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sexta-feira, novembro 18, 2016

A Galinha dos Ovos de Ouro


A galinha dos ovos de ouro é uma história conhecida e bem conhecida de todos nós (Trata-se uma fábula de La Fontaine). O indivíduo mata a galinha ambicionando ter mais ovos de ouro imediatamente, sem demora. A velha sedução do fácil produzida pela ganância. O tesouro pronto que se quer logo. Subjetivamente o "diabinho" que fala à consciência subjugando outros valores.  Na minha infância, quando conheci a história, fiquei chocado mesmo foi com a morte da galinha. Olhei a ilustração e achei a galinha tão bacana. Ela estava candidamente abaixada no seu ninho e rodeada de ovos dourados. A coitada eliminada por ter a beleza de produzir tesouro. Ouro não fazia o menor sentido para mim, algo totalmente estranho ao meu universo (carrinhos de lata, mangueiras e a areia do quintal). Lamentava mais pelo fato dela não ter chocado e produzido crias. Imaginei a ninhada. Na verdade até hoje não sei o porquê de tamanha valorização ao ouro (não vejo nada demais e a única vantagem é que não enferruja como o ferro e nem suja como a prata). O que apareceu em primeiro plano foi a maldade do homem de matar a galinha. A lição moral retirada (interpretação corrente) é a destruição de algo precioso pela ganância. A ganância que obstrui a prudência e a inteligência. O indivíduo perdeu tudo por querer ter tudo de uma só vez, em um só instante. Mantive ao longo dos anos a impressão  inicial de que há uma maldade que envolve o querer. 
Vejo essa história hoje como algo absurdamente complexo contido em uma simplicidade. Vejamos: a galinha é aparentemente extraordinária porque realiza o impossível: pôr ovos de ouro. Isto é, uma ave que produz metal nobre morre. Mas o interior vivo da galinha (dos órgãos) revela-se o mais extremo normal, comum e não extraordinário. O extraordinário acontece nela, mas não está nela contido como algo pronto. Sua fonte não é visível, é extraordinariamente oculto. A galinha só é extraordinária porque é uma galinha organicamente como qualquer galinha (sua existência física é naturalmente comum). Outra lição moral possível é que a Fortuna é móvel e extremamente efêmera para quem é destituído de qualquer Virtú. 
Historicamente a galinha é um tesouro para a humanidade, porque é o alimento de bilhões de pessoas por todo o Mundo. A galinha está presente em todas as sociedades e culturas. A galinha é um tesouro extraordinário ao ponto do pobre poder ter esse bem e o manter com tão pouco. 
Nos povoados rurais do Maranhão, castigados pela pobreza e por déficit tecnológico de produtividade, a galinha no terreiro é uma poupança, um tipo de socorro nos momentos difíceis da família e um prato especial na mesa em dias de celebração. 
A galinha é  o grande tesouro para os virtuosos e os ovos de ouro a tragédia para os gananciosos!  

quarta-feira, novembro 09, 2016

Trump é só o discurso exotérico?


Confesso que a vitória de Trump não me causou nenhuma surpresa. Isso particularmente após eu ver um esforço concentrado de jornais e revistas americanas para ajudar a candidatura de Hillary Clinton. Nunca tinha visto a Time, New York Post, The New York Times, Wall Stree Journal, Washington Post,  Newsweek fazerem tamanho esforço contra um candidato. Algo estava acontecendo. Se Trump fosse só um amalucado falando bobagens, certamente não despertaria tantas preocupações. A verdade é que ficou provado que o que Trump fala sobre os "outros" é o que verdadeiramente os americanos pensam, em sua maioria. Não eram loucuras as falas de Trump, mas sinceridade.
A política externa que apareceu nos discurso de Trump é bem simples: reforçar internamente a segurança e quem pariu Mateus que o embale (que sírios, afegãos e iraquianos resolvam seus seus problemas). Trump não quer soldados americanos morrendo em conflitos internos de outros países. Menor tolerância com o terrorismo. Prioridade nos negócios econômicos. Talvez seja por isso que Putin demonstrou mais simpatia e otimismo em relação a Trump, pois deve estar presumindo menor interferência americana na Ucrânia e Crimeia.
Uma coisa é a performance de campanha e outra coisa é o exercício do cargo. Acho que Trump tende a se focar mais na recuperação econômica e reduzir a presença americana em conflitos armados.  O Estado estadunidense, tudo indica, manterá o curso de sua doutrina sem grandes novidades e arroubos.  Além disso, os americanos tem um ethos Liberal que tende a conter qualquer impulso mais ao extremo. 

segunda-feira, outubro 31, 2016

Holandinha: vitória, pero no mucho



A chegada de Braide no segundo turno e a existência do próprio segundo comprovam que há muito espaço para os opositores de Flávio crescerem competitivamente. 
Holandinha foifeito e permanece prefeito colado na imagem de Flávio e esse segundo turno mostrou que a rejeição a Holandinha é alta e muito firme. 

A vitória eleitoral de Holandinha é de pouca expressão do ponto de vista político. Não foi expressiva, ainda mais levando em conta que a sua candidatura contou com o apoio da força da máquina municipal sob seu próprio comando (ou do seu pai)  e mais o apoio do governador. A diferença de votos foi só de 31.651(nada mais que um bairro médio de São Luís) diante de um candidato que "corria por fora" e ainda muito desconhecido do eleitor da Capital. Outro fator que ajuda a sustentar essa afirmação sobre a dimensão política dessa vitória é o total de votos Nulos e Brancos que atingiu a marca de 24. 702 votos. Só um pouco menos da diferença que deu a vitória a Holandinha. 

Tem outro elemento importante nesse pleito: abstenção. As abstenções totalizaram um pouco mais 92 mil votos no primeiro e  um pouco mais de 103 mil votos no segundo turno. Esse aumento deixa mais em cheque a expressão política dessa vitória de Holandinha. Provavelmente muitos desses eleitores se sentiram menos atraídos a participarem, a legitimarem as opções que lhes foram postas. O nível de campanha foi péssimo. Faltou respeito ao eleitor e foram demasiadas as fugas acerca das questões fundamentais de interesse público, preenchendo o tempo com discussões difamatórias, mentiras e boatos. Isso tem muita importância ainda mais em uma Democracia, onde a legitimidade precisa ser ratificada continuamente nas urnas e para além das urnas. 
Cabe destacar que o governador não completou ainda dois anos de mandato e o seu pronunciamento a favor da reeleição de Holandinha não fez efeito sobre essa parcela do eleitorado, que preferiu se abster de votar. Certamente o crescimento global da abstenção é fruto da influências de múltiplos fatores, mas não é desprezível seu crescimento frente a tamanho apelo eleitoral.  

