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segunda-feira, maio 26, 2014

Sarney: o homem cordial como nostalgia

Já ia dormir ... mas encontrei a Coluna do Sarney com o seguinte título: O homem cordial. Fui ler. 

Logo de início o senador amapaense faz referência a Sérgio Buarque de Holanda, especificamente ao seu "homem cordial" e à obra Raízes do Brasil. Sarney lembra da paternidade do termo, que pertencente a Ribeiro Couto, cuja ideia de cordialidade é de um adocicamento pacificador. de caráter conciliador. 

O senador ressalta a divergência sobre a noção dada entre Buarque e Couto, mas sobre Buarque apenas diz: "Já Sérgio Buarque analisa de outro modo dizendo que nossa cordialidade não era essa de Ribeiro Couto e popular. Ela se vinculava mais à razão do core (coração), em latim."  Bem... a minha insistente tentativa de estudar sociologia, as leituras das obras dos pensadores brasileiros etc., não me deixaram ir dormir sem pensar sobre esse cordial homem e o homem cordial da literatura dominical de Sarney. 

O senador aborda a violência, a copa, o crack,a falta de transporte, a falta de ruas pavimentadas, a falta de transporte público e reclama de prefeituras mais preocupadas coma política do que com o bem coletivo. Pois é. Qualquer um sabe que o homem cordial em Buarque não é caracterizado pela tal fidalguia, mas por uma recusa ao formal e ao impessoal. Elementos necessários à dominação de tipo legal/racional. 

Porém, essa recusa bem serve ao patrimonialismo e ao mandonismo, que bem operam com a servidão voluntária e recurso do clientelismo. Questões só para ilustrar: como se universaliza direitos com pessoalidade e informalidade? Ou como fazer prevalecer  a meritocracia com pessoalidade e informalidade?

Ocultado o homem cordial de Buarque, emerge o homem cordial de Sarney formulado quanto nostalgia, diz Sarney: "O maranhense em particular, sempre um ser pacífico, logo adere à onda nacional e se torna um homem irracional, pronto a reagir por qualquer coisa e mesmo sem respeitar a vida, o maior bem de Deus ao homem, e mata e morre."  Pois é, logo agora. Né? Quem disse que a fúria não está latente em qualquer uma das versões de homem cordial?  

segunda-feira, abril 07, 2014

Sarney: o Golpe de 64 e Transição para a democracia

Foto: o Estadão (recortada)
Em 2002, quando comecei o doutorado, tratei de conseguir uma entrevista com o senador Sarney. Motivo: a transição, processo de democratização e volta dos governos civis. Passei meses tentando achar um canal de acesso e que viabilizasse essa entrevista, por fim lembrei de uma amiga que o marido era parlamentar e recorri a ela. Fiz algumas perguntas bem simples e mandei, no mesmo documento, meu contato, basicamente meu e-mail para uma eventual resposta. A resposta veio através de um assessor de nome Pedro, e não era mais que um NÃO. Motivo: ano eleitoral. Como no Brasil, vergonhosamente e em total desrespeito ao erário, fazemos eleições em dois em dois anos, mas na prática é campanha em um em um ano, fiquei praticamente desabilitado de entrevistar o senador Sarney até hoje. 

No fundo, a minha investigação estava exatamente direcionada à sobrevivência dos aliados da ditadura e o grau de democracia estabelecido, o que democracia acabou sendo efetivada diante de tal processo (?). Era uma empreitada muito ambiciosa. O certo é que essa entrevista que considerava e considero de grande importância para meu trabalho não aconteceu. 

Mas, permanece a vontade de melhorar o texto, de buscar fazer uma leitura dessa tal redemocratização por um ângulo diferenciado do que já foi produzido exaustivamente até aqui. Recentemente recorri a três pessoas com acesso ao meio familiar e político do senador Sarney, mas até agora NÃO obtive nenhuma resposta.  Queria publicar meu trabalho nesse aniversário de 50 anos do Golpe de 1964, mas isso já não é mais possível. Quem sabe eu consiga publicar no aniversário de 51 anos do Golpe. O problema agora é o senador Sarney querer colaborar com pesquisadores locais como eu, sem referências maiores e sem "pedigree". 

