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quinta-feira, março 19, 2015

Dilma Al dente: manifestações e o óbvio


Os manifestantes ainda estavam nas ruas quando dois ministro do governo Dilma concederam entrevista: Cardozo e Rosseto. As falas de ambos foram por demais reveladoras quanto à falta de entendimento interno no governo e entre governo e PT. Enquando Cardozo fava em democracia, legitimidade das manifestações e necessidade do diálogo, o Rosseto desqualificava as manifestações como ato restrito aos que não votaram em Dilma e  violência. Deixaram de imediato a questão: quem fala em nome de quem? Clara situação bipolar do governo. Mas isso é um importante indicador: o tipo de equipe e apoiadores a presidente tem. É isso, os maiores problemas da Dilma diante da atual conjuntura são internos, interno ao governo e ao seu partido, o PT. 

Hoje existe um PT que abdicou de fazer política, esquece o compromisso que um governo deve ter com o povo como um todo e a responsabilidade do Estado para com todos os cidadãos Brasileiros em garantir gozo de direitos fundamentais. Esse PT tem efetivamente ajudado a produzir isolamento político e a ruir a popularidade de Dilma. E, ao que parece, a ciber-guerrilha saiu de controle e age de forma autônoma. O discurso agressivo, desqualificado, recheado de xingamentos e bizarrices conspiratórias rebaixa ainda mais a credibilidade te tudo que emana do governo. Para completar veio somar-se a esse descaminho o Stédile com um suposto exército. Na prática o MST, a CUT e PT e seus partidos de esquerda satélites não lotaram ruas e protagonizaram um vexame com a constatação que tinha "manifestante" pago. Hoje quem confronta as imagens das manifestações dos dias 13 e 15, ver, sem custo, o quanto foi pequeno e restrito as manifestações pró-Dilma. Só serviu para alimentar o contraste desfavorável à presidente e deixar todos que hoje se opõem ao governo mais em alerta e convictos da necessidade do confronto. O dia 13 só serviu para o dia 15 ser um sucesso! No mais, a CUT e MST assumiram formas de entidades de mediação anacrônicas, no velho modelo do corporativismo grudado ao aparelho  e herdeiros do ideário de esquerda autoritário.  

No interior do governo transpira a falta de coesão e coordenação, basta ver os discursos destoantes entre os ministros e depois o discurso da própria Dilma. Depois que a Dilma falou a indagação ficou mais precisa: Em nome de quem Rosseto fala? Dele mesmo? Preocupante deve ser para a Dilma. Ainda mais com o desastre chamado Mercadante, sem carisma, sem habilidade política de negociar e suas previsões e apostas nada exitosas, produziu um nível de tensão e exigência ainda maior entre a base aliada, favorecendo o PMDB que já buscava inflacionar o custo do apoio. 

No outro lado, está uma oposição parlamentar formal, mas sem qualquer projeto alternativo às medidas do   governo e nenhuma proposta que incorpore as reivindicações expostas nas ruas. A figura de Aécio destoam do som das ruas, não gera credibilidade ainda mais quando convoca para as manifestação e não vai para as manifestações. Mas, o motivo parece óbvio, o risco de ser vaiado. Vide o que ocorreu com Bolsonaro, no Rio de Janeiro. Ao contrário do que o PT esperava não deixaram o Bolsonaro subir no carro de som e nem o deixaram discursar. A insatisfação não é só com os governista, mas também com a classe política como um todo. A Dilma cabe a maior porção da cobrança particularmente pelo conteúdo de campanha em plena contradição ou negados pelas ações do governo logo após as eleições, no momento em que o poder aquisitivo diminui, a inflação aumenta, o PIB não cresce, o preço da energia e da gasolina subindo,  os juros com taxas elevadíssimas, o dólar com cotação alta e os escândalos de corrupção na Petrobrás espantou até os mais desatentos.  

O PT,mesmo diante das expressivas manifestações do dia 15 de março, insiste em um discurso de ridicularização das manifestações atacando a todos que livremente manifestaram suas insatisfações com o que está aí. Simplesmente tenta reduzir o protesto contra a corrupção como um ato de direita, como ato golpista, de classe média, coxinhas etc. sem se dar conta do que  Nos últimos dias faz uso de uma matemática absurda e demolindo sua própria imagem de partido de militância intelectualizada. A absurda conta que eleva a classe média alta a um número absurdos, esquecendo que em 2010 o DataFolha apontava aprovação ao governo Lula de 83% da população brasileira. Sendo que em São Paulo a aprovação chegava a 79%. Impossível que essa aprovação tenha sido só entre os mais pobres. O PT aprofunda a crise em querer colocar como uma questão menor a corrupção. Pior quando argumenta que todos ou que antes já existia corrupção, ou quando coloca as críticas e protestos contra a corrupção como coisa de direita. O combate à corrupção é defender coisa pública, elemento essencial tanto para a vida democrática quanto republicana. Como um partido que é governo pode querer diminuir a defesa cívica da coisa pública? Isso reflete um tremendo equívoco sobre democracia que o PT sempre carregou ao igual os processos decisórios sindicais e de outras entidades privadas com o processo decisório democrático que volta-se ao interesse público e sobre os negócios públicos. O PT não sabe diferenciar o que eles chamam de "democracia" interna com o que realmente a democracia na sua forma política ampla. E esse mesmo equívoco o faz tratar o bem público como o bem da entidade de classe, como ente privado em benefício de uma categoria, o mal aí é reforçado pelo espírito corporativista. E isso preocupa, ainda mais diante do próprio desentendimento interno no partido nesse momento do governo. 

O cenário e as ações equivocadas do PT e do governo produziram o prato perfeito a ser servido ao PMDB que, bem instalado no poder, tem condições de reter qualquer tentativa de Impeachment, mas à custa de maior espaço e poder na máquina estatal. O concerto de salvamento da presidente tem como peça chave o mesmo salvador de Lula: José Sarney, que já reapareceu como senha de que será apaziguado na base governista. Logo Sarney que aparece, ele que foi colocado na lista da traição cirúrgica e foi evitado por Dilma durante a campanha eleitoral. Agora Dilma está exato como o PMDB quer. O PMDB não cogita impeachment porque não interessa assumir o poder nesse contexto, mas tem uma presidente fragilizada, sem habilidade política, sem popularidade e carisma. Essa dependência aguda do PMDB, assim, fica a condução do país sob o humor do PMDB. O nosso maior problema agora não é econômico, é político: nós não temos opção.  Dilma já foi servida al dente ao setores realmente mais conservadores. E em uma ironia absurda vamos ter que depender do humor e de um grau mínimo de respeito ao povo. 

Seria mais útil e inteligente o PT, antes de tudo se perguntar: por que os DAS, os comissionados, não foram para as ruas no dia 13? Além disso, buscar saber o que querem os silenciosos que não foram para as ruas no dia 13 nem no dia 15. O PT precisa ver para onde já tensiona o ânimo da massa ligada ao Bolsa Família. Não já começou um protesto silencioso dessa massa, quando não foi para as ruas junto com a CUT e o MST? 