A vitória de Holandinha acaba sendo, inicialmente, um bom cenário para a oposição a Flávio. Primeiro, porque Holandinha, com esse nível de gestão, dificilmente vai reverter essa sua rejeição até o final de 2017 (2018 tem mais eleições). Segundo, continuando Holandinha com esse desempenho administrativo, a tendência é que a sua rejeição permaneça alta e vá aderindo cada vez mais em Flávio e isso pesa muito eleitoralmente, já que São Luís é um mega colégio eleitoral com mais de 600 mil votos. Isso tem especial importância em uma disputa eleitoral de alcance estadual porque mais de 30% do eleitorado maranhense estã concentrado em 9 cidades, sendo que São Luís é uma delas. Por outro lado,  os 40 municípios "ganhos" pelo governo estadual, em geral, são muito pequenos eleitoralmente (além disso, caso concorra a reeleição, o governador não vai  obter 100% dos votos em todos eles). 

Outros fatores provavelmente pesarão eleitoralmente para Flávio em 2018, mas o mais destacado deles é custo PDT (qual será o tamanho da exigência política desse apoio até lá?). O PDT há 27 anos está encravado na Prefeitura de São Luís, todos os rumos tomados pela cidade, para o bem ou para o mal tem a marca PDT. O que ocorreu nesse período urbanisticamente, administrativamente, infraestruturalmente e nos serviços é de responsabilidade desse grupo. O PDT à frente da Prefeitura se configura hoje como uma oligarquia pelo tempo e pelos fins. Porém, o discurso anti-Sarney, o recurso de atrair voto pelo terror, através da exploração do medo, do medo do "retorno" dos Sarney, deu claros sinais que está em plena falência. O exemplo disso é que Braide foi acusado de ser candidato dos Sarney e chegou onde chegou.  O PDT vai ficar sem discurso e é hoje a real oligarquia existente na cidade de São Luís. 

Nomes destacados nesse projeto eleitoral que deu a vitória a Holandinha, a exemplo de Weverton e Waldir,  talvez não sejam esquecidos na avaliação do eleitorado na hora de votar em 2018, principalmente em São Luís. Além disso, são nomes assim que, em 2018, vão estar pesando com a conta de suas reeleições (deputados estaduais e federais). Que discurso vai harmonizar tudo isso? Como isso vai significar mudança? 

Enfim, Flávio se quiser ter êxito em sua reeleição (caso não queira conquistar nenhuma das duas vagas para o Senado) vai ter que trabalhar muito dentro de São Luís. Só que o contexto macro econômico mudou, a configuração política favorável junto ao Governo Federal foi desfeita com o impeachment de Dilma e o fim do governo do PT (isso era mesmo uma vantagem?) e já dizem que o percentual de desaprovação em relação ao governo Flávio está acima de 30%, o que não é nada desprezível em menos de dois anos de mandato. Isto é, essa vitória de Holandinha tem tudo para ser uma festa para os opositores de Flávio. Vitória, pero no mucho!    

quarta-feira, outubro 26, 2016

Uma gestão que não conseguiu ser a primeira nem no Maranhão




Nem sou detalhar.... as imagens já sintetizam bem e cada um pode consultar diretamente no site. São fica em 9º lugar no ranking dos municípios (só Maranhão). 

sábado, outubro 22, 2016

Eleições em São Luís (2º Turno): piorando sempre

Segundo Turno das Eleições de 2016 em São Luís. Além de ser uma campanha de baixíssimo nível e ações deploráveis de blogueiros e cabos eleitorais, as "pesquisas" viram peças do realismo fantástico, uma verdadeiro malabarismo de números ao bel prazer dos senhores que se acham mais espertos que o povo e que se sentem capazes de criar "verdades" em passes de mágica. Desde o primeiro turno mentiras postas em números estão sendo divulgadas sem nenhuma interferência da justiça eleitoral. Nada foi feito. Agora no segundo turno continua igual.Entre as curiosidades das pesquisas está a queda acentuada nos votos nulos e brancos (7,41% no primeiro turno) que aparecem igual ou inferior a 4%. Será que há realmente um estímulo á diminuição dos votos Nulos e Brancos? Não creio, principalmente diante do nível de campanha. Os votos dados ao PSTU, ao PSOL e ao PPL não tentem ao voto nulo (mesmo que a soma dos votos dessas legendas totalize só 1,4%)?Vejo como um elemento significativo nessas eleições o índice de abstenção registrado no primeiro turno. As abstenções atingiram a marca de 14,07% (o número nada desprezível de 92.804 eleitores). Isso sim pode gerar um impacto significativo no resultado das eleições se o comportamento desses eleitores mudarem nessa reta final e irem na direção do voto válido. a questão é: essas campanhas estão estimulando o eleitor a não se abster?Minha "previsão" é que o resultado é do peixe.

sexta-feira, outubro 14, 2016

A Favor da Alternância e Contra a Reeleição

Sou contra reeleição no Executivo, ainda mais quando o pretendente à reeleição disputa no exercício e gozo do cargo. É um atentado contra a isonomia no que diz a necessária igualdade de condições na competição. 

Só isso já me faria não escolher Holandinha para mais um mandato. Mas, não é só a continuidade de Holandinha na prefeitura, mas também a continuidade do PDT que já soma mais de vinte anos encravado no poder municipal. Já está mais do que na hora de alternância.
No entanto, há algo que acho também crucial para não optar pela continuidade de Holandinha: a qualidade de sua gestão. Não vejo nenhuma avanço, nada de significativo diante dos graves problemas que São Luís sofre. 

Digo isso porque votei em Holandinha para  tirar Castelo que, na época, não fazia uma administração à altura do que a cidade necessitava. Pelos mesmos motivos penso que Holandinha precisa ser substituído. Quando a gestão não presta temos o dever de substituir o gestor.