Tudo indica que não vou ter mesmo essa entrevista. O senador já está com 83 anos e, como todos os seres humanoides, vai ter a ruptura existencial com esse mundo. 

Ontem, 06/04/2014, o jornal O Estado do Maranhão, de propriedade do próprio senador Sarney, publicou, na página 08, uma entrevista com ele feita pela repórter Laura Grennhalgh, de O Estado de São Paulo, o Estadão. Na entrevista foi tratado alguns bons detalhes sobre o período que me interessa, algumas sutilezas e revelações de bastidores. Porém, os pontos da minha curiosidade não foram atendidos. Os ângulos das formulações, apesar de bons, não são os meus e não atendem a minha investigação, é óbvio. Mas é um material importante para pesquisadores e demais interessados no tema. Vale a pena ler. 

Destaco algumas trechos que considero coincidente com o que observei na minha tese: 
1- Ele funcionou como uma senha do processo para a transição acontecer dentro dos parâmetros do lento, gradual e seguro. Garantia à garantia dos militares;
2- Era e é um admirador de Juscelino, mas não tem a mesma admiração por Getúlio, a quem destaca o caráter autoritário e busca minimizar a influência da era Vargas,  além de reproduzir a tese de FHC de que a superação do estado varguista já está consolidada.

Repito aqui o que já afirmei na tese: Leônidas Pires foi quem deu posse a Sarney, através dele que verdadeiramente a "eleição" de Sarney para Presidente foi efetivada.

Destaco também, a partir dessa entrevista que: 1- Sarney é um exímio semeador de afagos (e contador de histórias). 2- É capaz de criar brechas, em qualquer tema e parte da história, para manifestar gestos necessários a quem possa render apoio e reafirmar a amizade. Exemplos: 
A- Ao falar de Getúlio cria uma brecha para tratar do sindicalismo, nisso agracia Lula evocando o tal do novo sindicalismo (o senador não usou a expressão "novo sindicalismo", eu fiz isso), como superação do sindicalismo pelego. No final, mais uma vez, fala do operário concorrendo à Presidência no final do seu mandato; 


B- Assume mais a proximidade o alinhamento com Castelo Branco e o apresenta em distanciamento e desalinhamento com Costa e Silva, por fim, ele próprio, mostra-se em tensão com Médici. Com isso, presta homenagem a um amigo e, ao mesmo tempo, afasta sua trajetória política do AI-5. Não duvido de nada, só destaco a habilidade dele de contar. Todo ponto de vista é visto de um ponto... Todos válidos. 


Repito: Lula é a chegada atrasada do último contingente produto da ditadura, é a consolidação da transição dentro dos parâmetros do lento gradual e segura. Nada até agora ocorreu fora disso. A democracia que temos foi e é carregada (excessivamente) pelo ideário de democracia da antiga Escola Superior de Guerra. O avanço democrático que se esperava ainda não aconteceu. Vide a proposta recente da OAB, que ao sugerir o recall na reforma política, limitou o dispositivo ao legislativo, alegando o "risco" dos adversários derrotados agirem contra o titular do Executivo. Isso traduz a mentalidade conservadora que não admite o poder com o povo, nem acredita na capacidade do povo, mas o tem sempre com um incapaz que merece de certos cuidados e tutela. Traduzindo: O povo tem capacidade para votar para eleger, mas não tem capacidade de votar para tirar (vai ser manipulado). Alguém entende? Pois é... lenta , gradual e segura (sempre?).

terça-feira, outubro 29, 2013

Sarney o século XIX e nosso tempo


Li no jornal O Estado do Maranhão, nesse último domingo (27/10/2013), a seguinte declaração do senador José Sarney: 
"Eu sempre digo que nasci no século XIX. O Maranhão na minha juventude ainda era quase igual ao tempo da Colônia e do Império". 