No mais..a Democracia sempre é o risco da guerra civil, mas nossas instituições parecem, mesmo com tantos problemas estarem respondendo as demandas. Os extremismos  sempre surgem no campo político, mas no Brasil de hoje uma ou duas faixas querendo golpe não corresponde à vontade geral, nem significam o sentimento geral, é apenas o extremismo e, para bem da vida política nacional, bem isolado e incipiente  na forma e força. O que assustou é o Brasil está mostrando toda sua pluralidade viva, e a emergência de participação inovadoras, não imobilizadas pelos mecanismos tradicionais de representação e mediação. Esse espanto ainda é resquício da ditadura que fez parece que a vida e a política era só os contra a ditadura militar e os que eram a favor. Espaço restrito que fixou a ideia que esquerda só pode ser uma e de um tipo e que a direita é homogênea. Essas manifestações servem para dar vida à democracia e tornar visíveis novas mecanismos de mobilização independentes de sindicatos e partidos. Lógico, isso é novo e assusta os conservadores à direita, à esquerdo e no centro. O velho (establishment) está tendo dificuldades de dialogar com o novo, porque o velho ficou ultrapassado. O PT chegou ao poder tardiamente, o seu exercício de poder e o ideário de "esquerda" que tenta manter no discurso reflete uma total incongruência e anacronismo, ainda mais permanecendo no poder amalgamado com todas as forças sobreviventes que serviram ao regime autoritário instaurado com o golpe civil-militar de 1964. Basicamente o povo está só querendo é não ver suas vidas pioradas e um pouco mais responsabilidade dos governantes. 

Fechar os olhos e não ouvir é verdadeiramente atentar contra a democracia. 

terça-feira, março 03, 2015

Onde fica a constituição diante de tantos "exércitos" ?

Nos últimos meses tenho notado como irresponsavelmente igrejas e organizações falam em "exército" etc. 

Primeiro vem a fala de Stélide e depois Lula sobre "exército" e "luta" respectivamente e agora surge uma milícia fazendo ordem unida, fardada na Igreja Universal. 

Se tem um teatro desnecessário em uma democracia é o de grupos paramilitares, com formação marcial. Não cabe essas encenação e não é responsável. 

A Lei 9.096/95 no seu Art. 6 º apresenta a seguinte redação: "É vedado ao partido político ministrar instruções militar ou paramilitar, utilizar-se de organização da mesma natureza e adotar uniforme para seus membros". E na Constituição Federal de 1988, no Art. 5º, XVII estabelece que: "é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar."

Cabe ao fiscais da leis um questionamento sobre a seguinte afirmação de Lula: "sobretudo quando João Pedro Stédile  colocar o exército dele do nosso lado." E Stédile possui um exército? Como assim? Qual a legalidade dessa organização e sua finalidade? E eis que toma conta das redes sociais um grupo fardado dentro da Igreja Universal autodenominado Gladiadores do Altar. Formação de tipo marcial, ordem unida e brados ensurdecedores. Até onde pode ir essa ações de suposta fé com grupos organizados nesse padrão? 

A marcha democrática, congelada pelos golpista remanescente de 1964 com a cumplicidade dos governos do PSDB e do PT que os abrigaram e deram-lhes mais espaço no poder, será desmanchada no ar pela irresponsabilidade e surtos teístas?  

Está mais que na hora da defesa da democracia ser elevada acima de legenda, do governo ou oposição, tomar uma forma cívica e barrar todos os fluxos autoritários/golpistas assentados no poder ou não, governistas ou não. O combate à corrupção tem que ser uma opção pela afirmação republicana e democrática, não uma opção partidária, eleitoral ou de casuísmos.  A defesa democrática deve ser sem concessões e com responsabilidade política. 

Argumentar que corrupção já existia não  absolve os governantes da responsabilidade da corrupção atual e tem como efeito prático só nivelamento na prática do ilícito.  Ser igual não isenta da responsabilidade e nem é projeto que aponte para uma mudança de curso, isso só escancara a incapacidade de afastamento do erro. 

O PT infelizmente converteu-se em uma peça anti-democrática e de golpe quando diretamente ameça a democracia e quando provoca ameças à democracia. 

quarta-feira, agosto 28, 2013

O culto ao autoritarismo como exaltação da caridade.



Não apoio manifestações violentas contra os médicos importados. Assim como fui contra as manifestações VIOLENTAS contra  YOANI SÁNCHEZ , opositora ao regime autoritário de Cuba, que foi severamente xingada e até agredida fisicamente com um puxão de cabelo por um bando de fascistas de "esquerda" amantes do autoritarismo e pró-Fidel. Se os médicos cubanos vieram por solidariedade, por caridade etc., por que o Brasil de antemão se comprometeu com a ditadura cubana de não conceder asilo? 

Qual a prática médica cubana que estão importando e que méritos tem? É simples. Cuba não tem recursos para bancar o custo hospital de internações e com medicamentos. Curar é mais caro do que prevenir. Diante isso, impuseram uma política de Estado focada em evitar que as pessoas adoeçam. Com isso, o Estado direcionou a formação médica, alterando o currículo, passando a adotar uma formação generalista e com 03 anos em clínica médica (geral). Além disso, no corpo dessa formação está todo um conteúdo de incutir uma responsabilidade social nesses médicos. 

Aqui ocorre que falta política de Estado para a saúde, os programas que deram certos são os que tiveram continuidade, mas são pontuais: distribuição do coquetel para portadores de HIV e vacina contra a poliomelite. Os currículos em nada segue um plano Nacional com metas e objetivos definidos em termos de construção de um padrão de excelência médica  em termos de saúde pública. A formação dos médicos não enfatiza e orienta para uma consciência social e política comprometida com os problemas da saúde do nosso país. Muito tecnicismo e foco no mercado, a dimensão humanista é secundarizada. Isso é fato. Falta atuação de Conselho, mas falta antes de tudo Governo. Os militares deixaram ruim e os governos Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula não agiram de forma eficaz e nem priorizaram a saúde. A municipalização de forma linear só tem gerado desvio de recursos públicos e precarização do atendimento. 

Não podemos esquecer que Dilma só está fazendo isso véspera de uma eleição e que em momento algum estão dizendo que esses médicos atuam mais na saúde preventiva. Isto é, o resultado é a longo prazo. As intervenções cirúrgicas são mínimas. Em Cubas eles chegam até a fazer vasectomia. 

A questão é que o Brasil está doente. Muito doente há séculos. A demanda reprimida por medicina curativa é imensa. Faltam leitos, atendimentos e medicamentos para milhões de brasileiros, que também não usufruem de serviço de saneamento básico. Nós precisamos de política de Estado que priorize a saúde pública. Precisamos de políticas de governos continuadas e integradas que assegure acesso e qualidade no atendimento médico para todos os cidadãos. Não podemos mais ficar assistindo somente uma casta privilegiada tendo direito a bom atendimento, em parte bancada com dinheiro público. 

O que não se pode também é achar que os que mais precisam de atendimento e com maior urgência são sempre os mais pobres. Os mais pobres são em maior número nessa situação, mas não são os únicos. Existem contingentes significativos pessoas que precisam de atendimento com urgência e não fazem parte da estatística dos mais pobres economicamente. Vide os que não estão recebendo quimioterapia por  foram enganados,  lesados em seus direitos por planos de saúde. Onde fica o Estado e Governo diante disso? Enquanto os resultados da medicina preventiva não chegam, vamos todos morrer à espera de um milagre "comunista"? 

Estou espantado como parte da esquerda marxista e até anarquistas que querem  transformar a questão da saúde pública brasileira em uma questão de religiosidade e caridade. O pior dessa questão é como os médicos cubanos passaram a ser vistos como anjos salvadores. Isto é, a 'esquerda fascinada pelo autoritarismo está em gozo de uma singularidade mental, vivendo uma prática demente de "esperteza" burra. 

