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sábado, maio 27, 2017

A CORRUPÇÃO NÃO É UMA COISA MENOR


A CORRUPÇÃO NÃO É UMA COISA MENOR
A relativização aplicada aos casos de corrupção praticada por parte da “esquerda” (criminosos da “política’) é vergonhosa e irresponsável, mas não deixa ter coerência interna com a doutrina política que abraçam (ao credo religioso que professam). Esse modelo de esquerda existe enquanto séquito e seu ethos é de natureza similar aos ethos encontradas em seitas religiosas. Seguem a apreciação dos fatos e do contexto sob a ferrenha força doutrinária (que diz o que fazer) e sustentada pela fé cega (eles creem por creem, sem se permitir pensar sobre os rumos da sua fé e os efeitos dela sobre o contexto). Essa parte é, sem exagero nenhum, composta por fanáticos.
O fanatismo é tão exacerbado que buscam escamotear fatos, em que pese as diferenças e possibilidades interpretativas, são passíveis de verificação por diversos meios. Mas, como fanáticos de tipo de seita, estão mantendo a coerência, pois não só isso pode ser racionalizado a partir da doutrina mãe (marxismo), como por diversas derivações doutrinárias/pragmática, a exemplo do leninismo. Os meios podem ser justificados pela causa maior: a revolução. Desta maneira depredar o patrimônio público material e imaterial é normal, cabível desde que em consonância com as conveniências dele. Isso por dois motivos: 1- eles se acham especiais e com um direito supremo de agir sempre conforme sua visão de mundo (a eles tudo é permitido, ninguém, mesmo que tendo outra visão, não os pode contrariar); 2- o bem público só alguma coisa e só existe quando é conveniente ao exercício de oposição ou para lhe servir benefício (financiamento público de campanha, fundo partidário etc.).
Ora, fica é evidente que o autoritarismo não é um detalhe nesse meio. Nessa perspectiva política e social não há a opção em ser ou não ser democrático. O autoritarismo não é qualidade, ele é natureza, não é uma questão adjetiva. Porque todo o projeto de transformação, condução e modelação da sociedade defendida nessa perspectiva é autoritário, pois está expressamente pautado em uma percepção única, em uma vontade única que inevitavelmente se opõe ao que há de plural e diferenciado.
A matriz (o trabalho intelectual de Marx) é tida como autoexplicativa, onde não se admite erros e nem limitações. É algo que não se reconhece (na sua origem) e não é reconhecido pela seita e fiéis como construção teórica falível e limitada em suas possibilidades interpretativas e metodológicas. As ações e os projetos desses fiéis estão inscritos num campo da fé e da crença tomados com uma rigidez absurda. Todas as formulações feitas como possibilidades explicativas e interpretativas são tomadas como verdade e dogmatizadas. Reconhecer falhas, erros e crimes não é algo de fácil realização nesse âmbito, pois tudo em volta pode ser relativizado em nome dessa verdade. Para tanto, basta recorrer à chave-mestra explicativa e justificadora: o capitalismo. Os males do capitalismo justificam tudo.
Para observar estado religioso e fanático profundo basta ver que o devir já tem nome para além da história e as possibilidades reais; é algo similar a um designo, cujo nome é socialismo. Isso não é materialismo histórico e nem dialético, mas um plano salvífico teológico. O reconhecer erros e admitir falhas não é da lógica desse espírito de crença e dogmatismo profundo, pois ao crente pleno há uma única coisa: a certeza.
A corrupção nunca foi uma coisa menor na política, sempre foi algo gravíssimo. Porque antes de tudo a corrupção é uma degenerescência, uma falência e um desrespeito à confiança. Sempre implica em perda de confiança, de credibilidade e legitimidade. Logo a corrupção não está restrita ao ato envolvendo elementos econômicos/financeiros, patrimoniais e materiais. Além disso, a corrupção nunca é um fim mais um meio (seja para enriquecimento econômico, seja para ampliação de poder ou ambos). E no espaço da Política brasileira tem sido um meio recorrente e sistemático de enriquecimento ilícito e ampliação de poder. A manutenção do poder não está desvinculada de enriquecimento pessoal e sustentação de privilégios e mordomias pagos com o dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos. 
Antes de pensar os males do capitalismo, como forma de legitimar a corrupção, é plausível olhar os fatos históricos e sociais: contextos morais existiram em diferentes épocas e a existência e o respeito à coisa pública são experiências históricas anteriores ao Capitalismo, com intervalo de alguns milênios.
A “defesa” (ou justificativa) apresentada pela “esquerda” envolvida em todo esse esquema de corrupção presente nas páginas de diversos processos, no âmbito da Lava Jato, é irresponsável e de total desprezo à Democracia e à República. É algo sem precedentes. Trata-se exatamente de buscar legitimar a corrupção eleitoral e o caixa dois como necessários, como exigência do sistema e que ela não foi para enriquecimento pessoal (será a vida ascética do Cinismo?). Nessa postura da “esquerda” que alçou ao poder (de forma coligada e em parceria) o atual ocupante da Presidência e que, em ato contínuo, participou da pilhagem, loteamento e diluição da natureza pública do Estado brasileiro, encontra-se um misto de apologia ao crime, desfaçatez e fanatismo. Como já referido: tudo pode ser relativizado por esse séquito, os fins justificam todos os meios e eles são incapazes de reconhecer que erraram.
Diante disso, não é preciso esforço para perceber que essa gente não tem compromisso com a Democracia, com a República e com a Política. O que se espera minimamente em uma Democracia é que as eleições sejam limpas (sem ilegalidades, sem fraudes), competitivas (condições iguais) e transparentes (publicidade e passível de fiscalização). Não existe política sem o espaço público, sem a coisa pública garantida e defendida, pois sem co-responsabilidade, co-propriedade e direitos comuns fica difícil a defesa do bem comum, a equação e a crítica às ações e omissões em trono dos negócios públicos.
Essas pessoas não são a favor da Política, mas seres nocivos à Política, pois todos os seus meios e recursos comprometem o ambiente moral, o pluralismo e o governo de lei. Isto é, são anti-Democracia, anti-República e  anti-Política.
“A virtude afirma-se por completo na prática, e seu melhor uso consiste em governar a República e converter em obras as palavras que se ouvem nas escolas”. (Cícero)
  


