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quarta-feira, dezembro 24, 2014

Votos de sorte aos órfãos: política maranhense


Sempre desejei a alternância por dois motivos simples: 1- convicção democrática; 2- ver os Sarney fora do poder. Sobre esse último motivo explico: uma longa permanência no poder não permite a existência da alternância. Nasci, cresci e envelheci vendo apenas eles no poder, isso produziu em mim uma sensação de paralisia. O tempo parecia em colapso, o horizonte estático uma agonia em relação ao devir. Nunca foi ódio e nem nada mais. Tudo pela simples crença em democracia. 

Mas sempre caminhei desconfiando, suspeitando e tendo cuidado. Passei a minha vida toda observando de perto os adversários de Sarney, os que se colocavam como a negação do que ele foi politicamente. Logo, logo vi que só ser contra (anti) não superava nada e que 90% desses adversários eram vazios em propósitos e compromissos públicos. Outros tantos não possuem nenhuma densidade moral que sustente o seu discurso de moralidade. 

O tempo passou e muitos sobreviveram sob o mando de uma suposta dignidade, sem referência histórica, estabelecida como dádiva mística pelo fato de se dizer anti-Sarney. Isso foi um dos maiores fatores da nossa miséria econômica e política. Porque o Maranhão desde 1965 passou a viver em torno de suposições, mitos, fantasmagorias e muitas mentiras de todos os lados. Não-racionalidades, Inconsciências, Superstições, Demagogias e Obscurantismos. Caldo delirante que deixou o Maranhão cair a índices absurdos de miséria e ausência de vida decente. 

A saída dos Sarney do comando político do estado é bom para os Sarney, por mais que possa parecer estranho. Também é bom para o Maranhão, pois é uma possibilidade real do estado começar a ver suas condições/situações de forma menos fantasiosa, quebrando algumas correntes mitológicas que alimentam certas ilusões. 

A partir de 2015 vamos ter a oportunidade de descortinar o que é realmente o atraso e suas causas. Daí poderá ser medida a exata medida do que tem a oposição de diferente e qualitativamente melhor aos Sarney. Será agora uma prova concreta. O governo Jackson, interrompido por cassação, não possibilitou o descortinamento do real tamanho dos nossos vícios e o grau de competência dos que sempre se opuseram aos Sarney. As condições historicamente estão montadas: a prefeitura da capital e o governo do estado estão aparentemente no controle de um mesmo grupo político. Sobre o que foi até agora o governo municipal de São Luís nem vou comentar no momento (vou aguardar a hora certa).

Cabe ressaltar o caráter tardio dessa vitória da oposição sobre os Sarney. Há tempos a continuidade do controle sarneísta tinha como principal aliado a força da inércia promovida pela oposição. A oposição atestou seguidas vezes sua incapacidade de articulação e mobilização para disputas competitivas. Não era só Sarney querer permanecer..não somente isso, era também a falta de adversários para disputar efetivamente na competição eleitoral. O anacronismo do sarneísmo era oriundo do próprio atraso da oposição no Maranhão. 

Ser só oposição era cômodo para muitos e isso rendia frações eleitorais e monetárias, coisas consolidadas, sem risco e sem ter que prestar contas ao povo, sem o risco de ser responsabilizado. Agora vai ficar mais fácil delinear e mensurar o tamanho do legado dos Sarney em termos de negatividade e positividade. O que há de real, de delírio, de mentira e farsa vão ganhar nitidez para o bem ou para o mal da oposição, que passa a ser situação agora (governo). 

É certo que o poder entorpece pela possibilidade de "fazimento", vantagens, regalias e gozo da supremacia da vontade. Exatamente nesse aspecto vejo como ganho para os Sarney o fato de terem perdido o governo do estado. Agora eles vão poder experimentar mais o que é a realidade para além das forças dos leões. É certo que o guarda-chuva eleitoral montado em prol de Dino não será suficiente para acomodar as frações demandantes por espaço no campo políticos nos dois próximos anos. 

Em termos de projetos políticos,alguns só serão viável se saírem de debaixo da sombra de Dino, o que exige descolamento em direção de posições mais independentes. Isso vai ser uma necessidade para aspira a prefeitura de São Luís, Senado e Governo do Estado. A fila de quem acha que tem prioridade é grande e uma grande leva de desejosos não gozará de exclusividade para alavancar sua candidatura. Quanto mais negociado for o processo de diminuição dessa lotação debaixo desse guarda-chuva montado para a eleição de Dino, melhor será para a renovação e ampliação do campo político maranhense em termos de opções, variedade.  Que isso ocorra em benefício do interesse público.

Cabe, como finalização, desejar votos de sorte aos órfãos do sarneísmo e do anti-saneísmo que passaram suas vidas fazendo dessas correntes uma forma de ofício. Que 2015 seja um momento de novas oportunidades e que todos vocês encontrem novos meios de vida. Pois não vão ter como sobreviver dizendo que o legado do sarneísmo vai perdurar por mil anos. O Pronatec pode ser útil. Sorte, sorte! 


segunda-feira, abril 07, 2014

Sarney: o Golpe de 64 e Transição para a democracia

Foto: o Estadão (recortada)
Em 2002, quando comecei o doutorado, tratei de conseguir uma entrevista com o senador Sarney. Motivo: a transição, processo de democratização e volta dos governos civis. Passei meses tentando achar um canal de acesso e que viabilizasse essa entrevista, por fim lembrei de uma amiga que o marido era parlamentar e recorri a ela. Fiz algumas perguntas bem simples e mandei, no mesmo documento, meu contato, basicamente meu e-mail para uma eventual resposta. A resposta veio através de um assessor de nome Pedro, e não era mais que um NÃO. Motivo: ano eleitoral. Como no Brasil, vergonhosamente e em total desrespeito ao erário, fazemos eleições em dois em dois anos, mas na prática é campanha em um em um ano, fiquei praticamente desabilitado de entrevistar o senador Sarney até hoje. 

No fundo, a minha investigação estava exatamente direcionada à sobrevivência dos aliados da ditadura e o grau de democracia estabelecido, o que democracia acabou sendo efetivada diante de tal processo (?). Era uma empreitada muito ambiciosa. O certo é que essa entrevista que considerava e considero de grande importância para meu trabalho não aconteceu. 