O amor desse segmento pelo autoritarismo é evidente e transborda em fascismo quando querem impor uma verdade mesmo sobrando fatos contrários. Mas a tragédia dessa balela é que fingem não saber distinguir essência da aparência e acessório do essencial. Virou rotina essa turma querer comover plateia recorrendo à ignorância. 

Ridículo esses apelos salvacionistas e de caridade para tentar tirar de foco o essencial: a qualidade da saúde pública brasileira, a inexistência de política de Estado e políticas públicas consistentes nessa área. E, principalmente, isso é uma medida emergencial. Os problemas advindos da seca no nordeste cruzam séculos. Quanto à seca, até hoje só temos planos emergenciais, nada mais. Isso tem mantido uma indústria da seca, que gera mais riqueza e votos aos poderosos e condena o povo ao sofrimento. Esse ano, em algumas regiões, a seca bateu recorde, causando grande perdas e prejuízos para os pequenos produtores. Temos que temer por mais uma indústria desse tipo. 

Os militares deixaram a saúde em frangalhos e os sucessivos governos civis foram irresponsáveis e incompetentes nessa área. O setor da saúde concentra um número exorbitante de casos de corrupção e desvio de recursos públicos. Entre 2003 e 2007, conforme levantamento da CGU (Controladoria Geral da União) foram  desviados 613 milhões da saúde. O que está sendo feito para combater isso e quais os resultados? 

Os médicos cubanos não são anjos, nem é um exercício de caridade como estão dizendo. São profissionais e trabalham para o regime de Fidel. Respondem, antes de tudo, a uma convocação do Estado cubano. Qualquer pessoa sensata não vai ser contra ter mais médicos, nem ser contra atendimento médico aos pobres. Eu sei tanto o que é ser pobre quanto não ter atendimento médico, mas não foi só lendo, foi sentindo na própria vida.

Sou a favor de mais tudo para Brasil, mais saúde, mais justiça, mais Direitos, mais transparência, mais punição para corruptos e mais políticas de Estado e de governo consistentes, responsáveis e não eleitoreira. Porém, matar a crítica como estão fazendo, esse salvacionismo que estão colando aos médicos cubanos é puramente ideológica e, não raro, patética.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Yoani e reprodução do fascismo




As brigadas Mussolinianas e a Juventude Hitlerista invadiam eventos, atacavam, perseguiam, destruíam sedes das organizações que consideravam rivais, impediam atos públicos de adversários etc. Na Itália os camisas negras criaram espalharam o terror. 
Muitos achavam que eram atos isolados, que não ofereciam perigo... e essa despreocupação, indiferença e inércia propiciou o nascimento do monstro do horror. É assim que começa... Ninguém reage e aí vai virando rotina.... e logo depois viram atos oficiais. Absurdas essas ações para impedir essa senhora cubana de falar. 
Isso só prejudica o Brasil no processo de se tornar membro do Conselho de Segurança da ONU. Isso mostra a insanidade dos Chefões que estão patrocinando e articulando essa violência. Cadê as autoridades? Essa omissão está para lá de cúmplice. 

sábado, janeiro 12, 2013

A cidade desgraçada, na pele e nos cofres


Rio Gangan, obra mostrada como concluída no horário eleitoral. Aí tem recursos federais. 

Em qualquer país em que os aparelhos  de Estado gozem da mínima efetividade de institucionalidade pública o ex-prefeito de São Luís estaria sob forte investigação. Não só isso, os ocupantes dos postos do primeiro  escalão também estaria sob o mesma investigação.

Inconcebível que no Brasil a prática de pilhagem e sucateamento de bens públicos não figure como uma falta gravíssima e ainda conte com a omissão de instituições que deveriam zelar pelo  controle e transparência do atos que envolve o patrimônio público.
A forma com diversas secretarias e órgãos da administração pública  municipal foram deixadas requer imediato levantamento, apuração e responsabilização dos responsáveis. Inadmissível a omissão-cúmplice de inúmeras autoridades (agentes estatais) , que deveriam estar exercendo seu papel fiscalizador e regulador, mas nada fizeram até agora. Como em uma República atos dessa natureza ainda são possíveis? Como ações de tamanho dando público e que ferem a própria integridade institucional republicana não configuram como de competência federal?

O que o ocorreu na Prefeitura de São Luís é um absurdo atentado contra a coisa pública, onde foram mesclados pilhagem,  incompetência e irresponsabilidade.
A última gestão deixou um rastro de irresponsabilidade pública sob todos os aspectos e promoveu uma diluição sistemática dos marcos regulatórios, particularmente  através de uma generalizada complacência e permissividade, que tinha como objetivo a promoção de clientelismo eleitoral.

Hoje a cidade está emporcalhada de cartazes de toda a natureza nos muros, nos postes, nas pilastras dos viadutos, nas fachadas dos casarões etc. Anúncios de aluguel de pula-pula, desentupidor de pia, montagem de móveis, segurança, cursos, atendimento espiritual, anúncios de aluguel de imóveis etc. Mas as grandes vedetes dessa poluição e sujeira são os cartazes das bandas musicais de outros estados. A poluição visual, sonora e luminosa tomou conta da cidade.  Tudo foi permitido em nome de apoio e em prol exclusivamente da sede pelo poder.

Calçadas ocupadas e tomadas como estacionamento, licenciamento de obras irregulares, desrespeito à lei de zoneamento e a não  aplicação das sanções devidas aos atos infracionais. Total incapacidade de exercer de forma efetiva os serviços que são de competência do município. Hoje é comum carros e motos circularem nas vias com placa sem selo, motos sem retrovisor etc. Total e completa baderna.
Castelo gastou mal, errado e de forma indevida.

Esperamos que ao menos as obras e secretarias que receberam recursos federais sejam fiscalizadas e  investigas.

A cidade de São Luís reflete hoje, nas suas ruas, avenidas e esquinas a face do que há de pior, mais atrasado e anacrônico na política brasileira: o lixo residual do autoritarismo, mandonismo e patrimonialismo.  


terça-feira, outubro 23, 2012

Artérias totalitárias





O uso do terror e a exploração do medo acompanharam os modelos fascistas e totalitários no processo de ascensão ao Poder. 
O cômodo lugar superior dos puros de esquerda, de centro esquerda, moderados... somados com os indiferentes... abriram as portas para diversos tiranos tomarem o poder pelo golpe ou pela via institucional eleitoral. 
A omissão em contexto de nítido atentado à democracia... credencia qualquer segmento dito de esquerda à condição de patrono do golpe e a cúmplice dos reacionários. 
Não convergir para derrotar o que há de pior não é manter coerência, mas praticar a omissão-cúmplice. 
Quem foge da responsabilidade de derrotar estrategicamente um reacionário de direita jamais poderá ser chamado ou visto como de esquerda!

segunda-feira, outubro 22, 2012

São Luís: o inferno do ocaso político e o desespero pincelado de fascismo



Sou a favor de toda e qualquer reunião pacífica, sem armas... de qualquer categoria profissional visando melhorias na condição de trabalho, de remuneração mais digna e para exercer sua liberdade cidadã. Policiais são cidadãos. Já manifestei minha opinião sobre isso desde a greve de 2011: 

"Salta aos olhos o aumenta da carga de exigências de capacitação e especialização dos policiais. Porém, a exigência por qualificação não é acompanhada por um processo de progressão, retribuição e recompensa equivalentemente justo. O policial militar acaba vivendo à margem dos ganhos e conquistas profissionais existentes para as diversas outras categorias profissionais.


