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terça-feira, outubro 21, 2014

Maranhão esperando o governo Flávio Dino



Tenho dito que dois textos sobre política no Maranhão são suficientes para qualquer um ficar repetitivo. 
Sobre as condições socais e econômicas do Maranhão já produzi diversos textos nesse blog. Para o leitor ficar mais situado cito alguns:

- A elegante boçalidade (04/01/10)
- O senhor seria a alternância? (19/04/10) 
- Indignados, mas por amor (26/09/10)
- Os barões da miséria (15/11/10)
- Moeda de vidro: a política do Maranhão (23/01/11)
- Os de Direito (13/03/11)
- Maranhão rico é o último em arrecadação por habitante (22/08/11)
- Natal, ostentações, perversidades, asneiras e esperança (17/12/11)
- O infinito reduto da perversidade (30/01/12)
- Mínimos a mais: acorda rainha (27/02/12)
- A global crítica do Bolsa família (16/06/12)
- O capitalismo bolinha (21/07//12)

Nesses textos usei conceitos como: pilhagem, patrimonialismo, miséria, pobreza, capital produtivo, arranjos produtivos, renda, empregabilidade, livre iniciativa etc. aparecem no esforço de ressaltar a dinâmica social, política e econômica local. Enfim, um esforço de caraterizar o nosso ethos e o contexto em que ele existe. É óbvio que tratamos de tudo isso com referência a uma economia capitalista e de livre mercado. Essa questão ainda tem importância porque a economia do Maranhão ainda não barganhou certas condições no contexto da economia capitalista moderna, aberto pelos anos 30. Ficamos, ao longo dos anos, em desvantagem em relação aos outros estado da região e em desvantagem  aos outros estados de outras regiões, principalmente, ao chamado centro-sul (que concentrou todas as vantagens do modelo de desenvolvimento impulsionado a partir de 1930).

Estamos em uma economia de hegemonicamente capitalista, mas sem ter experimentado um grau significativo de industrialização, sem capital produtivo e diversificado e sem ter constituído classes médias significativas. Tudo gravita em torno do Estado (maior comprador e empregador) que, por sua vez, depende muito de repasses da União. O mercado existe praticamente na dependência do consumo dos servidores públicos e dos beneficiários do programa federal de transferência de renda. Eis o grosso do consumidor.

Essa conversa de modernizar a economia em moldes capitalista não é nova, isso já era falado em 1966 pelo grupo do Sarney. Reclamavam do atraso e queriam fazer o capitalismo acontecer no Maranhão. Os termos "Novo" e "Moderno" eram constantes nos discurso da década de 1960, eram o mote da época. Os caminhos e as estratégias adotadas pelo grupo Sarney deu pouco resultado para a sociedade como um todo, particularmente em reduzir desigualdades, ampliar e diversificar os setores produtivos, elevar rendar e reduzir a dependência direta do Estado. Todos os lances e projetos desse período é uma longa história e não vamos tratar aqui (agora). 

Hoje o Maranhão inteiro vive uma enorme expectativa em torno do governo de Flávio Dino. A grande maioria deve, pelo voto que deu, estar torcendo pelo êxito, mas também é visível uma certa reserva. A última tentativa de alternância deixou seu legado e as lembranças do governo Jackson ainda são fortes. 

Certo e líquido é que esse novo governo precisa ser, no mínimo, regular para evitar uma enorme decepção. Mas, pode e tem condições de ser mais. 

Cabe ressaltar algumas coisas que recairão como exigências sobre  o governo de Flávio, a saber: 

1- A campanha foi toda feita contra uma oligarquia.
Logo o povo vai querer uma prática de governo que seja diferenciada das práticas oligárquicas. Práticas oligárquicas podem existir em qualquer governo, mesmo dos que  dizem combater oligarquia. 
Vide o que foi plantado na Prefeitura de São Luís por aqueles que mais discursaram contra a oligarquia nos últimos 25 anos. 
Tem que existir algo significativamente diferente quanto as finalidades públicas e de interesse coletivo e as finalidades privadas de interesse de um pequeno grupo de privilegiados. 

2- Nepotismo, outro elemento muito citado e criticado. 
Não cabe mais ver na folha de pagamento do Estado o nome da vovó, da titia e dos sobrinhos dos secretários, dos assessores etc. Toda essa legião de parentes acomodada em cargos comissionados e sem trabalhar deve acabar. Essa é uma das mudanças que o povo quer ver.  

3- Eliminar o sistema de casta ou estamental existente. Existem diversos indivíduos no Maranhão que vivem a partir de um direito de privilégio por nascimento e linhagem. São pessoas que usufruem de um imenso conforto e boa vida por um bizarro "direito" de ganhar dinheiro público sem trabalhar, muitos nem vivem aqui. O corte tem que ser linear e geral. Sem exceções e complacência A, B, C... pois a primeira exceção gera uma série de exceções em cadeia. Esse direito de privilégio é da nobreza, vida ociosa, sem trabalho. No capitalismo a burguesia enricou foi com o trabalho (o seu próprio e com a exploração dos outros assalariados). 

4- Quebrar o privilégio de algumas empresas de não pagarem os impostos devidos. Cobrar os inadimplentes com a receita estadual. Aperfeiçoar a fiscalização da receita estadual no combate a sonegação. Só com isso o governo do estado já teria dinheiro para pagar os salários de mais 5 mil policiais. 

5- Reduzir esses gastos abusivos com propagandas. É ridículo o gasto de milhões e milhões com comerciais de governo sem utilidade pública, só para enaltecer as supostas grandosas ações do governante. Esses milhões não gastos com propaganda garantem milhares de fossas sépticas biodigestoras nos povoados rurais. 

6- Mudar a estrutura administrativa e o modelo de gestão. Sem isso não vai conseguir governar e vai ser sistematicamente sabotado. Começa mudando as instâncias de comando/deliberação e os fluxos dos processos. Não precisa mexer com ninguém de carreira. Só precisa mudar algumas atribuições e competências.

7- Aluguéis de prédios. Hoje até escolas estão em prédios alugados. Esses aluguéis não atendem critérios republicanos e técnicos, mas para satisfazer interesses de aliados e apadrinhados. Muito com valores abusivos. É preciso tirar as repartições públicas do aluguel. Parte do Santa Eulália que já foi degradado desde o governo Cafeteira pode aplicar inúmeros prédios com finalidade administrativa. Inúmeras outras áreas podem abrigar prédios com tais finalidades. 

8- Aumento do nível de renda familiar per capita. A maioria dos chefes de família que possuem algum tipo de ocupação possuem renda baixíssima. Alguns arranjos produtivos locais possuem grande capacidade de absorver mão de obra, mas são de lucratividade baixa e de salários baixos. A questão é como aumentar os rendimentos, os salários, a produtividade, agregar valor a esses produtos, aperfeiçoar as técnicas etc. 

9- Atrair empresas. Sou a favor de todo e qualquer programa de apoio aos industriais locais, mas é preciso atrair mais empresas para cá, que introduzam novas tecnologias e assegurem mais empregos. É só oferecer vantagens e impedir a cobrança de ágio. 


10- A produção alimentar básica: arroz, milho, feijão, mandioca. É preciso desmitificar monocultura e agricultura familiar. Monocultura só é preocupante quando toda a economia local é pautada apenas em uma dada cultura. Grande ou pequeno produtor que cultive apenas uma planta é monocultor. A produção consorciada precisa ser incentivada e o foco tem que ser a produção alimentar. Um setor que está totalmente deficiente é a produção de hortaliças e frutas. Só garantir a terra não é suficiente, só distribuir sementes também não.. Além da assistência técnica tem que existir um incentivo à produção e ao aumento da produtividade. Mas isso precisa ser articulado com uma política de escoamento, processamento e preço. É importante estimular uma cultura de empreendedorismo rural junto aos pequenos produtores rurais.

11- Eliminar o esquema de grilagem de terra contra as comunidades tradicionais. E desarticular o esquema de liberação de licenças ambientais etc. 

12- Saneamento. Se começar a despoluir um rio  já será alguma coisa. Implantar um sistema de tratamento de esgoto eficiente e moderno. Não basta só fazer a captação e o escoamento, o esgoto precisa ser tratado. É preciso renovar a CAEMA e eliminar o sangradouro lá instalado. 
Investir em segurança hídrica. Além de um política séria de preservação rios e reservas de água. No Maranhão qualquer indivíduo abre um poço a hora que quer e sem fiscalização alguma. 

