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domingo, setembro 09, 2012

São Luís 400 anos uma Festa de Compadres...e um rei para a Realeza...



Festa, mas podem chamar de Festejo.... 08 de setembro foi o dia que o rei cantou para a Rainha. Um espetáculo de um rei para uma Realiza. Aliás uma singular marca: o estado-membro de uma federação republicana com uma realeza. 

Muitos foram convidados, mas poucos foram os escolhidos para o camarote... Lá embaixo... o vendedor de flores artificiais, luminosas e piscantes... faz o V da vitória. Com o seu quepe de almirante... 

Os compadres sabem o que fazem... Resolveram partir a fórmula para empregar mais realismo à cena das suas diferenças.


Eis quatro séculos... 03 milhões desembocaram no "eu vivo esse momento lindo", porque essa quantia nesse estado são "detalhes tão pequenos"!  

quinta-feira, junho 21, 2012

A miopia dos maranhenses e os óculos da Globo


A miséria no Maranhão é tão ampla e tão antiga que os maranhenses perderam a capacidade de ver com seus próprios olhos as reais implicações dessa situação. Não conseguem ver nem se indignar com tamanha desigualdade social. Incapazes de reagir à violência e ao constrangimento que isso significa para a vida cidadã. Para os maranhenses isso tudo é normal. Impera uma forma naturalizada de conceber a miséria. Não são poucos os que pensam, percebem e definem essa desigualdade como patrimônio cultural - eles gostam de viver assim, dizem eles.  

A Globo tem tido o mérito, com sua capacidade de convencimento e de estabelecer a versão "verdadeira, de ser uma espécie de óculos para os maranhenses. A Globo disse então passa a ser real. As pessoas comentam e mostram-se admiradas. Tudo já estava posto bem perto dos olhos. Tudo que a Globo disse, resumidamente, já foi dito e forma aprofundada por inúmeros pesquisadores locais. Diversas vezes postei sobre essa questão. Tantos outros pesquisadores já fizeram o mesmo. Sobre esse tema já concedi três entrevistas à Rede Brasil, sendo que última foi em rede nacional. Qual a repercussão local? Nenhuma.  

Marajá do Sena como a capital da miséria não é novidade para um estado campeão em miséria. Mas isso não é só uma questão quantitativa e econômica. Quem ver só assim continua tendo uma visão superficial do problema. O Maranhão tem um ethos profundo de extrema desigualdade social: as pessoas que têm não se contentam em ter, precisam o tempo todo dizer que o outro não tem nada. 

Tem uma responsabilidade política-governamental vinculada à persistência dessa miséria, mas há, do outro lado, um modo tradicional (de tipo reacionário) de culto ao distanciamento social, e que não deve ser atribuído como culpa também quem está no poder político. O que dizer de um pai que, em uma reunião escolar de pais, propõe que a escola aumente a mensalidade para evitar a entrada de "gentinha" ? O que dizer dos que reclamam de colegas que são "bolsistas"? A culpa é só dos governantes? Não. Eles são pessoas dessa mesma sociedade que alimenta o distanciamento social extremo como forma de projeção social. Basta observa o alto investimento em status aparente. Ter carro com mais de 03 anos em São Luís é uma heresia. 

O investigador do IPEA falou na Globo agora todos os vão reproduzir o dito. Eis um outro detalhe. Nesse Maranhão profundo,  persiste uma vaidade suicida no meio acadêmico, onde cada intelectual se posta como um supremo gênio e são incapazes de reconhecer os méritos do colega, em geral, boicotam para que o outro não possa parecer que tenha mais brilho do que ele. Uma vaidade obscura, onde todos acabam sendo "mundialmente conhecidos" apenas na sua sala ou nesse inusitados departamentos. Essa operação de ninguém poder ter seu trabalho reconhecido, para que o nivelamento fique sempre no rodapé, tudo que vem de fora é maior, é melhor e grandioso. É preciso algo de fora aparecer para que se possa ver e validar. 

A questão dessa miséria, já escrevi, tem a ver também com a falta de financiamento específicos para cada arranjo produtivo. Não basta só ensinar a cozinhar, não será suficiente, pois quem está na miséria mesmo não monta negócio sem incentivo. Cadê o dinheiro para comprar o fogão, o gás, as panelas, a matéria prima? É preciso desenvolver também capacidade empreendedora. No mais, falta em nós mais humildade e solidariedade no que tange o reconhecimento do outro de ter direito a vida digna. Humilhar pobre não é luxo, é extrema perversidade. 


sábado, junho 16, 2012

A Global crítica ao Bolsa Família e outras intenções



Ontem fui surpreendido por uma manchete do jornal nacional da Globo: Bolsa família desestimula a procura de emprego... Depois aparecia quase definhando "formal". Isso para mostrar e comprovar deficiência do programa. Qual é o momento da história que as taxas de emprego informais não foram altas? Para saber todas as implicações da Bolsa família é preciso comparara aos períodos anteriores à criação desse programa. 

Vamos por parte:
 1 - trabalho informal pode ser um monte de coisas, p. ex.: a não submissão da mão de obra a um empregador, pauta no empreendedorismo individual, vulgarmente chamado de trabalhador por conta própria. No fundo dessa questão está o fato dele não está seguindo os procedimentos regulatórios, no todo ou em parte, formalizado na legislação sobre trabalho e livre iniciativa (empresas). Só lembrando que ocupação e trabalho nem sempre andam juntos com o que é propriamente emprego;
 2 - emprego informal é muito mais um caso que diz respeito à responsabilidade do empregador, do empresário, muitos empresários aumentam seus lucros precarizando as relações de trabalho, minimalizando os vínculos empregatícios. A informalidade do emprego diz que o empregador não está seguindo os procedimentos legais quanto ao processo de submissão da mão de obra;
 3 - O emprego formal ocorre quando a relação de trabalho entre empregador e empregado segue todas as etapas prevista pela legislação específica e visa a formalizar um vínculo que estabelece obrigações e garantias para ambas as partes, ficando o Estado como fiscalizador árbitro de forma direta e inequívoca. 