Dizem as sucessivas biografias do senador que ele nasceu em 1930. O Brasil Colônia oficialmente  teve fim em 1822  e o Império foi desmontado pelos "republicanos" em 1889. 
Muito interessante esse destaque feito pelo senador quanto a possibilidade de falta de sincronia dos  tempos, particularmente entre tempo cronológico (físico ou quantitativo, real, natural, da ciência, cósmico) e tempo social (histórico ou qualitativo, imaginário, cultural, da consciência, vivido).   

Essa declaração de memória do ex-Presidente é um testemunho revelador que os ventos da Revolução de 30 não chegaram no Maranhão e que nem foram tão fortes em todas as direções. Atrás da memória aparece a realidade: as constituições inspiradas no ideário liberal conviviam com práticas "políticas" destoantes.

Eu, por exemplo, nasci em 1966, mas digo que sempre vivi na República Velha, mais precisamente entre 1894 e 1930. Os ventos de 1930 nunca chegaram ao Maranhão, mesmo em pleno século XXI.

O senador está corretíssimo! Viva o nosso atraso!


sábado, dezembro 15, 2012

O PT de 2014 e alguns petistas

Foto original: Folha. 

Não existe mistério e nem possibilidade outra para o PT/MA em 2014... vai rumar junto com os Sarney. Fatura certa. Sarney mais uma vez está liderando a blindagem de Lula e nesse universo é dando que se recebe. gestos de retribuição e o interesse pela manutenção do poder pesam. 

Quando Lula disse que Sarney era uma cidadão incomum não estava só constatando a enorme e brutal verticalidade e distanciamento existente no Brasil, onde uns sobram em ter direitos, mas também auto-denominando-se com ser dessa espécie: cidadão incomum. 
Ainda vai render e vender manchetes, porém a carruagem vai para além do mensalão. Sarney e Lula seguem parceiros para 2014. O Maranhão é um detalhe pequeno para os dois. Onde tudo pode ser conversado.

Sobre o episódio Mensalão: tudo é verdade e muito de tudo é pura mentira. Há fatos e existem também os oportunista de ocasião tentando se beneficiar empreitando  vingança. Reflete um pouco um ódio endêmico de parte das elites brasileiras por aquilo que eles veem como povo, os inferiores. O outro lado, são os fatos comprovados. 

No Maranhão, esse eito tocado por mandões, mandões, repetido para destacar a pluralidade de exemplares dessa espécie, não há muito o que esperar, em 2014 o próprio senador Sarney estará pessoalmente na disputa eleitoral. Domicílio eleitoral regressado para São Luís, ele está hábito a ficar com a única vaga para o Senado em disputada em 2014. Não se tratar de gostar, querer, desejar, torcer... mas ver o que está sendo construído dia a pós dia. Qual o adversário com articulação e apoio em todo o Maranhão?  Sarney tem voto e admiradores em todo Maranhão, gente que vota na família ao menos 40 anos. A vitória de João Alberto sinalizou muito bem essa possibilidade, particularmente quando venceu José Reinaldo, em um momento que o ex-governador gozava de muito mais prestígio. Dos nomes conhecidos: José Reinaldo, Vidigal, Castelo, Roberto Rocha quem vai se lançar na aventura de disputar uma vaga ao senado? 

O próprio quadro do que se denomina anti-Sarney e oposição a Sarney ficou diluído, perdeu tons de contraste mais nítidos. Os anti/opositores operam nos mesmos moldes dos Sarney, boa parte foi ou é aliada de Sarney. O Presidente do Senado e Ex-Presidente, José Sarney, ineditamente na história republicana, homogeneizou todo um campo político decompondo as distâncias de tons. Aos olhos do eleitorado não é tão significativa a diferença de cor. Isto é, Sarney não diminuiu seu desgaste, mas trabalhou sistematicamente para desgastar os seus oponentes. Contra ele é preciso inventar um qualitativo novo e diferenciado dos que já foram usado até aqui. Motes com marcos cisórios entre esquerda e direita não funcionam para a grande massa do eleitorado, tampouco o de moralidade (existem corruptos de altíssima patente de todos os lados)... O que resta? Só inventando. A Política também carece de invenções, sempre! 