  



domingo, maio 21, 2017

O que será de nós

O palco já ficou cheio de horrores: as cenas macabras só se repetem de um lado a outro do palco. O peso só aumenta sobre esse fraco assoalho democrático, ainda mais com toda a estrutura do Estado perdendo legitimidade de sua natureza pública. O Estado brasileiro precisa voltar a ter um mínimo de qualidade Pública. Não é mais possível aguardar algo de onde não pode sair nada mais: o Congresso. Falta qualidade de homens públicos, de estadistas e densidade moral para continuarem sendo componentes da Assembleia representativa do povo e dos interesses nacionais. 

Quem realmente governa esse país e com qual legitimidade?  Se ainda existe algum comando  institucional (não pessoal e não corporativo), para onde está nos levando? 

A falta de legitimidade já é total. A Lava Jato deixou bem visível os ossos podres do esqueleto do judiciário. A pergunta é: o que estavam fazendo os demais juízes e desembargadores que nunca viram nada e nem acharam fundamento legal para enfrentar tamanha corrupção? O que mais pode estar acontecendo contra o erário sem sofrer qualquer investigação? É possível ainda pensar em manter justiça estadual diante sua brutal ineficiência no combate à corrupção? Não deve ser poucos os crimes que ocorrem nos Estados-membros impunemente.  

Os escândalos envolvendo profissionais da política não só revela um corpo político corrompido, mas também um judiciário muito cúmplice e omisso, caso contrário, Moro não seria nada mais que mais um e a Lava Jato um seriado de horror tão longo. 