Precisamos substituir sempre porque a alternância é a alma da Democracia.
Quando tiramos um político pela sua péssima qualidade de gestor já deixamos o recado para seu sucessor do que não queremos. 

terça-feira, agosto 16, 2016

Para que serve eleição proporcional

O sistema eleitoral/partidário brasileiro em vigor é um dos fatores da decadência da nossa representação política.  
Vou tratar só do sistema eleitoral, particularmente da eleição proporcional. Primeiro, existem diversas variações dessa modalidade de eleição, mas em essência ela vida garantir a pluralidade e compor e dotar o parlamento e a representação política da pluralidade existente na sociedade. isto é, os diversos segmentos sociais (ou o maior número deles possível) estarem minimamente representados. Lindo não é? Bem, entre esse ideal e a efetivação de uma prática eleitoral existem inúmeros condicionantes e, obviamente, um contexto repleto de interesses e poderes. O nó está exatamente como conferir os votos e estabelecer ganhadores. Para simplificar a questão e melhor ilustrar o nosso problema faço a pergunta: para que serve a eleição proporcional no Brasil? Do jeito que está, com essas regras de coligação e com essa forma de contagem de votos e distribuição das vagas não serve a nada mais que aos interesses pessoais de políticos profissionais, de caciques políticos e oligarquias partidárias (castas donas de partido). 
Não serve para fortalecer a democracia, o poder do povo e sua pluralidade. Basta imaginar coligações infindáveis de dez, doze, dezesseis partidos. Eleição Proporcional (proporção) com coligação é uma contra-ideia de plural. Na verdade são somados votos que, no final, não representa nada de mais significativo socialmente e politicamente, porque as vagas ficam com os mais votados da coligação e cuja performance pode estar restrita a uma clientela, a um círculo de vínculos pessoais que não representa nada de mais orgânico socialmente, não expressa a pluralidade social, cultural e ideológica, mas só um articulado curral eleitoral. A compra do voto reforça isso. 
Em 2015, o Senado Federal chegou a aprovar a PEC 40/2011 (de autoria de José Sarney) que previa o fim da coligação nas eleições proporcionais, mas o projeto foi arquivado na Câmara Federal. Atualmente está em análise no CCJ a PEC 151/2015 (de autoria de Valdir Raupp) que prevê o fim das coligações em eleições proporcionais. 
A questão é: eles querem? Que eles? Eles, os favorecidos com essa bizarrice. Basta ver as coligações formadas até agora nos diversos municípios. O que mais chama atenção é o PT coligado com o PMDB. 
Você ainda está perdendo tempo discutindo o "golpe"? Acho que não... Você tem coisa melhor para fazer! 

segunda-feira, novembro 09, 2015

O "socialismo" omelete


Socialismo omelete. Bateram as contas públicas (até virar espuma) picaram o interesse  público  (loteando as empresas  pública), misturaram interesse privado com negocio público e mais projeto de perpetuação no poder e depois mexeram com a estabilidade econômica - Dilma para.fazer muito mais. Sorria você que tenta justificar corrupção cegamente e encobrir incompetência como sendo conspiração...

quinta-feira, março 19, 2015

Dilma Al dente: manifestações e o óbvio


Os manifestantes ainda estavam nas ruas quando dois ministro do governo Dilma concederam entrevista: Cardozo e Rosseto. As falas de ambos foram por demais reveladoras quanto à falta de entendimento interno no governo e entre governo e PT. Enquando Cardozo fava em democracia, legitimidade das manifestações e necessidade do diálogo, o Rosseto desqualificava as manifestações como ato restrito aos que não votaram em Dilma e  violência. Deixaram de imediato a questão: quem fala em nome de quem? Clara situação bipolar do governo. Mas isso é um importante indicador: o tipo de equipe e apoiadores a presidente tem. É isso, os maiores problemas da Dilma diante da atual conjuntura são internos, interno ao governo e ao seu partido, o PT. 

Hoje existe um PT que abdicou de fazer política, esquece o compromisso que um governo deve ter com o povo como um todo e a responsabilidade do Estado para com todos os cidadãos Brasileiros em garantir gozo de direitos fundamentais. Esse PT tem efetivamente ajudado a produzir isolamento político e a ruir a popularidade de Dilma. E, ao que parece, a ciber-guerrilha saiu de controle e age de forma autônoma. O discurso agressivo, desqualificado, recheado de xingamentos e bizarrices conspiratórias rebaixa ainda mais a credibilidade te tudo que emana do governo. Para completar veio somar-se a esse descaminho o Stédile com um suposto exército. Na prática o MST, a CUT e PT e seus partidos de esquerda satélites não lotaram ruas e protagonizaram um vexame com a constatação que tinha "manifestante" pago. Hoje quem confronta as imagens das manifestações dos dias 13 e 15, ver, sem custo, o quanto foi pequeno e restrito as manifestações pró-Dilma. Só serviu para alimentar o contraste desfavorável à presidente e deixar todos que hoje se opõem ao governo mais em alerta e convictos da necessidade do confronto. O dia 13 só serviu para o dia 15 ser um sucesso! No mais, a CUT e MST assumiram formas de entidades de mediação anacrônicas, no velho modelo do corporativismo grudado ao aparelho  e herdeiros do ideário de esquerda autoritário.  

No interior do governo transpira a falta de coesão e coordenação, basta ver os discursos destoantes entre os ministros e depois o discurso da própria Dilma. Depois que a Dilma falou a indagação ficou mais precisa: Em nome de quem Rosseto fala? Dele mesmo? Preocupante deve ser para a Dilma. Ainda mais com o desastre chamado Mercadante, sem carisma, sem habilidade política de negociar e suas previsões e apostas nada exitosas, produziu um nível de tensão e exigência ainda maior entre a base aliada, favorecendo o PMDB que já buscava inflacionar o custo do apoio. 