Não só isso, a grande massa das gerações recentes tem pouco ou nenhum envolvimento militante, não possuem posição política militante, mais ideologizada. Ao contrário, a maioria tem uma enorme fluidez de posicionamento, pragmatismo fisiológico, opinião de circunstância, com base em recompensa pessoal imediata. Vide parte do adesismo a Castelo. 

O senador Sarney tem um eleitorado cativo em São Luís, independe de se gostar ou não disso.  Se ele obtiver 20% dos votos válidos de São Luís tudo vai ficar muito fácil, principalmente se ocorrer uma enorme pulverização dos votos de oposição, dos votos contrários a sua candidatura. Se os adversários forem figuras já carimbadas e em enorme quantidade, o senador do Amapá já sai em vantagem. Em que pese os votos contrários em Imperatriz, Caxias, Timon, Codó, Açailândia, Santa Inês, Bacabal, São José de Ribamar, ao seu favor ainda existem duas centenas de municípios, onde o voto de opinião, mais livre e ideológico tem menor peso. Nesse Maranhão profundo as máquinas municipais e a estadual podem  criar adesões e votos significativamente. Tudo vai depender do mínimo de votos alcançados nas grandes cidades e do tamanho de favor (máximo) alcançado pelo prefeitos das pequenas. O quadro pretendido é para o senador vencer por WO. 

O PT tem rumo líquido e certo em 2014: segurar a bandeira de Sarney (senador). Não importa qual ala, corrente, coletivo, tendência esteja presidindo o PT, o partido estará a serviço dos Sarney. Por quê? Porque Lula, Dilma e Dirceu querem. E tudo novamente justificado em nome do projeto "nacional". O que pode ser novo é que além dos velhos petistas estarem trabalhando para Sarney,  velhos sarneístas estarão operando dentro do PT. O PT pode ficar não só aliado, mas diretamente comandado pelos Sarney. A figura intermediária, hoje desempenhada por Maca (senhor Washington), ser suprimida. Isso abre uma questão imediata: qual as possibilidades de reeleição de Dutra e Bira nesse quadro? 

Quem ficar no PT até outubro de 2013 não vai poder somar a qualquer outra candidatura fora do campo de controle sarneísta. Quem ficar no partido vai ter que se submeter a seguir as candidaturas dos Sarney, de bom gosto ou a contra-gosto. 

A outra possibilidade de desenrolar é da conciliação. Caminho bastante provável nas pretensões de Lula e Dilma. O senador Sarney teria uma oposição branda a sua candidatura, ficando no embate direto consigo mesmo, prestando conta da vida política e do seu mandonismo sobre o estado durante quase 50 anos. Em compensação aceitaria a perda do governo estadual. Aceitar aqui é tão somente, perder e não levar. Aqui já ficou provado que se ganhar pode não levar. Isso não vai significar uma facilitação ampla. Certamente o senador Sarney vai buscar ter a ampla maioria da bancada de deputados federais e estaduais. A maioria da bancada de senador já está garantida, a questão é só manter o 100%. 

Aposentar-se com um mandato fora de seu estado natal tem um ar de humilhação, isso parece algo que o senhor Sarney não quer em sua biografia, tantas vezes remodelada. Nessa conciliação sobraria ao "PT" não-sarneísta a condição de cachorro que caiu do carro de mudança em uma noite escura e chuvosa. Pois todos os lados estarão em concertação e somente eles em desconcerto. Lula e Dilma sabem que grupos parlamentares nacionais e forças regionais existem e alguns são bem maiores e mais poderosos do que qualquer partido, pois é um coletivo que se articula em diversas legendas e em diversas bancadas estaduais. Isto é, pesam na hora de aprovar e vetar diversas matérias no Congresso. A principal oposição ao mando do grupo Sarney também compõe a base aliada do governo Dilma. Não haverá nada de muito escandaloso nessa transação. Vide as posições no quadro geral.                                                                                                                                           

Em boa parte essa configuração política maranhense é produtora e produto de uma cultura totalmente mistificadora da base objetiva concreta. O jogo passa a ter dimensão performática e espetacular intensas que, em maior parte do tempo, é só simulação da realidade e não propriamente a realidade (formulação baseada na noção de Baudrillard de simulação e simulacro). Alguns tensões nesse campo são frutos de crenças, quando o ator começa à acreditar cegamente que as suas representações são as únicas possíveis diante de um real coisificado e, ao mesmo tempo, sacralizado como a grande verdade real.  