No mínimo, devemos pedir um alteração imediata no sistema eleitoral e partidário. Diante de tal crise é melhor privilegiar um sistema eleitoral que valorize minimamente a vontade de maiorias, que iniba campanhas com gastos milionários e voto distrital. Além do fim das coligações para cargos parlamentares e fim da reeleição. Tornar crime hediondo desvio de recurso público e todos os crimes contra o patrimônio público e não passíveis de prescrição.


terça-feira, agosto 11, 2015

Dilma, legitimidade e o "apoio maranhense"

Qualquer equação com o elemento político Dilma apresenta múltiplos resultados. Hoje realmente estamos diante de uma crise política. Que tal lembrar Gramsci? E pensar essa crise em três atos: O PT (partido dos trabalhadores) chega ao poder como um elemento tardio dentro do lastro da crise de hegemonia que gerou o golpe de 1964 e, pragmaticamente, vai se manter no poder como Vanguarda do Atraso, aproveitando-se das crises conjunturais multi-céfala. O ponto crucial é que a saída da Ditadura pela via da "conciliação" nos marcos da transição lenta, gradual e segura estabelecida pelos militares já exauriu todas as combinações possíveis, chegou ao seu total esgotamento. Estamos diante do riscos de uma abertura de uma crise orgânica. O tempo encurta. Qual a ânimo ainda contido na massa silenciosa? 

Nesses últimos trinta anos não apareceu nenhuma força aglutinadora capaz de sinalizar um projeto político novo para o Brasil. A defasagem política perpassa todas as frações e setores sociais, é geral e de volumosa. O PT no poder mostrou que não tinha nenhum projeto político amplo, renovador e capaz de formar novos pactos políticos. O PSDB (partido da social democracia brasileira)  já tinha mostrado sua total dessintonia com um projeto político novo. O PSDB não consegue falar para os mais simples e assumir o que emerge das ruas. Logo, esse desejo de renovação foi transferido totalmente ao PT. O PT deu espaço aos segmentos políticos/partidários que mais representavam o atraso, o ultrapassado, o velho. Ao invés de crescer como um agente de uma transformação mais profunda, o PT mergulhou em um pragmatismo pelo poder cego. Ato suicida. Não só isso, afastou o circulo de produção crítica, os intelectuais de pensamento mais reflexivo e inovador e como isso também proibiu a expressão utópica. Virou a vontade de um homem só: Dirceu, um ego doente e perigoso. O PT e PSDB não realizaram aquela catarse gramsciana. 

A crise que aí em pleno vigor é difícil caber em uma só equação. Destaco, de imediato, dois complicadores graves: 1- a falta de uma oposição programática, propositiva e próximas aos movimentos reivindicativos atuais; 2- a inexistência de um projeto político transformador, como ampliação democrática e renovação das nossas bases institucionais. A questão é: esses complicadores pertencem em que grau ao nível conjuntural ou estrutural? Daí podemos enumerar uma série de problemas de ordem institucional e não institucional. Logo é uma crise agudamente política porque atinge a vida política no seu todo e a ideia de Estado. A crise, obviamente, é da ausência de respostas às demandas sociais, política e de participação e somada a uma estrutura institucional corrompida em todos os sentidos. 

O Brasil não fez um pacto político novo, não teve reformas sérias e profundas na área fiscal/tributária, administrativa, política. O Estado como um todo não sofreu qualquer alteração significativa, porque não existiu Reforma Política. O federativo atual, com essa ideia de municipalização é um absurdo, que só tem gerado mais ineficiência e desvio de recursos públicos. A corrupção virou uma rotina do ponto de vista econômico, mas a sua densidade é corrosão do valor da confiança. Os indivíduos a quem foi confiado o comando da coletividade trai o sentido do exercício do poder lhe foi confiado. A corrupção em essência não está restrita no monetário, mas em ir de encontro ao que funda o Político. A corrupção é gravíssima e agudiza a crise política. 