Em grande medida, o formato organizacional atualmente existente nas polícias militares está alinhado a uma doutrina, onde o ser policial implica em exercer uma espécie de “sacerdócio” cívico. O policial deve estar sujeito a todos os sacrifícios meramente por uma causa maior. Carreira policial não é sacerdócio e deve ser tratada com todos os merecimentos e garantias de carreira profissional. 


Essa doutrina pode até ter seu lado útil, mas começa a se tornar danosa à medida que é convertida em uma ideologia justificadora e legitimadora do não reconhecimento do valor do trabalho dos policiais. Terrivelmente falha e equivocada quando tenta ignorar e desconsiderar as condições reais de existência dos policiais e de suas famílias. É particularmente perversa enquanto tentativa de negar o direito de vida digna desses cidadãos."
Seria hilário se não fosse uma peça deplorável. O militar diz: "CONSCIENTIZAR". Isso é um perigo? É uma ameça miliciana? Isso só é perigoso para quem detesta Democracia e é cria do regime autoritário. Missão que não se pode revelar não quer dizer que será ilícita ou violenta. Missão pode ser uma tarefa de rotina, vários tipos de tarefa (fala típica de caserna). Qual o partido ou comitê eleitoral que não faz reunião reservada? Casotelo quer criminalizar os policiais e tirar o direito deles de ter vida cívica. 

Policiais e familiares de policiais, respondam nas urnas a esse preconceito. Isso tem uma tentativa de vingança...  por conta da Greve de 2011.

Castelo, herança da ditadura, quer criminalizar os policiais que querem conscientizar os colegas. Isso é prova cabal da sua aversão pelo regime democrático. 

Sumiram as postagens dos castelistas anti-Sarney. Só não esqueçam... que as publicações feitas em blogues, em alguns jornais estão arquivadas. Negar agora o anti-sarneísmo é vergonhoso. Humilhante. Cadê o ódio que vocês manifestavam contra o senador Sarney? Por isso... é que nunca botei credibilidade nesses que tratam com ódio o adversário e opositor político.

Vou fazer VOTO ÚTIL consciente de todas as suas implicações e com todo prazer. Nulo jamais. Particularmente diante da persistência dos fósseis autoritários. Quem acha que é tudo ou nada em campo político regulado... está perdendo tempo.. discutindo voto, sistema eleitoral. Melhor é mobilizar as massas para uma insurreição. Só assim todos os ruins podem ser impactados e expurgado pelo tribunal da verdade revolucionária (sobre isso a história está cheia de casos genocidas de doentes autoritários.. tiranos da pior espécie) . Alguma coisa é sempre alguma coisa no campo regulado. 

Quando o cidadão vota não encerra por definitivo sua participação e nem aliena seus direitos de cidadãos. Como não vejo nenhuma mobilização popular de massa para desconstruir a ordem política vigente...e, além da ausência disso, como o processo ainda goza de ampla legitimidade... 

VOU METER meu dedo com força na urna, firme! Motivado ainda mais com a aliança Sarney-Caostelo. Votar não é vender a crítica e nem abdicar dos direitos de cidadania. Depois...se não prestar... o remédio é Bigorna! 

Só ver sarno-castelistas apavorados é... sem igual! 

sábado, setembro 01, 2012

URNA ELETRÔNICA e as crenças ingênuas da oposição - Maranhão


Este texto é uma reprodução. Fonte citada no final. 