No outro lado, está uma oposição parlamentar formal, mas sem qualquer projeto alternativo às medidas do   governo e nenhuma proposta que incorpore as reivindicações expostas nas ruas. A figura de Aécio destoam do som das ruas, não gera credibilidade ainda mais quando convoca para as manifestação e não vai para as manifestações. Mas, o motivo parece óbvio, o risco de ser vaiado. Vide o que ocorreu com Bolsonaro, no Rio de Janeiro. Ao contrário do que o PT esperava não deixaram o Bolsonaro subir no carro de som e nem o deixaram discursar. A insatisfação não é só com os governista, mas também com a classe política como um todo. A Dilma cabe a maior porção da cobrança particularmente pelo conteúdo de campanha em plena contradição ou negados pelas ações do governo logo após as eleições, no momento em que o poder aquisitivo diminui, a inflação aumenta, o PIB não cresce, o preço da energia e da gasolina subindo,  os juros com taxas elevadíssimas, o dólar com cotação alta e os escândalos de corrupção na Petrobrás espantou até os mais desatentos.  

O PT,mesmo diante das expressivas manifestações do dia 15 de março, insiste em um discurso de ridicularização das manifestações atacando a todos que livremente manifestaram suas insatisfações com o que está aí. Simplesmente tenta reduzir o protesto contra a corrupção como um ato de direita, como ato golpista, de classe média, coxinhas etc. sem se dar conta do que  Nos últimos dias faz uso de uma matemática absurda e demolindo sua própria imagem de partido de militância intelectualizada. A absurda conta que eleva a classe média alta a um número absurdos, esquecendo que em 2010 o DataFolha apontava aprovação ao governo Lula de 83% da população brasileira. Sendo que em São Paulo a aprovação chegava a 79%. Impossível que essa aprovação tenha sido só entre os mais pobres. O PT aprofunda a crise em querer colocar como uma questão menor a corrupção. Pior quando argumenta que todos ou que antes já existia corrupção, ou quando coloca as críticas e protestos contra a corrupção como coisa de direita. O combate à corrupção é defender coisa pública, elemento essencial tanto para a vida democrática quanto republicana. Como um partido que é governo pode querer diminuir a defesa cívica da coisa pública? Isso reflete um tremendo equívoco sobre democracia que o PT sempre carregou ao igual os processos decisórios sindicais e de outras entidades privadas com o processo decisório democrático que volta-se ao interesse público e sobre os negócios públicos. O PT não sabe diferenciar o que eles chamam de "democracia" interna com o que realmente a democracia na sua forma política ampla. E esse mesmo equívoco o faz tratar o bem público como o bem da entidade de classe, como ente privado em benefício de uma categoria, o mal aí é reforçado pelo espírito corporativista. E isso preocupa, ainda mais diante do próprio desentendimento interno no partido nesse momento do governo. 

O cenário e as ações equivocadas do PT e do governo produziram o prato perfeito a ser servido ao PMDB que, bem instalado no poder, tem condições de reter qualquer tentativa de Impeachment, mas à custa de maior espaço e poder na máquina estatal. O concerto de salvamento da presidente tem como peça chave o mesmo salvador de Lula: José Sarney, que já reapareceu como senha de que será apaziguado na base governista. Logo Sarney que aparece, ele que foi colocado na lista da traição cirúrgica e foi evitado por Dilma durante a campanha eleitoral. Agora Dilma está exato como o PMDB quer. O PMDB não cogita impeachment porque não interessa assumir o poder nesse contexto, mas tem uma presidente fragilizada, sem habilidade política, sem popularidade e carisma. Essa dependência aguda do PMDB, assim, fica a condução do país sob o humor do PMDB. O nosso maior problema agora não é econômico, é político: nós não temos opção.  Dilma já foi servida al dente ao setores realmente mais conservadores. E em uma ironia absurda vamos ter que depender do humor e de um grau mínimo de respeito ao povo. 

Seria mais útil e inteligente o PT, antes de tudo se perguntar: por que os DAS, os comissionados, não foram para as ruas no dia 13? Além disso, buscar saber o que querem os silenciosos que não foram para as ruas no dia 13 nem no dia 15. O PT precisa ver para onde já tensiona o ânimo da massa ligada ao Bolsa Família. Não já começou um protesto silencioso dessa massa, quando não foi para as ruas junto com a CUT e o MST? 

No mais..a Democracia sempre é o risco da guerra civil, mas nossas instituições parecem, mesmo com tantos problemas estarem respondendo as demandas. Os extremismos  sempre surgem no campo político, mas no Brasil de hoje uma ou duas faixas querendo golpe não corresponde à vontade geral, nem significam o sentimento geral, é apenas o extremismo e, para bem da vida política nacional, bem isolado e incipiente  na forma e força. O que assustou é o Brasil está mostrando toda sua pluralidade viva, e a emergência de participação inovadoras, não imobilizadas pelos mecanismos tradicionais de representação e mediação. Esse espanto ainda é resquício da ditadura que fez parece que a vida e a política era só os contra a ditadura militar e os que eram a favor. Espaço restrito que fixou a ideia que esquerda só pode ser uma e de um tipo e que a direita é homogênea. Essas manifestações servem para dar vida à democracia e tornar visíveis novas mecanismos de mobilização independentes de sindicatos e partidos. Lógico, isso é novo e assusta os conservadores à direita, à esquerdo e no centro. O velho (establishment) está tendo dificuldades de dialogar com o novo, porque o velho ficou ultrapassado. O PT chegou ao poder tardiamente, o seu exercício de poder e o ideário de "esquerda" que tenta manter no discurso reflete uma total incongruência e anacronismo, ainda mais permanecendo no poder amalgamado com todas as forças sobreviventes que serviram ao regime autoritário instaurado com o golpe civil-militar de 1964. Basicamente o povo está só querendo é não ver suas vidas pioradas e um pouco mais responsabilidade dos governantes. 

Fechar os olhos e não ouvir é verdadeiramente atentar contra a democracia. 

domingo, fevereiro 22, 2015

Brasil, e agora?


Qual a real situação do Brasil? Qual a real situação econômica e social do Brasil?
O segundo governo Lula, o primeiro governo Dilma simplesmente fizeram da gestão pública meios de propaganda eleitoral. Assim, adiaram,negligenciaram e irresponsavelmente não tomaram uma série de medidas e políticas preventivas e de correção na economia. Tudo para "não perder voto" e "atrair" voto. 

