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quinta-feira, julho 24, 2014

Época de pautas e agendas políticas

O Maranhão vive uma algazarra eleitoral político-partidária... um misto de levantamento de acampamento de nômades e liquidação de final de feira livre. 

No salão de festas dos atuais "donos do poder" o clima é de última dança no finalzinho da festa. Tem gente que já jogou os trajes fora, outros estão tentando reciclar a fantasia. Em redutos consagrados do sarneísmo, já tem sarneísta negando três vezes sua origem e condição. Ninguém bate mais no peito. Cadê os fiéis aliados? Para outros resta o desespero do final da doce vida palaciana e do status de classe ociosa, mas não é difícil que busquem ser integrados à nova casta que assumir o poder, típico de espécies parasitárias.

Mas, para além dos poréns, dos explicativos, exclamações, pausas, interrogações e reticência...  Há sempre expectativas em torno do poder público e, junto a isso, uma lista de prioridades. O poder público não existe legitimamente sem o compromisso e sem responder às necessidades dos cidadãos. Não existe um Estado legítimo quando o cidadão não pode esperar nada dele. A necessidade de corresponder às expectativas é a necessidade de realimentar a legitimidade do poder. 

Em síntese, quais as prioridades diante das reais necessidades da maioria absoluta dos cidadãos maranhenses? 

Uma tenta de resposta:
1- Combater o alto índice de Pobreza. O Maranhão goza hoje de ter perto de 1 milhão de famílias cadastradas no Bolsa Família. Se em termos absoluto já é significativo, em termos proporcionais é algo alarmante. Como um estado de um pouco mais de 6 milhões de habitantes pode ter próximo de 1 milhão de famílias inscritas no Bolsa Família? Ora, são famílias e logo fica claro que o contingente diretamente liga a esse programa representa uma parcela alta da população do estado. 

Isso preocupa, pois é uma situação de ESTAR menos pobre e não de SER menos pobres. Não representam condição autônoma e autossustentável de ter mais renda diretamente vinculada à atividade produtiva, a trabalho direto. Não sou contra o Programa Bolsa Família. Mas é preciso criar condições que reduza essa dependência direta, pois isso não pode ficar em uma situação crescente de inscritos. Se o número de inscritos aumentar ano após ano o programa ficará insustentável. Toda e qualquer pessoa séria e responsável sabe que cidadania não está restrita ao fato de tornar o indivíduo consumidor. A questão a ser debatida é: Quais as medidas que serão adotadas para reduzir o nível de pobreza e elevar a renda dessas pessoas? Quais os recursos e os meios que serão empregados? O que será feito frente aos arranjos produtivos locais para agregar mais valor aos seus  produtos e elevar o nível de rendimento desses produtores? 

2- Investimento massivo em Saneamento/habitação/urbanismo. As cidades do Maranhão como um todo cresceram de forma totalmente aleatória e sem um mínimo de regulação. O pior, nos últimos anos a situação tem piorado drasticamente. O poder público se tornou totalmente inoperante na sua tarefa fiscalizador e regulamentadora. Onde existiam calçadas as casa avançaram sobre esse espaço, os recuos das estradas sendo ocupado dia após dia, alamedas e praças são tomadas por barraquinhas e quiosques de toda espécie. O esgoto não existe, quando tem é para jogar os dejetos sem tratamento em rios e igarapés. São Luís é o maior exemplo desse tipo descaso, inoperância administrativa e falta de vontade política. 

O Maranhão é um estado de fossas e para agravar mais esse problema o programa Minha Casa Minha Vida tem financiado obras de habitação em áreas sem nenhuma infraestrutura. Conjuntos habitacional de centenas e milhares de unidades sem um metro de esgoto, sem nenhuma estação de tratamento.  Mais fossas. Além de serem projetos que não levam em consideração conceitos mais contemporâneo de sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. A grande maioria desses conjuntos e condomínios não possui área de lazer para as crianças, as áreas externas são totalmente impermeabilizadas e sem árvores. E o mais dramático, é que após a entrega das unidades residenciais nasce, ao lado do condomínio ou conjunto habitacional, uma favela, invasão etc. Por que estão surgindo essas ocupações repletas de casebres ao lado desses projetos habitacionais? Por que está acontecendo isso? Quem cadastrou quem e quem recebeu o quê? Vide o que ocorreu recentemente na estrada de Paço do Lumiar. Quais as propostas para melhorar a mobilidade urbana? Quais ações e medidas urbanísticas serão tomadas visando a melhoria da qualidade de vida nas cidades maranhenses? 

3- Melhorar o sistema de Saúde. Todo o sistema brasileiro é deficitário, público ou privado. Só uma pequena casta gozam dos bons serviços do Sírio-Libanês. Os demais seres não conseguem ter atendimento de qualidade mesmo pagando. No Maranhão é preciso descentralizar o atendimento e, acima de tudo, cobrar dos governos municipais o cumprimento dos seus deveres. Não adianta aumentar a transferência de recursos para as prefeituras sem combater esse absurdo desvio de recursos públicos. A questão é complexa, requer empenho de todos os poderes. Mas o que poder ser feito de imediato? Com quais recursos? Como ampliar o acesso e melhor a qualidade do atendimento? Como levar o atendimento médico aos locais mais distantes e de difícil acesso? Quais investimentos e programas serão desenvolvidos de medicina preventiva? Quais medidas serão tomadas para ajudar os inúmeros jovens que são dependentes químicos e dependentes de drogas em geral?