Falha na urna brasileira ‘reproduzia fielmente’ erro de 1995, diz professor

seg, 28/05/12

por Altieres Rohr |

categoria Coluna


Prof. Dr. Diego Aranha, da UnB. (Foto: Emília Silberstein/UnB Agência)
O Prof. Dr. Diego Aranha, da Universidade de Brasília, foi o responsável por liderar a equipe que descobriu, em março, uma falha na urna eletrônica brasileira durante um teste de segurança autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O professor conversou com a coluna Segurança Digital do G1 para explicar melhor o problema que foi descoberto – que permite reordenar votos – e fazer outras observações sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Se tiver alguma dúvida sobre termos técnicos usados na entrevista, confira o glossário no final da página. O TSE também comentou alguns dos pontos levantados pelos professor e as observações do tribunal estão ao final da entrevista. Se você tiver qualquer dúvida, utilize a área de comentários.
G1 – Quando começou seu interesse por sistemas de voto eletrônico?Diego Aranha – Meu interesse começou quando cursei a disciplina Segurança de Dados, ministrada pelo Prof. Pedro Rezende, enquanto aluno de Ciência da Computação da Universidade de Brasília. Naquela época, o referido professor já estava envolvido na discussão em torno da questão e trazia a problemática com alguma frequência para discussão em sala de aula.
O RDV não serve a nenhum propósito prático, além de permitir a violação do sigilo do voto caso seja projetado e implementado de forma insegura”
G1 – O teste da sua equipe conseguiu reordenar os votos registrados no RDV. O que está presente no RDV, quem tem acesso a ele e por que a ordem deve ser embaralhada?Diego Aranha - O Registro Digital do Voto (RDV) é uma tabela que armazena desordenadamente os votos propriamente ditos inseridos pelos eleitores na urna eletrônica. O objetivo desse embaralhamento dos votos é desassociar a ordem em que os votos foram inseridos da ordem em que foram armazenados.
O RDV foi introduzido no lugar do voto impresso para supostamente permitir a mesma capacidade de verificação independente dos resultados da urna. Por essa razão, é um documento público disponibilizado para os partidos após as eleições. Entretanto, enquanto o voto impresso permite de fato a verificação independente dos votos computados eletronicamente, o RDV é produzido pelo mesmo componente de software que produz o Boletim de Urna (BU) contendo os totais de cada candidato computados pela urna. Desta forma, qualquer ataque que comprometa a integridade do BU pode também comprometer o RDV.
Deve-se assumir que potenciais fraudadores conhecem os sistemas envolvidos em seus mínimos detalhes, mesmo porque absolutamente nada impede que os ataques partam de agentes internos.
Pode-se concluir, portanto, que o RDV não serve a nenhum propósito prático, além de permitir a violação do sigilo do voto caso seja projetado e implementado de forma insegura.
G1 – Seria possível ter conseguido o que vocês fizeram sem o acesso ao código fonte? O erro que havia no registro do RDV era complexo ou amador?
Diego Aranha - Não teria sido possível com o curto limite de tempo disponível para os testes — em torno de apenas 6 dias, divididos em fases de preparação e avaliação. Ainda assim, não se pode assumir que a segurança do RDV ou qualquer outro componente do sistema eletrônico de votação depende exclusivamente da confidencialidade do código-fonte ou dos detalhes técnicos dos mecanismos de segurança que os protegem.
Segurança advém de simplicidade de transparência. Para tanto, deve-se assumir que potenciais fraudadores conhecem os sistemas envolvidos em seus mínimos detalhes, mesmo porque absolutamente nada impede que os ataques partam de agentes internos. A área de Segurança da Informação utiliza essa noção de segurança há quase 130 anos.
A vulnerabilidade presente no projeto e a implementação do RDV que utilizamos para reconstruir a lista dos votos em ordem reproduzia fielmente outra vulnerabilidade encontrada sem ajuda de código-fonte em 1995 por calouros da Universidade de Berkeley na versão 1.1 do navegador Netscape.  O software da urna eletrônica, de natureza muito mais crítica que um simples software comercial, possuía um erro conhecido há pelo menos 17 anos.
Em termos mais técnicos, a urna utiliza um gerador de números pseudoaleatórios para produzir a ordem de embaralhamento dos votos. A segurança desse gerador depende de suas características estatísticas e da aleatoriedade e sigilo de sua semente. O software da urna não só utilizou um gerador de baixa qualidade estatística, como também utilizou uma tomada de tempo claramente não-aleatória com resolução de segundos para alimentar o gerador de números pseudoaleatórios.
Além disso, esta tomada de tempo era tornada pública tanto nos logs quanto na impressão da chamada zerésima. A vulnerabilidade encontrada advém, portanto, da utilização de uma técnica criptográfica fora de seus limites de operação.
G1 – Até que ponto você entende que o sigilo do voto foi comprometido?
Diego Aranha - Para violar completamente o sigilo do voto, é preciso se recuperar a lista em ordem dos votos e a lista em ordem dos eleitores.
Após o fim dos testes no TSE, também recebemos a informação de que a urna registra em arquivo de acesso público a hora em que cada voto foi computado. Nossa metodologia é capaz de recuperar a lista em ordem dos votos e, se associada ao horário em que cada voto foi computado, também as escolhas de um eleitor que votou em um determinado horário. Para se fazer a correspondência completa entre as identidades dos eleitores e suas escolhas durante a votação, é preciso apenas que se monitore a ordem de votação dos eleitores ou a hora em que tiveram acesso à urna eletrônica.
Entretanto, eu gosto de ver a questão por outro ângulo: derrotamos o mecanismo de embaralhamento do votos para armazenamento no RDV, única medida tomada pelo software da urna eletrônica para proteger o sigilo dos votos.
G1 – O número do título de eleitor ou outro documento que o identifica é armazenado na urna? Ele poderia ser atrelado ao voto?
A lista de títulos de eleitores habilitados para aquela seção eleitoral é armazenada dentro da urna eletrônica, para controle de comparecimento e para permitir que o mesário libere o acesso à urna apenas com um título de eleitor válido. Existe um período de tempo, após a liberação da urna pelo mesário e até o término da interação entre eleitor e urna eletrônica, em que essas duas informações precisam estar presentes simultaneamente na memória do equipamento.
A vulnerabilidade encontrada no embaralhamento do RDV utiliza uma função que produz alertas até nas ferramentas de análise gratuitas e mais primitivas.”
Recuperar essa correspondência durante esse período de tempo requer acesso ao ambiente interno à urna ou inserção de um programa malicioso que faça o registro permanente da informação. Durante os testes, estávamos concentrados em metodologias de ataque não-invasivas e que não deixassem nenhum vestígio, por isso optamos por analisar apenas os produtos públicos de uma votação oficial.
G1 – Como você avalia o procedimento de testes elaborado pelo TSE e a avaliação que a comissão fez do teste que vocês realizaram?Diego Aranha - A iniciativa de organizar os testes é muito louvável, pois permite a fiscalização e avaliação da segurança do sistema por investigadores independentes. Entretanto, o tempo disponibilizado é muito curto para se executar qualquer metodologia sofisticada. Observe que potenciais atacantes podem, a partir de poder econômico ou político, desfrutar de um período de tempo muito maior para tentar organizar uma fraude em pequena ou larga escala.
Enquanto inicialmente o TSE se manifestou de forma extremamente positiva à contribuição que demos ao aperfeiçoamento do sistema, a Comissão Avaliadora do evento, apontada pelo próprio TSE, optou por penalizar significativamente nossa participação. Por exemplo, nossa metodologia foi qualificada como tendo objetivo de causar uma falha ao invés de uma fraude no sigilo ou integridade de uma votação eletrônica. Entretanto, nossa urna eletrônica não apresentou nenhuma falha e funcionou durante seus limites de operação por todo o tempo. Não seguimos nenhum procedimento que não seria realizado em uma votação oficial.
Como resultado, fomos premiados ainda em primeiro lugar, mas com uma pontuação pífia de 0.0313 numa escala que vai de 0 a 400.
G1 – Existe mais alguma questão técnica da urna que merece atenção?
Diego Aranha - Encontramos no software da urna eletrônica uma série de práticas indesejáveis do ponto de vista de segurança. Por exemplo, todas as mídias são cifradas com a mesma chave criptográfica. O vazamento desta chave criptográfica por uma única vez abre simultaneamente todas as mídias de todas as urnas para inspeção e possível manipulação por parte de agentes mal-intencionados. Curiosamente, essa chave criptográfica estava declarada no código-fonte e acessível para qualquer um dos investigadores.
O maior problema do sistema de votação eletrônica no Brasil é a carência de qualquer forma que permita ao eleitor verificar que seu voto foi computado corretamente”
A integridade de parte do software da urna eletrônica também parecia não estar sendo verificada, por conta da desativação de uma linha crítica do código-fonte. As máquinas dedicadas à exibição do código continham também informações de usuários, senhas e servidores na rede interna responsáveis pelo versionamento do software desenvolvido.
Além disso, também observamos algoritmos obsoletos (não-recomendados desde 2005) ou funcionando fora de sua especificação e com implementações repetidas diversas vezes ao longo do código, o que em muito dificulta uma auditoria do seu funcionamento correto.