A governo gastou muito e muito mal em programas e projetos duvidosos e alguns bizarros. De repente o Brasil começou a abrir os cofres para uma série de países a título de caridade, recursos gastos sem nenhuma viabilidade de retorno. Vide o contrato mirabolante com a Venezuela na construção de uma refinaria, onde a Venezuela não é responsável por nada e tudo no famoso "não vamos pagar nada". Mas, não foi isso, os gastos do Executivo foram volumosos com um número hoje astronômico de cargos comissionados, publicidade e cerimoniais. Isso tudo sem a economia crescer e a inflação ganhando proporções maiores e onde afeta diretamente a grande parte da população.

Não adianta mais o governo dizer que está mantendo programas sociais, na verdade, o beneficiado do Bolsa Família já percebeu que a manutenção do programa não é suficiente, pois o recurso recebido perdeu poder de compra. E aí parece ser o real risco para Dilma e o governo do PT, quando essa massa eleitoral e trabalhadora começar a reclamar por conta da insignificância da ajuda recebida com o programa bolsa família. Sem uma estabilização econômica e sem crescimento parece pouco útil políticas que tendem a favorecer o cidadão apenas no consumo bens não duráveis, em consumo improdutivo. 

Por outro lado, o escândalo da Petrobrás já começa a ser lucro para o governo, é útil como cortina de fumaça. Em quanto essas denúncias de corrupção ocuparem a grande mídia é lucro para o governo, porque deixa a imprensa muito ocupada com um caso só. A real situação do país está guardada e abafada, ninguém investiga e ninguém noticia. 

É sabido de todos que esses governos há tempos vem manipulando dados, tendo como principais exemplos os casos do IPEA e do IBGE e, mais recentemente, a incrível ré-"invenção" de indicadores e de parâmetros para mensurar condições sociais e definir classe média, só para citar um caso estranho. Só que esse mar obscuro deve ser bem maior, profundo e cheio de tormentas. 

Quais as medidas do governo para tapar enormes problemas como o aumento da dívida pública, déficit na balança comercial etc.? A resposta são os aumentos de impostos, de tarifas etc.? Em uma economia que praticamente parou de crescer, com alta no dólar, inflação já preocupante, retração no setor industrial vai funcionar aumentar a carga tributária sobre os cidadãos, aumentar juros e os preços de energia e gasolina? 

Mas, no momento, parece que as pessoas só podem "saber"  sobre a Petrobrás. No mais, a imprensa e demais órgãos estão preocupados com Bolsonaro e outros circos. O fundamental está debaixo do tapete da "faxineira" na  presidência e deve ser nossa preocupação central nesse momento. 

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Flávio e PH: quando a Política perde espaço para bobagens


Quando a Política perde espaço para bobagens. O Maranhão está tão decadente que adversários políticos ou pessoas de opiniões diferentes precisam ser tratadas como inimigas. Aí o insulto substitui o argumento por pura ignorância. As divergências políticas não devem ser para eliminar pessoas, pois perde a qualidade de política. Nada demais Flávio cumprimentar PH nem qualquer outra pessoa não que não seja "os aliados". Civilidade é da política. Civilidade é Política. E por qual motivo esquecer que é Carnaval? 

domingo, fevereiro 15, 2015

30 anos de axé e o carnaval pastiche


30 anos de axé e micaretas ajudaram a retirar do Carnaval a inventividade, a irreverência e o transformaram em um pastiche.
É só ficar observando esses "carnavais" palanques-eleitorais para reeleição de prefeitos. E no final, o que menos toca é música de Carnaval. 
Tudo muda! O Carnaval está se dissolvendo?!!

sábado, janeiro 17, 2015

A mudança, mandonismo e os rincões


O Maranhão está se preparando para dissolver no ar seus mais sólidos mitos. A partir de agora o novo governo estadual vai precisar preencher diversos postos de chefia nos andares de baixo da máquina administrativa. A questão são os velhos e afinados senhores locais, na verdade, milhares de mandões de plantão  que vivem grudados ao sistema eleitoral partidário e dele fazem meio de vida. Cabos eleitorais ávidos por recompensas e premiações por serviços prestados na campanha. A mudança vai ser testada verdadeiramente agora quando se confrontará com esse ethos da nossa cultura política. 

Qual o critério realmente novo e contrário à perpetuação desse sistema de favores em torno de preenchimento de cargos? Qual vai ser o princípio de preenchimento desses postos? A ação vai responder... mais 30 dias e saberemos a exata dimensão do que ainda há de mandonismo nos rincões e o tamanho da mudança. 

Para o lado que é república.... há o que a delimita. 

quarta-feira, janeiro 14, 2015

Quem é oposição no Maranhão (?)


Que oposição temos hoje no Maranhão? Quem é oposição e a quem se opõe? 
Ficou tão naturalizado o termo que tem gente no governo ainda falando como sendo oposição. Na verdade temos hoje diversas oposições. Alguns são aliados quanto ao governo do estado e opositores quanto aos governos municipais e federal. 

Hoje no Maranhão e no Brasil inteiro existem verdadeiros amontoados de arranjos de coligações partidárias sem estarem fundados em programas e projetos de interesse público. Essas conveniências e o oportunismo pessoal sobrevivem sustentados por uma legislação política ultrapassada e que foca ma utilidade pública da existência partidária. São permitidas alianças partidárias sem requisitos do interesse público e a vontade geral. Candidaturas ao Executivo são estabelecidas sem exigências e sem responsabilização dos candidatos quanto ao programa de governo e as propostas de políticas públicas. No final, resta mesmo a conveniência e o oportunismo. Nem cabe insistir em posições ideológicas, pois ideologia política é mero recurso retórico. Tudo conjuntural. 

A posição enquanto antônimo de estar no governo existe. Na verdade existem, pois são várias. Mas oposição no sentido político de novas formas de condução do poder, projetos e programas sociais inovadores não existem. Por quê? Porque quem reivindicava essa mudança de exercício de governo e projeto de políticas públicas está no Governo, quem estava no governo não tem o que apresentar de novo, na verdade saiu em completa exaustão e anacronismo sob acusações de mandonismo, oligarquia, patrimonialismo, clientelismo etc. Ao sair do governo esse grupos ficou esfacelado no seu ponto de maior consistência de adesão e coordenação, a teia começou a decompor em diversos pontos e os pontos mais organizados ainda não atingiram uma reorganização e direcionamento consistente. Até agora eles ainda são ecos de vozes do passado. O mais provável é que sobrevivam alguns grupos menores e independentes entre si, com direcionamento distintos (chefões diferentes). 