Isso é bem pequeno diante do conjunto das demandas existentes. Demandas críticas como Segurança, Saúde e Educação nem foram citadas, mas representam o grosso do Desafio, que não vai ser nada fácil para o próximo governo. 

O que foi acima destacado foi para dizer que não cabe ao próximo governo muitos erros e descuidos, 2018 está bem aí... (Vide a Bahia)

Qualquer juízo desarmado... coloca um crédito de 20 meses de espera para primeiros resultados.... Significativos! Torcendo!!!! 

quinta-feira, setembro 25, 2014

Ataque contra Dino é reflexo direto da miséria política vivida pelo Maranhão



O Maranhão merece respeito! Mas é esperar demais de quem construiu uma carreira de "sucesso" à custa de uma pilhagem do Estado.

Não  causa espanto o fato de bandidos serem alçados à condição de personagem de campanha política. Vivemos uma extrema miséria política. 

Os fins e os meios dessa ação criminosa contra Flávio Dino revelam, de forma banal, a desqualificação dos beneficiados com isso. Principalmente para quem a ética não significa nada (relativismo absoluto).

A tradução é bem simples: só criminosos possuem vínculos estreitos com criminosos desse naipe.  Ou, melhor dizendo, só um criminoso poderia querer tirar tamanho proveito com um crime desse tipo. 

Não existe surpresa. O estamos vivendo é uma miséria política sem precedentes. Não se pode esperar outra coisa. O nível é tão baixo e desrespeitoso que desmerece qualquer atenção maior. 

Lamento que pessoas que se dizem de esquerda, libertárias e do campo progressista fiquem em silêncio, em uma espécie de omissão-cúmplice diante desse ato covarde e desleal contra Flávio. Quem é essa gente também? 

Flávio Dino só precisa ter a paciência de esperar o momento certo para responder de forma lapidar a essas agressões. Ganhando o governo não pode ter postura vacilante e dúbia igualmente ao governo da libertação. Não, não pode deixar de ser contundente. 

Desconstrução das referências simbólicas tem que ser uma das primeiras tarefas. Isso passa por restabelecer nomes originais de logradouros públicos, que foram rebatizados por pura bajulação dos lambedores de pés. Precisa homenagear quem realmente lutou e empenhou  avida em grandes causas, que teve reconhecido popular, quem obteve destaque nas artes e nas ciências.  É preciso restabelecer os símbolos oficiais do poder público (brasão do estado) nos órgãos e entidades estatais, contrariando o personalismo e patrimonialismo que desfigurou o nosso estado. É prioritário saber usar de forma transparente e legal duas coisas que ficam diretamente nas mãos de quem está à frente do Executivo: o cofre e a polícia. 

Lembro-me que fiz, durante o governo Jackson, a seguinte pergunta: Por que essa avenida da UEMA foi batizada de Lourenço Vieira da Silva? Ninguém me respondeu nada. Até hoje fico perguntando a justificação de tal homenagem. Pergunto agora: O nome de Maria Aragão não seria mais legítimo para essa avenida? Logo em seguida, ainda no governo Jackson, uma escola de ensino médio foi batizada de "29 de outubro", construída dentro do campus da UEMA (são Luís). Imediatamente após a esse fato... perguntei a um secretário: Por que não tiram o nome do filho de ACM da avenida que passa ao lado centro de Convenções? Ele me respondeu: "É preciso criar as condições". Pergunto agora: o nome do Gov. Jackson Lago não é mais apropriado que o nome do filho de ACM para essa avenida? Pois bem, Jackson foi cassado e Roseana assumiu o governo e logo na semana seguinte a escola "29 de outubro" virou "Paulo VI". É assim... 

A linguagem (sob todas as suas formas) é meio para construção de hegemonia... 

domingo, setembro 21, 2014

Debate e a "democracia" do MAndonismo



O "debate" foi na TV Maranhense... mas teve apoio logístico da TV Difusora, na figura de sua presidente Paulinha Lobão. O conteúdo, das considerações finais, não cabia ao arbítrio, juízo e opinião do candidato, mas de um mediador. Tudo em nome da democracia. Verdadeiro deboche a nossa inteligência. 

O "mediador" refletiu bem a cultura organizacional que prevalesse nessa empresa e a cultura política imposta pelo mandonismo.

Esse apoio logístico foi uma terceirização? Não. Quem terceiriza precisa pagar. Esse debate foi de encomenda mesmo. Tipo debate de aluguel! 
O Edinho tem o mérito de ser a síntese desse estado de coisa na política do Maranhão! 

sábado, setembro 20, 2014

Ibope: O perigo não está só nos números...mas também nos dedos


Os números destoantes do Ibope não são preocupantes só por destoar, não é espantoso só por apresentar uma astronômica cifra de "indecisos". É preocupante por inúmeros desdobramentos possíveis. 

Ano passado o governo do Estado do Maranhão fez recadastramento dos servidores adotando o recurso biométrico. Isto é, as digitais de todos os servidores estão guardadas em algum banco de dados. Quem tem acesso a ele?

Até hoje não tive notícia de que o governo do estado implantou registro de ponto digital. Na UEMA nunca vi. Até gostaria de ver. 

Quem arquivou e sob a responsabilidade de quem estão esses dados? Eu penso sempre isso. 

Qual o grau de segurança do arquivamento desses dados? Isso é relevante na medida que o voto na urna eletrônico vai ser praticado com a biometria.  

Os olhos devem permanecer bem abertos... Não existem limites para uma impostura que a tudo se atreve.  

Para obter mais informações sobre o risco da biometria veja aqui: 
http://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/09/20/biometria-nao-garante-seguranca-das-eleicoes-dizem-especialistas.htm 



terça-feira, agosto 26, 2014

Propaganda eleitoral e culto à personalidade


O culto à personalidade no campo político é sempre algo abominável. Esse personalismo tem em si as bases de corrosão da Política. Ditadores e psicopatas para se manterem no comando de uma dominação fazem uso desse culto. 

O foco da "campanha de Dilma" é o culto à personalidade. O vice de Dilma não aparece, mas Lula e seu supostos feitos ocupam a maior parte da propaganda. Ela não é ela. E ela não terminou nada..ainda está fazendo e tudo foi feito por Lula. 
Para quem estão fazendo campanha realmente? Que campanha é essa?

Além disso, Lula aparece insistentemente nas propagandas eleitorais estaduais. Vide sua previsão sobre Edinho. 

Está na hora de voltarmos a Política para seu rumo.  

segunda-feira, julho 07, 2014

Maranhão da gente Vencedora e seu candidato perfeito

A aposentadoria do Ex-Presidente José Sarney por aqui... aconteceu no exato momento em que seu grupo não apresentou mais condições de ter comando unificado. Isso ficou claro quando senhores do próprio grupo eliminaram a candidatura de Luís Fernando e, de sobra, impediram a candidatura de Roseana Sarney ao Senado. Não só isso, os deputados ditos aliados do governo praticamente ignoraram os apelos da governadora Roseana na pretensão de conduzir o processo de eleição indireta para governador, em um mandato tampão. Fato que deixou uma questão: cadê o roseanismo que era diferente do sarneísmo? Onde ficou o roseanismo nesse episódio? 

O que ocorreu no grupo do senador Sarney pode ser ilustrado da seguinte maneira: a centralização do comando acabou e aconteceu uma fragmentação do mando. É como se o absolutismo monárquico tivesse ruído e, no seu lugar, tivesse emergido a feudalidade dos feudos. Vários senhores poderosos com seu próprio domínio atuando dentro de uma mesma região, nesse caso, dentro do grupo. 

Finalmente Edinho é candidato. Não seria interessante a retirada dele. A disputa e o desfecho não teria o mesmo valor simbólico sem Edinho. Ele é um autêntico representante desse momento final. Na sua postura deslocada revela uma sinceridade e uma autenticidade que melhor traduz o resultado da longevidade do controle político exercido pelo seu grupo e a densidade moral reinante na classe política maranhense. 