Por fim, verificamos também que não existe a utilização frequente de ferramentas de análise de código-fonte, visto que a vulnerabilidade encontrada no embaralhamento do RDV utiliza uma função que produz alertas até nas ferramentas de análise gratuitas e mais primitivas.
Em relação ao processo de desenvolvimento do software, detectamos na interação com o pessoal técnico do TSE uma preocupação exagerada com atacantes externos, quando acreditamos que atacantes internos possuem uma possibilidade muito maior de executar fraudes em larga escala.
A equipe já se colocou à disposição do TSE para ministrar palestra tratando especificamente dos problemas encontrados, mas até agora não houve convite concreto para tal.
G1 – E o processo eleitoral brasileiro como um todo – como você avalia? O que deveria melhorar?
Diego Aranha - Os testes se concentraram na urna eletrônica, mas gostaria de que a mesma metodologia permitisse a investigadores independentes avaliar a segurança de outros componentes do sistema eletrônico de votação, como o totalizador centralizado dos Boletins de Urna. Ataques a outros componentes do sistema podem não só atrasar significativamente a apuração e divulgação dos resultados como fragilizar a confiabilidade e reputação da autoridade eleitoral.
Em termos mais gerais, o maior problema do sistema de votação eletrônica no Brasil é a carência de qualquer forma que permita ao eleitor verificar que seu voto foi computado corretamente. No modelo de urna eletrônica atualmente adotado no Brasil, a integridade do resultado das eleições depende unicamente da integridade do software de votação que é executado dentro da urna. Já foi mostrado que esse software é como qualquer outro, passível de vulnerabilidades.
Portanto, é imprescindível que seja introduzido algum mecanismo para verificação independente da integridade dos resultados. A proposta do voto impresso, ou voto verificável pelo eleitor, consiste exatamente em produzir uma versão materializada do voto em algum veículo que permita contagem posterior sem permitir simultaneamente que o eleitor possa comprovar sua escolha para uma terceira parte interessada.
A contagem dos votos impressos pode ser feita por amostragem apenas, sem impacto significativo na velocidade totalização dos resultados eletrônicos. Esta é forma mais simples e compatível com o sistema atual para se permitir a verificação da integridade do resultado, independente da integridade software, para que assim a urna brasileira satisfaça a requisitos mínimos e plausíveis de segurança.
Outro ladoO TSE foi consultado pelo G1 sobre as principais observações feitas pelo Prof. Dr. Diego Aranha e se defende das alegações. Veja a íntegra do posicionamento do TSE.
G1 – As mídias eletrônicas onde são gravados todos os votos das urnas eletrônicas é cifrada pela mesma chave. Isso é verdade?
TSE – 
A utilização de criptografia é apenas uma de inúmeras barreiras de segurança.
A afirmação de chave única, se vista isoladamente, não procede. A cada eleição, o TSE gera e cifra uma única desse sistema de arquivos que é gravada nas mais de 400 mil urnas eletrônicas. Por critério de segurança, esta mídia é cifrada por uma única chave, com o objetivo de evitar ataques criptoanalíticos baseados em estimadores estatísticos. Portanto, qualquer outro procedimento, como o de utilizar-se de várias chaves para cifrar o mesmo conteúdo com o objetivo de prover sigilo, torna por si só o resultado fragilizado. Por esse motivo, a cada eleição, o TSE gera uma chave que é utilizada para manter sigilo da mídia que é gravada em cada Urna.
G1 – O professor Diego Aranha diz que gostaria que houvesse testes também no sistema que totaliza os votos dos boletins de urna. O TSE pretende realizar algo nessa linha?
TSE – Ao final de cada votação, ainda na seção eleitoral, a urna imprime em até 20 vias o resultado da votação naquela seção. Esse relatório chama-se Boletim de Urna (BU) e algumas dessas vias podem ser entregues aos fiscais dos partidos. Nesse momento, o resultado da urna se torna público.
Desta forma, torna-se simples a verificação da integridade da totalização das eleições. Isso porque os fiscais de partido podem comparar essas cópias impressas dos Boletins de Urna de cada seção eleitoral com o resultado recebido, totalizado e publicado pela Justiça Eleitoral (disponível na Internet). Assim, a simples comparação do resultado recebido pelo fiscal e o processado na JE é suficiente para qualquer interessado criar sua própria totalização e verificar individualmente o resultado de cada urna eletrônica.
G1 – Ainda segundo o professor, o TSE coloca uma preocupação muito grande na atuação de agentes externos ao processo. Quais as medidas que o TSE tem tomado para evitar a ação de agentes internos (colaboradores e  funcionários do próprio TSE)? Quem tem acesso à chave usada para cifrar as mídias (pergunta 1)?
TSE – A segurança do sistema eletrônico de votação não depende somente de pessoas, ela permeia todo o processo, desde o TSE até os tribunais regionais e cartórios eleitorais, e se baseia na utilização em conjunto e em vários momentos de técnicas de criptografia, assinatura digital e segregação de funções. É inviável que agentes internos realizem fraudes sem o registro de rastros para a auditoria.
G1 – O professor disse também que uma linha importante do código fonte estava desativada durante a análise permitida aos investigadores. Essa linha, segundo ele, era responsável por verificar a integridade/autenticidade do software. O TSE sabia que essa linha estava desativada?
TSE – O TSE não pode emitir opinião por desconhecimento do conteúdo da alegação, uma vez que não está presente no relatório do professor sobre o teste.
G1 – O professor Diego defendeu a introdução de um mecanismo de impressão do voto por amostragem, como proposto em lei. Essa legislação está atualmente suspensa por decisão do STF, se não me engano. O TSE tem alguma posição sobre a impressão do voto conferível pelo eleitor?
TSE – Na mesma audiência pública citada anteriormente, o Prof. Walter Carnielli (matemático e filósofo, CLE e IFCH-UNICAMP) fez uma apresentação intitulada “Sistema de votação, falsa segurança e a qualidade da democracia”.
Nesta apresentação, o Prof. Carnielli demonstrou que existe  um  balanço delicado entre privacidade (sigilo) e verificabilidade (verificação do voto eletrônico com outro meio duplicado, no caso o voto impresso) nas votações eletrônicas.
Segundo ele, as urnas do tipo das utilizadas atualmente nas eleições brasileiras (tipo DRE ou Direct-Recording Electronic) seriam passíveis de perfeita privacidade, embora com menor verificabilidade. Carnielli afirma que é matematicamente impossível atingir privacidade e verificabilidade absoluta e que, portanto, não há sentido na crítica de que “pesa a mão” apenas na verificabilidade (falta do voto impresso).
A pretensa solução defendida na legislação suspensa pelo STF, oferecia apenas  uma falsa  (e cara) sensação de segurança, como mostrou Carnielli.  Não há qualquer critério sobre como seriam escolhidas as urnas da amostragem de cada Zona Eleitoral, nem se leva em conta a distribuição das urnas no país. Sem um estudo amostral de aleatoricidade, o voto impresso dará uma segurança ilusória de credibilidade a um custo extremamente alto.
Um equívoco muitas vezes repetido é a afirmação de que a “urna eletrônica brasileira é de segunda geração”, comparando-a com as urnas  argentinas e peruanas que  seriam de  “terceira  geração”. A própria noção de ‘geração’ tem origens comerciais, nas empresas que vendem ao Peru e à Argentina suas urnas, e não tem nenhum fundamento mais profundo.
Querer enfatizar um dado comercial ou o fato de se ter descoberto, num teste público, uma fraqueza  técnica que pode ser  consertada e a partir daí defender  medidas  sem a devida cautela é ameaçar a democracia.
Glossário
  • Agentes internos: colaboradores, funcionários e pessoas ligadas à própria empresa ou instituição; se diferenciam dos agentes externos, que são pessoas de fora.
  • Algoritmo – Sequência lógica e matemática executada por um software para realizar um determinado cálculo, processamento ou decisão automatizada.
  • Chave criptográfica - Como uma chave comum é capaz de abrir uma porta, a chave criptográfica é o “segredo” que um computador precisa conhecer para acessar (decifrar) dados cifrados.
  • Cifrar – Procedimento de segurança que torna uma informação ilegível para pessoas que não tenham a chave de acesso (chave criptográfica).
  • Integridade de software: Um programa de computador, como o que opera a urna eletrônica, pode sofrer alterações não autorizadas. Checagens de integridade garantem que o software em uso é idêntico ao que foi desenvolvido e autorizado para distribuição.
  • Log: Arquivo que registra eventos, incidentes e outras informações técnicas sobre um sistema ou software. Costuma trazer a hora e a data de quando algo aconteceu. O “histórico” do navegador de internet, que registra as páginas visitadas, é um tipo de log.
  • Semente: Computadores não podem “gerar um número qualquer”. Quando isso é necessário, usa-se um “gerador de números pseudoaleatório”, que retorna uma sequencia programada e previsível (não aleatória) de números. No entanto, quando um valor especial é fornecido para servir de base aos cálculos do gerador, os números serão diferentes, criando uma variação imprevisível sem o conhecimento do valor. Esse valor especial é chamado de “semente”.
  • Versionamento - Controle de alterações (versões) de um documento ou código fonte de um software para facilitar o trabalho em equipe. Em ambientes de desenvolvimento, programadores acessam o software de versionamento para baixar códigos, efetivar alterações e tomar conhecimento de modificações realizadas por outros colaboradores.
  • Zerésima: Relatório emitido pela urna para provar que ela está zerada antes da votação.

