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quarta-feira, março 07, 2012
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
terça-feira, janeiro 24, 2012
Maranhão é uma lavoura arcaica
José, dono da fazenda, que não é bobo, saiu na frente plantando uma Macaxeira bem no meio do terreno. Chuvas começam a cair e vários políticos ainda estão indecisos, vacilantes, sem saber se plantam ou não suas candidaturas nessa terra do Zé.
Lavradores que não querem ficar na senzala do Zé estão demonstrando não conhecer bem a terra e nem como como prepará-la; podem perder a hora de plantar e de colher.
É preciso sagacidade para fazer vingar algum bom fruto livre das garras do Zé. É uma lavoura arcaica de brutos manejos.
segunda-feira, janeiro 16, 2012
Buda também chupou manga
Através de Gabriel García
Márquez, em O general no seu labirinto, descobri que a mangueira não era
nativa. Apesar dessa constante presença na paisagem brasileira. A manga é
originária do sul e sudeste asiático e chegou às Américas por volta de 1700.
Há vestígios que datam a
existência da manga entre de 25 a 30 milhões de anos. O que torna plausível
dizer que esse fruto vem sendo utilizado pelos humanos desde tempos mais
remotos.
A manga é a fruta mais
consumida no mundo, para alguns é a "fruta rei”. No Brasil, essa fruta foi
introduzida pelos portugueses, que transacionavam os frutos com os indianos, na exploração do mercado de especiarias. Os lusitanos logo perceberam a possibilidade de adaptação
climática e passaram a disseminar a planta através das sementes. Deu muito
certo e a mangueira passou a compor nossa paisagem.
No Maranhão, nos povoados
rurais, existe o entendimento que a existência de mangueiras é sinal que o lugar já foi habitado. Dizem os lavradores:
“ ali já morou gente”. Para além desse fato, alguns animais da nossa fauna fazem
com que a planta vá se espalhando sobre determinadas áreas. São espécies que
transportam os frutos para locais mais distantes da árvore, a fim de
consumi-los. Porém, deixam as sementes intactas e prontas para germinarem.
Esse povo (nós) também tem um dizer interessante sobre a manga: "Esses políticos são como periquitos, só aparecem em tempo de manga!" Ou, "Em tempo de manga, toda mucura é gorda".
Esse povo (nós) também tem um dizer interessante sobre a manga: "Esses políticos são como periquitos, só aparecem em tempo de manga!" Ou, "Em tempo de manga, toda mucura é gorda".
Em se tratando de Maranhão,
os bosques de manga representam o maior e mais eficiente “programa” "espontâneo" de "segurança alimentar". Graças a esse fruto e sua abundância que a maioria das
crianças pobres maranhenses - do interior, ganha sobrevida, adquirindo algumas
vitaminas e outros nutrientes para enfrentarem o período sem as mangas.
Como sabemos, até hoje, os recursos da merenda escolar têm servindo, em grande parte, para alimentar a corrupção nos municípios, enchendo os cofres particulares de prefeitos insensíveis que, logo após iniciarem seus mandatos, passam rapidamente a adquirir caminhonetes, helicópteros, apartamentos caríssimos etc. Enquanto as crianças, nas escolas, ficam só comendo salsicha, macarrão e presunto o ano inteiro. Mas existem escolas onde nem isso é oferecido aos alunos. A merenda simplesmente some.
Como sabemos, até hoje, os recursos da merenda escolar têm servindo, em grande parte, para alimentar a corrupção nos municípios, enchendo os cofres particulares de prefeitos insensíveis que, logo após iniciarem seus mandatos, passam rapidamente a adquirir caminhonetes, helicópteros, apartamentos caríssimos etc. Enquanto as crianças, nas escolas, ficam só comendo salsicha, macarrão e presunto o ano inteiro. Mas existem escolas onde nem isso é oferecido aos alunos. A merenda simplesmente some.
A manga é um fruto sagrado
para os indianos hindus, representando o amor e a fertilidade. As flores e as folhas são
comumente utilizadas em rituais. A folha seria a vida vibrante. Na Índia, conta a
tradição hindu, Shiva teria aparecido na sua forma fálica em frente a uma
mangueira.
A tradição budista também
traz referências à manga. Buda tinha preferência pelos bosques de manga para descansar
e meditar. Diante de uma multidão de descrentes fez uma mangueira germinar
instantaneamente.
A manga foi meu suplemento
alimentar durante a minha infância. Além disso, costumava fazer, da copa da
árvore, um refúgio. Ficava lá em cima sempre que o mundo lá em baixo assumia um tom tenebroso. Passava horas lá em cima pensando, observando a paisagem e sonhando
acordado. Às vezes, no final da tarde, deitava sobre a areia do quintal, próximo a
uma grande mangueira, para ficar olhando para o céu, esperando as primeiras
estrelas se tornarem visíveis.