Mas, permanece a vontade de melhorar o texto, de buscar fazer uma leitura dessa tal redemocratização por um ângulo diferenciado do que já foi produzido exaustivamente até aqui. Recentemente recorri a três pessoas com acesso ao meio familiar e político do senador Sarney, mas até agora NÃO obtive nenhuma resposta.  Queria publicar meu trabalho nesse aniversário de 50 anos do Golpe de 1964, mas isso já não é mais possível. Quem sabe eu consiga publicar no aniversário de 51 anos do Golpe. O problema agora é o senador Sarney querer colaborar com pesquisadores locais como eu, sem referências maiores e sem "pedigree". 

Tudo indica que não vou ter mesmo essa entrevista. O senador já está com 83 anos e, como todos os seres humanoides, vai ter a ruptura existencial com esse mundo. 

Ontem, 06/04/2014, o jornal O Estado do Maranhão, de propriedade do próprio senador Sarney, publicou, na página 08, uma entrevista com ele feita pela repórter Laura Grennhalgh, de O Estado de São Paulo, o Estadão. Na entrevista foi tratado alguns bons detalhes sobre o período que me interessa, algumas sutilezas e revelações de bastidores. Porém, os pontos da minha curiosidade não foram atendidos. Os ângulos das formulações, apesar de bons, não são os meus e não atendem a minha investigação, é óbvio. Mas é um material importante para pesquisadores e demais interessados no tema. Vale a pena ler. 

Destaco algumas trechos que considero coincidente com o que observei na minha tese: 
1- Ele funcionou como uma senha do processo para a transição acontecer dentro dos parâmetros do lento, gradual e seguro. Garantia à garantia dos militares;
2- Era e é um admirador de Juscelino, mas não tem a mesma admiração por Getúlio, a quem destaca o caráter autoritário e busca minimizar a influência da era Vargas,  além de reproduzir a tese de FHC de que a superação do estado varguista já está consolidada.

Repito aqui o que já afirmei na tese: Leônidas Pires foi quem deu posse a Sarney, através dele que verdadeiramente a "eleição" de Sarney para Presidente foi efetivada.

Destaco também, a partir dessa entrevista que: 1- Sarney é um exímio semeador de afagos (e contador de histórias). 2- É capaz de criar brechas, em qualquer tema e parte da história, para manifestar gestos necessários a quem possa render apoio e reafirmar a amizade. Exemplos: 
A- Ao falar de Getúlio cria uma brecha para tratar do sindicalismo, nisso agracia Lula evocando o tal do novo sindicalismo (o senador não usou a expressão "novo sindicalismo", eu fiz isso), como superação do sindicalismo pelego. No final, mais uma vez, fala do operário concorrendo à Presidência no final do seu mandato; 


B- Assume mais a proximidade o alinhamento com Castelo Branco e o apresenta em distanciamento e desalinhamento com Costa e Silva, por fim, ele próprio, mostra-se em tensão com Médici. Com isso, presta homenagem a um amigo e, ao mesmo tempo, afasta sua trajetória política do AI-5. Não duvido de nada, só destaco a habilidade dele de contar. Todo ponto de vista é visto de um ponto... Todos válidos. 


Repito: Lula é a chegada atrasada do último contingente produto da ditadura, é a consolidação da transição dentro dos parâmetros do lento gradual e segura. Nada até agora ocorreu fora disso. A democracia que temos foi e é carregada (excessivamente) pelo ideário de democracia da antiga Escola Superior de Guerra. O avanço democrático que se esperava ainda não aconteceu. Vide a proposta recente da OAB, que ao sugerir o recall na reforma política, limitou o dispositivo ao legislativo, alegando o "risco" dos adversários derrotados agirem contra o titular do Executivo. Isso traduz a mentalidade conservadora que não admite o poder com o povo, nem acredita na capacidade do povo, mas o tem sempre com um incapaz que merece de certos cuidados e tutela. Traduzindo: O povo tem capacidade para votar para eleger, mas não tem capacidade de votar para tirar (vai ser manipulado). Alguém entende? Pois é... lenta , gradual e segura (sempre?).

segunda-feira, outubro 07, 2013

Maranhão: não é só alternância, não é só mudança, precisamos qualificar tudo isso


No Maranhão, lenda, crendice e realidade são tratados no mesmo tom, nível de abstração e emotividade. Pai Francisco e Lênin são as mesmas coisas no auto do bumba-meu-boi. Boi ressuscita  mesmo com a língua devorada. Não por menos, o uso da metáfora. 
Nos últimos anos o conceito de mudança foi naturalizado, não só isso, mudança virou sinônimo de melhora.
Não precisamos só de mudança e alternância, precisamos qualificar todo o processo, principalmente, em um momento em que a insatisfação do povo com os políticos é intensificada por sucessivas denúncias de corrupção e roubo de recursos públicos. 
É certo que, no Maranhão, o mínimo de institucionalidade necessária ao poder público e uma ordem significativamente política nunca aconteceram. Mesmo após a Revolução de 30 o mando no Maranhão não se desfez de sua forma senhorial, permaneceu agudamente enquanto dominação tradicional, personificada e voltada aos interesses privados. Caso emblemático do pós-30 é mandão Vitorino Freire. 

O ethos mandonista tem raízes profundas e a nossa cultura política é densamente cortada por arquétipos desse tipo de exercício de poder. O Brasil não é um exemplo de efetivação significativa de republicanismo, de uma virtude cívica e o Maranhão, o último a ser incorporado ao Brasil Independente, nunca quis ser nada de república, uma recusa sistemática e intensa. Todo o aparato estatal/legal serviu e serve ao reforço do mandonismo. O poder tradicional serve-se do aparato institucionalizado, que nada mais é que alegoria de um Estado da razão e de Direito. Estado de Direito é só um tema para o deleite discursivo, exercício de um intelectualismo enciclopédico e inútil. Na prática a servidão é sincronizada em todos os poderes, em termos hegemônicos, não em termos de montante de indivíduos presentes nesses espaços. 

A tomada de poder não é, em si, mudança qualitativa para melhor. A tomada de poder é só tomada de poder. Isso parece tão óbvio. Porém, não é óbvio. A forma como o poder é tomado pode condicionar profundamente o exercício efetivo do poder. Não é com qualquer forma de exercício de poder ("seja qual for o fundamento") que constrói-se uma mudança que signifique mudança para melhor ou superação do status persistente. Quem promete mudanças positivas focado exclusivamente no processo eleitoral e na chefia do governo está propagando uma falsa promessa. Nada mais enganoso que isso. 