A mudança não é só vencer eleitoralmente Sarney, mas também superar o que ele produziu: a oposição a ele existente até hoje. 

Não existe PT para fora dos Sarney em 2014. Qualquer outro projeto é inviável dentro do PT.  



sábado, abril 07, 2012

PT SEM MEIOS TERMOS



Já é do conhecimento de todos e muito bem comprovada a Aliança entre o PT(partido dos trabalhadores) e José Sarney. No plano da direção nacional petista... esse concerto tem mais de uma década. Salvos os contorcionismos mirabolantes... Não há mais o que discutir sobre quem traiu quem. Sarney procurou Lula ou Lula procurou Sarney? Resposta está estampada aos quatro cantos. Vide as eleições de 2010, quando o então Presidente da República, Lula da Silva, veio ser cabo eleitoral ou garoto propaganda da candidata Roseana Sarney.


É fato líquido e certo: o PT que existe é aliado e governa em parceria com o senador José Sarney, que hoje é, sem dúvida alguma, a maior legenda dentro do Congresso Nacional.

José Sarney, senador do Amapá, reúne atualmente mais apoio e maior número de parlamentares que a maioria das siglas partidárias presentes no Congresso. Ele tem uma das ou a maior das bancadas no Congresso Nacional. É uma influência que se estende aos outros poderes sem nenhuma limitação ou constrangimento. Esse fenômeno mescla patrimonialismo e absolutismo, mas mantendo sempre o verniz da via dos ritos institucionais. Esse mandonismo age no interior das entidades institucionalizadas do aparelho de poder. É um mando que vem se sustentando através de diversos arranjos de pactos de cumplicidades recíprocas, articulados cuidadosamente em cada uma das instituições políticas brasileiras.  

O que assistimos no PT do Maranhão é um acontecimento tardio, algo já em descompasso com o ritmo partidário nacional. Macaxeira não inventou a aliança Sarney/PT, ele apenas tem sido um fiel executor das medidas de ajustamento. É óbvio que nessa labuta de cumprir as tarefas ditadas pela direção nacional, está agindo de forma a maximizar a realização dos seus interesses. Isto é, colher o bom preço da obediência. 

As declarações que Macaxeira sarneyzou o PT sozinho ou que é o mentor disso é puro exercício de enfrentamento. Algo compreensível e válido para o modelo de Arena de Rinha petista. Mas a realidade apresenta provas divergentes. Por outro lado, aquilo que era para ser um destrato acaba sendo um elogio ao Comandante Macaxeira. Pois ele é colocado em uma posição que ainda não ocupa e em uma condição que também não tem: o de negociar (poder falar não quer dizer Poder de negociar) diretamente com Sarney. 


Sem nenhum desmerecimento ao Sr. Macaxeira, mas Sarney não vai descer da sua cobertura para negociar no térreo com ele, não no atual contexto. Os acertos do senador Sarney com o PT são feitos diretamente com o ex-presidente Lula e com a Presidenta Dilma. José Sarney sabe o lugar que ocupa e o que tem nas mãos.

Boa parte das brigas internas do PT nasceu de querelas pessoais. Algumas não passam de  auto-justificações, particularíssimas ao extremo. Além disso, existe uma dependência quase absoluta entre alguns indivíduos (ele só é algo se outro continuar existindo). São os que não sabem viver sem o "inimigo". Toda pureza e correção deles está justificado nos defeitos e vícios dos adversários. São aqueles que transformaram a inimizade no próprio mote de vida partidária. São casos que a psicanálise e a psiquiatria não têm e nem tentam apresentar respostas ou quaisquer explicação.