A "teoria social" dos quadros lançada por ele: cada um no seu quadrado, a apresentação de sua biografia destacando que é casado, pai e avô (exceto a noção de família, tudo fica no âmbito instintivo, fisiológico) e o slogan do  "Maranhão Vencedor" são de total autenticidade. Ele fielmente representa esse estado de coisas, é o candidato perfeito para o cenário. Ao dizer que é o Maranhão vencedor expõe claramente o que é o Maranhão para seu grupo. É a visão exata do ponto que ocupa e o sentimento que alimenta em relação ao Estado. O Maranhão, para eles, realmente é só de vitórias. Maranhão perfeito e glorioso para os interesses de um pequeno grupo. Por outro lado, é o Maranhão inexistente para os vencidos, que anseiam pela realização da vontade geral, não pela vontade de todos e muito menos pela vontade só de alguns. 

Lobão Filho, Parabéns! Você, nesse particular, é muito sincero e autêntico!  



quarta-feira, maio 28, 2014

Para onde rola a Rocha


Entre os políticos, de diversas filiações, o processo de negociação em torno de posições, apoios e recursos já está em ritmo acelerado. Cada um tentando garantir a melhor posição dentro da legenda partidária e do grupo político. Além disso, segue em todas as direções a busca por apoios e parcerias eleitorais. Não há mais tempo suficiente para  ver todos os detalhes. Mas nem todos estão no mesmo patamar de dificuldade ou de possibilidade em termos de eleição e articulação em torno do poder. Alguns estão em posições bem mais confortáveis do que outros, independente de vencer ou não a eleição.

Para alguns o maior dilema é o leque de opções e não a falta de opções e de recursos. Atualmente não parece muito clara a opção de alguns nomes conhecidos e com experiência eleitoral e legislativa. Os melhores exemplos são: Dutra, o guerreiro de Saco das Almas e Roberto Rocha. 

Até agora Dutra ainda não sinalizou bem se quer continuar na Câmara Federal ou se vai tentar a Assembleia Legislativa. Se optar pela esfera local, Assembleia Legislativa - (situação 1) fazendo parte da base do Governo (em caso de vitória da oposição) ou (situação 2) fazendo parte da bancada oposicionista (em caso de vitória do candidato da situação). Em qual esfera ele encontraria mais espaço e maior projeção para projetos futuros?

Outro nome que o desenho da opção demonstrar ainda alguns acertos é Roberto. Apesar disso algumas coisas parecem já estarem postas. Primeiro, não é ganho político permanecer como vice-prefeito de Holandinha. Segundo, a saída, por ele mesmo esboçada, é ir para o Legislativo. Vide sua pretensão ao Senado. Porém, o contexto foi  alterado e algumas outras negociações apareceram para retirar a facilidade da concretização dessa pretensão inicial. O último fato perturbador foi a aliança PC do B/PSDB, fazendo Castelo ressurgir como candidato e com força para candidato ao Senado. Inicialmente Castelo dizia que seria candidato a Deputado Federal. Esse fato novo gerou uma forte alteração no grupo político que Rocha compõe. 

A candidatura ao Senado deixou seu campo de conforto para Rocha. O tempo ficou curto para insistir e para redefinir posições e espaços. Para Rocha é mais do que urgente saber para que lado rolar. Manter-se na opção primeira de tentar o legislativo, no formato original de candidato ao Senado ou alterar. Alterar sem desistir do projeto inicial é possível. Desiste do Senado e opta por uma vaga na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa. A questão é saber qual das duas casas favorece mais seu projeto político de chegar ao Palácio dos Leões. No caso de Rocha não depende só da Casa Legislativa, vai precisar ter um grupo mais afinado com seu projeto ou conseguir um forte credenciamento no grupo atual, construindo apoios e adesões em torno do seu nome.

Mas, nada disso é fácil diante do tipo heterogeneidade esse grupo em torno da candidatura de Flávio ganhou. A vaga de Deputado Estadual visando presidência da Assembleia Legislativa não é tarefa fácil. Vai depender da conjunção de vários fatores: 1- Flávio ganhar; 2- o tamanho da bancada  conquistada pela atual oposição; 3- dependendo do tamanho da bancada, Flávio ou qualquer outro candidato eleito a Governador vai ter diante de si a equação das adesões. A alta ou baixa necessidade de buscar mais apoio na bancada originalmente adversária. Não necessitar buscar mais apoio e conquistar adesões é pouco provável. A conhecida migração parlamentar rumo a quem está no poder tem ocorrido sob acertos nada desinteressados e bem pouco republicanos. Por esse ângulo, a vaga na Câmara Federal parece mais fácil de operar, salvo o tropeço eleitoral. O futuro está como sempre: em aberto. Como Câmara Federal Rocha vai buscar solidificar a preferência pelo seu nome na sucessão ao Governo do Estado... é a questão. O contexto nacional até agora aponta para situações generosas para o PSB, ganhando ou perdendo a disputa presidencial. 

No mais, o plano pode ser duramente alterado no sentido de viabilizar a saída da condição de vice-prefeito, trata-se de assumir mais um posto de vice, Vice-Governador. Aí é uma incógnita danada. Institucionalmente vice não tem competência nenhuma a não ser sanar vacância, a chamada lacuna no comando do poder político. Vice é para ficar mesmo na reversa técnica. Sendo vice as coisas rumarem para ele ser uma espécie de macaxeira - ficar o período todo enterrado e só aparecer para ser descascado, cozido ou frito - ou, por um acerto político, contar com a benevolência do Governador de fazer uma distribuição de tarefas protocolares que lhe garanta alguma visibilidade e poder de negociação. Mas, mesmo com a benevolência, vai diante do vice, na prática do jogo do poder, o Chefe da Casa Civil, que certamente será o homem de maior confiança do Governador. 
Uma coisa é certa... Rocha se vira agora ou vira brita. O tempo praticamente acabou para esse tipo de acerto.

sábado, maio 03, 2014

Toada de Edinho Lobão: Chegou, chegou! O senhorzinho chegou!


No começo da noite do dia 1º de maio liguei a televisão e logo surgiu na tela a imagem do senhor Edinho, agora rebatizado marqueiteiramente de Lobão Filho, fazendo um pronunciamento alusivo ao dia do Trabalho. 

Pois, é. Tendo como cenário um amplo quintal, que remeteu aos pomares das Casas Grandes, o senhor Edinho protagonizou um arregaçar de mangas, falando aos telespectadores de forma imperativa e com o dedo em riste, ordena: "Mãos à obra!"

Para nós, do lado de cá da tela, essa dedada na lente da câmera deixou a sensação de dedo na cara para avisar quem é que manda. 

Não é desnecessário lembrar que: quem manda mesmo é quem encontra obediência ou consegue impor sua vontade, não é só emitir uma ordem.  

Essa energia toda encenada, por esse senhor suplente de senador (do próprio pai), passou longe de parecer um convite ou uma oferta de compartilhar e comungar esforços com a grande massa de trabalhadores e trabalhadoras desse Maranhão. As mangas arregaçadas lembrou mais um lutador chamando para briga ou um senhor preparando-se para açoitar os cativos "preguiçosos". Quem viu nessas cenas uma pessoa que quer solidariamente participar, colaborar com os mais pobres na construção de condição de vida mais digna? 

Essa "homenagem" ao Dia do Trabalho ficou com cara, estilo e tom de senhor escravocrata ou capataz dando ordens aos "seus" cativos.  Mas, não podemos negar o mérito de Edinho: ele foi autêntico! 

Caro Senhor Edinho, faz muito tempo que nossas mãos estão na obra!   
Viva a insurreição dos povos do eito!!! 

quinta-feira, maio 01, 2014

Castelo: do caos à crista da onde


A dinâmica da disputa eleitoral é furiosa ao ponto de arrastar qualquer destroço pelo caminho ao alto de uma colina. 

Em 2008, o ex-governador João Castelo, depois de sucessivas derrotas, ganhou a eleição para prefeito de São Luís. Conquista que simbolizava retorno e absolvição, depois de decorridos 23 anos após a vitória de sua esposa Gardênia Gonçalves para o cargo de prefeita de São Luís, no retornou das eleições diretas nas capitais, em 1985. No início da retomada dos governos civis e da  redemocratização, meados da década de 80. 