sábado, agosto 25, 2012

Caos-Telo é o plano A de Sarney


CAOS - 1. Confusão dos elementos antes da criação do universo; 2. [figurado] Confusão; 3. Desordem; 4. PERTURBAÇÃO.
TELO - 1. (grego telos, -eos, fim, conclusão). Exprime a noção de FIM. 

Cidadãos de bem e militantes de esquerda e outras denominações anti-direita, anti-capitalista estão cometendo o erro de desconsiderar o contexto e estão tradando a política como tudo ou nada. Eis que muitos desencantados por partidos políticos e pela opções de candidatura tentam  se manter na coerência com a prática do Voto Nulo. Isso, nesse momento, é mais uma justificação pessoal do que uma ação política transformadora. É um direito, faz parte da liberdade de poder optar livremente e manifestar sua opinião. No entanto, a disputa por poder ninguém consegue imunidade por força de excentricidades. O preço recai sobre a totalidade, que essas partes, indistintamente, compõe. Estão inseridos nesse mesmo mundinho em que incidirão os efeitos da vitória de uns ou de outros. Basta ver que não há nenhum indício e condições para romper com o modelo, nada em questão aparece como crise total do sistema. Logo... a indiferença não vai fazer o sistema deixar de ser reproduzido. A vasta maioria do componente social ainda o está legitimando e participando dele. Nem Dom Quixote teria tal visão da realidade. 

Diante disso, é cabível fazer referência a um fato recente da história, particularmente às eleições para Presidente da França de 2002. Naquele momento 28% dos franceses praticaram a abstenção. No dia seguinte, os socialistas e os mais radicais de esquerda tomaram café com o seguinte resultado: Jacques Chirac 20% (Conservador de Direita), Le Pen 17% (Radical de Extrema Direita). Foram os dois mais votados do primeiro turno, credenciaram-se assim para disputar o segundo turno. Detalhe: Le Pen simplesmente é xenófobo, racista, homofóbico etc. 

Os franceses logo viram o preço da indiferença. Porém, saíram às ruas e deram mais um exemplo ao mundo. Os socialistas e as diversas frações de esquerda juntaram-se no propósito de fazer o VOTO ÚTIL para derrotar Le Pen. Isso evidenciou bastante que nesse modelo de política não é tudo ou nada. Alguma coisa é sempre alguma coisa. A questão era evitar o pior. Assumiram a opção estratégica e responsável de evitar o que mais feria seus valores. Le Pen foi derrotado. 

A quem interessa o VOTO NULO nesse contexto eleitoral de São Luís? Quem é o mais favorecido? A resposta tem um duplo, mas uno beneficiado. O duplo são os compadres José Sarney e João Castelo. O uno o poder político conservador, mandonista e residual da Ditadura. 

Castelo não é a oposição a Sarney, trata-se do criador e da criatura, pertencem ao mesmo campo político, comungam a mesma mentalidade e agem igualzinho. Mesmo que estejam "brigados" são parceiros. 

Castelo é o Plano A de Sarney, não é Washington, nem Tadeu. É assim que ele garantirá as condições favoráveis para sair com vantagem para 2014. Sarney já viu que Castelo ajudado pela maquina estadual, em segundo turno, vence. Vide o governo Jackson. 

Os blogues sarneístas, sim, são partidários, começam a enaltecer a solidez de Castelo e, propositadamente, as pesquisas deles começam a mostrar queda na rejeição desse candidato. Aí está a trama para induzir o voto, produzir efeito mecânico. Produzir no imaginário popular o "vai ganhar mesmo". 
Castelo não pode mais ir crescendo. Quem perderia mais voto para ele crescer? O número de indecisos já está indo para casa dos 10%. De onde tirar voto para ele crescer se depois do terceiro colocado o percentual declina consideravelmente? A chave foi apresentar queda na rejeição para preparar terreno para o segundo turno, a justificação para 50+1 (%) dos votos. Para Castelo subir nas próximas pesquisas de opinião vão ter que definhar alguém: Tadeu, Eliziane, Washington ou Edivaldo. Fica a pergunta: qual justificativa ou fato provocaria essa migração dos votos desses candidatos para Castelo? 

Caso contrário, Castelo, nas próximas pesquisas, vai começar a cair, mas isso é mais difícil operar, tratando-se que é o candidato com o maior número de voto-fiéis. Além disso,  só caberia, sem alarde, uma queda na margem 6%, no máximo. A não ser que aconteça algo muito, muito bombástico contra ele. Um fato novo e ruidoso. Isso poderia provocar  efeito mecânico, direcionando o voto para outro candidato. O mais provável e o que parece já estar sendo feito é manter Castelo estagnado com esses percentuais, ir diminuindo a rejeição dele e esperar o segundo turno, onde por debaixo do pano a família Sarney irá dar o empurrão que ele precisa para vencer no segundo turno. Nada mais que uma retribuição ao favor feito por Castelo, por debaixo dos panos, à Roseana, visando claramente derrotar Flávio Dino. Quem pode atrapalhar os planos da família Sarney em 2014? Eis o plano A de armação. 

O comandante Washington vai cumprindo sua penitência (para não usar outro termo), com as aparições constante de Roseana, vai atrair toda a ira anti-Sarney. Se não aparecer com uns pontinhos a mais nas próximas pesquisas, fica caracterizado que ele não está só cumprindo as funções de BARRAR BIRA e distrair a atenção para que Castelo possa pousar de anti-Sarney, mas que está sofrendo mais uma humilhação dos Sarney. Qual o outro objetivo de colocar o vice-Governador nessa situação? Provar sua impopularidade e o forçar a desistir de assumir governo quando Roseana sair para se candidatar a senadora. Caberia a ele a prebenda de uma cargo vitalício no Tribunal de Contas. Com todo respeito ao vice-Governador, mas é o que o contexto está mostrando. Cadê os caros de som de Washington? Quantos você já viu na rua? Cadê o núcleo da militância sarneísta? Onde estão os mais graduados articuladores do sarneísmo nessa campanha? Não estão! Blogues sarneístas estão minando o Vice dia a pós dia, nas entrelinhas e em linhas inteiras. É só ler atentamente. 

Cabe aos que se consideram puros, ilibados, progressistas e de esquerda pensarem no caso francês, não vivem enaltecendo a fundação francesa (?), e praticar firmemente  VOTO ÚTIL. Depois é só viabilizar candidaturas mais probas, mas agora é isso!!! 




sexta-feira, agosto 24, 2012

Caos na ilha da Serpente: ingratidões e perversidades


Aproxima-se a data dos 400 anos de São Luís. Muito falatório, propagandas e, pasmem, um enorme circo. Sim, a cidade será transformada em um verdadeiro circo, promovido pelos Governos Estadual e Municipal. O primeiro, ocupado pelo mesmo grupo há 46 anos, vai utilizar a fórmula circo e circo, tão construída por eles. O segundo, ocupado por um dissidente que, em nada, fica atrás do seu mentor, muito pelo contrário, o supera em diversos níveis. Esse está aplicando a fórmula do absurdo. Quanto mais distante e destoante da realidade melhor. 

No meio desse jogo de cena dos compadres, Sarney e Castelo, está o povo, cada cidadão dessa cidade que sofre diariamente com a falta de água, de saneamento básico e quase todos os serviços básicos... Deficiente e absurda é a capitação e destinação dos esgotos e o tratamento é quase inexistente. Não bastando isso... alarga-se a questão do lixo, deficiente tanto na coleta quanto no destino, que conta com um aterro com   a capacidade já praticamente esgotada. 

Entretanto, as deficiências administrativas e entraves políticos não param por aí. São Luís tem um sistema de transporte coletivo ruim e totalmente inadequado para a configuração da cidade, que pouco sofreu intervenções planejadas, de caráter mais global e que desse melhores condições de trafegabilidade e acessibilidade. 