No outro extremo desse campo eleitoral/partidário estão os conhecidíssimos partidos anti-sistêmicos, atuando como força centrífuga no sistema de partidos. São legendas que nitidamente pregam um outro regime político, um outro sistema político. São contra o sistema atual. Não querem apenas exercer o poder político que aí está, não estão na disputa eleitoral e no sistema de partidos para só apresentar uma outra forma de exercício de governo e um novo programa de governo, mas almejam uma transformação total da ordem social, econômica e política... alguns chamam isso de revolução. Nessa linha temos claramente o PSTU e, de uma forma mais tênue, o PCB. Dessa forma, pouco colaboram enquanto oposição necessária ao sistema existente. Primeiro, pelo baixo grau de representatividade no legislativo e no executivo. Segundo, a baixa capacidade dirigente que exercem junto às organizações da sociedade civil.

Já fora dessa linha anti-sistêmica está o PSOL, que tenta se organizar eleitoralmente em dimensão nacional, mas em termos de projeto e de programas para o país ainda não apresentou nada consistente. Basta ver o que foi apresentado na última campanha presidencial pela candidata do partido. Falta firmar posição também sobre questões macro-econômicas e de políticas públicas de escala nacional. Tem tido, nacionalmente, um tom vacilante e oscilante quanto aos governos do PT. Ainda não firmou um posição nítida de oposição ao governo federal. Até agora o PSOL ainda não esboçou nada de novo em termos de ruptura com a esquerda tradicional vinculada a um socialismo estatal. No Maranhão essa situação do PSOL é muito mais complexa e em termos de que oposição o PSOL é. Apesar de visível sua participação em lutas populares, os motes e propostas diante da situação do Maranhão parecem muito tímidas e ou restritas. Não tendo ainda representativa no parlamento local e não tendo ainda grande força dirigente junto aos movimentos sociais populares etc. não aparece também como um oposição de força. O PSOL-MA está em uma encruzilhada, porque precisa se constituir como uma oposição consistente no sistema e, ao mesmo tempo, concorrer e se afastar da forma de enfrentamento lançada pelos resquícios do sarneísmo contra Flávio Dino. Até o momento as ações programáticas e e os motes lançados como oposição desconsideram as dimensões históricas do momento e tem assumido uma forma personificada de oposição a Flávio Dino, tem soado como questão pessoal. Falta  a virtú de saber se constituir como a principal força de oposição aproveitando-se do contexto. O PSOL precisa ver o mandato de Flávio Dino como momento histórico para construir um novo campo político no Maranhão. 

Não é importante agora gastar energia em discussões se o governo Flávio é ou não a mudança radical (nem um mês de mandato, só pode ser futurismo) o mais importante é fortalecer as potencialidades do contexto para que este governo possa se consolidar como um elemento efetivo de transição para uma outra realidade política no Maranhão, como um campo político com mais espaço, pluralidade e competitividade. Ora, isso não implica em ir bajular Flávio nem puxar saco, nem morrer de amores pela pessoa dele, nada disso, mas fazer um oposição que anule os resquícios do sarneísmo e seja defensora e proponente de ações que representem avanço para o povo do Maranhão e ruptura com o passado. Assim pode provar sua capacidade de gerir propostas de interesse público e ganhar mais legitimidade para falar em nome do interesse geral. Já está mais do que na hora desse partido ver a administração municipal, trazer propostas para a cidade de São Luís, por exemplo. 

Diante disso, vemos que precisamos também superar um estágio de oposição que brotou , cresceu e envelheceu sob a lógica d e uma teia mandonista. O Maranhão precisa de criar uma nova oposição que não seja apenas o outro lado da moeda do sarneísmo. Precisamos de uma oposição que seja na direção da superação do passado. Os resquícios do sarneísmo sendo a oposição, hegemonizando esse setor, é um entrave à constituição da renovação do campo político maranhense.  

segunda-feira, janeiro 12, 2015

O Maranhão pobre e o luxo da sonegação permitida


Nos últimos dias duas versões inundaram as páginas das redes sociais e os jornais do Maranhão. A versão dos atuais governantes dizendo que os cofres do estado estão vazios e, a outra, dos ex-governantes dizendo que os cofres do estado estão bem municiados de recursos. Coisa de um país onde coisa pública pode ser tratada de qualquer jeito. No Brasil ainda é permitido governantes deixarem cofres vazios e a população não saber exato o que foi feito com os recursos e tampouco saber o que há de fato de erário.

Passível de constatação
O Maranhão pobre tem um luxo magnifico de sonegação. Enquanto os que assumiram o governo e os que deixaram o governo confrontam suas versões sobre se tem ou não dinheiro no cofre estadual, milhares e milhares de estabelecimentos comerciais transacionam sem emitir nota fiscal. A rotina dessa prática é tão generalizada que as atendentes não oferecem a nota fiscal. A  máquina de passar o cartão não está conectada na máquina de emissão do cupom fiscal. Quando você pergunta pela nota fiscal ouve uma sonegante pergunta: "O Sr. vai precisar da Nota?".  O imposto quem pagou foi o cidadão, mas sem a nota o empresário fica com esse dinheiro e ainda deixa de pagar imposto. 

O óbvio
O mal feito sobre a coisa pública deve ser apurado e devidamente encaminhada à justiça. No mais é trabalhar, trabalhar, trabalhar.... um deles é reequipar a Secretaria da Fazenda, o fisco estadual. O combate a essa sonegação oficializada é o caminho para ter dinheiro para investir em programas sociais etc. Incentivar a fiscalização, estabelecer metas e premiações para o pessoal da fazenda estadual. Além disso, é fiscalizar quem fiscaliza, isto é, controle externo na Fazenda Estadual. Melhorar a arrecadação e extinguir os privilégios de sonegação precisa ser uma prioridade. 