Ganhar a eleição para prefeito de São Luís significou muito para Castelo pois foi uma espécie reabilitação, de perdão político da "Ilha Rebelde". Por que? Porque após  a repressão da Greve de 1979 e o tumultuado mandato da senhora Gardênia, Castelo foi bastante hostilizado pela dita esquerda e pela oposição liderada por Jackson Lago, que o definiam como um repressor, herança da ditadura e cria do sarneísmo. 

Essa desqualificação eleitoral foi explorada ao máximo sendo associada ao jargão mitológico da "Ilha Rebelde" e o discurso anti-sarneísta. Esses recursos foram intensamente utilizados pelos grupos de oposição, particularmente o grupo do Dr. Jackson Lago visando a manutenção do controle sobre a prefeitura de São Luís, iniciado em  1989, logo após o mandato de D. Gardênia.  

Castelo  carrega no seu currículo mega obras de engenharia. além da repressão à Greve pela Meia Passagem de 1979, o fracasso da gestão de sua esposa à frente da prefeitura de São Luís e sua origem política ligada ao sarneísmo. 

Apesar tudo isso, ao longo dos anos, as votações de Castelo têm se conservado com uma margem considerável de votos. Conhecido como candidato de rodapé alto, graças a essa fidelidade dos seus eleitores ao longo de várias eleições. No entanto, isso não ocorreu sem a pertubação de uma rejeição significativa. 

Assim, com esse desempenho eleitoral de boa votação e índice de rejeição considerável, as eleições proporcionais acabaram ficando fáceis para Castelo, mas as eleições majoritárias sempre apareceram como um complicador, por conta do tamanho da rejeição. 

Com a própria exaustão do quadro pedetista e a chegada de Jackson ao governo do estado, Castelo viu diante de si a oportunidade de concorrer mais uma vez ao Executivo e enfrentar mais uma eleição majoritária de maioria absoluta, dessa vez ao posto de prefeito de São Luís. Novamente o fantasma da rejeição ameaçava sua eleição, principalmente no segundo turno, diante do crescimento da candidatura de  Flávio Dino, que reivindicava o status de uma candidatura da renovação política, herdeira da tradição da "Ilha Rebelde" e ainda contava com o fato de ser uma novidade eleitoral. 

Tudo caminhava para mais uma derrota eleitoral de Castelo. Porém, as equações pedetistas definiram que ainda não era a hora de Flávio, ele era novo e podia aguardar a vez dele em disputas futuras. A tal da promessa para o futuro. 

Essa equação pedetista de montar uma sequência "sucessória" e neutralizar quem ameaçava o monopólio da oposição aos Sarney enterrou politicamente muitos jovens políticos promissores. Em uma contagem rápida, feita com o auxílio do jornalista Ed Wilson o total de óbito político alcança a marca de 12 . Igual número do PDT. Promessas e projetos de políticos foram anulados em sequência. 

Mas, o passar do tempo armou uma ironia histórica (ou um golpe da ironia do "destino"). A saber: a oposição constituída a partir do Dr. Jackson, que tanto explorou a Greve de 1979 e tal Ilha Rebelde, enterrou o seu próprio mote salva-vida ao preferir e construir a vitória de Castelo sobre Flávio Dino no segundo turno das eleições de 2008. Essa vitória de Castelo chegou ironicamente pelas mãos dos que mais exploraram sua rejeição. 

Cane lembrar que existe um antecedente importante nesse auto-enterro do pedetismo "jacksista", efetivado na aproximação do Dr. Jackson com os Sarney, quando Roseana ensaiou ser candidata à Presidência da República. O jornalista Walter Rodrigues guardava no seu computador algumas fotos que ilustravam esse ato de aproximação, brindado com champanhe. 

A  gestão do senhor Jackson à frente do governo estadual, sob a constante ameaça de cassação serviu para pôr a lápide sobre o discurso de trabalho e honestidade tantas vezes proclamada pela oposição. A sequência desse período de governo é uma página inusitada e catastrófica: Dr. Jackson foi cassado com base em uma lei que hoje sabemos que nem estava mais em vigor e, para completar, os juízes empossaram Roseana.

Chegando as eleições de 2010, veio mais uma candidatura do Dr. Jackson, mas Castelo não apareceu de forma integral na campanha dele, muito menos na de Flávio. Roseana , na virada da noite, apareceu  com 50,08% que garantiu a vitória em primeiro turno. Há quem diga que Castelo facilitou as coisas para Roseana escapar do segundo turno. Tudo que os Sarney não queriam era um segundo turno.

A gestão de Castelo em São Luís foi tão ruim, que fez ele ser derrotado por si mesmo, praticamente obrigou as pessoas a votarem em Holandinha, que não tinha absolutamente nada para apresentar como experiência administrativa e em termos de políticas públicas. Não tinha nenhuma proposta consistentes diante dos graves problemas da cidade. Depois da eleição aprofundou seu discurso "teológico", sem em nada lembra a laicidade necessária à Política e o conhecimento necessário sobre os graves problemas da cidade. Castelo nos impôs essa gestão de Holandinha (sobre essa gestão escrevo depois). 

Apesar da derrota eleitoral, Castelo obteve, no segundo turno, nada menos que  43,94% dos votos. O que mostra a força da fidelidade dos seus eleitores, pois trata-se de um grande feito diante de um gestão tão ruim. Castelo saiu com a marca do caos. Agora, menos de dois anos da derrota eleitoral, Castelo não é mais só um dos nomes fortes para concorrer a uma das  vagas de Deputado de Federal, é o nome mais credenciado a ficar com a única vaga ao  Senado Federal. 

Castelo, com esse eleitorado cativo em São Luís, só tende a crescer no restante do estado, onde existem milhares eleitores que carregam a gratidão de terem sido nomeados por ele para exercer um cargo na administração pública estadual. O montante de empregados por Castelo, no período que foi governador biônico, está estimado em 50 mil servidores. 

Nenhum dos demais pretendentes à vaga única do Senado tem um rodapé tão alto e uma constante margem de votos igual ou próxima a de João Castelo. Resta saber se o PSDB tem ou não interesse em ter um Senador pelo Maranhão. Quando Castelo perdeu a eleição de Senador para Cafeteira teve três adversários fortes: a alta popularidade de Roseana (a ajudinha dos Sarney), o resto de popularidade do próprio Cafeteira e o seu descuido no horário de TV. Deu a impressão de que Castelo assumiu a postura do tal "já ganhou", onde o adversário acabou ficando solto, sem ataques, críticas etc. Acabou dando  Cafeteira, mas João Castelo obteve 35,60% dos votos. 

Observando o contexto... João Castelo conta agora com adversários sem a mesma envergadura eleitoral dele, além de estarem sob o desgaste do grupo ou sob seu próprio desgaste. Os possíveis candidatos governistas ao Senado estão debaixo do peso da alta rejeição  e do desgaste do grupo a que pertencem: Sarney. O candidato oficial da oposição, até agora, é o atual vice-prefeito de São Luís, cuja gestão atingiu 47% de desaprovação antes completar o primeiro ano de governo. Levantamentos mais recentes registram uma desaprovação maior que 60%, sendo qualificada como ruim/péssima. Somando esses fatores que pesam sobre as demais candidaturas a rejeição de Castelo fica atenuada em uma eleição majoritária de maioria simples. Castelo, o homem de rodapé alto e com problemas no teto, está literalmente na crista da onda e para surfar até o Senado só precisa combinar, principalmente, com seu partido, o PSDB. E, se possível, convencer a oposição que sua eleição não vai ser donosa à própria oposição.  

"Eta, painho! Danaaaaaado!" (assim deve estar pensando sua filha). 

quarta-feira, abril 16, 2014

Jogo do poder: conciliação e complicações internas


Existem muitos palpites e posturas facilmente tomadas por quem não tem a responsabilidade de decidir e que responde diretamente pelo sucesso e, mais ainda, pelo insucesso. 

O jogo é para ser jogado. Uns jogam só pelo deleite de jogar, pouco importa vencer ou perder. Mas quem quer e precisa vencer no jogo tem que ser sagaz para identificar e deter os recursos disponíveis e necessários para garantir a vitória. Isso, dentro de certo limite, não fere a questão da responsabilidade diante da coisa pública. A responsabilidade com a coisa pública, a ética da responsabilidade precisa ser mostrada é no exercício do poder político, quando efetivamente se é o ocupante do posto de comando. 

