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domingo, novembro 02, 2014

Nem só do primeiro escalão vive um governo

Foto: Autor que não foi possível identificar
Flávio Dino está apresentando e dando a conhecer as pessoas que comandarão as secretarias de estado. Resumindo: apresentando o primeiro escalão de sua equipe de governo. De forma cadenciada e fazendo uso das redes sociais, o governador eleito do Maranhão, vai publicando os nomes para cada pasta. Vale registrar que é uma inovação. 

Dentre os nomes apresentados, até agora, nada que beire o esdrúxulo, o bizarro e que suscite grande temeridade. Alguns são para atender os acordos de campanha e alianças, mas sem problemas. Alguns serão figuras só de representação da pasta e terão tarefas basicamente protocolares. Por qual motivo? Por falta de domínio, por não serem especialistas na área etc. Porém, isso não é um problema em si, não significa que a pasta não terá bom desempenho. 

Todo mundo sabe que a eficiência e a eficácia em cada secretaria serão atingidas ou não dependendo do grau de conhecimento e empenho da equipe constituída. Logo fica evidente a importância das indicações para o segundo e terceiro escalão. Sem pessoas com boa qualificação técnica e empenho na composição desses escalões os secretários, por mais bem intencionados e preparados que sejam, não vão obter grandes resultados. É importante ter clareza da necessidade de formar equipes com conhecedores efetivos dos problemas de cada área. Tem que ter pessoas que carreguem o piano, que saibam o que  o piano é e o que fazer com ele. O risco de reunir grandes formuladores sem reunir o número adequado de executores é sempre grande. O ideal é ter o formulador/executor, mas isso é raro. 

Enga-se quem acha que tudo vai funcionar bem apenas com um extraordinário chefão. Segundo escalão e terceiro escalão formam uma zona problemática administrativamente e politicamente. Por serem dotados de maior número de vagas as indicações carregam, em geral, uma excessiva flexibilidade e relaxamento de critérios técnicos. Ainda mais por ser a zona de acomodação da grande demanda de cargos, oriundas de contas eleitorais e partidárias. 

Vamos aguardar os escalões mais a baixo e ver o rumo das coisas. Fica a torcida pelo acerto. 

sexta-feira, novembro 02, 2012

O botequim do horror da mesquinharia partidária.

FOTO: Pulsar.


Muitos estão fingindo.. que é café pequeno o horror implantado pelas facções criminosas (bandidagem) em São Paulo. Grupos de criminosos resolveram subsumir a Ordem Constitucional e social existentes com ataques terroristas, com uso de técnicas de guerrilha urbana. A população vai ficando, a cada dia, mais aterrorizada e refém da insânia desses agentes criminosos. O governo estadual, para manter sua auto-estima partidária, vergonhosamente rejeita o auxílio do Governo Federal, como se o Executivo Federal fosse propriedade de uma legenda e que sua competência, constitucionalmente estabelecida, fosse programa partidário. 

Isso é claro exemplo da total incapacidade dos "políticos" atuais de terem visão pública e percepção de política de Estado. Onde estão nossos estadistas? Cada um desses indivíduos, ao assumir o Governo, deveria fazer um juramento de fidelidade pública que deixasse claro que seu desempenho deve seguir um interesse público e não meramente partidário. Partido é parte. Governo público não pode ficar resumido ao interesse partidário. Onde existe o mínimo de espaço público com uma visão meramente partidária? 

Por outro lado, estranhamente observamos um acanhamento do Governo Federal que, "diplomaticamente", não cumpriu, até agora, com o seu dever constitucional de garantir a Ordem. Onde está o serviço de inteligência da Polícia Federal? Por que as tropas federais ainda não foram acionadas e assumiram posições estratégicas na área?
A Presidente não pode achar que o respeito ao pacto federativo seja a complacência diante de atos criminosos dessa envergadura. E sobre pacto federativo devemo-nos perguntar: Qual o pacto existe hoje no Brasil? Que federação é essa? A República e a Democracia não podem ir parar dentro de garrafas de cachaça como se fossem tempero... ou apenas como atrativo na prateleira desse botequim ordinário dessa vida partidária decadente no Brasil. 

A somatória de soldados da PM mortos já atingiu a marca de 86 no ano. Além de dezenas de atentados contra transportes públicos e outros atos de horror. Estão esperando o quê? É triste ver nosso abandono, pois os criminosos perceberam que podem crescer diante da bandidagem partidária, que atenta contra a vida republica e democrática do país. Os criminosos comuns perceberam que é viável e rentável associarem-se aos criminosos sob o manto da competência institucionalizada, na margem "legal". 

segunda-feira, agosto 13, 2012

HOSPITAL CARLOS MACIEIRA: ONDE HÁ FUMAÇA E FOGO NÃO HÁ SAÚDE


O Maranhão vive uma enfermidade pública, o que seria a res publica está em estado terminal. Não há um só culpado, um só grupo. Só falácias e a incapacidade de ver a realidade para além da ilusão da transparência que consegue não perceber um certo contínuo entre esses diversos grupos que competem pelo poder. Exceções existem, mas bem a baixo do centro da disputa. Não são forças efetivamente competitivas e de máxima influência na sociedade.

No Núcleo da classe política maranhense conforma-se uma certa homogeneidade e indistinção. Basta ver os que ocupam as 217 Câmaras Municipais, as 217 Prefeituras. O posição existe, mas aquela técnica: os que não estão no governo. Porém, a oposição Política ao modelo de exercício de poder vigente ainda não tem face, forma e mínima organização. Isso salta aos olhos nos períodos eleitorais, quando a rinha das vaidades e projetos estritamente pessoais são sobrepostos aos elementos de composição e consenso em torno de projeto Político, onde possa preponderar o interesse público. A carência de indivíduos na condição de pessoas públicas (homens públicos) é um dos componentes dessa enfermidade. O Estado encontra-se, em todos níveis de poder, pilhado e tomado pelo patrimonialismo, familismo e privatismo... Virou um entende depositário de todos os vícios e viciosos.

Hospital onde tem fumaça e fogo, tem o dinheiro público queimando. Nossos direitos de cidadãos ardem na fogueira da ausência de efetividade. O estado patológico dos ocupantes do poder também é de altíssima complexidade. A fagulha para acender esse fogo é um composto de vaidade, falta de humildade e descompromisso público. Como sempre o combustível para alimentar as chamas é o erário. A cidadania não pode ter outro assento a não ser as cinzas. 

Acidentes ocorrem, tragédias e o acaso existe, mas a falta de equipamentos e um sistema básico contra incêndio não são obras do acaso, mas da irresponsabilidade administrativa. Por que o “gestor” não fez e/ou não tinha conhecimento? A ÁGUA QUE FALTOU PARA APAGAR O FOGO É A MESMA QUE FALTA PARA OS CIDADÃOS BEBEREM. O NASCEDOUROU DA TRAGÉDIA TEM OS MESMOS COMPONENTES. Caema e Saúde são reféns da mesma altíssima complexidade que nos assola. Torço para que a situação clínica dos pacientes que estavam no hospital Carlos Macieira, no momento do incêndio, não tenha se agravado. Que nenhum deles piore de saúde. Porém, como cidadão comum, penso  também nos custos que isso produzirá para os cofres públicos, principalmente com uma provável "nova" reforma. Existe no meio político uma expressão que diz: fogo amigo. 

Não podemos aceitar como normais Hidrantes sem água, falta de sensores e um alarme que possibilite a saída de dentro do prédio o mais rápido possível. A saúde está mal. Nos municípios do interior e na capital, onde os Socorrões viraram sinônimos de horror. A saúde na órbita do governo estadual é tão sólida quando a fumaça que subia do incêndio no Hospital Carlos Macieira. Hospital que bem antes do incêndio já estava encoberto de nuvens escuras, em uma total in- transparência sobre sua situação. Esse hospital faz ou não faz parte do patrimônio público? Por que deixou de ser o hospital dos servidores públicos? Se não é, como e em que circunstância passou ao patrimônio privado? Onde foram parar os milhões anunciados para reforma do hospital? Ninguém incluiu nessa reforma o sistema de segurança do prédio? Em um hospital de altíssima complexidade não ter detector de fogo e fumaça nos corredores e ambientes? É estranho, no mínimo. 