No PT todos já mediram o temperamento e a coragem do outro (um troca-troca de forças). Por outro lado, todos os segredos, não são verdadeiramente segredos, o que torna bastante fácil as operações visando atender interesses e desejos reprimidos das partes em lide. Isto é, quem quer o quê e o porquê de querer. Para muitos arena de rinha é chave central de ordenação e significação da vida, sem esse palco e com as cortinas fechadas a vida não terá sentido, não serão nada no mundo. 

Logo – logo serão acionadas as máquinas ideologizadoras das tendências, de um lado para justificar as adesões à candidatura de Washington e de outro lado para justificar a manutenção do dissenso. Tudo vale se a vala vale a vida! Podemos assim resumir essa lógica.

Para justificar o consenso (ou simples adesão) não faltam dados de realidade: PT contra os tucanos malvados (PSDB); o “projeto nacional” (2014); a “tomada de poder por dentro” etc. O certo e bastante provado é que o PT nacional e seus principais líderes estão em aliança com o senador Sarney há tempos. 


Para alguns companheiros, que até há bem pouco tempo estavam na resistência, não existe outra alternativa, a curto e médio prazo, de voltar a ter o abrigo do poder a não ser pela via Macaxeira. Esse abrigo corresponde exatamente ao mundo paradisíaco dos cargos comissionados, ser posto à disposição de algum gabinete e, consequentemente, FICAR longe e livre do fardo da rotina do trabalho. Além de se alforriar de todas as coisas fadigantes destinadas aos cidadãos comuns. Preço: macaxeirizar-se. 


Alguns companheiros petistas provaram o gosto da cereja (as benesses do poder) e querem voltar a sentir esse sabor. Já perceberam que o tempo também passou para eles e outras oportunidades poderão não mais surgir. Portanto, estão no limite das chances históricas e precisam barganhar algo agora. Assim refletem alguns de posse da lógica "pragmática". Para eles essa situação-limite tende a piorar com a confirmação da não-candidatura de Flávio Dino. No final das contas, se aderirem à candidatura Washington/sarneísmo não estarão fazendo nada de diferente do que a cúpula do partido já selou. Eis uma forte justificativa. 

Para o dissenso de Washington não tem justificativa fácil. Inúmeras questões emergem de pronto: votar nulo? Votar em outros partidos? Apoiar Castelo? Omissão? Adesão ao sarneísmo?

Tendo em vista que o senador Sarney é o aliado preferencial do PT no Maranhão, será que apoiar o governo Dilma é fortalecer indiretamente o sarneísmo? Nem sempre, pode ser  o argumento. Essa adesão indireta, o fortalecimento por tabela não é automático e depende muito das opções tomadas pela Presidente. Mas quais são as opções da Presidenta? O fortalecimento do governo Dilma poderá ser a condição de criação de novas potencialidades para a disputa do poder no Maranhão ? Isso está em aberto. 

Quem quer manter a coerência de não aderir ao sarneísmo tem também que não aderir ao castelismo (sub-produto do sarneísmo). Voto nulo ou abstenção favorece Castelo. Castelo significa um retrocesso político que ficou como legado do governo Jackson.

Votar em outro partido é um direito do cidadão que está acima do dever partidário. Além disso, votar em outro partido nem sempre significa trair o partido. Mas qual o partido que estaria bem mais acima do bem e do mal do que o PT? Qual partido no Maranhão que não acumula alianças esdrúxulas, em descompasso com o discurso?

O certo é que a saída de Flávio Dino da disputa municipal de 2012 alarga mais as chances de permanência dos setores mais conservadores à frente do poder político local e adia, no mínimo, por mais 08 anos as chances de um início de alternância política no Maranhão. O desenho de uma "transição" "conciliada" mais à direita parece querer tomar forma, o que provocaria a minimização da alternância... 

PS.: Nossas obras são vistas por outros olhos... A vida não finda para os que recebem a Salvação; para os que bebem da Fonte Viva. A Páscoa é a celebração da vitória da Vida sobre a morte. A vida na sua plenitude e abundância. Feliz Páscoa! 

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