Maquiavel deixou um um belo legado, não é nada dessa enxurrada de frases sórdidas tomadas isoladamente. O grande legado é perceber o poder como produção social, tratar o poder como ele é e dentro de contextos que mudam. Mudando o contexto é necessário perceber as mudanças e responder eficazmente às mudanças. 

Nem sempre a vitória vem combinada com o tipo de derrota desejado ao adversário. Se for preciso algum grau de conciliação para vencer, quem quer vencer concilia. Nesse campo de disputa todos estão espreitando o que é melhor para si. 

Só resta uma coisa para Flávio Dino agora... decidir se quer vencer ou só jogar por jogar. Ele já lançou a sorte faz tempo, está encharcado da água do rio, não pode mais abrir brecha para o azar. Só resta jogar para vencer. Agora, nesse contexto, o que estava servindo apenas para fazer lastro tem que ser deixado no porto ou lançado ao mar. O espaço tem que estar livre para a mercadoria útil. O momento está ótimo para descartar pesos inúteis, que não agregam e provocam desgaste, como o chorume vindo da situação. Gente com posições dúbias devem ser abandonadas agora. Caso contrário, a barca vai quebrar na areia da praia ou vai chegar no porto em processo de alagamento. Nesse jogo não tem espaço para o indivíduo querer ser Noé. Alguns vão ter que encarrar a fúria das águas. 

Sarney e Lula são dois dos melhores operadores em torno do poder. O Sarney é melhor na manutenção, na permanência e está jogando certo para uma saída honrosa, conforme sua própria fórmula: "saia por onde entrou". Lula é excelente em tomada de poder... sabe caçar cada obstáculo e conhece exatamente o peso e os riscos das alianças que fez. 

Ninguém vai poder dizer depois que o velho Sarney não fez bons gestos: 1- Livrou Luís Fernando de sabotagens internas e o deixou encaminhado para crescer sozinho, é só ele saber aproveitar; 2- Fez a sorte sorrir para Flávio, o cavalo agora realmente está selado; 3- Vai responder sem alardes aos que internamente complicaram o jogo.
Nesse contexto é  bom lembrar Maquiavel... quando diz que para uns a sorte brilha, mas lhe falta a virtú. 

Onde for necessário fazer gesto ao adversário para garantir a vitória, quem está no jogo para vencer, tem que fazer. Não é ser bonzinho e nem frouxo, é ser eficaz. Se é moralmente diferente e tem outros propósitos à frente dos negócios públicos é só provar durante o período que ficar como Governante. 

Para os Sarney a vida vai seguir tranquila mesmo perdendo a eleição para governador... é um grande grupo empresarial, ainda vai ter largo acesso ao Governo Federal, com ou sem Dilma, o PMDB já provou que sabe se adaptar a qualquer governo. Pode ter um ganho imediato perdendo em tamanho. O tamanho da teia hoje é um peso que onera muito as ações. A grande hegemonia política vai acabar, mas eleitoralmente sobreviverá aqui e ali. A questão é: quem vai servir, do que restar, para renovar o quadro, manter um núcleo mínimo coeso e, nas crises, coordenar ações de grupo (?). 

Aos pobres e humildes (como nós) resta lutar, berrar e rezar por dias melhores, pois as questões postas até aqui são exclusivas dos que habitam os andares superiores... 

Ps.: O PT com Sarney é novidade ou espanto para quem? 

quarta-feira, abril 02, 2014

Três dias de Roseana: deixar ou permanecer à frente do Governo Estadual

Três dias de Roseana: deixar ou permanecer à frente do Governo Estadual. Qual o significado e a importância disso? A importância e significado disso estão resumidos ao fato das frações de oposição e diversos segmentos partidários ainda existirem na forma de satélites.  O campo político no Maranhão é muito estreito e densamente eclipsado por uma ideologia dualista. Difícil não pensar como uma hegemonia exercida pelo grupo político que controla o governo estadual. Essas frações ainda não pressionam significativamente a composição da pauta política, não conseguem estabelecer os temas dos debates, não possuem a capacidade de selecionar as prioridades das questões. As ações deles acabam sendo reativas, buscando responder com críticas. Até mesmo as denúncias têm sido de pouca significância em termos de consequência. A resultante é que os feitos e defeitos da situação impõem o ritmo, as condições e ocupa toda a pauta de forma muito absoluta.

Essa situação faz com que as atenções fiquem fixas sobre o que a governadora vai fazer nesse período de tempo, exato até 05 de abril. Essa questão ganhou uma centralidade desproporcional, ocupou todas as pautas. As oposições se condicionaram muito a esse fato. A continuação ou não de Roseana é problema mesmo para o grupo político dela. As oposições vão ter praticamente os mesmos desafios, dificuldades etc.

Onde pesa é na situação. Na verdade, a retirada de Washington da linha de sucessão e a eleição de Arnaldo Melo para presidência da Assembleia Legislativa tem revelado que as articulações não foram bem combinadas com todos do grupo situacionista. Caso típico de jabuti em árvore, mas na fórmula que um professor veterano me apresentou: “jabuti sobre árvore foi enchente, mão de gente ou milagre.” Segundo esse professor o pároco da sua cidade natal repetia a fórmula sempre acrescentando a variável “milagre”.

Todos sabem e não é de hoje, que o grupo político da Roseana está desgastado. Esse grupo não soube perde uma ou duas eleições para criar novos nomes fortes e para descaracterizar o continuísmo. Agora vão fazer o exercício de sobrevivência, de manter participação significativa na política, mesmo sem esse domínio brutal. O ideal para eles era fazer tudo como queriam: presidente da Assembleia elegia o pré-candidato a governador pela situação ou outro nome de confiança pela via  indireta, a governadora saía candidata a senadora e trabalhariam para garantir a maioria absoluta das bancadas federal e estadual... Isso seria o melhor resultado em caso de perda do controle do governo do estadual, pois ficariam calçadíssimos e podendo pressionar a partir de Brasília o ocupante da cadeira dos Leões. Essa via não funcionou bem até hoje e nem parece que vai funcionar até o dia 05. Algo forte emperra. A posição de Melo e outros parecem ter calços.

Outra via seria os dois (Roseana e Sarney) saírem como candidatos ao Senado ela pelo Maranhão e ele pelo Amapá. Isso ficou mais improvável agora. A outra via seria em garantir um dos dois no Senado. Mas essa vaga, onde parecia ser mais fácil está revelando-se uma dificuldade: ela deixar o governo e ser candidata ao Senado. O pai já tem o peso da idade, a carreira já concluída, não tem mais o que ocupar no Congresso e a imagem da continuidade pesam sobremaneira. A permanência no Senado seria mais fácil na figura dela.

Mas vamos refletir também com o acréscimo do padre: o milagre, para acrescentar mais uma via. Sarney ser novamente candidato pelo Amapá e Roseana permanecer no governo. O Amapá existe tal qual o Maranhão, tem árvores, jabutis e pode ter esse milagre. O senador Sarney pode enfrentar mais uma eleição e um mandato pelo Amapá. A atual governadora do Maranhão permaneceria no cargo para empenhar todas as forças que os Leões podem somar em prol do candidato deles ao governo do estado. Essa via, como já dito, é jabuti em árvore por milagre.

O certo é que as condições para Roseana sair do governo com boas garantias de disputa para seu candidato ao governo estadual ruíram a partir da retirada de Washington da linha sucessória, quando o direito de sucedê-la passou ao Presidente da Assembleia. Parece que essa dificuldade foi criada e está sendo mantida por ações endógenas. Sendo uma força interna que persiste, o prejuízo menor vai ser permanecer no governo e jogar tudo na candidatura de Luiz Fernando e garantir a maioria da bancada federal.

A oposição tem que se preocupar é em fazer campanha e saber explorar o cansaço do eleitor com o continuísmo. Roseana permanecendo no governo... a oposição tem que saber encarar o peso total da máquina administrativa dos Leões. Ou a oposição faz o povo pirar nessa ideia do basta ou não vai levar essa.