 A situação política de Dilma e todo seu governo é de um defunto no meio na sala... situação de velório continuado. Ninguém mais lamenta a morte, mas o inconveniente da falta de destino do cadáver. O morto acaba simbolizando a crise: o velho que não responde mais e o novo não chegou. 

O encurtamento crítico e a perda da capacidade de constatação da realidade impossibilita o PT ainda mais de somar apoios e firmar compromissos de base Política. O desgaste com os escândalos de corrupção e as fórmulas delirantes de responder aos escândalos deslegitima o partido de convocar a qualquer pacto. O PT queimou seu capital político e não se deu conta disso. Não há golpe em curso. O que está em curso é a perda de legitimidade política. A legitimidade dada pelo voto na eleição precisa ser reiterada durante o exercício de governar. Porque o exercício do poder político não é confiado sem atribuir responsabilidades. Ora, em ambientes democráticos e republicanos a opinião é parte governança, serve à governabilidade e é inseparável da vida verdadeiramente política. O que perdeu legitimidade não foi a eleição de Dilma,  a eleição não é a questão central do momento, mas o exercício do poder político que lhe foi confiado. Em democracia a maioria é sempre flutuante. Agora 71% da população brasileira estão desaprovando o governo de Dilma. Mas não é só isso, perdeu legitimidade política, porque perdeu aceitação, confiança e, logicamente, respeito. O que a Presidente fala vira piada, mesmo que seja um tema de seríssima importância. 

Não há golpe, mas as exigências legais de um Estado de Direito Democrático pesando sobre o mandato de Dilma, que envolve o fato de respeito à Lei de responsabilidade fiscal, falhas na prestação de contas etc. Vão suprimir a legalidade em favor do quê? O desrespeito aos marcos legais, que caracterizam a própria institucionalidade da Presidência, não é uma perda de legitimidade? ou só uma falta legal? Volto à imagem do velório prolongado, o defunto sem rumo. O impeachment tem como consequência o repasse do poder a Temer. A renúncia também coloca Temer na Presidência. Que solução e clima político pode produzir de diferente o Temer? A maioria dos opositores de Dilma não acham nisso o desfecho positivo. Quem assumiria o risco de tirar o mandato via TSE e provocar uma nova eleição? Nova eleição parece ser o mais desejado, mas faz do PT vítima. O PT ganha sobrevida como vítima. O que fazer com Dilma? É exatamente ausência de uma posição como resposta que prolonga essa situação. Isso é muito ruim diante do agravamento das situação econômica do Brasil. 

Está na hora de algo ser feito a favor do Brasil. Quem realmente vai fazer algo pelo Brasil? 

Quanto ao apoio maranhense à Dilma, resumo da seguinte maneira: tem Holandinha, o mais novo aliado DEM. Cadê aquela multidão de vereadores e prefeitos que vieram tirar foto com Dilma e Lula na época do lançamento do projeto de implantação da refinaria Premium? É isso. O maior apoio dado pelos maranhenses foi ignorar no lugar de hostilizar. 

O que é real é que a realidade é bem maior e mais complexa que a nossa explosão emotiva... A realidade às vezes é totalmente surda aos nossos gritos. 

  


segunda-feira, maio 04, 2015

Brasil: que sistema de governo é esse?


Qualquer pessoa que olhe a Constituição de 1988 notará sem dificuldades que o Parlamento Brasileiro tem inúmeras competências. Na verdade, esse poder acabou concentrado diversas competências ao ponto de tudo ter que passar pelo Congresso. Mas isso não signifique que seja efetivamente atuante e use das suas competências. A inércia e a omissão  às  vezes são tão grandes que matérias extremamente importantes e de grande importância para a sociedade acaba indo para o STF que, sem ter a mesma legitimidade de representação popular, legisla sobre questões polêmicas e sem a devida consulta popular.  