Realmente é um hospital de altíssima complexidade.. ao ponto de não nos deixar transparecer o que ocorre ali verdadeiramente. Tão complexo que os bombeiros e voluntários encontraram inúmeras dificuldades para controlar o fogo e resgatar os pacientes.

Desse complexo nos resta a simplesmente e pura miséria. Isso é politicamente e moralmente vergonhoso. Não merecemos mais isso.



sexta-feira, julho 06, 2012

Os que trabalham e não recebem vantagens


Hoje foi um belo dia. Passei a tarde vendo como pessoas trabalhadoras empenham suas horas para sobreviverem pelo próprio esforço. O comércio de alimentos tem sido uma grande fonte de renda para milhares de pessoas em São Luís. São pequenos empreendedores, cidadãos que resolveram montar seu negócio em busca renda. Essa atividades, somadas, em cada bairro, garantem ocupação e rendimentos mais que os "grandes" projetos instalados no município. No entanto, não encontramos ações governamentais que melhore as condições dessas atividades, abrangendo instalações, capacitação e condições sanitárias. A maior parte é feita no improviso e de forma precária. Porém, não falta boa vontade e determinação para conseguir sobreviver mais dignamente.

quarta-feira, junho 27, 2012

Ruídos no ninho



Hoje FUI tomado de surpresa pelo jornal da Mirante, do meio dia. Motivo: notícia sobre o pronunciamento do Deputado Cutrim. A âncora disse: "Abre aspas". Ao informar o conteúdo do pronunciamento do deputado e, em seguida fez a citação: "moleque". Isso foi o tratamento e qualificação dada pelo deputado ao secretário de segurança do Governo Roseana. 

Isso tudo aconteceu na Tribuna da Casa Legislativa do nosso estado. O parlamentar ainda teria dito, segundo a citação da apresentadora: "na bala". Essa afirmação para dizer como resolveria uma situação sem recorrer a intermediários. É preciso dizer que estamos diante uma versão da emissora citada. cabe uma verificação nos registros taquigráficos da Assembleia. 

Não é do meu interesse discutir "a bala" ou as supostas acusações endereçadas ao ex-secretário de Segurança. Isso é de competência da polícia e da justiça. A proposta aqui é da consequência política do pronunciamento. Primeiro, se foi em tal tom e com tais adjetivos divulgado pela imprensa... cabe perguntar sobre quebra de decoro, houve ou não?. Ao deputado compete tanto legislar como parlamentar (do francês   parlementer), no entanto, essa última prerrogativa não pode ser efetivada na foram de xingamento. Compreensível indignações e exaltações, mas o Parlamento necessita de decoro. O confronto em debate tem que se servir de argumentos, reflexões, análises, críticas etc. em linguagem tratada, para que o discurso não fira o que representa a própria imagem da soberania popular.


O outro filigrana desse discurso de Cutrim é que isso afeta o Governo, a Governadora e a liderança do Senador Sarney. Teria o deputado anunciado sua ruptura com o grupo e enveredado pelo caminho do anti-sarneísmo? Isso não foi declarado de forma direta, mas  olhando a marca deixada, figura como um claro não-crédito às qualidades políticas da Governadora e uma forma de medir força com o Grupo Sarney. Por quê? 


O governo de cada estado-membro segue o modelo presidencialista, onde o  Chefe de Estado também é Chefe de Governo. A competência do Executivo é da Governadora, ela nomeia e forma sua equipe de governo. Se o secretário de Segurança é de tal nível, cabe à Governadora responder por sua nomeação. Qual e que tipo de Governo nomearia um "moloque" para uma pasta tão importante?


Quero crer que foi um deslize verbal sob o calor da emoção, pois põe em xeque não só a qualidade política-administrativa da  Governadora, mas também a do Senador Sarney, tendo em vista que o secretário de segurança é uma pessoa de sua confiança e tem serviços prestados à família. O líder Sarney não manda mais? Perdeu o comando e seu grupo está fragmentado ao ponto de um de seus membros poder levantar a voz em tom de desqualificação a um outro do grupo? 


O Governo é composto de "moleque"? O sarneísmo sempre teve uma marca: comando. Isso associado às balizas de negociação e acomodação dos interesses dos seus membros. Ninguém desqualificava ou expurgava alguém sem o aval do comandante. 


Porém, amanhã será um novo dia... talvez o deputado faça algumas recolocações que enalteça o Governo Roseana. Se nada disso ocorrer... o roteiro vai seguir seu curso de ruídos no ninho. 


A capacidade de identificar quantidade faz parte do senso de quantificação, mas isso não quer dizer que haja contagem. Diversos animais possuem senso de quantificação, mas não sabem contar. Contar é uma coisa mais elaborada... Isto é, não é obra pura do instinto.



domingo, junho 10, 2012

400 anos e o Império do atraso: São Luís



Caminhão-pipa sendo abastecido em poço na estrada da Maiobinha. Detalhe: Ao lado passa um rio que está todo poluído de esgoto.  
A questão é: Quem está  fiscalizando a qualidade da água distribuída pelos caminhões pipas? 
Qual o critério utilizado pela Caema para entregar essa água? 
Na foto maior o carro estava no Cohatrac IV.  
O certo é que o grande negócio do século XXI em São Luís é carro-pipa... apenas trocamos os jumentos pelos caminhões.. as pipas e os burros permanecem!

domingo, maio 13, 2012

Brasil todo se ardendo para a Copa

Foto: Francisco Araujo
Até agora as preocupações sobre a Copa são de ordem de engenharia, precisamente sobre as construções dos estádios. Não é para menos. Futebol é jogado em um campo e, em futebol profissional, ele fica no interior de um estádio. Ok. Tudo bem! Mas um evento dessa magnitude tem que oferecer muito mais de estrutura. Ou será de infraestrutura? 

As condições de funcionamento da Copa estão para além dos estádios e os problemas emergem a todo instante. No Rio, a capital turística brasileira, endereço do maior templo do futebol: o Maracanã, saltam aos olhos o descompasso do processo de organização e estruturação para dois eventos grandiosos, a saber, Copa e Olimpíadas. As melhorias nos transportes, até agora, não ganharam nenhuma efetividade. Os hotéis estão praticando preços imorais e, para completar o encarecimento do Rio, apareceu uma taxa turismo.

É isso. Se você for para a maravilhosa cidade do Rio de Janeiro vai constatar que os hotéis estão cobrando a "mágica" quantia de R$ 2,00, denominada de taxa turismo.  Para quê? Para melhorar o Rio, diz a atendente. Ótimo, que bom! Isso pode? Pode. É a lógica dos pedágios. Você é livre para ir e vir, desde que tenha dinheiro para passar. 

Na prática quem chega hoje no Rio, além do dinheiro que inevitavelmente vai ter que deixar com alimentação, transporte, hospedagem etc., vai pagar só por ter a ousadia de ter ido lá. É uma nova modalidade de incentivo ao turismo. O Rio vai melhorar com essa contribuição do visitante. Assim pensam os donos do poder. No fundo, a regra do "pedágio",  inúmeras vezes imposta por foras-da-lei, em diversos bairros de n cidades brasileiras, parece ter ganho uma via institucional de existir. Enquanto isso, na sala de justiça, o Rio continua lindo, mas onde sempre foi lindo, e só! 

Na Lapa houve mudanças na ocupação e exploração dos imóveis, atrações e empreendimentos novos surgiram. Não significa que as medidas foram acompanhadas de compensações. Alguns moradores de cortiços estão "residindo" na rua. Ainda são muitos os "moradores" de rua nessa área. Por outro lado, não há como negar que setores de classes médias estão frequentando os bares e restaurantes lá instalados. Se é só uma moda ou algo parecido, só com o tempo isso poderá ser revelado. Até agora a revitalização está baseada mais na ideia de "higienização", que é produzida com ações de expulsão dos considerados "socialmente indesejáveis' para os negócios. 

Mas, lá mesmo na Lapa, os banheiros químicos instalados contradizem a lógica da campanha contra os que urinam na rua. Os banheiros não estão recebendo manutenção adequada e são verdadeiros purgatórios de plásticos. Você entra e perde todos os seus pecados lá dentro. Sujeira total! 