4- Combater a grilagem e aumentar a Produção Alimentar. Tem que ficar claro quem é contra a esse crime e o que vai fazer de concreto para combater essa prática. A grilagem no Maranhão tem gerado mortes e injustiças de toda ordem na cidade e no campo. Qual a medida a curto prazo para combater a grilagem? Como isso vai ser feito? O que será feito da combater a violência no campo? Qual a ideia e modelo de reforma agrária defendida? Como a reforma agrária poderá ser utilizada para melhorar a produção alimentar, aumentar o nível de renda e da condição de vida? Que políticas serão adotadas frente ao agronegócio e a pequena produção familiar?

5- Melhorar e aperfeiçoar o sistema de Segurança Pública. A violência está crescendo de forma assustadora no Maranhão. Não é só a violência ligada diretamente às atividades já definidas formalmente como crime. Violência que cresce em todos os lugares. O número de homicídio aumenta, principalmente com o uso de armas de fogo. O efetivo policial no Maranhão está muito abaixo do necessário e a política pública de segurança adotada até agora tem dado pouco resultado. Alto custo e baixa eficácia. Nos últimos anos basicamente o governo tem comprado viaturas. Sempre o mesmo desfile de viaturas como combate à criminalidade. Qualquer um sabe que segurança pública exige outros recursos e investimentos. O que vai ser feito de imediato, a médio prazo e a longo prazo? Quais medidas e de onde sairão os recursos para isso? Quais programas, projetos e medidas serão adotadas diante da grave situação ado sistema prisional?

6- Educação: ampliar e melhorar a qualidade. Essa é uma das questões mais discutida. Quais as medidas, programas e projetos para melhorar a qualidade do aprendizado e a valorização dos profissionais da educação? Como garantir de fato vagas para todas as crianças em idade escolar no Maranhão? Com quais recursos? O governo estadual vai ou não alavancar a ampliação de creches públicas? Como isso será feito? Qual a projeto real de elevar o grau de qualificação profissional e capacidade técnica considerando as potencialidades regionais? 


7- Efetivo Controle Externo e Transparência. Toda a questão envolvendo mandonismo, patrimonialismo, nepotismo envolve a densidade moral em torno da coisa pública. Como e em que medida o Maranhão será mais republicano e a coisa pública vai valer alguma coisa? A oligarquia na concepção clássica (Aristóteles) carrega duas dimensões imediatas: uma quantitativa (quantos governam) e outra qualitativa (para quem governa). Ora é uma classificação que reivindica a identificação de ideia de governo. Combater oligarquia requer muito mais que um discurso de anti-  oligarquia. Combater a oligarquia requer mudar a ideia de governo e para quem governa. O que será feito com esse número de cargos de confiança e de cargos comissionados e os critérios para o acesso a eles? A população vai poder ter acesso à relação dos funcionários públicos estaduais e seus respectivos vencimentos? Como vai ficar o controle de presença (pontualidade e assiduidade)? Como vão ficar os gastos com aluguéis de prédios etc.? Quais medidas serão adotadas com as empresas que prestam serviços ao governo estadual, mas que estão ligadas aos políticos e aos parentes dos governantes? A licitações serão realmente licitações? O que vai ser feito com a casta ociosa que recebe dinheiro público mas que não vai trabalhar? 

8- Informar toda a população do Maranhão sobre a questão. Quem defende ou não a divisão do Maranhão e por quê? O problema é de centralização política ou de centralização administrativa? Precisamos mais de descentralização e eficácia administrativa ou descentralização política? O grau de integração do Maranhão não é bem maior do que o do Pará? Quem quer essa separação e por quê?


Isso é o mínimo para um debate Político, o mínimo envolvendo o interesse público. Propostas sem deixar claro e explícito o que fazer, como fazer, quando fazer, quais os objetivos  e quais os recursos é mero falatório sem compromisso e desprovido de responsabilidade. 

sábado, setembro 01, 2012

URNA ELETRÔNICA e as crenças ingênuas da oposição - Maranhão


Este texto é uma reprodução. Fonte citada no final. 