O Estado Brasileiro como um todo perdeu seu grau mínimo de coerência sistêmica, de coordenação, cooperação e confluência. Isso gera constantes fluxos de incerteza e risco. Perde-se previsibilidade onde ela deve existir minimamente. O Estado Brasileiro virou um monstro de Frankenstein. Inúmeras e sucessivas reformas pontuais, o que abriu margem para diversas deformações e complicadores ao funcionamento, na absorção e enfrentamento de crises. O sistema como um todo está desconfigurado. 

Essa desconfigurações é movida por uma dinâmica política errática, recheada de arquétipos anti-políticos, que impedem maior efetividade da condição pública da política e do Estado. A nossa cultura política marcadamente autoritária é reproduzida tanto pelos setores ditos de direita como os que se consideram de esquerda. Essa fragilidade democrática é potencializada com a ausência de uma cultura cívica vigorosa, com alta densidade de virtude civil. O espectro político brasileiro é fracamente marcado por  causa de valor nacional, de profundo interesse público e sensível à opinião pública. 

Se a dinâmica política, o espaço de disputa, de formulação e decisões públicas é reduzida pelas pressões de setores corporativos, por facções representantes de direitos privados e causas particularíssimas, por outro lado, a administração pública e seu corpo de funcionários não conseguem ser e ter o ânimo da responsabilidade pública em defesa do patrimônio público, guardando-o dos percalços e vícios da política eleitoral-partidária. Em parte esses servidores de carreira têm sua competências minadas por inúmeros cargos de comissionados, ocupados por séquitos de políticos e militância partidária, que enche o espaço do serviço público de interesse partidário. 

Esses descompassos e desalinhamento em termos convergência de esforços e forças fez o sistema de governo no Brasil perder consistência, racionalidade, objetividade e confiabilidade. O Presidencialismo Brasileiro não é o pior que existe no mundo, nem é um sistema que concentra muito poder nas mãos do Chefe do Executivo. Não é. Não temos um presidencialismo imperial, nem é exata a ideia de um presidencialismo de coalizão. O problema está na ideia de Estado e de exercício de poder. A divisão rígida de poderes adotada no Presidencialismo carece revisão. O sistema de decisão e do mútuo controle dos poderes precisam ser revistos sob pena de um aprofundamento corrosivo da ineficiência administrativa e de condução política.

Qual a competência real do Executivo, do chefe de governo? Em sentido amplo todos que participam da classe política e participam de algum espaço decisório do Estado estão governando, dirigindo a sociedade política. Mas em sentido mais restrito, o Governo cabe ao poder Executivo, pois a ele cabe a competência de organização da equipe de governo responsável pela condução e elaboração dos planos, medidas, projetos e a condução do corpo administrativo. Só que todo o funcionamento do Estado envolve múltiplas formulações, concorrências e tensões em seus diversos órgãos e entidades. Logo o Executivo, o chefe de governo não age de forma sem interferências. 

Repito: o problema não é do Presidencialismo em si, mas de toda a deformidade de todo o Estado, no que compreende sua ideia, a competência dos poderes e a coe-existência e co-funcionamento deles. O funcionamento da Presidência da República atualmente depende muito mais do temperamento e da habilidade pessoal de quem ocupa esse posto do que sua institucionalidade. É lógico que a solução para os graves problemas de governabilidade não deve ter como recurso uma ampla base de apoio constituída por um alinhamento irrestrito do Legislativo e na neutralização da sua função fiscalizadora. Jamais poderá se pautar na ausência do referencial ético adotado pela sociedade e pelos princípios de legalidade que norteiam o poder público. Logo, qualquer formação de maioria deve atender ao Governo de Lei, firmado em torno de compromissos e interesses que sirvam ao interesse público. Isto é, precisam ser acordo prioritariamente políticos. 