Os principais pontos de atração e comércio estão menos perigosos, hoje o risco mais constante são os puxadores ou batedores de carteira, que pegam alguma coisa da vítima e saem correndo. Porém, esses indivíduos estão sob a pressão constante do famoso "cerol fino". 


Essa maior segurança carioca está baseada na alteração do controle da territorialidade, onde grupos e sujeitos específicos são deslocados ou empurrados para locais mais distantes. Produzindo alterações e desarticulações de atividades consideradas perigosas e potencialmente produtoras de violência. Vide as comunidades pacificadas, onde o tráfico e os traficantes foram forçados a assumir uma outra dinâmica e  outros modos de operar, a partir de uma situação de  desarmamento e presença ostensiva dos aparelhos repressivos do Estado. 


Os traficantes continuam nessas comunidades pacificadas. Os que foram mostrados pela televisão correndo em fuga, não eram do Alemão, mas de outras comunidades que tinham ido se refugiar lá. Os operadores nativos mais graduados da comunidade se evadiram antes e durante a ocupação e os operadores menores, os "sem ficha na polícia", ficaram quietos em casa. Vamos dizer que agora virou um tráfico "pacificado". No entanto, não se pode negar a existência de uma satisfação na maior parte da população. O comércio tem melhorado nessas áreas. Mas, o poder público ainda precisa atuar mais nessas áreas para garantir os serviços essenciais aos cidadãos. Enfim, o espaço para outros negócios lícitos foram abertos nessas áreas. Vide o teleférico do Alemão, que virou atração turística. 


Bem, quanto a parte que sempre foi linda, está tudo lindo. Em Copacabana, uma das prais mais famosas do mundo, os quiosques da orla estão novinhos e em diversos pontos foram instalados banheiros novos, subterrâneos. Os postos de observação do salva vidas também estão reluzentes. Isto é, continua lindo e como mais segurança. presença constante da Guarda municipal no Calçadão. Aí é ir e curtir. É zona Sul. 


Fora desse mundo da especifidade do brilho carioca, temos diversas obras em passos lentos como a Transcarioca, que visa interligar a Barra ao Galeão. Os telefones públicos viram painéis de propaganda de prostituição com fotos explícitas de sexo. Sendo que a maioria desses aparelhos estão só enfeitando a paisagem. O sinal de telefonia móvel é péssimo. Hoje, em pleno domingo do dia das Mães, a rede só dá "sinal" de ocupada. Só aí já possível ver o quanto ainda precisa ser feito além de estádios. 



segunda-feira, fevereiro 27, 2012

MÍNIMOS A MAIS: ACORDA RAINHA.



Acorda, Rainha! Levanta e vem tomar café!
O Maranhão tinha tudo para ser um dos grandes, mas ficou só no “podia ser”. A rainha dorme e o Estado todo tem pesadelo. Por que INSISTIR com o mais do mesmo?

Desde a década de 50  Maranhão vem perdendo o ritmo de conjugação entre desenvolvimento, crescimento e qualidade de vida. Nas décadas 80, 90, 2000 o Maranhão entrou em profundo processo de descompasso, até mesmo diante dos demais estados da região Nordeste. Isso lhe rendeu ser alçado ao posto de estado da miséria.

No Maranhão, agudiza-se uma forma geral de administração “pública” pautada no não-fazer, não-manter e pilhar. Bem aquém da fórmula malufista do rouba, mas faz. Coisa duplamente lamentável. Trata-se de uma geração de políticos sem causas e sem princípios, que entram e saem sem projetos, sem propostas consistentes de interesse público. O mais alarmante que a média do nível de escolaridade tanto dos prefeitos como dos vereadores vem aumentando. São descasos e desonestidades de notórios bacharéis.

Proliferaram “cidades” e espaços “urbanos” ao gosto e ao interesse umbilicais de pequenos grupos que transformaram a coisa pública em negócio privado. Criaram municípios para a promoção dos seus próprios benefícios, como empresas ou empreendimentos privados, cujo objetivo é saciar a vaidade de alguns egos e a ganância do lucro fácil. Há um verdadeiro vazio em termos de Intervenções urbanísticas nessas localidades.

Criar municípios virou um bom negócio e assim foi criado o mercado da municipalização e da criação de novos municípios. Aumentando de forma exorbitante o custo público-administrativo e diminuindo os recursos para o Estado fazer investimento social. Ao invés de mais escolas, hospitais, saneamento, transporte, segurança, habitação etc., cria-se mais cargos comissionados, gastos com folhas de pagamento, manutenção de prédios, gabinetes etc. Sangria do erário...

Campos de pastagens foram invadidos de forma desordenada e não planejada, construções de prédios meramente para figurar como prédios da administração pública, formar um cenário de cidade e do urbano. Logo o que era fazenda vira “cidade” e “perímetro urbano” todo não passa de um cenário teatral. 

Localidades que não passam de um povoado ou distrito são irresponsavelmente batizadas de “cidades”.  Aí mora uma lacuna na estrutura política-administrativa, no texto Constitucional da nossa república Federativa, e que os mestres da pilhagem do Estado estão deitando e rolando. 

Magicamente surgem, em municípios miseráveis, sem capital produtivo, inúmeros milionários. Todos ligados ou agarrados ao poder público. 

O que há de consistente em termos de projetos e programas para reverter os dramas que são gerais, que persistem em todo o estado do Maranhão (miséria e falta de saneamento básico e educação, em cada um dos municípios)? Nada.

O Maranhão tem enormes potenciais em termos de geração de renda e produção de riquezas. O potencial turístico é enorme, mas além da distância (o problema maior é a falta de eficiência dos transportes e preço vantajoso) tem inúmeros entraves por falta de governo, políticas públicas focadas na alteração da situação.  Esse setor é importante para aumentar a empregabilidade e a renda da população. Porém, o que está sendo feito para impulsionar e elevar o patamar da indústria turística do estado? Nada! Ações incipientes e temporárias. 

A erradicação da miséria no Maranhão precisa ser encarada como política prioritária de governo, visando elevar a qualidade de vida, educacional, de saúde e renda de uma massa significativa da população. Cujos resultados deverão incidir sobre a elevação da renda per capita familiar, do potencial de mercado, maior qualificação da mão de obra, maior índice de empreendedorismo, elevar a produção alimentar local, elevar e diversificar a produção de bens industrializados. Além, de estruturar a indústria turística como meio de sustentação e incorporação dos arranjos produtivos locais e a inventividade social. Criar estímulos e atrativos para novos empreendimentos que aumente o uso da mão de obra local. Arranjos produtivos e cadeias produtivas articuladas em todos os municípios. 

Ora, turismo para gerar ganhos e efetivamente alavancar o PIB (Produto Interno Bruto) precisa ter investimento de infraestrutura nos locais com potencial turístico, garantindo saneamento, acessibilidade, intervenções urbanísticas e paisagísticas, incentivo de qualificação dos serviços hoteleiros, de restaurantes, de comunicação, transporte e pronto atendimento médico.

Com isso, torna-se necessário manter um calendário efetivo de eventos (variado) que case o turismo de evento com o patrimonial/arquitetônico e o ecológico. Agregar aos atrativos arquitetônicos e naturais os eventos (festivais, congressos, feiras etc.), de forma continuada. Quais os reais incentivos ou atrativos hoje existentes para que aqui sejam realizados Congressos, Convenções, Encontros nacionais e internacionais?  

Para que essas medidas tenham maior abrangência e efetividade é preciso criar polos de desenvolvimento e incremento turístico em cada região do nosso estado. Onde tem água implantar tudo que se possa oferecer em termos de entretenimento, lazer etc. a partir desse recurso. Água X, Água Y etc. Da mesma maneira fazer com todos os outros recursos disponíveis. Incentivar a implantação de empreendimentos voltados para esse fim, como parques temáticos, eco-parques  etc.

Os arranjos produtivos locais podem e devem ser inseridos na indústria do turismo, visando maior empregabilidade, elevação da renda familiar e capacidade de consumo dos indivíduos (variado). O mercado interno não oferece grandes chances aos investidores com esse índice alarmante de renda abaixo de 02 salários mínimos. 