O mandonismo não será superado apenas com alternância, ou qualquer mudança. Enquanto ethos o mandonismo são práticas cotidianas que perpetuam uma enorme verticalidade nas relações de mando, naturalizando uma seletividade no reconhecimento do outro como um igual em direitos. O mandonismo só será enfraquecido como processo social amplo e sustentado enquanto ato Político, capaz de estabelecer uma nova hegemonia (na acepção de Gramisc) compreendendo ideal e prática de poder. 

Isso dito, cabe resumir que o mandonismo não se supera com uma caneta, nem com uma vitória eleitoral. Além disso, no âmbito do debate político maranhense amontoam-se expressões e "conceitos" vagos e não operativos sobre o tipo de exercício de dominação preponderante  no Maranhão. O coronelismo quando existiu, até 30 do século XX, nunca se resumiu a um único "coronel". O "coronel" Justino sozinho não era o coronelismo, sendo o próprio coronelismo apenas umas das várias versões mandonistas historicamente registradas.  O desconhecer o que se combate já é uma forma de derrota.

Agora é só aguardar os dados que a realidade vomita entre um instante e outro e compararmos. Só assim, talvez, alguns consigam ver até aonde vai o vigor do mandonismo. Em situação recente o poder foi ocupado por um outro grupo e em nada o mandonismo foi abalado, muito pelo contrário, manifestou-se de uma forma mais tosca e ridícula. 

O Maranhão, do ponto de vista do pragmatismo eleitoral, não tem nada de excepcional em relação ao resto do Brasil e vida partidária brasileira, onde coligações é só uma questão numérica competitiva. Tudo cabe em prol do ganho. 

Mas, ao mesmo tempo, o processo político em curso no Maranhão tem suas singularidades, por força do localismo principalmente. O viés provinciano da disputa guarda elementos singulares e permite dizer que o movimento em curso é um ajuste intra-oligárquico. Tenho dito isso desde 2002, em trabalhos apresentados em diversos eventos. O efeito vai ser de ajuste, onde as diversas oligarquias municipais, sindicais e partidárias arranjarão seus assentos, em prol da manutenção dos seus privilégios. 

O que cabe aos autodenominados de esquerda sonharem nesse contexto? Difícil responder. Em termos mais ideológicos e utópicos poderiam reivindicar radicalizar a democracia. Do ponto de vista pragmático é possível assumir a concretização de melhores índices de qualidade de vida e a garantia do funcionamento efetivo, mínimo, dos serviços essenciais. O povo certamente irá agradecer até com devoção. 

É possível radicalizar democracia por uma via conservadora reacionária? Bem, se isso acontecer será a primeira vez. Não acredito nessa possibilidade. Isso seria milagre e não processo político. Sobre isso, Maquiavel é referência, particularmente quando sinaliza o espaço laico da política e os campos distintos da moral religiosa e política. 
É possível conseguir melhorias materiais pela via conservadora reacionária? Sim. Hitler, Stalin e tantos outros chefes de governos conservadores e autoritários. Entre nós é algo comum. O próprio modelo adotado nos últimos 20 anos serve de prova. A configuração das ações de governo no Brasil atual é materialização desse caminho. São acréscimos materiais. Isto é, mais consumidores surgiram, mas sem serem mais cidadãos. O créscimo material pela via conservadora reacionária é manutenção e não a ruptura com o mandonismo.

Cabe, no mínimo da honestidade, assumir isso, formulando um discurso mais sincero e menos demagógico. Isso já seria um ganho e um avanço político nesse cenário político extremamente miserável (de um lado a outro). Falta no Maranhão um debate público, isto é, debate sobre coisas públicas. O personalismo e a predominância de questões privadas cansam qualquer um e, principalmente, o cidadão que ver seus direitos diariamente negados na saúde, na educação, no transporte, na segurança etc. 

O ajuste intra-oligárquico está assumindo a forma de diluição conservadora. Diluição conservadora não é o conservadorismo se diluindo, não é isso. Trata-se da situação em que o elemento oposto ao conservadorismo é diluído no conservadorismo, como se fosse um ajuste de tom, mas na direção da matiz hegemônica. 

O ano de 2014 ainda não será o ano do triunfo dos diluídos, mesmo que ocorra uma vitória eleitoral. Dependendo do cenário nacional e internacional, uma vitória eleitoral dos diluídos já em 2014 pode resultar em um grande estrago político para eles. Aí... vai ser não o início do fim de uma supremacia mandonista, mas o início de mais uma revitalização do grupo mandonista que controla o estado ao longo de quase 50 anos. Será a 3ª vez que se revitalizará, mesmo já fossilizado. O mínimo a esperar é que isso não ocorra. Porém, que não nos iludamos tanto. Nada será tão novo que o velho. 

sábado, janeiro 12, 2013

A cidade desgraçada, na pele e nos cofres


Rio Gangan, obra mostrada como concluída no horário eleitoral. Aí tem recursos federais. 

Em qualquer país em que os aparelhos  de Estado gozem da mínima efetividade de institucionalidade pública o ex-prefeito de São Luís estaria sob forte investigação. Não só isso, os ocupantes dos postos do primeiro  escalão também estaria sob o mesma investigação.

Inconcebível que no Brasil a prática de pilhagem e sucateamento de bens públicos não figure como uma falta gravíssima e ainda conte com a omissão de instituições que deveriam zelar pelo  controle e transparência do atos que envolve o patrimônio público.
A forma com diversas secretarias e órgãos da administração pública  municipal foram deixadas requer imediato levantamento, apuração e responsabilização dos responsáveis. Inadmissível a omissão-cúmplice de inúmeras autoridades (agentes estatais) , que deveriam estar exercendo seu papel fiscalizador e regulador, mas nada fizeram até agora. Como em uma República atos dessa natureza ainda são possíveis? Como ações de tamanho dando público e que ferem a própria integridade institucional republicana não configuram como de competência federal?

O que o ocorreu na Prefeitura de São Luís é um absurdo atentado contra a coisa pública, onde foram mesclados pilhagem,  incompetência e irresponsabilidade.
A última gestão deixou um rastro de irresponsabilidade pública sob todos os aspectos e promoveu uma diluição sistemática dos marcos regulatórios, particularmente  através de uma generalizada complacência e permissividade, que tinha como objetivo a promoção de clientelismo eleitoral.

