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sábado, maio 16, 2015

Coisas atuais e os escritos de Maquiavel


"Precisamos ter em mente que não há nada mais difícil e perigoso, ou que tenha sucesso mais duvidoso, que uma tentativa de introduzir uma nova ordem de coisas em qualquer Estado. Pois o inovador tem por inimigo todos aqueles que obtinham vantagens com a antiga ordem de coisas, ao passo que os que esperam benefícios das novas instituições serão defensores desinteressados. Essa indiferença surge em parte pelo medo de seus adversários, favorecidos pelas leis existentes, e em parte pela incredulidade dos homens que não têm fé no novo que não seja resultado de uma experiência bem fundamentada. Assim, sempre que os oponentes da nova ordem tiverem a oportunidade de atacar, eles o farão com o ardor do sectarismo, enquanto os outros defendem, mas debilmente; portanto, é perigoso contar com eles. (...) 
Pois, além das razões acima expostas, a disposição das pessoas é variável. É fácil persuadi-los de qualquer coisa, mas é difícil firmá-los nessa convicção." (Maquiavel- O príncipe) 

Os dias atuais é de um estado de suspensão. Os indivíduos desejosos do novo ficam ainda vacilantes por falta de visibilidade e de maior concretude do que possa ser a mudança, ou o novo desejado. O desconhecido ou o indefinido são geradores de temeridades, hesitações. As pessoas mudam suas percepções e suas inclinações, o que ajuda na constituição da dinâmica social. Mudam os que querem e os que não querem diante de condições que vão sendo alteradas. O cenário nacional mudou com o impacto do desastre de gestão sobre a economia. O Governo Federal já não pode o quanto parecia poder em termos de financiamento e apoio nos estados sub-nacionais. 

O mal estar não é só do que é e foi, mas também do que ainda não é.

domingo, junho 29, 2014

Sarney: de Maquiavel a Cervantes


Sarney disse não à candidatura, mas o Amapá também disse não. 
Como tratei em outro post, desde a década de 60 José Sarney não entra em pleito para disputar. Tudo que veio depois dessa data foi participações em que os pleitos eletivos estavam sem concorrentes efetivos. Assim, o senador Sarney lançava candidatura para tomar posse. 

O contexto tem mudado no Brasil. No Maranhão algumas alterações estão em curso, mas no Amapá, desde 2010, mudanças significativas ocorreram no campo político partidário.

Analistas amapaenses apontam a Operação Mãos Limpas como um dos fatores que inicialmente contribuíram para alterar o campo da disputa eleitoral no Amapá. Mas é lógico que um só fator não é suficiente para alterar um campo tão complexo como o político. 

O contexto  atual que produziu Sarney desistindo da sua candidatura a senador pelo Amapá tem uma convergência de interesses partidários locais. O prefeito da capital do estado (Macapá) é um opositor, o governador do estado também é opositor. Esses ingredientes sozinhos somam o perigo necessário para uma candidatura que não pode ter concorrentes reais. Não bastando isso, a confluências de forças contrárias somou a vice-governadora, Dora Nascimento, pertencente ao PT, entrou na disputa pela vaga do Senado. Para completar o fechamento, Davi Acolumbre, do DEM, entrou na disputa para o Senado, mais uma vez aparece um ex-aliado para jogar contra. Dizem que Acolumbre foi incentivado a concorrer pelo senador Randolfe (PSOL), para completar a construção do não amapaense. O não do Amapá ao senador Sarney foi de um extremo a outro do arco ideológico. 

O senador Sarney viu o óbvio, as máquinas estadual e municipal estão contrárias, candidatos eleitoralmente fortes, mais jovens e com maiores vínculos locais formaram o cenário perfeito para uma derrota humilhante. O senador teria que disputar sem a vantagem do apoio governamental e sem adversários incapacitados de disputar. O tempo mudou. 

Como bem diz Maquiavel sobre (tempo/contexto): "Isso se explica tão-somente pela natureza dos tempos que se ajusta ou não à sua maneira de agir". "Experimenta a infelicidade da ruína aquele cujo procedimento não se ajusta à natureza dos tempos." "Assim, que sendo a sorte variável e os homens obstinados nos seus modos de proceder, experimentarão a felicidade do êxito enquanto houver concordância entre modos de proceder e os tempos." (Trecho de O Príncipe) 

Porém, esse não que Sarney precisou lançar para si, de visível contra sabor, representa um ganho pessoal. Na verdade, os opositores do Amapá lhe deram a chance de saída ainda honrosa. Sarney, visivelmente cansado, faz o retorno para casa. Está parecendo que o senador, no seu esforço pelo gosto literário, assimilou também os ensinamentos de Cervantes. Em Dom Quixote existe a dica de que o verdadeiro cavaleiro sabe a hora de voltar para casa. Eis o ensinamento. Sarney, nesse tempo de vida restante,  pode estar recuperando a condição de José de Ribamar, bem como Alonso Quijano recuperou a si retornando para casa. Há tempo o José vive suplantado pelo mito, confundido e confundindo-se nos devaneios do imaginário. 

Nunca é tarde para buscar a liberdade... até mesmo do seu próprio cárcere! O carcereiro acaba vivendo também no cárcere... quase similar aos presos. 

Essa aposentadoria não é nenhuma garantia de melhoria para o povo, ela vale mais para os que estão querendo ocupar de imediato o poder.  Além disso, esse mesmo grupo que está no poder tem tudo para assumir a condição de principal oposição, caso a atual oposição assuma o governo estadual em 2015.  

O povo segue sua vidinha de luta... não há o que comemorar ainda... Maranhão e la Macha permanecem confusos e o risco de um outro nobre assumir as velhas armaduras é muito grande! 

PS.: Quem será esse menino repórter ao lado do senador? 


 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...