Eta Maranhão...

sábado, janeiro 10, 2015

Circo, o globo da morte e a mulher fora do globo


Ontem fui Ao Le Cirque. .. e lá estava o velho globo da morte.  A primeira fez que vi esse número foi em Itapecuru. Lá, na época, colocavam uma mulher dentro do globo, ela ficava em pé parada enquanto as duas motos circulavam no interior do globo. Ontem 5 motos giravam dentro do globo e aos poucos o mesmo foi sendo divido em duas partes. No Le Cirque nenhuma moça fica lá dentro para correr o risco de morrer. Nenhuma moça participou desse número hora nenhuma.  Espero  que não retirem a mulher do globo terrestre, pois a vida passará a ser um "espetáculo" absurdamente triste.
Moral da história: nunca tinha visto um circo sem mulher. Cadê as dançarinas, as assistentes do mágico etc? Será que foi o politicamente que retirou as belas mulheres de biquíni do circo? 
Ps,: honrosa exceção para a moça contorcionista! 
O contorcionismo sempre nos salvando! 

quinta-feira, janeiro 08, 2015

A Condição da França é a condição Mundo


A questão é: Como enfrentar o terror sem matar a democracia? Mais poder às polícias vai produzir mais segurança? Restringir os direitos civis dos cidadãos vai produzir mais segurança? 

Todo mundo sabe que a doutrina americana de guerra contra o terror é um tremendo fracasso. A restrição das liberdades dos cidadãos e a prática de torturas não acabaram com o terrorismo nem eliminou a sua ameaça. O enforcamento de Saddam, a execução de Kadafi, apoiada pelo Ocidente, a suposta execução de Bin Laden não trouxe um outro Mundo ao nossos olhos, trouxe o Isis. O Estado Islâmico é novo e velho, é ordem e desordem e desafia o sentido comum das lutas. 

A condição da França é uma condição do Mundo. Não vamos esquecer centenas de crianças executadas dentro de suas escolas, crianças que nunca fizeram charges anti-qualquer coisas ou satirizando qualquer religião. Não vamos esquecer os diversos massacres que não têm ligação nenhuma com charges satíricas. 

O horror pode ser explicado? O horror possui causas passíveis de serem delimitadas? Lembrei-me do filme 8 Milímetros (1999). Lá no desenrolar da história o investigador, vivido por Nicolas Cage, pergunta ao mordomo comparsa do magnata que patrocinava a filmagem de torturas, mortes e abusos sexuais: "Por que ele fazia isso?". O mordomo responde: "Porque ele podia. Era porque ele podia." Em outra parte do filme, quando o detetive captura o Máquina, codinome do assassino que executava as vítimas no filme,  manda que o mesmo tire a máscara. O Máquina olha para ele e diz: "O que você esperava encontrar?  Um monstro?" Logo em seguida o Máquina completa: "Eu nunca fui abusado, eu nunca fui espancado. Eu fiz porque quis. Eu quis!" O roteirista deu voz ao horror para ele dizer que ele não está nas nossas explicações mais conhecidas e desejadas. 

O horror caminho em um extremo de banalidade. Infelizmente...parece ser o espírito que paira sobre o mundo como a alma inevitável da terrível gaiola de ferro, que aterrorizava  Weber a olhar para o futuro da sociedade moderna. 

terça-feira, janeiro 06, 2015

A parada de Sarney


Nesse último domingo (04/01/2015), José Sarney anunciou, em sua coluna no jornal O Estado do Maranhão, que parou (sem dizer de imediato que é a carreira política). Após citar o Eclesiastes falando que há tempo para tudo, o ex-Presidente da República, anunciou sua decisão: "Eu, agora, achei que era tempo de parar". 

Lembrei-me de Maquiavel ao dizer, em referência aos romanos, que "sabiam que o tempo tudo arrasta consigo e que, assim, ele pode trazer o bem como o mal, o mal como bem." (Capítulo III de O Príncipe).

Mesmo que os senador ainda não perceba, está também fazendo tardiamente um bem a si mesmo. E como está dito no Eclesiastes: "Uma geração passa, outra vem; mas a terra sempre subsiste."  (Ec, 1: 4) E no mesmo Eclesiastes: "O que foi é o que será: o que acontece é o que há de acontecer. Não há nada de novo debaixo do sol." (Ec, 1: 9)

A sua permanência na Política, desde o segundo mandato de Roseana, devia-se a inércia. Existia uma oposição que sobrevivia de derrotas. Era cômodo, porque ser a eterna oposição rendia. Essa letargia oposicionista era alimentada pela ideia da existência de um demiurgo malévolo de onde eram extraídas todas as legitimações, explicações e justificações para a realidade de forma mitologizada. Essa era e essa oposição precisam ser superadas agora.  Superar o sarneísmo é também superar a oposição criada pelo sarneísmo. 

A velha dialética do senhor e do escravo parece falar nesse parar (saída)... (Para quem não lembra, Hegel, Fenomenologia do Espírito, Seção A, cap. 4)

Assim, por falta de força organizada que pudesse lhe contrapor, o senador era perpetuado no poder como alguém imbatível e imune aos contextos e ao tempo que muda. O que alterou isso significativamente foi uma questão passional dentro do sarneísmo que produziu Zé Reinaldo opositor e a percepção de Flávio da ocasião. Tudo o mais foi o que deve ser:  trabalho e a disposição de vencer. 

"Vi tudo o que se faz debaixo do sol, e eis: tudo vaidade, e vento que passa." (Ec, 1:14)

sábado, janeiro 03, 2015

Transcendência, política e laicidade

Foto: Francisco Araujo


A QUESTÃO DE FÉ
Considero positivo e honesto quem se declara de fé, afirmando sua fé e a crença em Deus. Isso é garantindo constitucionalmente pela liberdade religiosa. Todo indivíduo tem o direito de carregar suas crenças. A liberdade religiosa é também uma liberdade de convicção e de pensamento (garantias políticas). 

"Somente onde existe o Estado político plenamente desenvolvido é que pode se manifestar, em sua peculiaridade e em sua pureza, o problema da atitude do judeu e, em geral, do homem religioso, ante o Estado político." (K. Marx, em Sobre a questão judaica)

RELIGIÃO E POLÍTICA
Na Antiguidade os gregos (atenienses) criarem a política estabelecendo a separação entre o poder temporal e o poder religioso, entre o espaço público e o espaço privado. O advento do Estado Moderno novamente é uma diferenciação do público do privado, do poder de base religiosa do poder laico. Separar religião da política não é matar a fé, mas ver que a laicidade é posta enquanto valores civis, consenso provisório e pautado em um reconhecimento de reciprocidade de direitos, onde emergem homens livres. É uma fé não religiosa acreditar que o outro tem direito e que ele vale enquanto sujeito livre e portador de direitos. 