Falha na urna brasileira ‘reproduzia fielmente’ erro de 1995, diz professor

seg, 28/05/12

por Altieres Rohr |

categoria Coluna


Prof. Dr. Diego Aranha, da UnB. (Foto: Emília Silberstein/UnB Agência)
O Prof. Dr. Diego Aranha, da Universidade de Brasília, foi o responsável por liderar a equipe que descobriu, em março, uma falha na urna eletrônica brasileira durante um teste de segurança autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O professor conversou com a coluna Segurança Digital do G1 para explicar melhor o problema que foi descoberto – que permite reordenar votos – e fazer outras observações sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Se tiver alguma dúvida sobre termos técnicos usados na entrevista, confira o glossário no final da página. O TSE também comentou alguns dos pontos levantados pelos professor e as observações do tribunal estão ao final da entrevista. Se você tiver qualquer dúvida, utilize a área de comentários.
G1 – Quando começou seu interesse por sistemas de voto eletrônico?Diego Aranha – Meu interesse começou quando cursei a disciplina Segurança de Dados, ministrada pelo Prof. Pedro Rezende, enquanto aluno de Ciência da Computação da Universidade de Brasília. Naquela época, o referido professor já estava envolvido na discussão em torno da questão e trazia a problemática com alguma frequência para discussão em sala de aula.
O RDV não serve a nenhum propósito prático, além de permitir a violação do sigilo do voto caso seja projetado e implementado de forma insegura”
G1 – O teste da sua equipe conseguiu reordenar os votos registrados no RDV. O que está presente no RDV, quem tem acesso a ele e por que a ordem deve ser embaralhada?Diego Aranha - O Registro Digital do Voto (RDV) é uma tabela que armazena desordenadamente os votos propriamente ditos inseridos pelos eleitores na urna eletrônica. O objetivo desse embaralhamento dos votos é desassociar a ordem em que os votos foram inseridos da ordem em que foram armazenados.
O RDV foi introduzido no lugar do voto impresso para supostamente permitir a mesma capacidade de verificação independente dos resultados da urna. Por essa razão, é um documento público disponibilizado para os partidos após as eleições. Entretanto, enquanto o voto impresso permite de fato a verificação independente dos votos computados eletronicamente, o RDV é produzido pelo mesmo componente de software que produz o Boletim de Urna (BU) contendo os totais de cada candidato computados pela urna. Desta forma, qualquer ataque que comprometa a integridade do BU pode também comprometer o RDV.
Deve-se assumir que potenciais fraudadores conhecem os sistemas envolvidos em seus mínimos detalhes, mesmo porque absolutamente nada impede que os ataques partam de agentes internos.
Pode-se concluir, portanto, que o RDV não serve a nenhum propósito prático, além de permitir a violação do sigilo do voto caso seja projetado e implementado de forma insegura.
G1 – Seria possível ter conseguido o que vocês fizeram sem o acesso ao código fonte? O erro que havia no registro do RDV era complexo ou amador?
Diego Aranha - Não teria sido possível com o curto limite de tempo disponível para os testes — em torno de apenas 6 dias, divididos em fases de preparação e avaliação. Ainda assim, não se pode assumir que a segurança do RDV ou qualquer outro componente do sistema eletrônico de votação depende exclusivamente da confidencialidade do código-fonte ou dos detalhes técnicos dos mecanismos de segurança que os protegem.
Segurança advém de simplicidade de transparência. Para tanto, deve-se assumir que potenciais fraudadores conhecem os sistemas envolvidos em seus mínimos detalhes, mesmo porque absolutamente nada impede que os ataques partam de agentes internos. A área de Segurança da Informação utiliza essa noção de segurança há quase 130 anos.
A vulnerabilidade presente no projeto e a implementação do RDV que utilizamos para reconstruir a lista dos votos em ordem reproduzia fielmente outra vulnerabilidade encontrada sem ajuda de código-fonte em 1995 por calouros da Universidade de Berkeley na versão 1.1 do navegador Netscape.  O software da urna eletrônica, de natureza muito mais crítica que um simples software comercial, possuía um erro conhecido há pelo menos 17 anos.
Em termos mais técnicos, a urna utiliza um gerador de números pseudoaleatórios para produzir a ordem de embaralhamento dos votos. A segurança desse gerador depende de suas características estatísticas e da aleatoriedade e sigilo de sua semente. O software da urna não só utilizou um gerador de baixa qualidade estatística, como também utilizou uma tomada de tempo claramente não-aleatória com resolução de segundos para alimentar o gerador de números pseudoaleatórios.
Além disso, esta tomada de tempo era tornada pública tanto nos logs quanto na impressão da chamada zerésima. A vulnerabilidade encontrada advém, portanto, da utilização de uma técnica criptográfica fora de seus limites de operação.
G1 – Até que ponto você entende que o sigilo do voto foi comprometido?
Diego Aranha - Para violar completamente o sigilo do voto, é preciso se recuperar a lista em ordem dos votos e a lista em ordem dos eleitores.
Após o fim dos testes no TSE, também recebemos a informação de que a urna registra em arquivo de acesso público a hora em que cada voto foi computado. Nossa metodologia é capaz de recuperar a lista em ordem dos votos e, se associada ao horário em que cada voto foi computado, também as escolhas de um eleitor que votou em um determinado horário. Para se fazer a correspondência completa entre as identidades dos eleitores e suas escolhas durante a votação, é preciso apenas que se monitore a ordem de votação dos eleitores ou a hora em que tiveram acesso à urna eletrônica.
Entretanto, eu gosto de ver a questão por outro ângulo: derrotamos o mecanismo de embaralhamento do votos para armazenamento no RDV, única medida tomada pelo software da urna eletrônica para proteger o sigilo dos votos.
G1 – O número do título de eleitor ou outro documento que o identifica é armazenado na urna? Ele poderia ser atrelado ao voto?
A lista de títulos de eleitores habilitados para aquela seção eleitoral é armazenada dentro da urna eletrônica, para controle de comparecimento e para permitir que o mesário libere o acesso à urna apenas com um título de eleitor válido. Existe um período de tempo, após a liberação da urna pelo mesário e até o término da interação entre eleitor e urna eletrônica, em que essas duas informações precisam estar presentes simultaneamente na memória do equipamento.