Hoje a cidade está emporcalhada de cartazes de toda a natureza nos muros, nos postes, nas pilastras dos viadutos, nas fachadas dos casarões etc. Anúncios de aluguel de pula-pula, desentupidor de pia, montagem de móveis, segurança, cursos, atendimento espiritual, anúncios de aluguel de imóveis etc. Mas as grandes vedetes dessa poluição e sujeira são os cartazes das bandas musicais de outros estados. A poluição visual, sonora e luminosa tomou conta da cidade.  Tudo foi permitido em nome de apoio e em prol exclusivamente da sede pelo poder.

Calçadas ocupadas e tomadas como estacionamento, licenciamento de obras irregulares, desrespeito à lei de zoneamento e a não  aplicação das sanções devidas aos atos infracionais. Total incapacidade de exercer de forma efetiva os serviços que são de competência do município. Hoje é comum carros e motos circularem nas vias com placa sem selo, motos sem retrovisor etc. Total e completa baderna.
Castelo gastou mal, errado e de forma indevida.

Esperamos que ao menos as obras e secretarias que receberam recursos federais sejam fiscalizadas e  investigas.

A cidade de São Luís reflete hoje, nas suas ruas, avenidas e esquinas a face do que há de pior, mais atrasado e anacrônico na política brasileira: o lixo residual do autoritarismo, mandonismo e patrimonialismo.  


sábado, setembro 15, 2012

Por que os candidatos não falam dos limites e divisas entre São Luís e São José de Ribamar?



Observem. Como e por qual critério foi firmado esse imenso corredor que assegura São José de Ribamar possuir a praia do Araçagi? Qual critério e elementos foram suficientes para essa praia pertencer ao município de São José de Ribamar?  Esse corredor é estranho. Primeiro, A praia/o bairro do Araçagi se encontra bem distante da sede do município de São José de Ribamar e não se desenvolveu sob sua influência, mas sob a administração do município de São Luís que, ao longo dos tempos, implementou melhorias nessa localidade. Segundo, o bairro do Araçagi é urbanisticamente integrado ao município de São Luís, sendo a praia uma referência histórica da cidade de São Luís.

Ora, essa delimitação é uma articulação feita para beneficiar o município de São José de Ribamar quanto ao repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Entenda o FPM:

 “Transferência constitucional composta de 22,5% da arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados. A distribuição dos recursos aos municípios é feita de acordo o número de habitantes. São fixadas faixas populacionais, cabendo a cada uma delas um coeficiente individual. O mínimo é de 0,6 para municípios com até 10.188 habitantes e o máximo é 4,0 para aqueles acima 156 mil. Os critérios atualmente utilizados para o cálculo dos coeficientes de participação estão baseados na Lei 5172/66 (Código Tributário Nacional) e no Decreto-Lei 1881/81. Do total de recursos, 10% são destinados às capitais, 86,4% para os demais municípios e os 3,6% restantes vão para um fundo de reserva que beneficia os municípios com população superior a 142.633 habitantes (coeficiente de 3.8), excluídas as capitais.” (C.D) 

Foi por esse motivo que o corredor foi montado, em detrimento dos municípios da Raposa, Paço do Lumiar e São Luís. São José de Ribamar incorporou, graças a essa mágica, bairros bastante populosos, que cresceram e foram beneficiados pela administração municipal de São Luís. Exemplos: Araçagi e parte do Cohatrac.  Com isso a população do Município de S. J. de Ribamar deu um salto. Além disso,  Povoados como a Maioba, que fazem parte das referências simbólicas e culturais de São Luís, passaram a ser do município de São José de Ribamar. Esses limites precisam ser revistos e não podem ser aceitos como consolidados. As populações desses bairros precisam ser ouvidas e terem a chance de se manifestarem sobre isso. O correto é que seja efetivada uma consulta junto aos moradores e que eles possam optar. 

É de se requer que os limites de São José de Ribamar tenha fim no Tijupá Queimado, onde deve ser estabelecida uma nova divisa.

Aceitar essa configuração dos limites de S. J. de Ribamar é abdicar de patrimônios de São Luís e concordar com perda de receita. O que aí está é estranho e reflete o descaso das autoridades municipais de São Luís. 

sexta-feira, setembro 14, 2012

O significado de 21 para 31 vereadores


A Câmara Municipal de São Luís aumentou o número de cadeiras. Em 2008 eram só 21 vagas para vereador. Graças ao Projeto de Emenda Constitucional,vulgarmente conhecido como PEC dos vereadores. A EC nº 58, estabeleceu um novo cálculo e 22 capitais ganharam o direito de aumentar o número de vagas. São Luís aumentou até o limite. Isso, senhores contribuintes, fez com o número total ir de 21 para 31 de vereadores. Porém, a parte mais significativa dessa questão é custo gerado ( mais). Essa mudança vai consumir mais de 6 milhões do erário público. No ano de 2011, em São Luís,  o número de inscrições no Bolsa Família ultrapassava a marca de 77 mil. O custo dessa transferência de renda era de 9 milhões. Mais vagas, mais custos e menos recursos para investir em melhorias sociais. No meio disso tem vários sangradouros, por exemplo, as assessorias etc. Essa função de assessor precisa ser disciplina melhor. Muito comum hoje, no serviço público, assessores de luxo. Nada contra a atividade. mas se são ajudantes particulares, que sejam pagos com o dinheiro do bolso do próprio chefe e não com os recursos do orçamento público. Espero que esse número de vagas traga uma renovação para a Câmara, no mínimo, 60% de novos vereadores em ideais e compromissos. Defendo a redução dos salários dos políticos em todos os níveis. Aqui, na Câmara,  deveria ter uma redução de 40%, de forma linear...

quarta-feira, agosto 29, 2012

São Luís: Kit de banho 400 anos



A falta de água tratada em São Luís é fruto da perversidade dos poderes executivos e da omissão-cúmplice de diferentes autoridades nas diversas esferas do Poder Público. Não estamos em região desértica e o estado conta com vários rios perenes. A Prefeitura e a Câmara Municipal não podem continuar ignorando o fato que esse serviço de abastecimento de água é uma concessão. Isso é uma absurdo. Banhar regularmente debaixo de um chuveiro virou um luxo e só para os cidadãos incomuns. Nós, mortais e "cidadãos" comuns... estamos condenados ao KIT. Basta!!!!

sexta-feira, agosto 24, 2012

Caos na ilha da Serpente: ingratidões e perversidades


Aproxima-se a data dos 400 anos de São Luís. Muito falatório, propagandas e, pasmem, um enorme circo. Sim, a cidade será transformada em um verdadeiro circo, promovido pelos Governos Estadual e Municipal. O primeiro, ocupado pelo mesmo grupo há 46 anos, vai utilizar a fórmula circo e circo, tão construída por eles. O segundo, ocupado por um dissidente que, em nada, fica atrás do seu mentor, muito pelo contrário, o supera em diversos níveis. Esse está aplicando a fórmula do absurdo. Quanto mais distante e destoante da realidade melhor. 