É possível o Presidente governar sem uma ampla maioria no Congresso? Sim. Mas depende do grau de institucionalização da oposição e das competências exclusivas dos poderes. Hoje temos uma tensão perigosa entre o Senado e a Câmara Federal, mostrando que essa paridade de competência legislativa entre as duas casas é um problema que tende a se agravar. O Senado, por sua própria constituição, tem maior distância dos apelos populares. Porém, bem mais suscetível articulações favoráveis e desfavoráveis ao Governo e à governabilidade.  As manipulações e os atrelamentos são bem mais fáceis de serem executadas no Senado. Mesmo não tento a mesma exigência de legitimidade popular goza da mesma competência legislativa da Câmara.

A paridade legislativa do Senado tem sido um obstáculo ao atendimento a certas matérias e demandas populares e tem reduzido a autonomia do legislativo. É preciso retirar do Senado essa igualdade legislativa, reduzindo sua função à esfera consultiva. Além disso, é preciso retirar o presidente do Senado da linha sucessória da Presidência da República. Por outro lado, vai demandar uma ampliação das competências exclusivas de natureza material e formal da Câmara Federal. A exemplo das atividades fiscalizadora e normativa. Isso só produzirá mudanças se form implantado um novo rito processual, critérios mais objetivos para a composição das pautas e, acima de tudo, estabelecer quais as matérias prioritárias e de urgência. A composição da agenda política e o ritmo de votação precisam ganhar mais institucionalidade, retirando toda essa margem de manobra e de discricionariedade hoje existe. Ponto crucial para coibir essa verdadeira personificação do poder que testemunhamos, particularmente o exercício da Presidência da Câmara Federal. 

Ora, essa concorrência de poderes, ampla margem de discricionariedade, falta de uma maior institucionalidade, o legislativo bicameral com igualdade legislativa (verdadeira divisão do poder legislativo), a cultura autoritária, a baixa cultura cívica é um problema para qualquer tipo de sistema de governo. Ainda mais quando o chefe de governo não pactua programaticamente. Hoje o sistema fica a mercê da competência política do ocupante do cargo de dialogar, articular cooperação e negociar consensos. Necessitamos estabelecer maior grau de eficácia ao sistema de governo. Para tanto, é preciso uma reforma política propriamente dita, reformando o Estado como um todo. Dando prioritariamente competência exclusiva material (administrativa-funcional) ao poder Executivo, retirando diversas competências materiais do Legislativo e reforçando sua atividade fiscalizadora e normativa (de legislar) sob critérios e parâmetros que dê velocidade ao rito processual legislativo e, por fim, diminuição do grau de discricionariedade da magistratura, fim de diversos privilégios exclusivos do judiciário e, acima de tudo, impedir que o Judiciário atue por qualquer meio com competência material, em atividades executiva-administrativa fora do âmbito do seu poder. Além de reduzir a competência de legislar do judiciário, ficando restrita a matérias em que há omissão do Legislativo e que não sejam matérias de competência exclusivas do Legislativo. Para tanto, matérias de ordem política, social e econômica devem ser vetadas ao Judiciário legislar, dando competência exclusiva ao Legislativo. 

Hoje o Brasil está de fato sem um sistema de governo. Não é Presidencialismo porque a chefia do poder político do Estado não é unipessoal, só formalmente a Presidente é chefe de Estado e Chefe de Governo, mas bem pouco a Presidente tem conduzido as ações-administrativas e políticas do Estado. A presidente enfraquecida politicamente e sem aprovação popular também não chefia adequadamente o Estado, ela nem consegue esboçar ser estadista. Por último emerge a figura do Vice-Presidente que, sem nenhuma função constitucionalmente estabelecida, a não ser em caso de vacância, começa a exercer tarefas próprias do titular da chefia de governo, encenando a condição de Primeiro Ministro informal e alheio ao sistema consagrado na Constituição. Também não é Parlamentarismo, porque formalmente o Governo não é do Parlamento e de fato a iniciativa das ações administrativas e diretivas de governo ainda não estão integralmente sob o controle do Parlamento. Além disso, o controle dos mecanismos condicionantes das as ações de governo está dividido no interior do próprio Parlamento, onde Senado e Câmara travam uma rivalização aberta. O controle das ações de governo, tais como, medidas, planos, programas, projetos etc. está dividido entre a Presidência, a Presidência da Câmara e a Presidência do Senado. Essa divisão está sob a lógica de um processo de concorrência política das partes que em nada tem de cooperativo entre os poderes e afeta diretamente a governabilidade e a condição política do Brasil. 