A vulnerabilidade encontrada no embaralhamento do RDV utiliza uma função que produz alertas até nas ferramentas de análise gratuitas e mais primitivas.”
Recuperar essa correspondência durante esse período de tempo requer acesso ao ambiente interno à urna ou inserção de um programa malicioso que faça o registro permanente da informação. Durante os testes, estávamos concentrados em metodologias de ataque não-invasivas e que não deixassem nenhum vestígio, por isso optamos por analisar apenas os produtos públicos de uma votação oficial.
G1 – Como você avalia o procedimento de testes elaborado pelo TSE e a avaliação que a comissão fez do teste que vocês realizaram?Diego Aranha - A iniciativa de organizar os testes é muito louvável, pois permite a fiscalização e avaliação da segurança do sistema por investigadores independentes. Entretanto, o tempo disponibilizado é muito curto para se executar qualquer metodologia sofisticada. Observe que potenciais atacantes podem, a partir de poder econômico ou político, desfrutar de um período de tempo muito maior para tentar organizar uma fraude em pequena ou larga escala.
Enquanto inicialmente o TSE se manifestou de forma extremamente positiva à contribuição que demos ao aperfeiçoamento do sistema, a Comissão Avaliadora do evento, apontada pelo próprio TSE, optou por penalizar significativamente nossa participação. Por exemplo, nossa metodologia foi qualificada como tendo objetivo de causar uma falha ao invés de uma fraude no sigilo ou integridade de uma votação eletrônica. Entretanto, nossa urna eletrônica não apresentou nenhuma falha e funcionou durante seus limites de operação por todo o tempo. Não seguimos nenhum procedimento que não seria realizado em uma votação oficial.
Como resultado, fomos premiados ainda em primeiro lugar, mas com uma pontuação pífia de 0.0313 numa escala que vai de 0 a 400.
G1 – Existe mais alguma questão técnica da urna que merece atenção?
Diego Aranha - Encontramos no software da urna eletrônica uma série de práticas indesejáveis do ponto de vista de segurança. Por exemplo, todas as mídias são cifradas com a mesma chave criptográfica. O vazamento desta chave criptográfica por uma única vez abre simultaneamente todas as mídias de todas as urnas para inspeção e possível manipulação por parte de agentes mal-intencionados. Curiosamente, essa chave criptográfica estava declarada no código-fonte e acessível para qualquer um dos investigadores.
O maior problema do sistema de votação eletrônica no Brasil é a carência de qualquer forma que permita ao eleitor verificar que seu voto foi computado corretamente”
A integridade de parte do software da urna eletrônica também parecia não estar sendo verificada, por conta da desativação de uma linha crítica do código-fonte. As máquinas dedicadas à exibição do código continham também informações de usuários, senhas e servidores na rede interna responsáveis pelo versionamento do software desenvolvido.
Além disso, também observamos algoritmos obsoletos (não-recomendados desde 2005) ou funcionando fora de sua especificação e com implementações repetidas diversas vezes ao longo do código, o que em muito dificulta uma auditoria do seu funcionamento correto.
Por fim, verificamos também que não existe a utilização frequente de ferramentas de análise de código-fonte, visto que a vulnerabilidade encontrada no embaralhamento do RDV utiliza uma função que produz alertas até nas ferramentas de análise gratuitas e mais primitivas.
Em relação ao processo de desenvolvimento do software, detectamos na interação com o pessoal técnico do TSE uma preocupação exagerada com atacantes externos, quando acreditamos que atacantes internos possuem uma possibilidade muito maior de executar fraudes em larga escala.
A equipe já se colocou à disposição do TSE para ministrar palestra tratando especificamente dos problemas encontrados, mas até agora não houve convite concreto para tal.
G1 – E o processo eleitoral brasileiro como um todo – como você avalia? O que deveria melhorar?
Diego Aranha - Os testes se concentraram na urna eletrônica, mas gostaria de que a mesma metodologia permitisse a investigadores independentes avaliar a segurança de outros componentes do sistema eletrônico de votação, como o totalizador centralizado dos Boletins de Urna. Ataques a outros componentes do sistema podem não só atrasar significativamente a apuração e divulgação dos resultados como fragilizar a confiabilidade e reputação da autoridade eleitoral.
Em termos mais gerais, o maior problema do sistema de votação eletrônica no Brasil é a carência de qualquer forma que permita ao eleitor verificar que seu voto foi computado corretamente. No modelo de urna eletrônica atualmente adotado no Brasil, a integridade do resultado das eleições depende unicamente da integridade do software de votação que é executado dentro da urna. Já foi mostrado que esse software é como qualquer outro, passível de vulnerabilidades.
Portanto, é imprescindível que seja introduzido algum mecanismo para verificação independente da integridade dos resultados. A proposta do voto impresso, ou voto verificável pelo eleitor, consiste exatamente em produzir uma versão materializada do voto em algum veículo que permita contagem posterior sem permitir simultaneamente que o eleitor possa comprovar sua escolha para uma terceira parte interessada.
A contagem dos votos impressos pode ser feita por amostragem apenas, sem impacto significativo na velocidade totalização dos resultados eletrônicos. Esta é forma mais simples e compatível com o sistema atual para se permitir a verificação da integridade do resultado, independente da integridade software, para que assim a urna brasileira satisfaça a requisitos mínimos e plausíveis de segurança.
Outro ladoO TSE foi consultado pelo G1 sobre as principais observações feitas pelo Prof. Dr. Diego Aranha e se defende das alegações. Veja a íntegra do posicionamento do TSE.
G1 – As mídias eletrônicas onde são gravados todos os votos das urnas eletrônicas é cifrada pela mesma chave. Isso é verdade?
TSE – 
A utilização de criptografia é apenas uma de inúmeras barreiras de segurança.
A afirmação de chave única, se vista isoladamente, não procede. A cada eleição, o TSE gera e cifra uma única desse sistema de arquivos que é gravada nas mais de 400 mil urnas eletrônicas. Por critério de segurança, esta mídia é cifrada por uma única chave, com o objetivo de evitar ataques criptoanalíticos baseados em estimadores estatísticos. Portanto, qualquer outro procedimento, como o de utilizar-se de várias chaves para cifrar o mesmo conteúdo com o objetivo de prover sigilo, torna por si só o resultado fragilizado. Por esse motivo, a cada eleição, o TSE gera uma chave que é utilizada para manter sigilo da mídia que é gravada em cada Urna.