Torna-se necessário dispor de projetos e programas que agreguem valor aos produtos dos arranjos produtivos locais. Ter foco nas tecnologias sociais e articular redes de produtores, visando distribuição, escoamento e cooperação. Envolvendo todos: doceira, costureira, bordadeira, marceneiro, carroceiro etc. para que cada um desses trabalhadores obtenham  ganhos reais com os negócios do turismo. Isso não ocorre sem a valorização dos seus produtos, apoio às atividades desenvolvidas localmente e treinamento. 

Até hoje os grandes empreendimentos existentes no Maranhão não provocaram nenhuma horizontalização da produção que incorporasse uma quantidade significativa da mão-de-obra ao emprego formal. Eles não provocaram um choque de redução da mão-de-obra ociosa, de redução de baixos salários e da pobreza.

Além disso, esses grandes projetos, especialmente Vale e Alumar, não contribuíram para beneficiar os produtores locais através de suas cadeias produtivas. Nem cabo de baladeira e furador de coco d’água se produz com o alumínio processado pela Alumar em São Luís.  Não existe uma só fábrica que produza algo aqui com esse alumínio. Os fazedores de grelha e fogareiro de alumínio estão é desaparecendo.

A empresa Vale não atraiu nada de significativo para as cidades impactadas pela estrada e pelo transporte de minério de Carajás. Seus programas de apoio e de responsabilidade social junto a essas comunidades são irrisórios em comparação a grandiosidade dos seus lucros e participação no mercado internacional. 
Essa duas empresas investem menos aqui do que em outros países e outros estados em que se fazem presentes.

É preciso rever isso enquanto política de governo, o governo estadual deve comprometer essas empresas em um programa estadual de combate à miséria, de elevação educacional e incremento do turismo. Alumar e Vale deveriam oferecer recursos e técnicos para atuar no desenvolvimento desse programa.  

Existem tantas outras coisas, mas não é viável descrever e analisar aqui... Só queria registrar minha indignação com essas secretarias de Turismo, Cultura etc. Inconcebível essa inércia e esse desperdício de potencial.  

Rainha, por favor, acorde! Tome um café e pare de nos torturar com esse pesadelo oriundo do seu sono. Se ainda resta alguma caridade e alma nesse corpo faça algo pelo povo desse estado. É irritante ver todo dia uma notícia sobre índices negativos do Maranhão.  

Vou tratar agora só de São Luís.

Para não deixar que esse quarto governo fique registrado apenas com o do fatídico desfile dos 400 anos de São Luís encenado pela escola de samba Beija-Flor e a promessa não cumprida dos 72 hospitais, faça algo por São Luís. Mínimos a mais nos seguintes pontos:

01-    Obras de adequação e melhorias dos elevados e rebaixamentos feitos pela senhora nas rotatórias da Cohama, Cohab, Alcione Nazaré;
02-    Construção de elevados na Rotatória do Aeroporto, da Forquilha, Calhau, Olho D’Água, Madre Deus;
03-    Ponte interligando Recanto Vinhais ao bairro da Alemanha;
04-    Duplicação da Estrada da Vitória no trecho entre o hospital Sarah Kubitschek e a Av. dos Franceses;
05-    Nova Ponte sobre o Rio Anil no Caratatiua;
06-    Criar 03 vias de interligação entre as estradas (MAs) da Maioba e de Ribamar;
07-    Construir uma Avenida da Rotatória da UEMA até a estrada de Ribamar;
08-    Duplicar a estrada da Raposa;
09-    Criar acostamentos e ciclovia em trechos da estrada da Maioba;
10-  Concluir a reforma da Biblioteca e fazer uma nova Praça do Panteão;
11- Criar um programa de revitalização da Praia Grande instalando diversos cursos universitários nos prédios lá existentes (universidades públicas e as faculdades e universidade privadas);
12-  Intervenção do traçado da Avenida Litorânea, dando um melhoramento paisagístico e criando novas praças, com parques infantis. Arborização e jardinagem em alguns trechos e a criação de uma ciclovia extra;
13-  Higienização e novo terminal da Fonte do Bispo;
14-  Tornar o Aterro do Bacanga útil para a cidade. Fazendo a área ser uma referência de espaço de lazer, eventos, de atração turística etc. Coloque um mirante lá para o turista ficar olhando do alto o Centro Histórico e a baía de São Marcos (vejam o que foi feito em Belém);
15-  Implantar um trem de superfície para transporte urbano nas áreas de maior concentração: Itaqui-Bacanga, Cidade Operária, Maiobão;
16-  Criar estrutura para visitação (trilhas, postos de educação ambiental, bebedouros, sanitários, pontos de observação) nas Reservas do Rangedor (trilha para caminhada etc.), Batatã, Itapiracó;
17-  Construção de um Novo Mercado Central (parceria com a prefeitura);
18- Transformar o antigo prédio do Colégio Maristas em uma Escola Superior de Administração Pública, abrigando diversos Núcleos de Desenvolvimento de Políticas Sociais e Culturais. 
  9- Escolas de tempo integral devem ser feitas nos bairros, nos locais onde existem demandas, onde os jovens moram. Principalmente nos bairros mais pobres;
110- Implantação de Jardins Filtrantes para tratamento de esgoto, nos moldes dos implantados em Nanterre, próximo de Paris. Façamos um parque aos moldes do Parque Chemin de I’lle. Em uma só obra você tem tratamento de esgoto e atração turística.  
 11-  Do lado do rio Anil, parte do São Francisco em frente ao palácio dos Leões, naquela ponta, às margens da Av. Ferreira Gullar, onde hoje é só palafita podia ser urbanizado com a construção de um centro cultural e mais uma torre para servir de mirante. O centro cultural seria um complexo com concha acústica, teatro, biblioteca digital, espaço para escolas de dança, teatro, cinema/foto, música etc., galerias para exposição e cafés.
12- Implantar uma política agressiva de atração de empreendimentos para a cidade. Acabando com esse ágio de 40% e liberar para todo mundo que queira investir aqui. Se esse mar de gente que vive com renda entre 0 - 3 salários for reduzido em 20%, graças à elevação de salários, o mercado interno vai bombar e os shoppings chegarão ao paraíso. Vocês ganharão horrores de grana. 
13-  Ampliar a Av. dos Holandeses, e a Jerônimo de Albuquerque no trecho Angelim retorno da Cohama;
 14- Higienizar o Mercado da Praia Grande (parceria com poder municipal);
15-  Instale nos bairros as academias ao ar livre. Faça as praças. Já existem aparelhos para exercícios físicos ao ar livre; 
16-  Instale uma usina de processamento de lixo. Incentive a inciativa privada a investir na reciclagem; 
17-  Implante uma agenda cultural com eventos itinerantes nos bairros e eventos permanentes em alguns pontos turísticos e de grande concentração de pessoas; 
18-  Transplante para alguns canteiros centrais das avenidas ipês-amarelos, angelins etc. Essa cidade precisa ter árvores, flores etc; 
19-  Melhore a rua Grande, revitalize toda a área, com fiação subterrânea, iluminação especial, incentivo para que todas as lojas tenham vitrines adequadas aos casarões, segurança especializada para essa área. Para que o espaço possa continuar sendo frequentado durante a noite (isso não vai falir os shoppings); 
10- Coloque em funcionamento as tais estações de tratamento de esgoto "já existentes"; 
11- Melhore as condições de abastecimento de água: o Italuís; 
12- Retorne o Hospital do Servidor para seu local de origem. É só melhorar e ampliar; 
13-  Faça passarelas cobertas, com rampas e iluminadas na frente dos shoppings (cadê a compensação?); 
14-  Deixe uma marca arquitetônica e paisagística na cidade, como retribuição mínima a esse povo que aguentou pacificamente vocês no poder durante 50 anos. Chega de inércia! Depois vá curtir seus netos e deixe a gente em paz! 

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Ilusão de carnaval que custou 9,5 milhões!

Foto capturada na internet. Autor: Preston (?)