A Fé religiosa é pautada em uma espécie de doação, entrega e recebimento. Para os cristãos existe um chamado extremo: amar ao próximo, a caridade desinteressada, o amor pelo amor (emotividade e afetividade estão sempre presente). E tudo firmado em uma vida para além da vida, uma transcendência, nesse caso é do espírito. 

A Política é e sempre vai ser a construção inacabada, esforços e arranjos precários por soluções provisórias (o humano e estritamente humano) e, em Democracia, as maiorias são sempre provisórias. 

No período da democracia ateniense existiam, fora do mundo grego, inúmeras cidades, mas nenhuma era uma comunidade cívica. As primeiras comunidades cristãs nunca foram comunidades cívicas. Só a Polis era comunidade cívica.  O que há de comum na polis não é a comunhão religiosa, que necessariamente está vinculada a uma condição espiritual, mística e transcendental. O comum na política é o público, que nada mais é que coisas referentes ao interesse geral, um direito de ser participante do uso e do cuidado do que é de todos e não é de um só para sua exclusividade. Regra  objetiva, pactuada, consensualizada e valorada socialmente. Algo humanamente criado. Por isso, os gregos relacionavam humanidade plena com participação na política. Os gregos não só colocavam os outros como não civilizado, mas como também não humanos. 

O que é público é negação do privado, do particular e íntimo. A coisa pública é sustentada por um poder soberano impessoal e é isso que possibilita o espaço público. 

O que é comum na religião é uma crença no sagrado, que sempre está acima dos homens. O que é partilhado atende primeiramente aos que fazem parte daquela crença. O campo do sagrado e profano são articulados, o proibido e o permitido segue um designo, um dogma, uma revelação que não é posta como vontade do homem, mas de uma divindade. Sobre um poder que se sustenta a partir de uma divindade Maquiavel fez a seguinte consideração: "sendo eles regidos por razões superiores àqueles que alcança o saber humano, abster-me-ei de comentá-las. Principados elevados e mantidos por Deus, seria presunção e temeridade de um homem explicá-los". (O Príncipe, capítulo XI) 

As regras de acesso e resolução da política e da religião são substancialmente diferentes.  A política envolve processos, decisões reconhecidamente humanas. A realização religiosa pode ocorrer ao máximo plano individual, mas ninguém realiza na política algo sozinho e sem implicação coletiva. A política é para coletividades mesmo com pluralidade e heterogeneidade. Ela é uma forma prática de equacionar interesses e de ajudar a sustentar a vida social. 

O Estado, a política e o poder político devem laicos. A laicidade não é regulamentada no Brasil. Cabível uma emenda constitucional definindo os termos dessa laicidade e sua aplicação. Na França isso foi feito (salvo engano) em 1956, onde a laicidade foi posta como imparcial a serviço da liberdade religiosa. O servidor público é livre para manifestar sua fé pessoalmente, mas isso não pode ser no exercício de sua função de servidor e isso não pode prejudicar o exercício do serviço público. 

Na Antiguidade o poder político assumiu uma forma impessoal e para isso usavam símbolos para identificar que estava no exercício. Fórmula simples para dizer que ele portava, mas não era dono do poder. A fé do governante é a lei, principalmente em repúblicas. Quem está portando o poder político, como governante, tem que assumir a laicidade, mas sua vida privada e na sua individualidade pode ser religioso a seu bel prazer, desde que não envolva coisa pública. 

Maquiavel estabelece uma ruptura na forma de ver e tratar o fenômeno político. Aí fica nítido a percepção histórica e não teológica do poder.

"Mas, para falar daqueles que, mercê da própria virtude e não da fortuna, tornaram-se príncipes, assevero que os mais excepcionais foram Moisés, Ciro, Rômulo, Teseu e outros desse porte. E, se bem que a história de Moisés não seja perfeitamente ilustrativa, pois que era um mero executante das ordens de Deus, tamem ele deve ser admirado, solum pro esta graça que o fazia digno de falar com o Criador." (Maquiavel, In.: O Príncipe, capítulo VI).

Retornando a Marx: 

"A própria consciência religiosa e teológica se considera, na democracia perfeita, tanto mais religiosa, tanto mais teológica, quanto mais careça, aparentemente, incumbência do espírito retraído do mundo, expressão da limitação do entendimento, produto da arbitrariedade e da fantasia, quanto mais seja uma real vida no além. O Cristianismo adquire, aqui, a expressão prática de seu significado religioso-universal, enquanto as mais díspares concepções do mundo se agrupam umas junto às outras na forma do cristianismo, e, mais ainda, pelo fato de nem sequer se lhes fazer a exigência do cristianismo, mas sim e apenas, da religião em geral (consulte-se a obra de Beaumont citada). A consciência religiosa se recria na riqueza da antítese religiosa e da diversidade religiosa.
Fica exposto, assim, como a emancipação política em relação à religião deixa de pé a esta última, ainda que não se trate de uma religião privilegiada". (K. Marx, em Sobre a questão judaica)



quarta-feira, dezembro 31, 2014

Votos de Feliz 2015

Feliz Ano Novo 2015 seja maior e melhor em tudo que foi bom para todos... e que seja melhor e maior na nossa capacidade de sobreviver ao que não é bom..com a certeza que somos capazes de fazer muito mais e melhor por todos nós. Mil risos, mil alegrias.... Meu fraterno abraço a todos e a todas! 

Agradeço especialmente aos LEITORES desse blogue. Pessoas que gastam seu tempo lendo esse meu bloco de notas (digital). Esse blogue não é mais que um bloco de notas, onde registro opiniões, ideias, reflexões, análises de forma livre e sem rigor com a forma. Fico sempre muito grato de ver registrado milhares de acesso em cada mês. Espero continuar sendo útil e interessante aos leitores. Hoje o blogue alcançou a marca de  70.635 acessos com IP diferente  (geral). Obrigado.Grande Abraço!!!! 

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