Perguntas que necessitam ser feitas sobre essa reportagem da Globo: 1- O Bolsa Família não visa, em primeiro plano, uma questão social em termos de mais equidade sobre vida digna e cidadania? 2 - Não precisamos perguntar o porquê as pessoas não estão procurando esse emprego formal? 3 - Não procurar emprego formal é igual a não querer trabalhar e não ter ocupação? 

O que pode existir atrás dessa reportagem da Globo? Existe o descontentamento dos empresários que não estão conseguindo manter o mesmo grau secular de superexploração da mão de obra. As pessoas com o mínimo calórico, garantido pela programa Bolsa Família, passam a valorizar mais sua hora de trabalho e a resistir a uma oferta qualquer. 
O que a Globo não diz que o Brasil, a sétima economia do mundo, tem um vasto leque salarial e está longe de uma justiça salarial e de uma real valorização do trabalho. Os altos custos com a mão de obra, que recorrentemente são apresentados, estão longe de significar real favorecimento do trabalhador. Pois esses encargos não são repassado diretamente para o empregado e nem está sobre seu controle mais direto.

O que está incomodando?  É que parcela significativa da população brasileira saiu de uma situação extrema de pobreza, perdendo um alto grau de vulnerabilidade que a fazia se submeter a qualquer tipo exploração, em troca de remunerações baixíssimas. Vide o setor da construção civil que, nos últimos anos recebeu todos os tipos de incentivos e vantagens por parte do Governo, as empresas aumentaram seus faturamentos e receberam farto financiamento, mas o que isso significou em termos de ganho real e qualidade de vida para os trabalhadores dessas empresas de construção? Teve ganhos, sim. Mais postos de trabalho e maior volume de absorção demão de obra. Mas percentualmente pequeníssimos perto do aumento do faturamento das empresas. O que ganha um pedreiro, um mestre de obras e um ajudante de pedreiro ainda está longe de ser um salário medianamente vantajoso. Não é muito diferente em outros setores.

Recentemente surgiu a ideia no meio empresarial de importar mão de obra do Haiti. Gesto humanitário dos nossos empresários? Não. A velha fórmula de atrair mão de obra bastante empobrecida para manter baixos salários. Atitude vergonhosa e desrespeitosa, no mínimo. 

Não se pode esquecer da liberdade individual. O próprio liberalismo advoga que seja assegurada a liberdade individual, que haja limitação do poder das autores. O que querem então esses críticos? Que o programa promova perda de liberdade em troca de benefícios? Isso é o cúmulo do absurdo. Pois qualquer medida que estabeleça exigências aos inscritos no programa que implique em perda da liberdade e das garantias individuais é um crime. Que fere dimensões democráticas, republicana e até mesmo liberais. 

Nem toda oferta formal de emprego significa realização pessoal, realização profissional, satisfação e melhoria na qualidade de vida. Entre a formalidade que destrói as condições de vida, de sociabilidade e a informalidade que permite sobrevivência digna, autonomia e maior liberdade, prefiro a informalidade. Ser informal não quer dizer plenamente precário. Há um lado da informalidade que muitos desconhecem: a alteridade. O direito de ser o outro, o diferente e que se recusa a se submeter plenamente aos encargos de uma ordem vigente. 

Pergunto: Não houve nenhum ganho ou benefício da Bolsa Família em termos de ocupação e outras melhorias sociais?

No Brasil, persiste não só agudas desigualdades e distanciamentos sociais, mas também um pequena fração de ódio social. Composto por aqueles que se mostram críticos quando alguma medida tende a atender necessidades e demandas dos pobres, que são vistas, por esse segmento do ódio, como privilégio, e não como uma política de buscar justiça social e garantia de vida para todos. Como alguém pode achar que tem vida digna sendo uma ilha de prosperidade cercada por um mar de miséria e sofrimento? Que riqueza carrega esse indivíduo enquanto pessoa ("humano")? 

Finalizando. Perguntem aos pequenos comerciantes do interior, das pequenas cidades, se eles são contra o Bolsa Família. 
Desde o início já foi constado que o programa precisa ser melhorado, agregar mais elementos, ter caráter mais pedagógico, formativo e estimulador de superação das condições sociais. Mas é pertinente lembrar que nenhum program social é, foi ou será perfeito. Não existe política pública perfeita, pronta e acabada. Isso é demagogia, não é crítica e não é análise responsável dos fatos. 

O que não se pode admitir é responsabilizar o Programa por fenômenos  bem mais complexos e que estão para além da competência dele, envolvendo situações que não ficam restritas ao mero ajuste da política governamental. Tão pouco é admissível que seja estabelecido em um programa social cláusulas que restrinjam a liberdade de escolha dos cidadãos ou o coloque em condições inferiorizada diante dos que não participam do programa. Obrigações devem existir, perda de liberdade em prol exclusivamente do barateamento da mão de obra, não pode. 

 SEM PROPOSTAS - ELEIÇÃO PRESIDENCIAL 2022 O que tem movido os eleitores brasileiro diante das candidaturas à presidência da República este ...