 Não existe soma zero ainda para o grupo da governadora. Vejamos: ela não sai candidata ao senado, a “oposição” ganha a vaga para senador, Luiz Fernando ganha o governo e eles conseguem maioria na bancada federal, estarão mais do que no lucro. Ela não sai candidata ao senado, a oposição ganha a vaga de senador, a oposição ganha o governo, mas se a maioria da bancada federal ficar com o grupo dela e o candidato deles ao governo for muito bem votado em São Luís, vai perda média, dependendo da atuação dos vencedores. Pois o grupo da governadora vai para a oposição dobrada: estadual/municipal e certamente serão os principais adversários da situação na disputa pela prefeitura de São Luís. Podem ocupar pela primeira vez a prefeitura pela via direta. Basta ter continuidade esse desgaste de Holandinha e tropeços do novo ocupante dos Leões logo no primeiro ano de governo (como os que ocorreram no governo da Libertação). Muito improvável o grupo da governadora perder em todos os níveis. Para o Senado, sem a governadora disputando, eles entram praticamente  com 50% de chances, já que a oposição firmou um candidato. Para a Câmara Federal dificilmente não conseguirão obter a maioria das vagas, com os velhos chapões 1 e 2. O risco real é perder os Leões.

O grupo tem o peso do desgaste, mas ainda respira. A oposição é que não pode perder, em mais de um nível de disputa, principalmente do Executivo. Pois aí a possibilidade de mais 12 anos de continuísmo fica bem real, principalmente se o candidato da oposição, melhor colocado nas pesquisas, perder e perder dentro de São Luís...



segunda-feira, janeiro 13, 2014

NOBLAT traz uma novidade e revela seu desconhecimento sobre o Maranhão.

O Blogueiro Noblat trouxe uma novidade sobre a disputa eleitoral que está tendo início. Vejam: 
"No Maranhão, Dino está com a candidatura a presidente de Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco. E também não abre."
Noblat afirma qual o palanque de Dino: Campos.  
Ao lado dessa novidade o blogueiro revela também seu desconhecimento e pouca informação sobre o Maranhão. Vejam: 
"Roseana deixará o governo em abril próximo para ser candidata ao Senado.
Somente na semana passada ela quebrou o silêncio e falou sobre a crise.
Foi um desastre. Agrediu o bom senso. Revelou-se despreparada para o exercício do cargo que ocupa pela segunda vez."
SEGUNDA VEZ ONDE, Noblat? Precisa fazer uma verificação nos registros oficiais. 
A imprensa do sudeste descobriu o Maranhão no mês de janeiro, três meses antes do descobrimento do Brasil. 

sexta-feira, janeiro 03, 2014

Gregos e troianos na disputa pelo Governo do Maranhão

Gregos e troianos na disputa pelo Governo do Maranhão

Acordei recebendo as seguintes questões:
“Atualmente temos os seguintes nomes como pré-candidatos: Flávio Dino (PC do B), Luís Fernando (PMDB), Eliziane Gama (PPS), Hilton Gonçalo (PDT), Zé Luís Lago (PPL) e Luís Pedrosa (PSOL). A quantidade de candidatos ao governo do estado pode aumentar? Essa quantidade aumenta as chances de segundo turno? Por ter uma eleição indireta vai ser uma eleição diferenciada?”

Sim. Tanto pode aumentar como diminuir. Várias alterações podem ocorrer. É cedo e existem diversas moedas de barganha sobre a mesa. A disputa para valer só está começando. 

O PSOL, PCB e PSTU ainda não fecharam acordo oficialmente. Não fechando acordo o número de candidatos ao governo do estado provavelmente aumentará.

O PDT ainda pode alterar sua posição, depende do que Flávio oferecer em termos de candidatura. Até pouco tempo o PDT não tinha candidato próprio. A candidatura pode ser mantida como resposta ao não atendimento das exigências apresentadas à Flávio. Mas pode retirada. Se a candidatura for mantida o tempo de TV e rádio de Flávio sofre uma redução que pode fazer falta. O PDT sabe negociar e sobreviver no poder. Já fez acordo com os Sarney. 

O PSB ainda apresenta tensões sobre o rumo a seguir. Vai depender do grupo que conseguir mandar mais e convencer Campos. Nem todos estão convictos de ir com Flávio. Os Rocha querem a oficialização do apoio à candidatura Roberto Rocha para o senado. Aqui também pesa questão do tempo na TV e no rádio. Sem o PSB e PDT o tempo de TV e Rádio fica muito reduzido para Flávio.  

Flávio tem que resolver quem vai ser o seu vice-governador. A escolha pode gerar descontentamentos sérios e perda de aliados, caso não haja a devida negociação compensatória.

A posição mais confortável é a de Castelo. Mesmo tendo perdido uma eleição recentemente, goza de uma fidelidade eleitoral significativa junto ao eleitorado maranhense. As suas chances de conquistar uma vaga de deputado federal são altas.

O exemplo Castelo. Ele perdeu uma eleição para ele mesmo. Tem um eleitorado fiel muito grande em São Luís e no restante do estado. É um político muito sagaz e certamente sabe que se ficar neutro fica no lucro (perdendo ou ganhando Flávio), se compor com os Sarney sai no lucro (pode até ser uma saída para os Sarney).

Enfraquecimento ou derrota de Flávio é vantajoso para Castelo, sem dúvida. Pois ele passa a ocupar muito mais espaço e centralidade dentro cenário político.

As eleições vão ser diferenciadas. Sim. Tendo ou não eleição indireta para um mandato tampão.
A diferença não está só nesse possível processo de eleição indireta. Pela primeira vez um candidato da oposição vai começar as eleições liderando nas pesquisas e bem a frente do candidato governista. Soma-se a isso a grande porosidade, fluidez e múltiplas adesões existentes atualmente em todos os grupos. Existem sarneístas e flavistas em praticamente todos os lados e blocos.

Estamos diante de um processo de formação de novas agregações e ajustes no interior da classe política e da elite governante simultaneamente. O ajuste intra-classe é muito visível. O que está em curso não é uma ruptura oligárquica imediata, nem mandonista, mas um mero ajuste interno. No Maranhão é uma constelação de oligarquias e a classe política é uma constelação de mandões.

Quanto ao candidato do governo. Em que pese a vantagem de Flávio em relação a ele, a maioria das avaliações que estão sendo divulgadas são precipitadas. E algumas são meras peças publicitárias de campanha eleitoral.

É preciso ter cautela e considerar alguns pontos.
Primeiro, a campanha verdadeiramente não começou, aquela da ação mais direta.
Segundo, é preciso esperar a propaganda eleitoral na TV e rádios para saber como o voto livre reage.
Terceiro, algumas pesquisas apontavam ele com menos de 2% da intenções de voto e agora, nas mesmas pesquisas da oposição ele aparece com 18%. Isso deve ser mais que preocupante para a oposição, já que ele conta com o suporte da máquina dos Leões.
Quarto, ele tem currículo, conhecimento técnico e experiência administrativa (gostando ou não). A oposição, representada por Flávio, até agora, só atacou a governadora Roseana e o senador Sarney. O pré-candidato Luís Fernando não sofreu nenhum ataque significativo, nem críticas e questionamentos. Por que essa oposição não faz isso? O candidato concorrente é Luís Fernando.  
Quinto, a vantagem que Flávio apresenta ainda corresponde a um cenário sem concorrentes bem definidos, sem adversários protagonizando enfrentamentos e difundindo propostas.

Flávio nunca foi testado em situação de favorito e sob ataques constantes. Essa vai ser a primeira vez que vai entrar na disputa como favorito. Ninguém sabe a capacidade dele reagir e qual a real fidelidade do seu eleitorado.
A família Sarney nunca perdeu essa eleição tendo nas mãos os recursos de todos os Leões dos poderes estaduais. Bom não esquecer. Se Flávio vencer, nessa situação, vai ser o diferencial da eleição. Ganhar e ganhar dos Leões.  

É muito cedo. Existem enormes possibilidades e arranjos para serem explorados até outubro. Flávio e os Sarney são aliados de Lula e Dilma, ambos possuem acessos ao PT. Para Lula, no meu entender, o melhor não é privilegiar um ou outro, mas de montar um concerto para ter todos.
Lula sabe da influência de Sarney no PMDB e em outras instâncias dos poderes nacionais. Sem deixar de ver que a bancada maranhense de deputados federais provavelmente será composta, em sua maioria, por aliados de Sarney. Compor com todos, com agrados múltiplos, deve ser o desejo maior de Lula e Dilma.

Por outro lado, qualquer acerto de Lula/Dilma com Sarney ou Flávio vai ter que garantir o cargo de vice ao PT.