No meio desse jogo de cena dos compadres, Sarney e Castelo, está o povo, cada cidadão dessa cidade que sofre diariamente com a falta de água, de saneamento básico e quase todos os serviços básicos... Deficiente e absurda é a capitação e destinação dos esgotos e o tratamento é quase inexistente. Não bastando isso... alarga-se a questão do lixo, deficiente tanto na coleta quanto no destino, que conta com um aterro com   a capacidade já praticamente esgotada. 

Entretanto, as deficiências administrativas e entraves políticos não param por aí. São Luís tem um sistema de transporte coletivo ruim e totalmente inadequado para a configuração da cidade, que pouco sofreu intervenções planejadas, de caráter mais global e que desse melhores condições de trafegabilidade e acessibilidade. 

O transporte coletivo é todo feito por ônibus (ruins, velhos e sujos), complicando ainda mais o trânsito nessas avenidas e ruas estreitas. Com a sobrecarga de veículos particulares nas ruas, em boa parte pela ausência de um sistema de transporte coletivo de qualidade, inviabiliza a ampliação da frota de ônibus, o que geraria mais engarrafamentos e lentidão no trânsito. Isto é, o que existe hoje é insuficiente para a demanda. Principalmente para quem precisa ir para o trabalho em transporte público.

A medida adotada de criar terminais de integração  tem se mostrado ineficiente e onerosa, o custo da manutenção dos terminais é alto e a entrada e saída dos ônibus desses terminais aumenta muito o tempo de viagem. 
Completando o caos desse modelo de transporte, durante o percurso dos ônibus não existe disciplinamento e planejamento mais racional das paradas, não há paradas seletivas nem de interligação. Todos os ônibus param nas mesmas paradas ou em locais não sinalizados. As paradas podem servir de núcleo de integração e o passageiro só pagar uma passagem, basta adaptar as paradas e adotara a bilhetagem eletrônica. 

Para quem está na condição transeunte, andando a pé, enfrenta todo tipo de dificuldades.  Faltam calçadas, algumas calçadas são ocupadas por carros, desnível de calçada, artefatos de contenção: grades, tocos, barras de ferro etc. Em diversa avenidas, tais como Holandeses e Jerônimo de Albuquerque tem centenas de metros sem calçada, o que dificulta o deslocamento de quem está a pé. Em alguns trecho, não falta só a calçada, mas o espaço está tomado por mato ou entulho. Em diversas áreas de concentração comercial e de difícil travessia não existem passarelas, nem passagem subterrâneas. 

Para quem se arrisca, é isso mesmo, quem se arrisca andar de bicicleta as dificuldades são muitas e perigosas. Não existem ciclovias e nem há um projeto de adequação das avenidas para isso. A violência no trânsito avança a cada dia. Condutores de carros que não respeitam as sinalizações mínimas e muito menos respeitam os ciclistas. Para aumentar o problema do trânsito existem uma quantidade significativas de condutores de moto sem o menor preparo, conduzido alguns desses veículos sem respeitar qualquer sinal. Está em curso um processo de multiplicação dos acidentes.

Sobre o trânsito também podemos dizer que a sinalização é precária e extremamente mal planejada. Existem semáforos cuja função é só gerar multas ao condutores. Já em outro trechos, não existe um só. Essa forma desorganizada e não planejada de sinalização é dos provocadores de acidentes e congestionamento em diversos pontos da cidade, por exemplo avenida Guajajara, Jerônimo de Albuquerque, São Luís Rei de França. 

Como se não bastasse a sinalização deficiente e imprópria a estrutura viária é arcaica, precária e caótica. Continuações de ruas e avenidas tem sido interrompidas por condomínios, casa e prédios comerciais, o que tem impedido novas interligações e sobrecarregando vias de alto fluxo, exemplo, o Turu, onde os condomínios foram construídos de forma aglomerada sem serem intercalados por novas vias.

Os cruzamentos das grandes avenidas não dispões de intervenções que eliminem os cruzamentos, os elevados feitos foram pessimamente projetados, verdadeiros atestados de incapacidade técnica. Hoje os maiores engarrafamentos são nesses elevados. Faltam viadutos e vias elevadas para que o trânsito flua normalmente.  Mas tem uma necessidade séria e que ninguém trata: o alargamento de ruas e avenidas. Inexiste qualquer propósito dos governantes de indenizar prédios e moradias em alguns trechos e eliminar com afunilamentos e gargalos que existes em pontos crucias, tais como no Anil, entre a faculdade  Cest e a Rotatória da Cohab, a ponta da avenida do Barramar, que dá acesso à Litorânea, o trecho entre a avenida 04 da Cohab e a estrada da Maioba etc. 
A cobertura asfáltica e as demais formas de calçamento precisam de reparos sérios, com serviços integrados de pavimentação e drenagem. O Jardim São Cristóvão é desses exemplos. Existem verdadeiras lagos nas ruas desse bairro, e o revestimento asfáltico não sustenta por falta de drenagem, meio fio e canaletas. 

Por último, na contramão de um desenvolvimento sustentável, João Castelo resolveu encimentar as calhas naturais dos rios e os condenar a serem canais de esgoto. Ao invés de retirar os esgotos de dentro dos rios, a prefeitura está transformando os rios em puro esgoto. Verdadeiros atentados ambientais e confirmação de uma mentalidade atrasada e em descompasso com o tempo.  

São Luís não possui nenhuma avenida que com uma arborização adequada e que seja paisagisticamente interessante. Faltam árvores na nossa cidade. O modelo de jardinagem implantado por Jackson/Tadeu vem sendo seguido por Castelo. É caro, não causa grande impacto na paisagem, aliás... pouco são notados. A consequência maior é para os cofres públicos, pois são milhões já gastos nesses canteirinhos com essas plantas exóticas. Hoje os cidadãos dessa cidade não dispõem de uma só área verde equipada para a prática de esporte e lazer. Não existe nenhum investimento nesse sentido. Não existe vontade e nem ideia. O atraso complementando a ganância. 