O transporte coletivo é todo feito por ônibus (ruins, velhos e sujos), complicando ainda mais o trânsito nessas avenidas e ruas estreitas. Com a sobrecarga de veículos particulares nas ruas, em boa parte pela ausência de um sistema de transporte coletivo de qualidade, inviabiliza a ampliação da frota de ônibus, o que geraria mais engarrafamentos e lentidão no trânsito. Isto é, o que existe hoje é insuficiente para a demanda. Principalmente para quem precisa ir para o trabalho em transporte público.

A medida adotada de criar terminais de integração  tem se mostrado ineficiente e onerosa, o custo da manutenção dos terminais é alto e a entrada e saída dos ônibus desses terminais aumenta muito o tempo de viagem. 
Completando o caos desse modelo de transporte, durante o percurso dos ônibus não existe disciplinamento e planejamento mais racional das paradas, não há paradas seletivas nem de interligação. Todos os ônibus param nas mesmas paradas ou em locais não sinalizados. As paradas podem servir de núcleo de integração e o passageiro só pagar uma passagem, basta adaptar as paradas e adotara a bilhetagem eletrônica. 

Para quem está na condição transeunte, andando a pé, enfrenta todo tipo de dificuldades.  Faltam calçadas, algumas calçadas são ocupadas por carros, desnível de calçada, artefatos de contenção: grades, tocos, barras de ferro etc. Em diversa avenidas, tais como Holandeses e Jerônimo de Albuquerque tem centenas de metros sem calçada, o que dificulta o deslocamento de quem está a pé. Em alguns trecho, não falta só a calçada, mas o espaço está tomado por mato ou entulho. Em diversas áreas de concentração comercial e de difícil travessia não existem passarelas, nem passagem subterrâneas. 

Para quem se arrisca, é isso mesmo, quem se arrisca andar de bicicleta as dificuldades são muitas e perigosas. Não existem ciclovias e nem há um projeto de adequação das avenidas para isso. A violência no trânsito avança a cada dia. Condutores de carros que não respeitam as sinalizações mínimas e muito menos respeitam os ciclistas. Para aumentar o problema do trânsito existem uma quantidade significativas de condutores de moto sem o menor preparo, conduzido alguns desses veículos sem respeitar qualquer sinal. Está em curso um processo de multiplicação dos acidentes.

Sobre o trânsito também podemos dizer que a sinalização é precária e extremamente mal planejada. Existem semáforos cuja função é só gerar multas ao condutores. Já em outro trechos, não existe um só. Essa forma desorganizada e não planejada de sinalização é dos provocadores de acidentes e congestionamento em diversos pontos da cidade, por exemplo avenida Guajajara, Jerônimo de Albuquerque, São Luís Rei de França. 

Como se não bastasse a sinalização deficiente e imprópria a estrutura viária é arcaica, precária e caótica. Continuações de ruas e avenidas tem sido interrompidas por condomínios, casa e prédios comerciais, o que tem impedido novas interligações e sobrecarregando vias de alto fluxo, exemplo, o Turu, onde os condomínios foram construídos de forma aglomerada sem serem intercalados por novas vias.

Os cruzamentos das grandes avenidas não dispões de intervenções que eliminem os cruzamentos, os elevados feitos foram pessimamente projetados, verdadeiros atestados de incapacidade técnica. Hoje os maiores engarrafamentos são nesses elevados. Faltam viadutos e vias elevadas para que o trânsito flua normalmente.  Mas tem uma necessidade séria e que ninguém trata: o alargamento de ruas e avenidas. Inexiste qualquer propósito dos governantes de indenizar prédios e moradias em alguns trechos e eliminar com afunilamentos e gargalos que existes em pontos crucias, tais como no Anil, entre a faculdade  Cest e a Rotatória da Cohab, a ponta da avenida do Barramar, que dá acesso à Litorânea, o trecho entre a avenida 04 da Cohab e a estrada da Maioba etc. 
A cobertura asfáltica e as demais formas de calçamento precisam de reparos sérios, com serviços integrados de pavimentação e drenagem. O Jardim São Cristóvão é desses exemplos. Existem verdadeiras lagos nas ruas desse bairro, e o revestimento asfáltico não sustenta por falta de drenagem, meio fio e canaletas. 

Por último, na contramão de um desenvolvimento sustentável, João Castelo resolveu encimentar as calhas naturais dos rios e os condenar a serem canais de esgoto. Ao invés de retirar os esgotos de dentro dos rios, a prefeitura está transformando os rios em puro esgoto. Verdadeiros atentados ambientais e confirmação de uma mentalidade atrasada e em descompasso com o tempo.  

São Luís não possui nenhuma avenida que com uma arborização adequada e que seja paisagisticamente interessante. Faltam árvores na nossa cidade. O modelo de jardinagem implantado por Jackson/Tadeu vem sendo seguido por Castelo. É caro, não causa grande impacto na paisagem, aliás... pouco são notados. A consequência maior é para os cofres públicos, pois são milhões já gastos nesses canteirinhos com essas plantas exóticas. Hoje os cidadãos dessa cidade não dispõem de uma só área verde equipada para a prática de esporte e lazer. Não existe nenhum investimento nesse sentido. Não existe vontade e nem ideia. O atraso complementando a ganância. 

Os moradores de São Luís estão condenados a ter como locais de passeio as prais e as praças de alimentação dos shoppings. Esses últimos de arquitetura de mal gosto e de acabamento deficiente. Vide o desabamento do teto, alagamento e incêndios que já ocorreram no interior desses estabelecimentos. As prais estão tomadas de fezes. As construtoras não só construíram sobre falésias e dunas, não satisfeitos com isso, lançaram o esgoto dos condomínios in natura nas praias. A taxa de coliforme fecais é alta.  São Luís está em uma ilha de estuário o que complica mais a situação, pois isso afeta diversos ecossistemas. 

O abastecimento de água de São Luís é uma vergonha, mais vergonhosa é o sucateamento da CAEMA e a contratação de carro pipa para fazer abastecimento, alguns ex-carros de transportar combustível. Pode? O tanque é o mesmo. Pois bem, essa carência de água é fruto da incompetência, do descaso e da pura e absoluta perversidade. O sistema do Batatã pode ser ampliado e pode se fazer outros reservatórios desse tipo com fontes perenes de água ainda existentes na ilha. O sistema Italuís pode ser complementado com capitação de água de outros rios menores, criando um sistema interligado. Três grande rios correm na direção da Ilha: Itapecuru, Pindaré e Mearim. Isso é um privilégio e não se justifica faltar água nessa cidade de São Luís. Faltou investimento e compromisso com coisa pública. A estratégia é descredibilizar a CAEMA, colocar a população em um situação de calamidade e depois privatizarem. Adivinhem que vai privatizar... 

Porém, essa situação não persiste sem cumplicidades e omissões. O poder público municipal, o Executivo também é responsável por isso. Esse serviço de captação, tratamento e distribuição de água é uma concessão. Cabe ao poder público municipal questionar a qualidade dos serviços prestados. Soma-se a isso a inoperância e cumplicidade do poder Legislativo Municipal, que efetivamente não buscou defender os interesses da população. É uma irresponsabilidade produzida pelo criador e a criatura. Tudo isso é a somatória desses fósseis políticos, herança da ditadura. Diversas cidades brasileiras já abriram licitações e já trocaram de empresa, visando a qualidade desse serviço.

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...