TEXTO enviado por Laíse Frasão* :


"No tempo em que se amarrava cachorro com linguiça era conhecido como Capitania do Grão Pará. Com o desmembramento virou Maranhão. Hoje ostenta o título de estado mais pobre do país. Tem o maior número de analfabetos e de desigualdade social. É a terra do latifúndio, falta dinheiro para tudo, educação, saúde e o saneamento básico é uma miragem na capital São Luis. A atual capitã donatária do Maranhão, pertencente ao clã dos Sarneys, atenta a todo o drama social, resolveu investir 2 milhões de reais no desfile da Escola de Samba Beija-Flor, do Rio de Janeiro. Segundo ela é um investimento importante porque vai trazer turistas para a capital" 


Tudo que foi supramencionado pelo respeitado escritor e jornalista Heródoto Barbeiro está correto [e como está!], com exceção de uma informação: não foram "apenas" 2 milhões, mas sim 9,5 milhões.

Tal "investimento" foi justificado por meio de um batido e tortuoso discurso, que visa, na verdade, exaltar a própria vaidade da queridinha do Sarney. A filha do presidente do Senado Federal, José Sarney, afirmou: “Nosso [o do clã Sarney] objetivo é fortalecer o Carnaval e a cultura maranhense. Apoiar o desfile da Beija-Flor é uma maneira de ampliar a divulgação da cultura, das belezas e riquezas do nosso estado para todo o país, com a expectativa de atrair renda e emprego através do fortalecimento do turismo. A partir dessa iniciativa, os próximos carnavais deverão ser ainda mais empolgantes, com nossas brincadeiras tradicionais ganhando destaque e se consolidando no cenário nacional”.

Agora uma pergunta que fica no ar... como este desfile, que por sinal não fez menção aos 400 anos da cidade, sequer destacou outras manifestações culturais do nosso estado [partindo do pressuposto de que não existe nada além do bumba-meu-boi], ou mencionou grandes nomes do nosso cenário artístico e cultural como, por exemplo, Antônio Vieira e João do Vale, irá fortalecer o potencial cultural e turístico do nosso Estado?
A Beija-Flor vendeu uma história tão falsa quanto as propagandas do PMDB! 
Como um samba-enredo fraco e mal fundamentado do ponto de vista histórico e cultural pode trazer tantos benefícios? ou melhor benefícios para quem???
A prova disso é que mesmo com tantas notas 10 [e muitas outras notas de 100,00 que rolaram] a Beija-Flor não levou o carnaval como sonhou o clã Sarney e ainda fez um triste carnaval que refletiu uma triste realidade.
Quando um turista vem ao nosso Estado o que ele encontra não é a beleza do bumba-meu-boi em cada esquina, ou o melhor português do Brasil...mas sim é confrontado com a pobreza, fome, falta de infra-estrutura e uma fila de analfabetos. 
Quantos benefícios poderiam ser repassados para comunidade maranhense com este dinheiro...
Você está em casa, torcendo pela Beija-Flor...achando magnífico tamanha homenagem, chegando a ter orgulho da atitude da sua Governadora!
Enquanto isso, várias famílias gostariam de ter apenas o que comer em casa, ou melhor, ter uma casa!
O povo do Maranhão não mora em casa de taipa porque quer, como afirmou o sr. Murad, mas sim porque nós permitimos que nossos representantes gastem 9,5milhões com alguns poucos e com uma ilusão de carnaval.


* Laíse Frasão
Maranhense, graduanda de Arquitetura e Urbanismo -  Universidade de Brasília (UnB)

sábado, fevereiro 18, 2012

A Beija-Flor-Sanguessuga e Dom Quixote: um encontro marcado no nem-tanto imaginário

Foto: Francisco Araujo


Dom Quixote vai ficar em casa como guardião das coisas, das pequenas coisas, das ínfimas coisas, das coisas inexistentes...
Dom Quixote vai ficar em casa para que os loucos de Momo não lhe estraguem sua armadura com pó de talco e maizena...
Dom Quixote vai ficar em casa para não ver seu escudo perfurado por ataques de confete e para resguardar seu pescoço das forcas de serpentinas...
Dom Quixote vai ficar em casa, porque os foliões da beija-flor-sanguessuga, que desfilarão à custa do cofre público, poderão roubar também sua lança...
Dom Quixote vai ficar em casa. Qual casa? A casa imensa da imaginação, cujos jardins floram pássaros e o chão é gramado de estrelas...
.......
No futuro próximo os historiadores grifarão esse desfile com títulos mais ou menos assim: O Desfile da Governadora, Da Oligarquia, ou O Carnaval do Mandão etc. O certo é que ele celebra não a genialidade carnavalesca de Trinta, em Carnaval João foi consagradíssimo em vida. Nada será para ele, com certeza, mas para os que ficam e sobre sua obra querem fazer barganhas.

Vai estar na ex-capital do Brasil, no sambódromo, a exposição de um Luxo constituído da mais perversa miséria já imposta a uma unidade federativa; produto lapidar da mais escancarada insanidade do poder desde a fundação da Republica. Puro devaneio, vaidade da mais longa oligarquia republicana e do mandão mais poderoso de toda a história do Brasil. Verdadeiro absolutismo sobrepujando o civismo republicano, o Estado de Direito e a Democracia. Uma família que se colocou acima da lei e que coage todas as autoridades constituídas. Não são investigados, não são condenados, nada versos nada. A tudo podem. Os cargos do Legislativos e do Executivo tratam como coisa de família e estabeleceram sobre eles uma sucessão hereditária e semi-vitalícia. Ninguém nunca teve tanto poder de mando e desmando.

A Escola Beija-Flor de Nilópolis vai para passarela com uma ajudinha “oficial” dos cofres públicos do Maranhão no valor de 10 milhões reais. Vergonhosamente os 72 hospitais prometidos, durante a campanha da governadora Roseana, não passam de cirurgia estéticas de marketing. Em uma parte são UPAs do Governo Federal e em outra são postos de saúde que até gaze e esparadrapo faltam. Somados ainda ficam longes do total prometido: 72. 


Não bastando essa falsa promessa, segue agora um processo de repassar ou FECHAR ESCOLAS em todo o estado. Os municípios, salvo exceções, todos são locus da irresponsabilidade com a educação, não só faltam escolas, as que existem funcionam em péssimas condições. O que faz o governo do estado? 


O quarto governo de da Sra. Roseana deixa milhares e milhares de crianças entregues à própria sorte. Escolas para educação e formação intelectual/profissional são fechadas no estado mais miserável da federação e, ao mesmo tempo, esse mesmo estado entrega 10 milhões para serem lançados em fantasias. Onde? Noutro estado, no segundo estado mais rico da federação, em uma "escola" de samba. Cujo líder maior é um contraventor.

Infelizmente a sangria não acaba aí. Ainda tem o Cordão Metralha, uma legião de servis, apadrinhados, encostados, agregados e tudo o mais do séquito que vão brincar bancados pelo dinheiro público, com direito a passagem, fantasia e outras coisas mais!

Porém, parece ser uma festa despedida, um atendimento de um desejo final capricho mandonista. É nítido o avanço da esclerose múltipla que recai sobre esse mandonismo. É o baile do desvairo da decadência. Mas não sem danos, sem acrescentar sofrimentos e prejuízos ao povo. Até o final eles imporão miséria e praticarão vinganças.

Podem bailar à vontade, pois a hora é do FIM!

“Eles passarão...” nós passarinhos... (mudamos: “Eu passarinho...” de Quintana)

segunda-feira, janeiro 30, 2012

O INFINITO REDUTO DA PERVERSIDADE


O mapa do Inferno de Dante.................... e um mapa parecido


As sociedades modernas cresceram perseguindo os ideais de controle e previsibilidade. Particularmente isso foi ocorrendo através das crenças. Crença na força da Razão e na Ciência, além da defesa universalizada da igualde perante a Lei. Quanto a esses ideais e crenças são inúmeros os insucessos registrados e apontáveis em diversas áreas, mas também é possível destacar e sinalizar  os êxitos obtidos, principalmente nos espaços que serviram de geradores do Mundo Moderno. 
Por mais plausível e pertinente que seja a crítica, não há como negar conquistas e avanços produzidos com a Modernidade. Para tal, basta tomar como referência as mudanças ocorridas em uma mesma região de igual base cultural. Isso possibilita ver sem negligenciar as particularidades culturais e históricas em que estão envolvidos os países e nações. Comprovado é o fato que países e diversas regiões atingiram determinados patamares de sociabilidades e padrões de vida qualitativamente diferenciados aos que  eles já tinham experimentados em momentos anteriores de suas histórias. Por exemplo, alfabetização da grande maioria da população. 
Portanto, não significou melhoria só pelo montante da acumulação de capital, nem por montante de riqueza obtida por alguns desses países, mas também por fazer vigorar crenças em valores significativos para a Humanidade, por exemplo, os Direitos Humanos, a participação cada vez maior dos indivíduos nos negócios públicos etc.