G1 – O professor Diego Aranha diz que gostaria que houvesse testes também no sistema que totaliza os votos dos boletins de urna. O TSE pretende realizar algo nessa linha?
TSE – Ao final de cada votação, ainda na seção eleitoral, a urna imprime em até 20 vias o resultado da votação naquela seção. Esse relatório chama-se Boletim de Urna (BU) e algumas dessas vias podem ser entregues aos fiscais dos partidos. Nesse momento, o resultado da urna se torna público.
Desta forma, torna-se simples a verificação da integridade da totalização das eleições. Isso porque os fiscais de partido podem comparar essas cópias impressas dos Boletins de Urna de cada seção eleitoral com o resultado recebido, totalizado e publicado pela Justiça Eleitoral (disponível na Internet). Assim, a simples comparação do resultado recebido pelo fiscal e o processado na JE é suficiente para qualquer interessado criar sua própria totalização e verificar individualmente o resultado de cada urna eletrônica.
G1 – Ainda segundo o professor, o TSE coloca uma preocupação muito grande na atuação de agentes externos ao processo. Quais as medidas que o TSE tem tomado para evitar a ação de agentes internos (colaboradores e  funcionários do próprio TSE)? Quem tem acesso à chave usada para cifrar as mídias (pergunta 1)?
TSE – A segurança do sistema eletrônico de votação não depende somente de pessoas, ela permeia todo o processo, desde o TSE até os tribunais regionais e cartórios eleitorais, e se baseia na utilização em conjunto e em vários momentos de técnicas de criptografia, assinatura digital e segregação de funções. É inviável que agentes internos realizem fraudes sem o registro de rastros para a auditoria.
G1 – O professor disse também que uma linha importante do código fonte estava desativada durante a análise permitida aos investigadores. Essa linha, segundo ele, era responsável por verificar a integridade/autenticidade do software. O TSE sabia que essa linha estava desativada?
TSE – O TSE não pode emitir opinião por desconhecimento do conteúdo da alegação, uma vez que não está presente no relatório do professor sobre o teste.
G1 – O professor Diego defendeu a introdução de um mecanismo de impressão do voto por amostragem, como proposto em lei. Essa legislação está atualmente suspensa por decisão do STF, se não me engano. O TSE tem alguma posição sobre a impressão do voto conferível pelo eleitor?
TSE – Na mesma audiência pública citada anteriormente, o Prof. Walter Carnielli (matemático e filósofo, CLE e IFCH-UNICAMP) fez uma apresentação intitulada “Sistema de votação, falsa segurança e a qualidade da democracia”.
Nesta apresentação, o Prof. Carnielli demonstrou que existe  um  balanço delicado entre privacidade (sigilo) e verificabilidade (verificação do voto eletrônico com outro meio duplicado, no caso o voto impresso) nas votações eletrônicas.
Segundo ele, as urnas do tipo das utilizadas atualmente nas eleições brasileiras (tipo DRE ou Direct-Recording Electronic) seriam passíveis de perfeita privacidade, embora com menor verificabilidade. Carnielli afirma que é matematicamente impossível atingir privacidade e verificabilidade absoluta e que, portanto, não há sentido na crítica de que “pesa a mão” apenas na verificabilidade (falta do voto impresso).
A pretensa solução defendida na legislação suspensa pelo STF, oferecia apenas  uma falsa  (e cara) sensação de segurança, como mostrou Carnielli.  Não há qualquer critério sobre como seriam escolhidas as urnas da amostragem de cada Zona Eleitoral, nem se leva em conta a distribuição das urnas no país. Sem um estudo amostral de aleatoricidade, o voto impresso dará uma segurança ilusória de credibilidade a um custo extremamente alto.
Um equívoco muitas vezes repetido é a afirmação de que a “urna eletrônica brasileira é de segunda geração”, comparando-a com as urnas  argentinas e peruanas que  seriam de  “terceira  geração”. A própria noção de ‘geração’ tem origens comerciais, nas empresas que vendem ao Peru e à Argentina suas urnas, e não tem nenhum fundamento mais profundo.
Querer enfatizar um dado comercial ou o fato de se ter descoberto, num teste público, uma fraqueza  técnica que pode ser  consertada e a partir daí defender  medidas  sem a devida cautela é ameaçar a democracia.
Glossário
  • Agentes internos: colaboradores, funcionários e pessoas ligadas à própria empresa ou instituição; se diferenciam dos agentes externos, que são pessoas de fora.
  • Algoritmo – Sequência lógica e matemática executada por um software para realizar um determinado cálculo, processamento ou decisão automatizada.
  • Chave criptográfica - Como uma chave comum é capaz de abrir uma porta, a chave criptográfica é o “segredo” que um computador precisa conhecer para acessar (decifrar) dados cifrados.
  • Cifrar – Procedimento de segurança que torna uma informação ilegível para pessoas que não tenham a chave de acesso (chave criptográfica).
  • Integridade de software: Um programa de computador, como o que opera a urna eletrônica, pode sofrer alterações não autorizadas. Checagens de integridade garantem que o software em uso é idêntico ao que foi desenvolvido e autorizado para distribuição.
  • Log: Arquivo que registra eventos, incidentes e outras informações técnicas sobre um sistema ou software. Costuma trazer a hora e a data de quando algo aconteceu. O “histórico” do navegador de internet, que registra as páginas visitadas, é um tipo de log.
  • Semente: Computadores não podem “gerar um número qualquer”. Quando isso é necessário, usa-se um “gerador de números pseudoaleatório”, que retorna uma sequencia programada e previsível (não aleatória) de números. No entanto, quando um valor especial é fornecido para servir de base aos cálculos do gerador, os números serão diferentes, criando uma variação imprevisível sem o conhecimento do valor. Esse valor especial é chamado de “semente”.
  • Versionamento - Controle de alterações (versões) de um documento ou código fonte de um software para facilitar o trabalho em equipe. Em ambientes de desenvolvimento, programadores acessam o software de versionamento para baixar códigos, efetivar alterações e tomar conhecimento de modificações realizadas por outros colaboradores.
  • Zerésima: Relatório emitido pela urna para provar que ela está zerada antes da votação.

