razão.
Vamos reunir e estimular todas as formas de protestos, vamos rechaçar
toda a aristocracia, todo o misticismo; jamais consideremos qualquer tema
esgotado e, quando tivermos lançado mão do nosso último argumento, comecemos
outra vez – se preciso for – a discussão, com eloqüência e ironia. Sob tais
condições eu alegremente unir-me-ei a vós. De outra forma – não!”
Obras importantes de
Proudhon:
- O que é a
Propriedade? Pesquisa sobre o princípio do Direito e do Governo.
- Sistema das
Contradições Econômicas, ou A filosofia da miséria.
- Do princípio Federativo.
- Teoria da
propriedade.
- La guerre et la
paix.
segunda-feira, janeiro 16, 2012
Buda também chupou manga
Através de Gabriel García
Márquez, em O general no seu labirinto, descobri que a mangueira não era
nativa. Apesar dessa constante presença na paisagem brasileira. A manga é
originária do sul e sudeste asiático e chegou às Américas por volta de 1700.
Há vestígios que datam a
existência da manga entre de 25 a 30 milhões de anos. O que torna plausível
dizer que esse fruto vem sendo utilizado pelos humanos desde tempos mais
remotos.
A manga é a fruta mais
consumida no mundo, para alguns é a "fruta rei”. No Brasil, essa fruta foi
introduzida pelos portugueses, que transacionavam os frutos com os indianos, na exploração do mercado de especiarias. Os lusitanos logo perceberam a possibilidade de adaptação
climática e passaram a disseminar a planta através das sementes. Deu muito
certo e a mangueira passou a compor nossa paisagem.
No Maranhão, nos povoados
rurais, existe o entendimento que a existência de mangueiras é sinal que o lugar já foi habitado. Dizem os lavradores:
“ ali já morou gente”. Para além desse fato, alguns animais da nossa fauna fazem
com que a planta vá se espalhando sobre determinadas áreas. São espécies que
transportam os frutos para locais mais distantes da árvore, a fim de
consumi-los. Porém, deixam as sementes intactas e prontas para germinarem.
Esse povo (nós) também tem um dizer interessante sobre a manga: "Esses políticos são como periquitos, só aparecem em tempo de manga!" Ou, "Em tempo de manga, toda mucura é gorda".
Esse povo (nós) também tem um dizer interessante sobre a manga: "Esses políticos são como periquitos, só aparecem em tempo de manga!" Ou, "Em tempo de manga, toda mucura é gorda".
Em se tratando de Maranhão,
os bosques de manga representam o maior e mais eficiente “programa” "espontâneo" de "segurança alimentar". Graças a esse fruto e sua abundância que a maioria das
crianças pobres maranhenses - do interior, ganha sobrevida, adquirindo algumas
vitaminas e outros nutrientes para enfrentarem o período sem as mangas.
Como sabemos, até hoje, os recursos da merenda escolar têm servindo, em grande parte, para alimentar a corrupção nos municípios, enchendo os cofres particulares de prefeitos insensíveis que, logo após iniciarem seus mandatos, passam rapidamente a adquirir caminhonetes, helicópteros, apartamentos caríssimos etc. Enquanto as crianças, nas escolas, ficam só comendo salsicha, macarrão e presunto o ano inteiro. Mas existem escolas onde nem isso é oferecido aos alunos. A merenda simplesmente some.
Como sabemos, até hoje, os recursos da merenda escolar têm servindo, em grande parte, para alimentar a corrupção nos municípios, enchendo os cofres particulares de prefeitos insensíveis que, logo após iniciarem seus mandatos, passam rapidamente a adquirir caminhonetes, helicópteros, apartamentos caríssimos etc. Enquanto as crianças, nas escolas, ficam só comendo salsicha, macarrão e presunto o ano inteiro. Mas existem escolas onde nem isso é oferecido aos alunos. A merenda simplesmente some.
A manga é um fruto sagrado
para os indianos hindus, representando o amor e a fertilidade. As flores e as folhas são
comumente utilizadas em rituais. A folha seria a vida vibrante. Na Índia, conta a
tradição hindu, Shiva teria aparecido na sua forma fálica em frente a uma
mangueira.
A tradição budista também
traz referências à manga. Buda tinha preferência pelos bosques de manga para descansar
e meditar. Diante de uma multidão de descrentes fez uma mangueira germinar
instantaneamente.
A manga foi meu suplemento
alimentar durante a minha infância. Além disso, costumava fazer, da copa da
árvore, um refúgio. Ficava lá em cima sempre que o mundo lá em baixo assumia um tom tenebroso. Passava horas lá em cima pensando, observando a paisagem e sonhando
acordado. Às vezes, no final da tarde, deitava sobre a areia do quintal, próximo a
uma grande mangueira, para ficar olhando para o céu, esperando as primeiras
estrelas se tornarem visíveis.
Sempre que passo pelos
povoados, às margens das estradas, fico observando as crianças brincando
debaixo das sombras das mangueiras ou vendendo os frutos em pequenos utensílios no
acostamento da pista. Fico questionando se tudo mesmo é fruto do sujeito histórico ou
se, pelo mesmo de vez enquanto, há uma mexidinha divina, colocando uma saída
para os menos favorecidos quando a história deles é uma sequência de desgraças
e péssimos governos.
Como seria o Maranhão sem mangueiras?
Como seria o Maranhão sem mangueiras?
quarta-feira, janeiro 11, 2012
A Pseudo Defesa Civil Nacional
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| Foto: café com notícias |
Temos que reconhecer o esforço e a doação incondicional de alguns indivíduos que se lançam em ajudar diversos cidadãos em situação de risco e calamidade. Toda nossa admiração.
No entanto, quando tratamos de Defesa Civil de um país, de um plano nacional de emergência, de socorro em massa o nosso Brasil é completamente desprovido disso. Até agora nenhum dos poderes teve a dignidade de reparar essa falha grave e até irresponsável.
Como um país com essas dimensões e riquezas é tão carente e ineficiente em termos de defesa civil? Inúmeras catástrofes vem ocorrendo ao longo dos anos e as autoridades tratam como se fossem coisa menor. Nos últimos anos elas aumentaram em número e intervalo de tempo menor, mas nada de efetivamente sério foi feito. Nenhum investimento, nenhuma organização administrativa para fazer ter efetividade uma Defesa Civil Nacional.
Em 22/06/2010, em 16/01/2011 foram postados aqui, nesse Blog, textos tratando desse tema. Ambos podem ser republicados integralmente que estão com a mesma atualidade. Isto é, nada foi feito e a situação de tragédia se repete. Veja: http://araujofrancisco.blogspot.com/2010/06/chuvas-e-vitimas-sob-as-sobras-do-verde.html
Atrás disso tem uma malandragem dos poderes locais para captar recursos, a famosa indústria da tragédia. Pois passado esses períodos nenhuma obra é feita para evitar que acontecimentos desagradáveis se repitam.
Até quando esperar?
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