Sempre que passo pelos
povoados, às margens das estradas, fico observando as crianças brincando
debaixo das sombras das mangueiras ou vendendo os frutos em pequenos utensílios no
acostamento da pista. Fico questionando se tudo mesmo é fruto do sujeito histórico ou
se, pelo mesmo de vez enquanto, há uma mexidinha divina, colocando uma saída
para os menos favorecidos quando a história deles é uma sequência de desgraças
e péssimos governos.
Como seria o Maranhão sem mangueiras?
Como seria o Maranhão sem mangueiras?
quinta-feira, novembro 03, 2011
FINADOS. QUE FERIADO É ESSE?
![]() |
| Vincent van Gohg - Ramos com flores de amêndoa. |
O
Brasil é membro de um seleto grupo de países que tem feriado nacional
relacionado diretamente com os mortos ou com a morte.
- Comecei a visitar o cemitério em um dia de Finados ainda na tenra idade. Nessa época, o começo, tudo girava em torno da luminosidade das velas. O espetáculo das chamas. O brilho das luzes das velas era o atrativo maior para a criança que eu era.
- Eu ficava rodeando a sepultura de minha tia (a Luísa, que não cheguei a conhecer) no esforço de manter as velas acesas. Além do “ofício” de fazer bolinhas da cera derretida. A morte não era nenhuma questão para mim. Só tempos depois veio o medo de almas, das visagens, mas até aí a morte não era uma questão séria, nem relevante. Não tinha nenhum efeito. A morte só se tornou uma questão séria quando minha avó materna morreu (Adosinda). A morte passou a ser algo e de forma significativa: perda.
- O tempo passou, e muito passou. Questões outras apareceram e adquiri novas formas de pensar o drama da vida e da morte. O medo de visagens e de almas despareceu. Daquele tempo só permaneceu o fascínio pelo brilho das chamas.
O
feriado de Finados só pode ter sentido para quem, no mínimo, é espiritualista.
Isto é, acredita na existência de espíritos, que algo transcende ao arranjo
físico do corpo. Por outro lado, é bom frisar, alguns espiritualistas não veem utilidade no
feriado e nem no ato de visitar os túmulos, pois tais atitudes seriam desnecessárias. Defendem que os
mortos podem ser lembrados de qualquer lugar, em qualquer dia e não estariam
fixos ou presos nos túmulos. Defendem que os mortos não permanecem mortos, mas vivos em uma nova forma de vida. Nessa visão os espíritos ficam Livres dos corpos, e tomariam rumos
diferenciados. Existem inúmeras concepções e doutrina sobre a vida pós-morte e as condições do espírito.
Sendo
ou não espiritualista, acreditando ou não na transcendência do espírito, o
feriado de Finados traz uma questão comum a todos: vida e morte.
A morte é o elemento que iguala a todos. Todos nós, qualquer um morre.
Não existe morte diferenciada, simplesmente se morre. Pode haver diferenças nos funerais e nos processos que culminam com a morte, mas a morte em si é igual e para todos.
A morte é o elemento que iguala a todos. Todos nós, qualquer um morre.
Não existe morte diferenciada, simplesmente se morre. Pode haver diferenças nos funerais e nos processos que culminam com a morte, mas a morte em si é igual e para todos.
Morte
é morte, nem bela, nem feia. Não tem meia-morte. Não pensar na morte não nos
tira do dilema da morte, pois isso não nos faz imortais e tão pouco nos isenta
do que todos passam no momento morte. O dilema do desconhecido persiste mesmo diante do esforço da indiferença.
Vincent
van Gohg, depois de atirar contra si, passou dias agonizando sobre uma cama e, nesses
dias finais, fez alguns pronunciamentos aos que lhe assistiam. Dentre os pronunciamentos disse: “A desgraça dura para sempre.” Vincent parece ter percebido, antes de
morrer, que a morte não encerrava tudo.
O
feriado de Finados é uma deferência, antes de tudo, aos dramas e dilemas dos
vivos, dos que ainda não morreram. A morte só é um problema para quem está
vivo. Pois são eles que estão presos a duas questões não transferíveis: ter que
morrer um dia e os sentimentos de dor/perda diante da morte dos outros.
Como
a morte é uma certeza, um determinismo, toda a morte e a morte de cada um acaba
sendo um drama pessoal de todos. Cada um que morre põe em destaque a certeza da
nossa própria morte, diz sobre nosso fim, nesse tipo de existência.
O
feriado de Finados homenageia os dilemas dos vivos diante de um determinismo:
morrer.
9BM4CBWNAEC6
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