Para o novo mundo e demais regiões, a história foi diferente e nem tudo se efetivou completamente, diversos processos de transplantes não foram consolidados no mesmo patamar e grande parte desses modelos institucionais sofreram inúmeras modificações sob a égide das especificidades culturais. Alguns desses modelos nem foram cogitados a terem existência.
No novo mundo, quase como uma regra, dentro dos diversos países e regiões formaram-se ilhas ou pequenos arquipélagos com características desse processo civilizatório. Para alguns teóricos, só onde interessava à reprodução ampliada do capitalismo.

No Brasil, as diferenças regionais tomaram formas nítidas e entre os estados-membros também foram constituídas as ilhas de prosperidade, civilidade, regulamentação e previsibilidade. O maior montante desse sucesso coube à região centro-sul.

Passaram-se os anos e alguns estados nordestinos consolidaram algumas cidades e localidades com um mínimo de acúmulo de qualidade de vida, de serviços e dinamismo econômico, dinâmica de mercado relativamente autônoma do Estado.

Ora, vive-se globalmente um surto de convulsões sobre o modelo econômico e social que atingem marcos de conquistas anteriores, o que para muitos cria uma era de incertezas, para tantos outros seria uma nova etapa histórica e, por falta de outra designação, convencionaram chamar de pós-modernidade, sendo que há inúmeras visões sobre o que é a pós-modernidade e nem todos são congruentes. Para resumir: alguns pilares da modernidade deram sinais de falência ou de impossibilidade histórica de concretização universal, ou novos elementos estariam sublevando diversos espaços desse modelo civilizatório e começando a forjar uma nova realidade.  

Nesse debate surge a ideia de uma sociedade de risco. Não restringindo só ao olhar de Urick Beck, pode-se entender que ela configura o descaminho da previsibilidade e controle. Mais ainda, configura os horrores contemporâneos dos grandes centros e seus valores. Essas dificuldades, ao que parece, são mais exigências de respostas à novas necessidades do que esgotamento de tudo que existente. Parece muito mais deslocamento de categorias em termos de maior ou menor centralidade. Ou também, nos casos pontualmente extremos, a perda de centralidade e constituição de uma existência em forma de rede ou teia, onde as interdependências e simultaneidades tornaram-se um imperativo. O visível nisso tudo é que algumas conquistas e marcos civilizatórios são visivelmente ainda valorados e existem consensos para mantê-los, tanto em escala local como em escala regional e global. Isto é, algumas necessidades ainda dependem deles para serem atendidas, mesmo de forma conturbada e precária.  

Daí a possibilidade de se dizer que a situação atual tem como característica o impasse que se efetiva entre o constituído que não responde mais à novas exigências e as novas respostas que ainda não ganharam formas efetivas. O conservadorismo está presente em todos os arranjos sociais, como tradicionalismo ou reacionarismo, e esse momento histórico social não fugiu ainda dessa tendência conservadora. A crise de regulação e previsibilidade  não é um abandono social do ideal de controle e previsão. O reclame é por novas formas de realiza-los. Pois todas as formas de existência social se mostraram devedoras de algum tipo de controle e previsão. Isso para ter em resposta certo graus de segurança e confiabilidade, tornando mais viável planejar.

Não há nada então que indique que o aparato de regulação do Direito vá desaparecer e que se tornou obsoleto para o mundo, no seu todo. Tão pouco as sociedades pretendem se constituir totalmente desgarradas de tipos de regulações formais, fixas. Por outro lado nada evidencia o fim do mercado, ou relações econômicas de tipo capitalista e lucrativas. O mercado sempre esteve presente nas sociedades, em menor ou maior escala, de forma mais especializada ou mais consorciada a outros elementos estruturantes da vida, a exemplo da religião, da política etc. O salário era uma relação já existente anterior ao capitalismo e pode sobreviver em outros arranjos econômicos e de mercados. O que tem tribulações atualmente são os padrões econômicos e de mercados reproduzidos nos últimos 300 anos. Fica cada vez mais tensa e instável sua reprodução, particularmente, frente à ausência de mecanismos novos em consonância com a dinâmica atual. Em visão gramsciana: uma crise.

Pois bem, sabe-se que toda autonomia institucional é sempre relativa e que os elementos componentes de uma dada realidade estão em constante interação e propensão modificativa. Por ou lado, a realidade é constituída por inúmeros campos de valores e prioridades que são sempre assimétricos, por onde emergem formas de manifestações de poder. 

Após refletir sobre o mundo, as Américas, o Brasil, a região Nordeste... é pertinente indagar sobre o Maranhão: qual a real condição e configuração desse estado federativo do Brasil? Primeira resposta tem que ser para afastar equívocos. O Maranhão não está isolado, mas é um caso atípico no Brasil em diversos aspectos (macros e setoriais). Particularmente no que tange formas de condição a-sistêmica.

O Maranhão sofrerá os efeitos de qualquer transformação que venha a ocorrer no mundo, elas também repercutirão aqui, coisa que parece bem óbvia. No Maranhão soarão todas as crises do ambiente em que está inserido, bem mais óbvio. O que acontecer no mundo e afetar diretamente o Brasil atingirá o Maranhão, redundância da redundância. Mas o Maranhão, em alguns aspectos relevantes, só sentirá os efeitos de forma pontual e contida, com variações bem específicas. Particularmente por não ser um estado crucial para manutenção do patamar econômico do país,  pesará menos nas retrações econômicas. Aqui não é uma espaço de produção de grandes lucros do capital produtivo, não abriga os setores mais dinâmicos e lucrativos da economia nacional. Os danos maiores ocorrerão em consequência de sua dependência dos repasses da União. Basta destacar que mais da metade do dinheiro que circula no Maranhão é repasse. Isto é, esse estado é praticamente bancado pela União. 

Por outro lado, em um cenário de crise macro, o Maranhão pode ficar sob efeitos muito contidos. Porque o capital produtivo e as cadeias de grande negócios só atingem uma parcela minoritária da sociedade maranhense. Isto porque essa dinâmica econômica capitalista que envolve recursos e produção consegue se realizar sem a participação direta da grande massa da população maranhense. Isto é, essa massa-força-de-trabalho já não conta mesmo com nenhum ganho desses setores da economia, a mão de obra local não é absorvida significativamente por esses empreendimentos. Mesmo levando em consideração os tais empregos indiretos - noção bastante problemática, fenômeno de difícil mensuração e de forte ideologização - certamente eles não existem baseados somente em uma fonte provedora ou associados diretamente aos grandes empreendimentos. 

Cabe ressaltar que até o programa de transferência direta de renda do governo federal  (Bolsa Família) acontece de forma distorcida, pois tem sempre desvios de sua finalidade. Isto é, vem sendo empregado ineficazmente visando, em parte, os interesses particulares de políticos e grupos de poder (o uso eleitoral e a satisfação de parentelas e clientelas) do que promover o bem comum e desenvolvimento social. Sendo assim, se ocorrer retração dos programas de redistribuição de renda, parte significativa dos mais pobres do Maranhão não será afetado diretamente. Porque, na prática, eles já não estão recebendo benefício algum, não estão inclusos em tais mecanismos de proteção social. As pessoas que compõem esse segmento social menos favorecido já sobrevivem exclusivamente dos seus esforços e, às vezes, de alguma caridade desinteressada. Eles já sobrevivem sem tais benefícios, eles formam um segmento alter-social existente em todas as regiões do Maranhão. Eles nunca conseguem ganhar moradia, entrar nos programas sociais de erradicação da pobreza etc. Encontram sempre barreiras políticas e sociais que os impedem do amparo na forma de política pública. São invisíveis para os olhos do poder público e da sociedade envolvente. E se olharmos para os que realmente precisam do programa Bolsa Família e que conseguiram entrar no programa, veremos que esse recurso recebido, por si, é insuficiente para os fazer gozar de um patamar social significativamente diferente da posição inicial, pois o recurso recebido serve basicamente para ajudar a garantir um mínimo calórico (alimentar). Isto é, seu estado de necessidade ainda é grande e eles convivem, mesmo no programa, com inúmeras privações.   