O ostracismo de luxo imposto ao comandante Washington não agradou a alguns gregos e a alguns troianos da cúpula do Partido dos Trabalhadores. É preciso tirar do relento os demais companheiros, deve assim pensar solidariamente o comando do PT. O nó interno é desfeito com o que pode ser garantido politicamente ao grupo de Henrique e ao grupo de Monteiro, seguido da definição de quem assume o comando do partido. Mas aí é tudo PT, Lula sabe o que fazer e todos vão com Lula e Dilma. 

quarta-feira, novembro 27, 2013

Eleições 2014 no Maranhão e o Candidato X

No Maranhão, depois que as coisas acontecem, aparece uma legião de pessoas dizendo que sabiam, que tiveram um sonho, que sentiram algo estranho e que já tinham dito aquilo... Isso é uma tradição entre nós, mas também pode ser considerada uma vaidade...

Antes que as eleições de 2014 ocorram, quero deixar registrado algumas constatações e outras tantas suspeitas sobre a disputa ao Governo do estado do Maranhão. Particularmente olhando para a candidatura de Flávio Dino. 

1- A maioria das pessoas que conheço, ligadas ao campo político, em 2012 afirmavam que o momento de Flávio era aquele. Tratava-se da eleição para prefeito de São Luís, em 2012. O próprio Flávio não mostrava interesse e em seguida veio um fato triste de ordem familiar.  
2- Essas mesmas pessoas temiam a traição, uma verdadeira peça mestra na nossa política, contra Flávio. .

Bem, o candidato a prefeito de São Luís foi Holanda Jr. e durante toda a campanha Flávio apareceu na propaganda eleitoral desse candidato. A partir daí começou uma hiper-exposição de Flávio em todos os meios de comunicação e nas nas redes sociais. A pergunta é: isso foi ideia de marqueteiro, dos estrategistas políticos ou de ambos? 
Em seguida, logo após as eleições municipais, teve início uma série de divulgações de "pesquisas", onde Flávio aparecia com números extraordinários, cheio de vantagens. Circulou na internet uma pesquisa que marcava 62% das intenções de voto para Flávio. Novamente perguntas: quem verdadeiramente quis tal divulgação?  Os aliados ou os adversários? "Pesquisa" sem candidatos concorrentes definidos, principalmente o candidato dos Leões, serve para quê? 

Recentemente saí indagando diversas pessoas que acompanham a disputa política sobre o contexto. A maioria dessas pessoas destacaram problemas na campanha de Flávio. Então o que motiva alguns aliados de Flávio se comportarem como  quem já venceu a disputa? As intenções de voto? Ou é puro descuido profissional?

Agora vamos a alguns detalhes. Depois de tanta exposição e discursos de Flávio, pergunte aos eleitores quais  as propostas de Flávio que eles lembram. Além disso, o discurso de Flávio não tem mudado, tornando-se repetitivo, bem antes do tempo. É só perguntar aos cidadãos o que acham dos pronunciamentos dele. 

Nas próximas eleições Flávio não vai mais ser novidade e pouco a pouco fica sem motes fortes. O discurso da mudança, do jeito novo de fazer política, sintetizado no "não roubar e não deixar roubar" (não duvido de sua integridade) fica atenuado com as últimas adesões a sua campanha, em parte, dissidentes ou traidores do grupo Sarney, que em nada lembram renovação e não podem servir de exemplo de moralidade no trato com a coisa pública. Flávio pode ter atraído mais voto com essas adesões, mas também pode ter atraído rejeição.  Isso pode enfraquecer o discurso de moralidade e renovação política. Por quê? Porque não importa só Flávio gozar de credibilidade, mas também a equipe que vai governar com ele. O próprio Flávio não pode ser secretário de todas as secretarias, nem todos os membros de seu partido.  Fazer contraste por essa via parece que não vai ser tão fácil. O que não falta são manchetes negativas sobre alguns de seus novos aliados. Na propaganda eleitoral vai aparecer de tudo. 

Em 2014 Flávio deve provar do que popularmente se chama de "apanhar". Nas suas disputas anteriores ele não sofreu ataques mais sistematizados. Recentemente teve só uma demonstração do que pode estar a caminho. Falo do caso do salário da UFMA. A equipe dele respondeu, mas pouco eficiente. Logo em seguida, acusando o golpe, diversos aliados começaram a atacar Sarney nas redes sociais. A pergunta é: Sarney é candidato? Não é. O único que ainda tira algum rendimento atacando Sarney com fúria é Dutra. 

Enquanto Flávio, que nas pesquisas dos seus aliados está liderando com folga, ficava mais exposto, o seu principal concorrente é mantido distante, fora do debate, sem sofrer desgaste antecipado:  Luís Fernando. O candidato do governo aparece nas propagandas oficias de forma discreta, sem discursos longos. Está distanciado dos debates e confrontações. 

O que os estrategistas de Flávio estão pensando sobre isso? Na disputa até os adversários temos que saber escolher. Luís Fernando ou qualquer outro escalado pelos Leões para disputar as eleições em 2014 não é totalmente inofensivo. Como esses articuladores de Flávio deixam ele tão exposto, em processo de desgaste e aceitam o candidato da situação ser mantido distante, sob proteção? 

Quantos aliados de Flávio realmente são aliados? Para muitos, é notório que esse círculo de apoiadores de Flávio é muito poroso e com gente de trânsito fácil nos dois lados (situação e oposição). Existem outros aliados com trânsito para todos os lados, ficando onde for mais vantajoso.  

Dentro e fora dos aliados de Flávio existem pessoas inconformadas, porque acham que ele furou a fila na disputa do governo estadual. Fora do seu grupo de apoio o mais destacado inconformado é o trator (esse é inconformado com todos, na cabeça dele só existe uma pessoa merecedora de governar o Maranhão: ele mesmo). 

Até hoje não ficou claro se o pai do atual prefeito de São Luís é ou não oposição ao governo estadual. O Holandão é ou não é oposição ao grupo Sarney? 

Para os Holanda a derrota de Flávio em 2014 não é um desastre político. Primeiro, porque o caminho para Holandinha se projetar para governador fica aberto, pois ainda tem 03 anos para se recuperar diante do povo. Segundo, Flávio perdendo e já tendo sido apoiado, cessa a obrigação com o PC do B e os Holanda podem governar sozinhos. Isto é, sem interferência do PC do B. Essa interpretação dos fatos foi feita por um amigo (não quis o nome divulgado).  Achei muito pertinente, principalmente olhando a inércia do governo municipal, que paralisou tudo, até as ações tapa buraco. Aumentou a propaganda na Mirante e nada de significativo foi feito no trânsito, no calçamento, nos socorrões etc. O governante municipal mantém o discurso que a prefeitura não tem dinheiro etc. e com isso vai deixando de inciar diversas obras de urgência. Uma coisa é não ter dinheiro em caixa, outra coisa é ser incapaz de gerenciar as dívidas e ampliar a capacidade de endividamento. 

São Luís vai servir como mostruário dos opositores Flávio sobre qual mudança ele representa. Difícil convencer a população que ele não tem nada a ver com essa administração de Holandinha. Isso vai ser usado como termômetro pelos operadores eleitorais do interior do Maranhão. O certo é que Flávio está perdendo eleitoralmente com esse ritmo administrativo da prefeitura de São Luís. 

Caminhando pelos lados está o PDT ensaiando candidatura própria. O PDT já percebeu que lucra mais se mantendo na estrutura da Prefeitura em acerto direto com os Holanda do que seguir de forma subalterna ao projeto de Flávio. O PDT já demonstrou em duas oportunidades que Flávio não é sua grande preferência. Primeiro bancaram a campanha de Castelo que derrotou Flávio e logo depois mantiveram candidatura própria para governo do estado. O PDT desde o fim do mantado da Sra.  Gardênia Gonçalves está controlando ou participando do controle da Prefeitura de São Luís, tudo que não existe, tudo que faltou fazer nessa cidade tem como maior responsável o próprio PDT, mas ele conseguiu brilhantemente descolar essa responsabilidade de si. Soube explorar até a exaustão o discurso da "perseguição política", da "oligarquia" e do "demônio" Sarney que tudo pode. Verdadeira ideologia. Com isso, fez os incautos acreditarem que eles não devem prestar contas de nada e que todas as desgraças de São Luís é fruto da maldade do Sarney. A esse PDT é muito vantajoso preparar seus projetos no espaço que eles mais conhecem: a Prefeitura de São Luís.