sábado, março 24, 2012

CASTELO E AS FLORES DO MAL



As rotatórias (lá para as bandas do Calhau) estão recebendo um tratamento “paisagístico”. A fórmula utilizada por Palácio no final de mandato está sendo reeditada por Castelo. Uma patacoada onerosa aos cofres públicos. Trata-se literalmente de flores do mal. São jardins contábeis por onde adubos e folhas fecham cifras monetárias do erário público. Coisa de caudilho, mandão, coronel, patrimonialista e da extrema-direita raivosa.



O que precisa ser plantado nessas rotatórias são viadutos, alças e vias elevadas para acabar com os engarrafamentos que elas geram. 

Vergonhoso ver essas ações infames serem reproduzidas de forma livre e sem maiores constrangimentos. Verdadeira floração anti-republicana.

 A reeleição com a permanência do ocupante do executivo, no cargo, é uma condição favorável ao fortalecimento dessas práticas danosas. Onde ações são forjadas para o mero exercício de promoção eleitoral e criar justificativas de gastos inomináveis.
Trata-se de uma grosseria do ponto de vista político e só a cegueira cúmplice não ver o quanto é oneroso para os cofres públicos uma “maria-sem-vergonha” e uma “palmeira-fênix” em um fim de mandato.



ISSO É UMA VERDADEIRA JARDINAGEM DA NOSSA MISÉRIA POLÍTICA!



terça-feira, janeiro 10, 2012

Castelo, o tratado da surdez, o tempo verbal e surrealismo.


Foto: postada na internet por Valdizan. 

Este post trata de forma sucinta a entrevista concedida pelo prefeito João Castelo ao blogue do jornalista Roberto Kenard e postada no dia 09 de janeiro de 2012, sob o título de “Castelo rompe o silêncio em entrevista exclusiva”.