Essa ineficácia de atender os mais pobres, em parte, é gerada por uma sistemática e eficiente pilhagem do Estado, que faz uma parcela significativa da população ser alijada de qualquer benefício social para que os recursos sejam convertidos em riquezas pessoais privadas. Isso tem contribuído para a estruturação de um Estado não-público e sob constante práticas patrimonialistas e clientelistas. O resultado concreto e imediato disso é que uma parte da população fica diretamente usufruindo de vantajosos favores estatais e, a outra parcela, a maioria, fica sobrevivendo totalmente descoberta da proteção desse Estado, em uma condição outra de "cidadania" (sub-cidadania), sem qualquer efetividade de garantias e direitos, coisas que acabam não passando de uma formalidade ficcional na vida dessas pessoas. 


Resumindo, uma crise que afete a capacidade redistributiva e de proteção social do Estado brasileiro terá maiores consequências no Maranhão pela quantidade de famílias dependentes desses repasses. Mas, terá duas singularidades: Primeira, será onde os ricos sofrerão maior impacto, pois eles realizam esse status de riqueza através da pilhagem direta do Estado, particularmente desviando recursos repassados ou tomando o funcionamento da máquina administrativa em benefício próprio, não são riquezas fruto do capital produtivo. Não fazem parte do capital produtivo real, mas parasitam as coisas estatais que deveriam ser públicas  e fazem isso através de empresas de fachada, onde lavam o dinheiro ilícito. Segundo, a quantidade de indivíduos com baixa renda e na condição de pobreza acentuada é suficiente para que a retração ou definhamento dessa distribuição de renda pareça não tão impactante e que tudo continue igual, devido a tamanha degradação e dificuldades vividas diariamente por essas pessoas. Isto é, situação já vivenciada já é crítica, eles não saíram do lugar de pobreza que ocupam. Os com acesso ao bolsa família obtiveram mais consumo, reduziram o estado de fome. Os que não tiveram acesso ao programa não serão de imediato afetado, porque já sobrevivem sem esse auxílio. Esse montante da população não sofrerá? Sofrerá, com certeza. Porém, essa parcela já vem sobrevivendo sob sacrifícios há tempos, será o aprofundamento de uma situação, mas de uma situação de longa duração, de toda as suas histórias de vida. Não será perda do bom para o precário, mas a acentuação e aprofundamento de um estado grave de precariedade. A dor só será ampliada, mas sob dor já sobrevivem. Desda maneira, pode-se dizer que maior ausência da proteção do Estado, de garantias sociais e inexistência de oferta de serviços públicos não comporão nenhum fator surpresa ou de novidade na vida dessa parcela da população maranhense, pois já estão sobrevivendo na ausência de tais coisas. Será um plus na suas dificuldades diárias. Eles já formam um existência desprotegida, sem cidadania efetiva, em forma de uma alteridade ao formal. Eles literalmente são os outros.  

Esse contingente social já constituiu uma forma outra de sobrevivência, com mediações e com capitais sociais e simbólicos específicos, que independem do vínculo com o Estado e das garantias formais. Não são excluídos, pois estão em constantes relações com esse mundo dos privilegiados, mas sabem que para eles não existem garantias, nem direitos efetivos. São internamente os outros dentro dessa realidade. Constituíram formas efetivas de manutenção dos seus vínculos pessoais, das suas relações envolvendo coisas e partilhando um campo de socialidade que expressa formas não recepcionadas e sustentadas pelo Estado, mas que possuem consistência e eficácia entre eles e servem para a sustentação de suas vidas. Eles criaram um existir próprio.. quem sabe não estejam antecipando algo que ainda desconhecemos? 


A participação política dessas camadas sociais empobrecidas acaba sendo de extrema relatividade nas engrenagens dos poderes institucionalizados e diante das classes sociais mais ricas e à frente do poder político. Diante disso, esse contingente social acaba consolidando uma forma de alteridade em contraste com os estabelecidos, que gozam plenamente da proteção institucional e da ordem social vigente. Resumindo: Se a economia piorar globalmente, no Maranhão,  a pobreza e as privações de toda ordem só serão novidade para menos de 5% da população (soma da classe média-alta e classe realmente rica/proprietária). Dos 95% restante, 60% tem experiência em sobreviver de forma precária (sofrerão mais, sem dúvida), mas não é uma situação de todo estranha para a trajetória de vida deles. Portanto, só será mais um aditivo na dor. Mas, não será nenhuma novidade. Eles já conhecem isso e estão buscando a vida e dignidade por caminhos próprios há séculos. 

Por outro lado, a ausência de autossuficiência econômica e financeira do Estado, associada a inexistência de economia de mercado ampla, vigorosa e  de uma economia  mais autônoma do Estado, produziu no Maranhão um tipo de empresariado governamental, estatal que sobrevive sincronicamente gravitando em torno do Estado, totalmente dependente a ele. Isso tem tanto causas como consequências graves.  Primeiramente as causas: o processo de desenvolvimento e industrialização, que o Brasil adotou, desagregaram os modelos econômicos que predominavam e sustentavam a economia dos estados do Nordeste, além de lhes impor uma grande transferência de capitais. Esses arranjos foram totalmente incorporadas à economia nacional e a sua nova dinâmica, porém, em condições altamente desfavoráveis e na condição de periferia. Com esse modelo econômico de desenvolvimento extremamente desigual adotado, os estados do Centro-Sul ficaram economicamente e politicamente em uma situação de privilégio. 

Em decorrência desse processo acima referido, o período de 1930 até 1990 foi de extrema dificuldade para o Nordeste. Depois de 1990 tem início um processo de recuperação. Hoje alguns estados já apresentam uma economia mais forte e em uma dinâmica mais competitiva diante de outros centros, pois já gozam de maior amparo tecnológico na sua produção, chegando a ter alguns setores de ponta, como a produção de uvas e vinhos no vale do São Francisco, polo petroquímico de Camaçari (BA), a indústria de confecção de Pernambuco, indústria de automóvel na Bahia etc.

Consequências. Esse processo de recuperação não ocorreu de forma homogênea e nem com a mesma proporção no diversos estados dessa  da região Nordeste. Por quê? Porque neles houve processos políticos e de gestão díspares e atípicos.  Observa-se que onde essa mudança foi mais profunda lá teve renovação nos quadros políticos e uma relativa alternância no poder político. O Maranhão está na situação mais aguda de descompasso, tanto no ritmo de constituição de uma economia mais dinâmica, forte e atualizada como na renovação dos quadros políticos e na alternância do poder político. O Maranhão não sofreu nada de muito significativo nesses aspectos. O resultado é que o Maranhão lidera de forma negativa todos os indicadores sociais e econômicos. Sendo o estado da Federação com maior número de pobres e miseráveis. É suficiente ver o exorbitante número de famílias cadastradas no Programa Bolsa Família, que hoje é aproximado de 900 mil famílias.

O Maranhão foi a unidade federativa, da região Nordeste, incluindo os estados que estão em condições sociais e econômicas melhores, que mais teve oportunidades políticas favoráveis para melhorar suas condições sociais e econômicas no pós-1984. Começou esse período tendo como Presidente da República um maranhense, líder do grupo político que está controlando o estado desde 1966. Somam-se a isso, as diversas pastas de ministérios, postos de diretoria em empresas estatais e cargos de ministros que foram ocupados por maranhenses e todos pertencentes ao grupo político que governa o Maranhão. A presidência do Senado já foi ocupada quatro vezes pelo senador que lidera esse grupo político dominante. Isto é, condições não faltaram. 