Nós estamos sem um efetivo sistema de governo decorrente de uma deformidade do desenho estatal, da dissolução de uma ideia de Estado e a profunda perda de credibilidade política dos nossos governantes. A crise política atual está provocando nas instituições políticas brasileiras uma acentuada perda de legitimidade. A situação pode piorar muito. 

domingo, março 22, 2015

Dilma e o PT, ontem, hoje, o céu e o inferno

  • Esse texto são fragmentos de um bate papo no Facebook. Segue o que escrevi:

  • A situação está difícil demais. Eu já desconfiava disso...,bem antes.

    Por isso, fiz campanha dia e noite pela não reeleição. Ela (Dilma) seria uma presa mais fácil.
  • Não tenho certeza quanto a essa oposição. Até escrevi que nosso maior problema é a falta de opção. Nosso problema maior é político. Não temos opção partidária. É fato.
  • Quando apostei na Marina pensei na possibilidade de pacto mais ao centro. Achava que ela teria mais habilidade de negociar em outros termos o apoio político. E mais respaldada pelo povo para fazer mudanças. 
  • A Dilma ganhou uma eleição explorando o medo e usando do terror. Não goza de simpatia, não tem carisma, não é política, não tem trato para negociar.
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    Ela não consegue raciocinar mais longo, não articula bem nem duas ideias em um mesmo discurso. Ela vai ser.uma tragédia.,, já é. Porque está mais refém do que nunca do PMDB e Lula passou a pressionar, a reduzir a autonomia dela. Ele faz isso exatamente para alimentar o esquema de sustentação, mas aniquila a autoridade dela, sua credibilidade.

    Sarney foi chamado para adocicar a crise no âmbito do PMDB e legendas congeneres. Sarney virou uma espécie de Santo Expedito do PT, funcionou na salvação de Lula em 2005 e agora foi invocado na causa perdida de Dilma. Esse movimento em direção a Sarney não deixa de ser uma humilhação para ela, pois ela o ignorou durante toda a campanha.

    Sarney vai fidelizar o apoio do PMDB para Dilma, mas isso é uma ida mais para a direita e vai resultar em inúmeras concessões às forças mais conservadoras do Congresso.

    O pior é ver o Aécio tentando falar em nome do que ele não representa. A maior porção que ele recebeu foi voto útil. Foi voto anti-PT. Qual a confiabilidade que Aécio passa em termos de mudança? Nenhuma. O PSDB não fez as reformas democráticas assim como o PT e ainda deixaram a herança maldita da reeleição.