O discurso de anti-oligarquia já deu seu fruto: Jackson Lago. Mas o Sr. Jackson fez uma empreitada de mais de 30 anos para chegar à frente na disputa pelo governo estadual. Parecia ter muito mais aliados fiéis e gente preparada, mas seu governo foi tumultuado, confuso e cheio de pilhadores, saqueadores da pior espécie. O Sr. Jackson não teve gente hábil e fiel nem para cuidar da sua defesa e evitar sua cassação. Sem falar que politicamente não houve nenhum investimento visando criar uma motivação popular em defesa de sua permanência. Pelo contrário, deram curso a medidas desastrosas criando um tal de subsídio e tentando mudar as carreiras de professores e policiais. Com isso, a sua saída passou a ser desejada por amplos setores da sociedade. Perdeu apoio popular e a rejeição ao seu governo cresceu. Isso só reforçou os super poderes dos Sarney no imaginário popular, mas, por incrível que pareça, essa desgraça teve um lado positivo: ajudou a desmistificar que ser contra os Sarney é atestado de competência e honestidade. Para completar esse "estado da arte" da política maranhense, o lado do PT que não tinha apoiado Jackson, passou a apoiar os Sarney. Aí tudo ficou nivelado por baixo. Falar de oligarquia, constatar as desgraças do Maranhão não traz nada de novo e nada que o povo já não saiba. 

A história da mudança. Mudança, mudança. Mudar não quer dizer melhorar. Constatar os erros dos governantes por si só não convence as pessoas que você sabe e tem condições de fazer o certo. As pessoas quererem mudança é uma coisa, outra coisa é quem o povo identifica como o autêntico representante dessa mudança. O povo quer é resultado. Pesa eleitoralmente quem tem recursos para mostrar que pode gerar resultados. Flávio tem um discurso carregado de conceitos abstratos e que dificulta o cidadão associar às ações concretas que são úteis para sua vida cotidiana. Flávio vai ter que dizer o que vai fazer e como vai obter recursos para realizar tais coisas. Flávio não vincular suas realizações totalmente ao apoio do Governo Federal, pois o povo sabe muito bem que Dilma e Lula são com Sarney. Parte da população até acredita que Sarney manda em Lula e Dilma. 

Tudo indica que os Sarney vão tentar algo diferente, ao invés de ficarem evitando o confronto como nas outras vezes, devem apostar na confrontação direta, apostando no conhecimento técnico e na experiência administrativa de Luís Fernando. O candidato do governo não parece ter medo de confronto. Flávio não vai ter mais a sua frente Roseana, que nunca debateu. 

Agora as coisas estão diferentes, só um pouquinho, das vezes anteriores. O candidato da situação está atrás na intenção de voto, mas Flávio certamente vai ser cobrado quanto ao seu desempenho na Embratur. Questão provável nos debates. Por outro lado, ainda não apareceu nada de significativo para dissolver a fama de Luís Fernando ser tecnicamente preparado etc. Caso Luís Fernando resolva dizer (autorizado pela família Sarney, é lógico) que no governo dele quem vai mandar é ele, as coisas ficam mais favoráveis a sua candidatura, pois agrega à fama de gestor competente   à postura de ter vontade própria, de não ser mais um pau mandado. 

Por que os articuladores da campanha de Flávio (marqueteiros, estrategistas etc.) não forçam Luís Fernando a entrar no debate, se expor em confronto? É ou não é importante sondar os recursos que ele possui? 

A quem vai servir aquelas divulgações de pesquisas tão antecipadas? Quem fez isso e para quê? O candidato que aparecia liderando com ampla folga vai começar o período eleitoral com uma perda de, no mínimo,  10%. Por outro lado, o segundo colocado, que estava bem distante, que não decolava, pode começar o período eleitoral com um crescimento de 16% das intenções de voto, no mínimo. 

Luís Fernando que é do primeiro escalão do clã, vai ter total apoio dos Leões e dos outros animais escondidos lá pela praça Pedro II. Algo que não pode ser desconsiderado mesmo quando se tem ampla vantagem. E o palanque de Dilma vai ser o palanque da família Sarney, mais uma vez. 

Agora vejamos, quem é o adversário mais duro contra Flávio além do candidato dos Leões? Quem pode reduzir essa vantagem que ele tem agora? Até o momento é o Candidato X, que nada mais é do que o próprio Flávio, não ele sozinho, pessoa, mas alguns dos seus aliados e articuladores que andam atropelando o óbvio e ignorando que a disputa ainda não terminou. 
O Flávio candidato em 2014 precisa ser diferente do Flávio pré-candidato que foi até agora nas redes sociais e nas propagandas de TV. A campanha vai exigir inovação, Flávio vai precisar mostrar que sabe resolver os problemas que afligem os cidadãos. O problema de abastecimento de água vai ser feito o quê? As questões da empregabilidade e da renda familiar baixa vão ser tratadas de que maneira? Os problemas do acesso à terra e da produção agrícola vão enfrentados como? O problema da baixa qualificação da mão de obra vai resolvido de que maneira? O que Flávio vai fazer para atrair mais investimentos para o estado do Maranhão? Qual sua política de atração de investimentos? Qual a sua proposta para estruturar, especializar e ampliar a indústria do turismo no Maranhão? Qual a medida concreta que ele tem para apresentar em relação à melhoria do atendimento médico/hospitalar? Qual a proposta ou projeto ele tem de melhoria da mobilidade urbana a curto prazo? O qual a proposta concreta de Flávio sobre política de segurança pública?  

Esse modelo de campanha adotado por Flávio está muito linear e previsível. Ás vezes parece que o grupo de Flávio achou um atalho e que não trabalha com médio prazo ou longo prazo. O perigo do atalho é a inviabilidade da continuação da carreira política de Flávio e ele virar aquela eterna promessa política (como alguns casos já conhecidos). 
Além do que foi dito, a questão em torno do poder não está limitada a só ganhar a eleição, muito pelo contrário, basta tomar como exemplo o caso Jackson Lago. Um péssimo governo abre espaço para o fortalecimento e para uma renovação do sarneísmo sem igual. Algo que não pode ser deixado para depois é a questão da carência de quadros, na oposição, para ocupar as pastas administrativas. 

As previsões econômicas para 2014 não são muito boas e isso deve ser levado em conta. Quem assumir o governo do estado em 2015 não pode dizer que não sabia. Como alguém se candidata a algo sem tomar conhecimento da situação do que vai assumir? 

Para a oposição aos Sarney ter maioria na Assembleia é uma necessidade de primeira ordem, mas a bancada federal é a chave para conseguir apoio do Governo Federal e começar a desarticular mais efetivamente o grupo mandonista hegemônico. Sem um bom número de aliados eleitos para Câmara Federal os recursos podem não chegar para realizações de obras importantes. Idem equação para a vaga do Senado. 

Em que pese a forte adesão popular que Flávio vem recebendo no interior, nunca é pouco desconfiar do aparente. As manifestações de apoio nas ruas são sempre bem maiores que o número de votos que aparecem nas urnas. No Maranhão algo muito extraordinário acontece na noite anterior ao início da votação. O sono do eleitor é penetrado por um tipo de elemento desconhecido que muda sua intenção de voto. A intenção muda de lado nadando como uma Garoupa.

Caso Flávio não elimine o Candidato X, a sua melhor alternativa vai ser sair desse caminho do atalho e se lançar candidato a senador, fazer um enfrentamento direto com Roseana. Mesmo que perca vai permanecer como promessa ao governo do estado e principal figura da oposição. Perdendo essa agora para governador sai automaticamente da ponta da fila da disputa ao governo estadual e o futuro fica mais incerto. 

No mais, provavelmente Eliziane saia mais fortalecida e credenciada à prefeitura de São Luís, em 2016 e ao governo do estado, em 2018, ela só vai precisar de uma boa agência de propaganda e um pouco mais de recursos para avolumar a campanha. Tem tudo para lucrar eleitoralmente em 2014. Aos demais sujeitos da oposição cabe buscar ampliar o espaço  para se constituírem  como uma alternativa eleitoral nova, tarefa difícil, mas não impossível. 

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