Os moradores de São Luís estão condenados a ter como locais de passeio as prais e as praças de alimentação dos shoppings. Esses últimos de arquitetura de mal gosto e de acabamento deficiente. Vide o desabamento do teto, alagamento e incêndios que já ocorreram no interior desses estabelecimentos. As prais estão tomadas de fezes. As construtoras não só construíram sobre falésias e dunas, não satisfeitos com isso, lançaram o esgoto dos condomínios in natura nas praias. A taxa de coliforme fecais é alta.  São Luís está em uma ilha de estuário o que complica mais a situação, pois isso afeta diversos ecossistemas. 

O abastecimento de água de São Luís é uma vergonha, mais vergonhosa é o sucateamento da CAEMA e a contratação de carro pipa para fazer abastecimento, alguns ex-carros de transportar combustível. Pode? O tanque é o mesmo. Pois bem, essa carência de água é fruto da incompetência, do descaso e da pura e absoluta perversidade. O sistema do Batatã pode ser ampliado e pode se fazer outros reservatórios desse tipo com fontes perenes de água ainda existentes na ilha. O sistema Italuís pode ser complementado com capitação de água de outros rios menores, criando um sistema interligado. Três grande rios correm na direção da Ilha: Itapecuru, Pindaré e Mearim. Isso é um privilégio e não se justifica faltar água nessa cidade de São Luís. Faltou investimento e compromisso com coisa pública. A estratégia é descredibilizar a CAEMA, colocar a população em um situação de calamidade e depois privatizarem. Adivinhem que vai privatizar... 

Porém, essa situação não persiste sem cumplicidades e omissões. O poder público municipal, o Executivo também é responsável por isso. Esse serviço de captação, tratamento e distribuição de água é uma concessão. Cabe ao poder público municipal questionar a qualidade dos serviços prestados. Soma-se a isso a inoperância e cumplicidade do poder Legislativo Municipal, que efetivamente não buscou defender os interesses da população. É uma irresponsabilidade produzida pelo criador e a criatura. Tudo isso é a somatória desses fósseis políticos, herança da ditadura. Diversas cidades brasileiras já abriram licitações e já trocaram de empresa, visando a qualidade desse serviço.

sexta-feira, agosto 17, 2012

Política: a Crônica crônica da coisificação

Autor: não foi possível identificar.

No Maranhão, intelectualidade é exercício de vaidade, deleite ou qualquer outra coisa, mas bem pouco tem a ver com compromisso acadêmico e responsabilidade com o conhecimento científico. Impera, desde os primórdios, uma intelectualidade predominantemente estética e poética. Agora, no entanto, o achismo começa a assumir o controle do pensamento. Difícil encontrar uma exposição fundamenta ou que seja fruto de observações e investigações cuidadosas. As generalizações nascem e são lançadas movidas exclusivamente pelas idiossincrasias.

Nesse meio há uma dificuldade enorme de fazer uso de aspas e de indicar o que está parafraseando. Cada um procura dizer de um jeito “inovador” o que já foi dito para não citar o trabalho alheio. Essa arrogância é recorrente. Não é à toa que diariamente encontramos textos onde os autores repetem:  “Eu já disse isso”, “eu escrevi isso anteriormente”, “como escrevi no passado”. Enfim, todos são donos, ninguém toma nado emprestado, tudo nasce originalmente dessas super-cabeças.  

A Crônica é a ferramenta da narrativa desse meio “analítico”, “crítico”, “reflexivo”, “interpretativo”. Observa-se que são poucos os adeptos da forma padrão - narrativa na primeira pessoa. Outros desconsideram a ordem cronológica dos acontecimentos. No entanto, há uma notável impecabilidade no subjetivismo. Também de grande monta o uso dos recursos literários: metáfora, ambiguidade, antítese... Porém, é o estilo que encontra leitor. Quem vai ler textos na forma de artigos científicos?

Consolidou-se no Maranhão tratar os fenômenos políticos por uma via literária e humorística. Existe nessa literatura uma dificuldade de considerar a totalidade e o contexto, além de tratar de forma indiferenciada conjuntura e estrutura. Porém, os problemas mais agudos são: monocausualismo e coisificação dos fenômenos sociais. Essa visão torna imperativo ver os fenômenos como coisa para fora, tudo acontece de um lado de fora, como se fosse possível existir um lugar desligado e imune aos efeitos e à composição da totalidade, do contexto. Soma-se diluição e enfraquecimento da complexidade dos fenômenos, que são multiplamente produzidos. A dimensão multicausal parece ser algo herege. Prepondera uma dialética-sem-mundo.

O que deveria ser exploração de conceitos não passa de reprodução naturalizada dos mesmos. Não informa, não descreve o dado, mas mistifica. O problema da subjetividade não é ela existir, é ignorar a necessidade do esforço de seu policiamento. É amiga e inimiga (E.Morin). A palavra jogo pouca vezes é utilizada enquanto conceito e referida à teorias. Por exemplo, teoria dos jogos, das escolhas racionais. Tão pouco é entendido sobre o jogo que o mesmo não é visto com disputa que possui regras e diversos níveis de complexidade, dentro de uma dada configuração (N.Elias).

O achismo tem feito assento em clivagens a partir de categorias que não possuem comprovação de terem centralidade e grande influência nas interações e ações políticas, não motivam e não dão sentido as mesmas. Isto é, categorias que nunca foram comprovadas como elementos ordenadores dos posicionamentos e tomadas de decisões políticas.

O sarneísmo é uma manifestação contemporânea de mandonismo. As oposições com a mentalidade corrente estão produzindo, nesse espaço político, um paradoxo ortodoxo, similar ao formulado por Kahler.  