Por que essa tamanha participação no poder central não se reverteu em melhorias das condições sociais e econômica do estado? Primeiro, o grupo que tomou o poder desde 1965 percebeu que manutenção do poder local, por força das condições política daquele momento e pelas condições econômicas do estado, dependia da aliança e espaço junto ao poder central. Assim, os ocupantes do poder no estado operaram nessa perspectiva junto ao poder central durante todo o período ditatorial, mas convertendo sempre esse espaço apenas na manutenção do poder. Sob essa visão de poder (poder pelo poder) os repassem e projetos foram pontuais e destinados a setores em que o empresariado estava em total alinhamento político com os que ocupavam o poder político no Maranhão. Nesse período a economia nacional teve altos e baixos, e o Maranhão ficou no seu lugarzinho de inexpressividade. Porém, apesar da continuidade do controle do poder político, ele começou a sofrer desgastes.

No final da década de 1980, com a crise econômica nacional, a dissolução do regime ditatorial e o desgaste político dos que controlavam o poder político no Maranhão apontavam para uma quebra da continuidade do domínio político desse grupo. E isso parece mais inevitável quando Cafeteira, um dos principais opositores da época, foi eleito governador. Parecia o fim de um domínio político. Mas, o que surgia como início do fim acabou sendo convertido em um novo começo.

Sabedor de que a manutenção do espaço junto ao Governo Federal era crucial para uma sobrevida política, o líder do grupo político dominante no Maranhão, senador José Sarney, em uma aposta consistente e bem planeja, abandonou a candidatura aliada dos militares e passou a apoiar o candidato da oposição. Não só isso, barganhou com sua adesão a própria condição de candidato a Vice-Presidente da República ao lado do candidato oposicionista Tancredo Neves. Isso se deu graças a um fator importante para obter espaço junto ao poder central: controle da maioria da bancada de parlamentares do partido (PDS) e da bancada do Maranhão. Com isso ficou fácil usar da legalidade, pois o dispositivo legal que impedia a mudança de partido não o atingia, era o único do grupo que podia mudar de partido sem ser atingido pela lei.  Com esses recursos viabilizou sua candidatura e quando a sorte apareceu, ele estava pronto para recebê-la. (Não será aqui repetido como se deu o primeiro governo civil pós-1964).

A partir daí Sarney buscou recuperar seu mando político local que estava em declínio e, com isso, poder aumentar seu capital de barganha junto ao poder Federal. O investimento de fortalecimento foi total. Chamou Cafeteria, seu principal opositor político, para uma aliança e tratou de submeter aos seus interesses os diversos agentes estatais dos outros poderes. Cooptações foram se propagando em cadeia por cada um dos poderes e, em todos, só as pessoas de sua confiança passaram a ocupar os postos-chaves. Os fiéis e devotos seguidores foram recompensados com carreiras exitosas. Aos “infiéis” e “ingratos” coube o peso da vingança.  

Nessa nova fase tem mais um complicador para retardar a saída do Maranhão do atraso. Esse elemento novo é a investida massiva desse grupo político nos diversos ramos empresariais e econômicos do estado. O grupo passou a participar de todos os negócios. 

Com o “mercado” girando em torno do Estado; uma classe média pequena e, em grande parte, atrelada ao setor público; a massa de consumidores constituída por servidores públicos de baixos salários, a viabilidade econômica ou sucesso empresarial passa inevitavelmente pela posição política ocupada diante do Governo. Isso acabou inviabilizando, em grande escala, a livre iniciativa como fruto de uma economia de mercado, que tem como base o capital produtivo relativamente autônomo do Estado (conforme a utopia liberal).

Sendo assim, o grupo político dominante passa então a ser sócio-empresarial-mor, tutor econômico de todo o Maranhão. Qualquer investimento ou empreendimento só se concretiza ou se viabiliza cedendo sociedade e conformando-se aos direcionamentos políticos do grupo ocupante do poder público.  Nesse contexto, a política virou uma forma de ascender socialmente e ser aliado do Governo virou o meio mais fácil de existir empresarialmente.

Daí que, ser empresário bem sucedido e sobreviver tem que estar no Governo e não oferecer ameaça aos atuais controladores políticos do Estado. Caso contrário, a competência fiscalizadora e repressora do Estado age eficazmente, não pela convicção do dever a cumprir e observar a legalidade, mas como instrumento de chantagem e perseguição aos que querem resistir aos donos do poder. Cabe dizer que, a mão invisível, no Maranhão, não existe nem em termos teóricos, já que nesse espaço operam mãos e dentes concretos e visíveis.

Tudo que veio ou foi reivindicado junto ao Poder Central, nesse período citado, foi meticulosamente escolhido para atender as particularidades econômicas/empresariais do grupo, garantir a alimentação da pilhagem do Estado, servir prioritariamente ao interesses dos aliados e à manutenção do controle político. Todos os investimentos e empreendimentos foram subjugados aos interesses particulares de um único grupo e em total prejuízo para o povo. Só entra e só se instala no Maranhão quem sede às exigências desse grupo. Não importando o quanto isso possa gerar de mais miséria e sofrimento para o povo. São cruéis, perversos, vingativos e destituídos de qualquer compaixão. Quem se coloca em oposição a eles tem que assumir o ônus da punição, pois não perdoam e nem sabem o que é isso! 

Repete-se assim a fórmula: o Maranhão é mantido insignificante para o Brasil para evitar as pressões externas, facilitando a manutenção do poder local. Ao mesmo tempo o estado é mantido nesse patamar econômico para evitar que internamente surjam grupos econômicos fortes, desatrelados do Estado/Governo  que possam potencializar as pressões internas que visam tomar o poder político e desbancar o controle empresarial e econômico do grupo que está atualmente à frente do poder político.

Como isso é possível? Isso é possível porque o grupo dominante goza de muito espaço junto ao poder central, conta com um alto grau de subalternidade e cumplicidade nos demais poderes e a economia nesse patamar ainda possibilita a continuidade dos negócios deles, em associação ao controle do Estado.

Constitui-se uma configuração bastante singular tanto do ponto de vista social, econômico, político e histórico. É uma parte da república onde nunca se separou coisa pública da coisa privada e onde ainda persiste o direito de privilégio, a vantagens por nascimento e linhagem. Quem não é de uma família nobre, por mais esforço e mérito que tenha jamais será reconhecido, no máximo, atinge o status de ficar em segundo plano.

No Maranhão existem castas que estão acima das leis, os poderes são personificados, o Estado é, em cada município, parte do patrimônio familiar de quem está na chefia do poder político, o interesse público e o espaço público estão submetidos aos interesses privados, ou melhor, não existem de fato. Os indivíduos que não estão sob o mando do senhor, na condição de séquito e aliado do grupo que domina o município ou o estado não são o que se pode chamar de cidadãos, vivem em uma condição de risco e incerteza permanentes. Essa configuração geral tem provocado uma cultura de apatia, indiferença, conformação e medo, que afasta os indivíduos da Política, dilui as potencialidades de mobilização e, consequentemente, enfraquece a força de pressão, perpetuando a descrença na mudança e na própria capacidade humana de transformar a realidade e perceber a realidade como socialmente construída. Cada vez tornando mais aguda a aposta exacerbada na benevolência da sorte e do destino. 


Mas, mesmo que essa sorte chegue um dia, tudo indica, que ela não será aproveitada, pois essa apatia não tem permitido uma preparação para recebê-la. Iludidos e demagogos acreditam em uma sorte dobrada. Isto é, bem mais da metade que acreditava Maquiavel e , dessa forma, acham que tudo será conquistado sem esforço. 

Repetir é uma necessidade diante do caso: De um lado, a insignificância econômica do estado diminuiu a pressão por parte do grande empresariado nacional e do próprio Poder Político Central. Do outro lado, a aliança política com o Governo Federal, a cumplicidade dos outros poderes e o controle econômico local completam as condições de manutenção do controle político desse estado. Outro elemento é a falta de manifestação de insatisfação popular mais aguda. Até onde o povo vai permanecer assim? Não se sabe! Mas temos que ponderar aí, pois as parcelas mais injustiçadas lutam sozinhas. Quem os defende? 

Enfim, o Maranhão nunca atingiu o patamar mínimo da civilidade instaurado pelos processos modernos, particularmente no que tange a economia, a política, os bens sociais, os direitos etc. e, ao que parece, já está à margem da pós-modernidade. Seria uma espécie social-histórica pós-pós-moderna? Quem pode saber!? Certeza é a dificuldade de acordar e dormir sob essa mesma escandalosa e miserável invenção!!! 

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