Desde já quero registrar a qualidade do trabalho realizado pelo jornalista Kenard.  No entanto, concordar ou aceitar de pronto o que Castelo afirma é outra coisa.

O prefeito João Castelo fez, mais uma vez mostra seus dons artísticos. Tanto repetir seu heroico governo estadual, transformou o seu discurso em uma peça surrealista. Vamos por partes.

Primeiro ponto. Todo o insucesso de sua gestão até aqui foi consequência da administração anterior e das chuvas rigorosas. Uma combinação da “mão do homem” e da “incontornável ação da natureza”. Como ele sempre apregoa a grandeza de seu mandato de governador (biônico), cabe saber se naquele período não choveu e se o governador que o antecedeu foi um excelente administrador.

Segundo ponto. Castelo demonstrou seu estilo comedido diante dos Sarney. Confirmou a característica que destacamos no post do dia 06 de janeiro de 2012, com o título de Castelo, anti-sarneísmo de areia, poeira e franchising, onde é possível ler: “nunca fez uma ruptura extrema, nunca chegou nem a encenar ódio aos modos do Ricardo-cunhado”. Nas palavras de Castelo, na entrevista concedida a Kenard, fica assim: “Eu nunca fiz e jamais farei política do rancor ou com o fígado”. Não era para menos, além das exigências da civilidade, seria demais não ter o mínimo de consideração com o compadre que lhe deu o mandato de governador (indicado), ainda na vigência da ditadura militar.  

Terceiro ponto. Castelo deu uma dica de ter problema auditivo: “Nunca ouvi ninguém dizer que desconfia do Castelo”. Pode até ser surdo, mas é extremamente surrealista.

Quarto ponto. Castelo afirma: “Nunca mandei reprimir manifestação, muito menos de estudantes. Eu sequer me encontrava no Maranhão quando estourou o movimento.” Aí o prefeito faz brilhar todo o seu talento de mestre surrealista. O governador realizador, administrador competente some da história, logo no período da greve de 1979, e só volta para ser o que fez o Castelão, a Ponte Bandeira Tribuzi etc.?   Não estava no Maranhão. Onde o governador do estado estava? O estranho é como o governador só era governador para construir obras, não mandava em nada e não sabia de nada quando era para tratar de greve. Era um governador ou um encarregado de obras da Ditadura? Quem então deu a ordem para reprimir? Quem finalmente estava mandando no Maranhão? Nomes? 


Caro Prefeito, o senhor está sob o manto da Lei da Anistia (Lei nº 6.685, 28/08/1979), cite os nomes dos responsáveis pela repressão e os motivos disso ter acontecido sem suas ordens ou seu conhecimento. O senhor desconhecia quem dava ordens dentro do seu governo? Desconfio que o senhor não dará esses nomes. Porém, seria muito importante que o senhor revelasse o que sabe sobre esse episódio. Mostre sua versão de forma integral, por favor.   

Quinto ponto. O prefeito considera o tempo verbal igualmente como o tempo climático, onde impera um “inverno de chuvas rigorosas”. Ele está sempre no passado. Ao se rebelar contra os tolos diz: “antes e depois do governo Castelo nenhum outro governo fez tantas obras”. Não faz mais que repetir seu mestre, quando afirma que tudo que existe no Maranhão foi feito por ele. Esse tal governo glorioso deve ser mesmo creditado a ele? Pois ele mesmo disse que não mandou reprimir os estudantes. Esse governo glorioso não deve ser creditado a quem mandou reprimir? Essa  recorrente volta ao seu mandato de governador biônico é uma forma de encobrir dois fracassos administrativos à frente da Prefeitura de São Luís: o seu próprio mandato e o mandato de sua esposa. Fica provado que ele não sabe administrar nada em tempos de democracia. Os créditos de realizador e grande administrador devem ser dados ao que mandou reprimir os estudantes, pois esse alguém é que realmente mandava.

Sexto ponto. Castelo  na sua “crítica real” afirmou que “Muito antes deles, a um alto preço, eu estive na oposição. Oposição a que? Quem são esses “deles”? O tempo verbal ficou beleza: Eu estive. Alto preço, sem dúvida que sim. Traduzindo: ele foi opositor do movimento democrático contra a Ditadura. Para completar sua “critica verdadeira” ele diz: “Se alguém da oposição me criticar está fazendo o jogo dos adversários”. Que absurdo. Ele nunca diz quem são os opositores e os adversários. Quem são os adversário? O adversário é imaginário. Castelo só quer fazer as pessoas acreditarem que o adversário imaginário que ele criou é o adversário real que cada identifica como seu. Na verdade ele não deu nome algum e pode depois dizer que não disse que era seu fulano ou seu beltrano. O anti-sarneísmo dele é o mais dócil sarneísmo.

Sétimo ponto. Os convênios com o Governo Jackson. Ele simplesmente não disse nada de importante e fundamental sobre a questão. Limitou-se ao possível motivo para o governo do estado pedir anulação dos mesmos. Em momento algum falou do paradeiro, movimentação ou existência dos 73 milhões de reais.