Estamos confortavelmente tomados por crenças e dogmas puristas, coisificação de fenômenos sociais, dualismo determinista e falseamento.  Nunca fomos tão obscuros e superficiais... Realidade. O que é realidade?


domingo, junho 10, 2012

400 anos e o Império do atraso: São Luís



Caminhão-pipa sendo abastecido em poço na estrada da Maiobinha. Detalhe: Ao lado passa um rio que está todo poluído de esgoto.  
A questão é: Quem está  fiscalizando a qualidade da água distribuída pelos caminhões pipas? 
Qual o critério utilizado pela Caema para entregar essa água? 
Na foto maior o carro estava no Cohatrac IV.  
O certo é que o grande negócio do século XXI em São Luís é carro-pipa... apenas trocamos os jumentos pelos caminhões.. as pipas e os burros permanecem!

terça-feira, junho 05, 2012

400 anos. O que falta e o que sobra



(foto feita ontem cedinho)... Caminhão pipa levando água para o Tribunal de Justiça do Maranhão, na capital do estado... mas a cena lembra mais uma cidadezinha do agreste em pleno período de estiagem.
Em São Luís e no Maranhão está sobrando péssimos administradores e representantes políticos, e faltando tudo que é básico para uma vida digna. Está aqui um pouco do perfil desses 400 anos (de angústias ). 

sábado, março 24, 2012

CASTELO E AS FLORES DO MAL



As rotatórias (lá para as bandas do Calhau) estão recebendo um tratamento “paisagístico”. A fórmula utilizada por Palácio no final de mandato está sendo reeditada por Castelo. Uma patacoada onerosa aos cofres públicos. Trata-se literalmente de flores do mal. São jardins contábeis por onde adubos e folhas fecham cifras monetárias do erário público. Coisa de caudilho, mandão, coronel, patrimonialista e da extrema-direita raivosa.



O que precisa ser plantado nessas rotatórias são viadutos, alças e vias elevadas para acabar com os engarrafamentos que elas geram. 

Vergonhoso ver essas ações infames serem reproduzidas de forma livre e sem maiores constrangimentos. Verdadeira floração anti-republicana.

 A reeleição com a permanência do ocupante do executivo, no cargo, é uma condição favorável ao fortalecimento dessas práticas danosas. Onde ações são forjadas para o mero exercício de promoção eleitoral e criar justificativas de gastos inomináveis.
Trata-se de uma grosseria do ponto de vista político e só a cegueira cúmplice não ver o quanto é oneroso para os cofres públicos uma “maria-sem-vergonha” e uma “palmeira-fênix” em um fim de mandato.



ISSO É UMA VERDADEIRA JARDINAGEM DA NOSSA MISÉRIA POLÍTICA!



sábado, março 10, 2012

TIPOS IDEAIS: OS MÚLTIPLOS DO PT E OS PETISTAS DOS MÚLTIPLOS




É recorrente, entre humanos, buscar recursos de simplificação que possam ajudar no processamento de equações do tempo, do espaço, do lugar, das situações, dos fenômenos etc. O dualismo é um desses recursos e, talvez, o mais operativo.

O exercício comparativo e percepção de similaridades são as chaves propulsoras do sucesso da simplificação dualista. No entanto, não nenhuma simplificação simples, por mais simplificador que possa ser seu resultado.

A composição, organização e inserção do Partido dos Trabalhadores (PT) no contexto político maranhense são recorrentemente pensadas e alisadas sob o recurso da simplificação. Ora, a utilidade desse recurso repousa sobre um leque enorme de fins e interesses. Exemplo: simplificar para camuflar, dissimular, iludir, racionalizar tendências etc.

1-           A aliança PT/Sarney é, antes de tudo, uma criação do comando nacional do partido. Tudo em conformidade com a lógica partidária predominante em torno da disputa do poder político, pela via eleitoral. Onde a justificação é toda montada na condição de governabilidade e de um “projeto nacional”.
2-           O PT no Maranhão não se reduz aos senhores Dutra e Washington, mas são os dois que monopolizam a guerra intestinal do partido, sendo também os maiores coletores dos frutos dessa lide.
3-           A classificação entre sarno-petismo e resistência mais esconde do que revela. Trata-se de simplificação para alimentar ocultações.

4-           NO SARNO-PETISMO TEM UMA ENORME VARIAÇÃO. CITO ALGUMAS:
a-     Operacionais - vão para onde o partido mandar, ordenam suas vidas a partir do partido e atuam como funcionários;
b-     Boss-políticos - (empresários, religiosos, marqueteiros etc.) pessoas de negócios, vivem da política, a convicção muda conforme as oportunidades do mercado político, entram e saem do partido movidos pelo montante de vantagens;
c-     Desterrados-de-jackson - aqueles que não barganharam nada no governo da libertação e estavam buscando uma oportunidade de vingança;
d-     Piratas - estão sempre atrás de tesouros e têm um olho escondido por trás do pano preto. Ficam jogando nos bastidores com suas peças preferenciais: chantagem e traição. Vivem do partido e seu foco é ascender socialmente de uma forma fácil. Flertam e fazem gestos tentadores para a Resistência sempre que querem arrancar mais alguma coisa do núcleo central do sarno-petismo.
e-     “Inexplicáveis” – são aqueles enquadrados na teorização lobatiana: “Aquilo que não se explica ou é C..., D... ou P....”.  
f- Ex-órfãos de Jackson - participaram do governo da "libertação" e ficaram VICIADOS nas benesses do poder e da boa vida palaciana. Descobriram o brilho da "carreira" de cargo comissionado e querem a todo custo se manter nisso. A doce vida.

5 – A RESISTÊNCIA  TAMBÉM TEM INÚMERAS VARIAÇÕES. DESTACO:
a-     Dutra - o Guerreiro de Saco das Almas, trata-se de uma personagem constituída e mantida no embate frontal com o sarneísmo, tem a hegemonia e preferência do nicho eleitoral constituído pelos anti-Sarney. Ele tem vida eleitoral-política própria, seu fãs o adoram independente de partido. Ele é por ele e se auto-traduz;
b-     Devocionários - existe um PT que só eles veem, fruto de uma crença, de uma paixão total. Mas é uma entidade ideal que é projetada na realidade na forma de uma miopia intensa. Só eles conseguem experimentar essa realidade fora da realidade. Em alguns, isso se manifesta como uma mistura de transe e delírio. São incapazes de encarrar o PT que existe na realidade política do país e no governo. Até hoje não admitem que foi Lula que procurou Sarney, que a aliança Sarney-PT, antes de chegar no Maranhão já era uma realidade polpuda no plano nacional – o Maranhão não é nacional. Não admitem que essa aliança nacional impôs uma humilhação ao petismo maranhense, além de priorizar e favorecer a continuidade do mandonismo sarneysista. Levam porrada direto, mas são incapaz de tecer críticas ao partido. A culpa toda é de Sarney ou Washington. Tudo se justifica pelo projeto nacional ou tendência;
c-     Dutristas – várias frações e grupos com certa autonomia, mas que gravitam em torno de Dutra, sempre acompanham os lances e ações dele para se posicionarem. Alguns são dependentes políticos do guerreiro;
d-     Caos-petismo – são castelistas envergonhados, que fazem uma política de inserção no ninho tucano de forma camuflada. Estão na resistência fazendo teatro, gente que só quer uma certificação de ter lutado contra Washington/Sarney. Isso para depois justificar, em nome do anti-sarneísmo,  sua adesão ao tucanato castelista. Querem encobrir com o anti-sarneísmo a condição neoliberal e de extrema-direita de Castelo. Tudo justificado pela luta contra Sarney; 
e-     Revoltados masoquistas – não aceitam aliança com os Sarney, fazem críticas abertas ao partido, não encontram mais coerência entre o discurso e a prática partidária. São indivíduos que não sentem mais identificação com o partido, mas permanecem no partido como uma forma de autopunição, autoflagelação;
f- Órfãos de Jackson - aqueles que tinham um espaço comissionado no governo da "libertação". Uns estão tentando achar uma posição sem a luz das benesses do poder. Outros agem em busca da recuperação. Ficaram traumatizados com a cassação e ainda não se encontraram no espaço tempo da política, gente magoada;
g-      Resistentes – são os que propriamente compõem a resistência.  Assumem críticas ao partido, lutam por ampliação de espaço dentro do partido e apostam em uma retorna de foco do projeto partidário pela via democrática, progressista e popular. Não fazem concessões à direita política. São pessoas com serviços prestados ao partido. Não vivem da política nem do partido. Vivem para a política e para o partido. Acreditam na Política como espaço humanizado e humanizador. São opositores firmes ao sarneísmo, sem farsas nem proveitos pessoais.  Mas é uma minoria política e numérica. 