    Pela primeira vez vamos ter um governo findado já no início, sem o menor norte e sem aprovação popular. Todo o povo está dependência do humor do PMDB. O absurdo maior dessa situação é termos que torcer para o PMDB não ficar pior do que ele sempre foi. 
  • Não há alternativa. O PSB e o PSDB são partidos fisiológicos, de quadro e de baixa participação nos movimentos sociais e nas organizações sindicais. Os partidos de extrema esquerda são em parte esquizofrênicos, carregados de interpretações delirantes. São anacrônicos, não acompanharam as renovações e mudanças no ideário da esquerda e progressista, tal como ocorre na Europa. Não existe nenhum partido desse que sirva de referência como oposição. Não são oposição. Ou são satélites do PT ou são linhas auxiliares. Todos são de viés autoritários, não possuem vínculos com a tradição, com ideário Republicano e a visão de democracia é restrita e deformada. Muitos vivem com a cabeça no século XIX. Parte disso virou uma patacoada, uma panaceia lisérgica. 
  • Ora, esse conservadorismo e alinhamento ao governo faz esses partidos se omitirem das manifestações. Ato equivocado, porque perdem a oportunidade de serem identificados como porta vozes dessas reivindicações populares e dos setores médios da sociedade. A direita tende a representar as reivindicações porque essa esquerda equivocada abdica de ser oposição e disputar espaço no âmbito da luta. Visão equivocada de democracia é terrível. 
  • Mas, toda crise tem uma brecha para a positividade. Pode ser um momento de fecundidade. Algo novo pode surgir... não sei em que forma. 
  • Eu vou cantar uma bola... Já disse isso durante as manifestações de junho de 2013. O verdadeiro teste vai ser quando a massa do bolsa família começar a reclamar mais forte. O ícone desse grito é aquela senhora que reclamou não ter aumento do valor do bolsa família e que não estava dando para comprar uma calça. Porque "uma a calça para uma moça de 16 anos é MAIS de R$ 300,00". Eis um gatilho armado e prontinho para ser acionado. 
  • Em 2011 observei que os supermercados estavam puxando os preços, sem que tive uma alta geral dos preços. Veio a copa e monte de dinheiro foi desperdiçado. A balança comercial dependendo de exportação de matéria prima (commodities). A energia e o combustível com preços congelados mantidos sem reajustes. Tudo para fazer campanha e manter-se no poder. Agora a inflação está aí viva e com vigor e o poder aquisitivo caindo. E como vai ficar o festejado aumento de consumo? 
  • DEM, PSDB e PSB e demais legendas não possuem propostas e projetos consistentes. E Marina ainda sente o golpe do massacre montado pelo PT/PSDB. Continua com uma postura vacilante e incapaz de cortar o cordão umbilical com Lula. O excesso de respeito dela com Lula tira dela a confiabilidade de quem não quer mais governo e lhe falta coragem para assumir e se aliar às vozes das ruas. Estamos em uma enrascada. O negócio é torcer.
  • Lembrei de Weber ( a jaula de ferro). De repente é preciso aparecer uns "loucos" kkkkkk que puxem a política para fora dessa "racionalidade" e nos possibilitem uma outra situação. Quando a razão vira uma jaula de ferro, só um surto visionário pode trazer a desordem necessária para fugir da jaula e abrir um momento novo. Estou brincando, mas esse vazio é assustador e a qualidade da densidade moral da grande maioria dos que estão ocupando as cadeiras no Congresso é de desanimar. Terrível.
  • PS. Por mais que tudo isso tenha antecedentes, a culpa e a conta do PT diante de tudo isso que está acontecendo é altíssima. A parcela de responsabilidade do PT é inegável sob todos os ângulos. Lula, depois da crise do Mensalão de 2005  (salvo por Sarney), saiu da Presidência,em 2010, com 83% de aprovação. Sua aprovação em São Paulo chegou a 79%. Durante a crise de 2005 Lula lançou um pacote anti-corrupção, que foi enviado ao Congresso. Pacote que não foi votado. Pois, após ter escapado do mensalão Lula não fez absolutamente nada para que esse pacote fosse votado. Igualmente não fez o menor esforço para que ocorresse uma reforma política. Isto é, A partir de 2008 Lula e o PT tiveram todas as condições para fazer reforma política e melhorar a legislação anti-corrupção e não fizeram. Tudo estava a favor, mas o PT e Lula, no auge de sua vaidade e narcisismo, resolveram deitar e dormir na mesma cama com o perigo. A lógica e a sede de poder que passou a prevalecer no governo e no partido suplantaram todos os projetos políticos de ampliação de democracia, defesa da coisa pública e cidadania. Além disso, passou a exaltar o aumento do consumo como se o paraíso do cidadão fosse exclusivamente o mercado. Tem coisa mais irônica e absurda? Não há por que ter complacência com o PT e Lula  diante da forma que se colocaram e se colocam no exercício do poder. 

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...