Enfim, a única diferença entre Castelo e os Sarney é que ele consegue ser bem pior politicamente.

A entrevista completa de Castelo está disponível em:

terça-feira, janeiro 03, 2012

São Luís das Pirâmides e Mandingas



Entre 1983 e 1985 (D.C) foram edificadas, em São Luís, diversas pirâmides. Algumas serviram para sinalizar obras do poder municipal, realizações do ocupante do poder naquela data. Porém, algumas outras parecem ter algo a mais que essa simples utilidade. 
Na época ainda estava em vigor o regime de exceção, iniciado com o Golpe Militar de 1964. Os prefeitos de capitais eram indicados pelos generais, em concerto com os chefões políticos locais aliados da Ditadura.  Os prefeitos, desse período, receberam a alcunha de prefeitos biônicos, termo dado pela oposição à Ditadura Militar.

Por que alguém adotaria pirâmides como marco de suas realizações administrativas? Por que pirâmides em São Luís no final do regime ditatorial? Qualquer sujeito, minimamente informado, sabe que as pirâmides têm como principal referência o Egito antigo, especificamente as pirâmides de Gizé. Como e por quais vínculos elas começaram a ser implantadas em uma cidade marcada pela arquitetura colonial portuguesa?


As grandes pirâmides do Egito despertam curiosidade e admiração ao longo de milênios... tanto pela imponência arquitetônica como pelos mistérios, misticismos e esoterismos que delas emergiram. Para os adeptos dessa última tendência elas representam o seu lar. No mundo inteiro existem os iniciados ou estudiosos das pirâmides egípcias. No século XVIII surgiram as lojas “egípcias”, criadas por Cagliostro, que acabou influenciando a franco-maçonaria. Diversas outras sociedades secretas iniciáticas, ligadas ao ocultismo e/ou a alquimia, adotam a pirâmide com símbolo, amuleto, objeto de culto ou manipulação. Então, o que motivaria, na ausência de democracia, a implantação de tais pirâmides em São Luís?

Tentando decifrar o código. Em São Luís já existiam dois monumentos de características piramidais: a Pedra da Memória e o monumento a Manuel Beckman. A Pedra da Memória é bem provável ter tido influência maçônica na sua concepção, o que vale igualmente para o Monumento a Beckman. No entanto, o que se ver na década de 1980 parece ter surgido por motivações e por iniciativas diferenciadas dos monumentos anteriores. Primeiro, essas pirâmides não foram edificadas por nenhum motivo similar e nem para homenagear qualquer feito histórico da cidade ou do estado. Segundo, o prefeito naquela época parece que tinha consciência sobre a posição e os ângulos que as mesmas formavam sobre o mapa da cidade. Vide a distribuição das três principais pirâmides, onde uma delas fica um pouco “desalinhada”, assim como as do Egito. O certo é que o coração da cidade de São Luís passou a ficar sob uma grande pirâmide. O desenho é perfeito. Muito pouco provável que tenha sido arquitetura do acaso. 

Depois disso, as coisas foram mudando. O poder “político” no Maranhão, que  estava em pleno declínio, dando sinais de naufragar junto com ditadura militar, revigorou-se, como mágica, exatamente com a volta da democracia. Ironia é pouco para dizer o acontecido.

Pode-se dizer que aconteceu um místico paradoxo. Pois esse poder decadente (aliado dos militares) foi ressuscitado pelos próprios opositores do regime militar. Depois o velho poder do Maranhão foi só ampliando sua força e tamanho na Nova República. A partir daí a República brasileira começa a ser enquadrada e o avanço democrático barrado pelas forças conservadoras, que encontraram nessa força maranhense o concerto eficaz. Dessa maneira a sinergia entre as forças autoritárias ganhou forma efetiva de controle sobre os Aparelhos do Estado no período pós 1984.  

Para o construtor/executor dessas pirâmides ou dessa arquitetura místico/esotérica/ocultista, o prefeito de plantão, da época, os ventos da prosperidade sopraram forte e generosamente, tornando-o proprietário de um grande empreendimento, cuja sede tem, no telhado, algumas pirâmides, na logomarca da empresa também tem uma pirâmide, no terreno da empresa existe uma capelinha com cobertura piramidal e, no interior do edifício principal dessa organização, diversas peças (réplicas) do Egito antigo ornamentam alguns ambientes. Por isso, não é cabível acreditar que essas pirâmides foram postas em São Luís sem nenhuma intenção outra ou fundada em algum tipo de crença. 

Não é à toa que diversas obras e riquezas deste lugar assumiram dimensões faraônicas.

Ps.: Essa ,minha “inquietação” com as pirâmides surgiu no período mesmo em que elas foram construídas. Morava no Centro da cidade de São Luís e achei aquilo destoante e feio. Recentemente a “inquietação” voltou quando passava pela REFFSA. Saí procurando as demais pirâmides, logo desconfiei do posicionamento planejado das mesmas e graças ao Google (GPS) acabei confirmando o que desconfiava sobre a disposição das pirâmides. . 

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