É óbvio que estamos diante de uma tipificação incompleta, muito aquém da variedade existe na realidade. Coloco em destaque, para melhor entendimento, que cada tipo desses pode estar combinado a tantos outros tipos. No corpo de um operacional sempre cabe um pirata e vice-versa.

No entanto, a visão dualista corrente é muito estreita e contorcionista, particularmente ao tratar da aliança PT-Sarney, tanto no que tange a autoria como sua abrangência e consequência.
Por outro lado, é sempre bom frisar que anti-sarneísmo não é atestado de idoneidade moral, nem de competência. O anti-sarneísmo tem sido utilizado como guarda-chuva sob o qual diversos tipos venais estão escondidos. Somo a isso a malandragem enganadora de justificar apoio a Castelo em nome do anti-sarneísmo. Não há nenhuma coerência nisso, e petista que é oposição aos Sarney não pode apoiar Castelo, pois não estaria fazendo um voto melhor, mas um voto muito pior, pois esse senhor é um subproduto, um resíduo político tóxico do mandonismo sarneysista.

Superar o mandonismo saneísta é derrotar e remover da arena político-partidária seu núcleo e todas as suas crias malévolas. Não superação sem traumas. Todo parto é um fato-dor.. por mais belo que possa ser o nascimento! 

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Ilusão de carnaval que custou 9,5 milhões!

Foto capturada na internet. Autor: Preston (?)

TEXTO enviado por Laíse Frasão* :


"No tempo em que se amarrava cachorro com linguiça era conhecido como Capitania do Grão Pará. Com o desmembramento virou Maranhão. Hoje ostenta o título de estado mais pobre do país. Tem o maior número de analfabetos e de desigualdade social. É a terra do latifúndio, falta dinheiro para tudo, educação, saúde e o saneamento básico é uma miragem na capital São Luis. A atual capitã donatária do Maranhão, pertencente ao clã dos Sarneys, atenta a todo o drama social, resolveu investir 2 milhões de reais no desfile da Escola de Samba Beija-Flor, do Rio de Janeiro. Segundo ela é um investimento importante porque vai trazer turistas para a capital" 


Tudo que foi supramencionado pelo respeitado escritor e jornalista Heródoto Barbeiro está correto [e como está!], com exceção de uma informação: não foram "apenas" 2 milhões, mas sim 9,5 milhões.

Tal "investimento" foi justificado por meio de um batido e tortuoso discurso, que visa, na verdade, exaltar a própria vaidade da queridinha do Sarney. A filha do presidente do Senado Federal, José Sarney, afirmou: “Nosso [o do clã Sarney] objetivo é fortalecer o Carnaval e a cultura maranhense. Apoiar o desfile da Beija-Flor é uma maneira de ampliar a divulgação da cultura, das belezas e riquezas do nosso estado para todo o país, com a expectativa de atrair renda e emprego através do fortalecimento do turismo. A partir dessa iniciativa, os próximos carnavais deverão ser ainda mais empolgantes, com nossas brincadeiras tradicionais ganhando destaque e se consolidando no cenário nacional”.

Agora uma pergunta que fica no ar... como este desfile, que por sinal não fez menção aos 400 anos da cidade, sequer destacou outras manifestações culturais do nosso estado [partindo do pressuposto de que não existe nada além do bumba-meu-boi], ou mencionou grandes nomes do nosso cenário artístico e cultural como, por exemplo, Antônio Vieira e João do Vale, irá fortalecer o potencial cultural e turístico do nosso Estado?
A Beija-Flor vendeu uma história tão falsa quanto as propagandas do PMDB! 
Como um samba-enredo fraco e mal fundamentado do ponto de vista histórico e cultural pode trazer tantos benefícios? ou melhor benefícios para quem???
A prova disso é que mesmo com tantas notas 10 [e muitas outras notas de 100,00 que rolaram] a Beija-Flor não levou o carnaval como sonhou o clã Sarney e ainda fez um triste carnaval que refletiu uma triste realidade.
Quando um turista vem ao nosso Estado o que ele encontra não é a beleza do bumba-meu-boi em cada esquina, ou o melhor português do Brasil...mas sim é confrontado com a pobreza, fome, falta de infra-estrutura e uma fila de analfabetos. 
Quantos benefícios poderiam ser repassados para comunidade maranhense com este dinheiro...
Você está em casa, torcendo pela Beija-Flor...achando magnífico tamanha homenagem, chegando a ter orgulho da atitude da sua Governadora!
Enquanto isso, várias famílias gostariam de ter apenas o que comer em casa, ou melhor, ter uma casa!
O povo do Maranhão não mora em casa de taipa porque quer, como afirmou o sr. Murad, mas sim porque nós permitimos que nossos representantes gastem 9,5milhões com alguns poucos e com uma ilusão de carnaval.


* Laíse Frasão
Maranhense, graduanda de Arquitetura e Urbanismo -  Universidade de Brasília (UnB)

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